O marco jurídico importante para o empregado rural foi o Estatuto do Trabalhador Rural, através da Lei nº 4.214, de 02 de junho de 1963, em que se tem uma situação anterior e outra posterior a esta legislação, pois a CLT (que é de 1943) veda expressamente sua aplicação ao rural, conforme prevê o art. 7º, “b”, estendendo apenas poucos direitos como o salário-mínimo, férias, remuneração e aviso-prévio.
Num momento posterior, a Lei nº 5.889/73 passaria e cuidar das relações dos empregados rurais; por fim, a CRFB de 1988 fixou no caput do seu art. 7º, uma quase total paridade entre os trabalhadores urbanos e rurais, resguardadas algumas especificidades em torno desta categoria especial de trabalhadores.
Algumas distinções entre o rural e o urbano podem ser constatadas na questão do trabalho noturno, intervalo intrajornada, que observa os usos e costumes da região.
Sobre o trabalho noturno para a pecuária, é fixado entre às 20:00 horas de um dia até às 04:00 horas do dia seguinte, considerando a duração da hora noturna em 60 minutos, em que deve haver o pagamento do percentual relativo a 25% de adicional, que é quase a mesma coisa para a agricultura, diferenciando-se apenas quanto ao início e final do horário noturno, que é a partir das 21:00 horas de um dia até às 05:00 horas do dia seguinte, permanecendo o mesmo entendimento quanto à duração da hora noturna e do adicional a ser pago.
Atividade de Estudos:
1) Cite e explique as partes do elemento específico caracterizador do empregado doméstico?
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imprescritibilidade das parcelas durante todo o período contratual do empregado rural, tratando-se de beneficio ao rural e não um tratamento discriminatório, mas essa diferenciação desapareceu em 2000, com o advento da EC nº 28, que fez a unificação dos prazos urbanos e rurais de prescrição.
A configuração do empregado rural também leva em conta os mesmos elementos ensinados no início deste capítulo, que integram a relação de emprego, porém, há um elemento específico que se soma aos já comentados para caracterizar o empregado rural. O elemento específico que faz o enquadramento do rural é o seguimento de atividade do empregador e em imóvel rural ou prédio rústico.
Desta forma, o empregado rural será aquele que possui vínculo a um empregador rural, independentemente dos métodos de trabalho e dos fins da atividade desempenhada pelo empregador rural, mesmo para empresas de florestamento e reflorestamento, que, pela jurisprudência, possuem enquadramento como rurícolas e não como indústria, já definida na OJ 38 – SDI-I/
TST. Há um outro critério que seria o do local da prestação do serviço rural, que, conforme determina o art. 2º, caput, da Lei nº 5.889/73, refere-se ao imóvel rural ou prédio rústico.
O empregado rural pode ter como exemplo o datilógrafo ou o almoxarife, o administrador da fazenda, pois tem um vínculo com empregador rural, muito embora o método de trabalho não seja agropastoril, exatamente. Com exceção das categorias diferenciadas, o enquadramento dos demais trabalhadores se dará de acordo com o empregador rural.
Sobre a questão do imóvel rural ou prédio rústico, o imóvel rural é a zona geográfica que se situa no campo, ou seja, exterior às áreas urbanas; já o prédio rústico é onde exercem as atividades agropastoris e são situados em localidades que se encontram no espaço urbano. Desta forma, independentemente do local, o importante a ser analisado quanto ao enquadramento do empregado rural é a natureza da atividade empresarial, em que, por exemplo, será considerado rurícola o lavrador que cultiva uma horta no centro de uma grande cidade.
A caracterização do empregador rural, nos moldes do art. 3º, caput, da Lei nº 5.889/73, é “a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que explore atividade agroeconômica, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou através de prepostos e com auxílio de empregados”. Além disso, há, ainda, a equiparação ao empregador rural “a pessoa física ou jurídica que, habitualmente, em caráter profissional, e por conta de terceiros, execute serviços de natureza agrária, mediante utilização do trabalho de outrem” (conforme “caput”, do art. 4º, da Lei nº 5.899/73).
O Empregado e o Empregador
Convém destacar que a atividade agroeconômica engloba as dimensões agrícolas, pecuárias e agroindustriais, que tenham destinação ao mercado.
O Decreto nº 73.626/74, § 4º, art. 2º, que regulamenta a lei do rural, determinou que a noção de indústria rural deve se restringir “às atividades que compreendem o primeiro tratamento dos produtos agrários in natura sem transformá-los em sua natureza”. Este decreto traz como exemplo de tipos de indústria rural, segundo sua ótica restritiva, de um lado, “o beneficiamento, a primeira modificação e o preparo dos produtos agropecuários e hortigranjeiros e das matérias-primas de origem animal ou vegetal para posterior venda ou industrialização”; de outro lado, traz o destaque sobre “o aproveitamento dos subprodutos oriundos das operações de preparo e modificação dos produtos in natura, referidas no item anterior” (Decreto nº 73.626/74, art. 2º, § 4º, incisos I e II).
Com essas considerações, é possível fazer um fracionamento do empregador agroeconômico, no qual é possível conviver dois seguimentos jurídicos no mesmo estabelecimento, quais sejam: o rurícola e o industrial.
A Lei nº 11.718/2008 incluiu o art. 14-A à Lei nº 5.899/73, prevendo a hipótese de contratação por prazo determinado do trabalhador rural, isto veio para formalizar a situação dos contratos dos “diaristas do campo”, contudo, pela previsão legal, somente o empregador que for pessoa física poderá contratar sob essa modalidade. O contrato por prazo determinado terá duração máxima de dois meses dentro do período de um ano, podendo haver vários períodos descontínuos, mas reservado ao limite máximo legal. Nesta situação, está obrigado o empregador rural a recolher as contribuições previdenciárias e os depósitos de FGTS, devendo, também, anotar a CTPS do trabalhador. A remuneração do trabalhador neste tipo de contratação será a mesma do empregado permanente, além de ter garantidos todos os demais direitos de natureza trabalhista que são aplicados aos contratos por prazo indeterminado.
A nova redação do art. 4º, da Lei nº 6.019/74, dada pela Lei nº 13.429/2017, permite que se possa contratar o trabalho temporário no serviço rural, com possibilidade de ser executada tanto na atividade meio como na atividade fim do tomador de serviços rurais, conforme reforma trabalhista, assim prescrevendo o referido art. 4º “empresa de trabalho temporário é a pessoa jurídica, devidamente registrada no Ministério do Trabalho, responsável pela colocação de trabalhadores à disposição de outras empresas temporariamente”.
Por fim, na questão do salário utilidade, poderá haver desconto do salário acordado com o empregado rural, sendo no máximo 20% para moradia e/ou no máximo de 25% para alimentação, desde que tenha autorização prévia do empregado.