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CAPITULO I – SERVIÇO SOCIAL E AMBIENTE

1. Dimensões conceptuais

A ecologia estuda a relação entre os seres vivos e o seu ambiente, percebendo como totalidade os factores abióticos (ex. o clima e a geologia) e os factores bióticos (organismos que partilham o mesmo habitat) e analisa a distribuição e a abundância dos seres vivos como resultado dessa relação (Ferreira, 1995; Dodson et. al., 1998; Krebs, 2001; Begon et al., 2006; Scheiner and Willing 2008).

O termo Ökologie (ecologia) surge em 1866 pelo biólogo e filósofo alemão Ernst Haeckel (1834-1919), a palavra tem na sua composição dois vocábulos gregos: oikos (“casa”, “lar”) e logos (“estudo”) e significa “o estudo dos lares (especificamente dos

habitats)” estudo esse em escalas diversas, desde os aspectos materiais, biológicos,

humanos e sociais, até ao todo compartilhado com bilhões de seres vivos, pensando a ecosfera.

Haeckel9 referia-se à ecologia como sendo a ciência que estuda as relações dos seres vivos com o seu meio envolvente. Com o tempo, o conceito foi-se expandindo até abarcar o estudo das características do meio, incluindo o transporte de matéria e energia e a sua transformação pelas comunidades biológicas.

De acordo com Ribeiro (s/d:1) apesar de a sua origem ter sido na biologia

A ecologia é plural. É um equívoco e uma visão reducionista considerar a ecologia no singular. Há muito que deixou de ser um único ramo das ciências biológicas. Hoje são

9 Na sua obra “Generelle Morfologie der Organismen” define Ecologia como “o estudo das relações totais dos animais no seu ambiente orgânico como inorgânico e em particular o estudo das relações do tipo positivo ou amistoso ou do tipo negativo (inimigos) entre plantas e animais no ambiente em que vivem”,

aquilo que chamamos a “economia da natureza”, i.e. a transformação através da luta pela vida produzida pelas relações mútuas de todos os organismos que vivem num mesmo local e a sua adaptação ao meio circundante.

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dezenas de campos das ciências ecológicas, presentes nas ciências naturais, humanas, sociais, políticas, económicas, na cultura e nas artes, nas filosofias e nas tradições” ou seja, tornou-se transversal.

A ecologia do desenvolvimento humano

“envolve o estudo científico da acomodação progressiva, mútua, entre um ser humano ativo, em desenvolvimento, e as propriedades em mudança dos ambientes imediatos em que a pessoa em desenvolvimento vive, conforme esse processo é afectado pelas relações entre esses ambientes e pelos contextos mais amplos em que estão inseridos” (Bronfenbrenner, 1996:21).

A ecologia urbana estuda as relações dos seres humanos e demais seres vivos entre si e com o meio ambiente das cidades, os impactos que a urbanização causa no ambiente e as relações culturais, biológicas e económicas dos seres humanos com o ambiente urbano. Tendo a sua formação na Escola de Sociologia de Chicago, o conceito de ecologia urbana foi central, mas a sua abordagem de pesquisa ecológica diferia da visão geral da ecologia social, que considerou o desenvolvimento urbano como analógico para processos de desenvolvimento biológicos, tendo como objecto de estudo as relações e interacções entre os seres habitantes (plantas, animais e pessoas) de uma área de meio urbano. Os seus conceitos e campo estão fortemente ligados a outras áreas, nomeadamente a Geografia, Arquitectura, Urbanismo, Engenharia, Antropologia e Sociologia, tornando-se numa área importante pois a sua aplicabilidade colabora para a melhoria de qualidade de vida dos centros urbanos, analisa as estruturas e actividades urbanas e os seus impactos sobre o meio ambiente com o intuito de promover um desenvolvimento sustentável, definir critérios para a gestão municipal e criação de políticas que promovam uma consciencialização dos indivíduos para as questões ambientais e de sustentabilidade das cidades (educação ambiental).

O fenómeno urbano é centrado nos processos e fluxos que mantém o metabolismo da cidade e a ecologia urbana analisa e procura compreender a complexidade da estrutura urbana, dos fluxos de matéria e energia que interrelacionam a cidade e a sua envolvente.

As cidades ao relacionar-se com o ambiente ao seu redor, de onde extraem materiais, energia, alimentos, água e ar, para o seu uso e consumo, vão provocando impactos ambientais. Alimentam-se de fluxos de energia provenientes de várias fontes, que podem ser ecológicas ou ecocidas (ecologicamente suicidas), ao destruir as fontes de seu próprio abastecimento.

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A ecologia urbana trata dos múltiplos aspectos da cidade como ecossistema, favorece a visão ecológica e integradora desses elementos, do seu funcionamento, organização e a relação das cidades com seus habitantes (Ribeiro, s/d:7).

O conceito de sustentabilidade ecológica, suportado na perspectiva de desenvolvimento sustentável de Sen (1999) e na teoria da Ecologia de desenvolvimento humano de Bronferbraner (1996) procura realçar que nos estamos a desenvolver contextualmente e destaca a importância da correcta alocação de recursos, escassos, para maximizar o bem-estar social da população. A ideia subjacente é a noção de que economia, sociedade e ambiente estão interligados à escala local, regional, nacional e mundial, compondo um enredo sólido de causas e efeitos.

O conceito de “ecodesenvolvimento” foi usado pela primeira vez pelo canadiano Maurice Strong, para dar uma concepção alternativa de política de desenvolvimento (Becker et al., 2002; Calvacanti, 1998). Sachs (1993) é apontado pelos autores como o formulador dos princípios básicos dessa nova visão do desenvolvimento: satisfação das necessidades básicas; solidariedade com as gerações futuras; participação da população envolvida; preservação dos recursos naturais e do meio ambiente em geral; elaboração de um sistema social e garantia de emprego, segurança social e respeito a outras culturas e programas de educação.

Para Sachs, os problemas da pobreza e do meio ambiente podem ser evitados, pois não há quaisquer limites ecológicos ou falta de tecnologia que impeçam a sua superação e, conclui que “os obstáculos são sociais e políticos” (Sachs, 1993:19). Isto significa que pouco adianta promover um meio ambiente cuidado e preservado, empreendimentos com uma política de sustentabilidade, se não se oferecer condições de vida às populações inseridas em cada contexto desse meio ambiente.

A ecologia social aparece, assim, como uma hipótese de superação das incoerências funcionais do actual modelo de desenvolvimento, introduz um nova perspectiva de equilíbrio ecossistémico entre as espécies e entre o homem e a natureza. É uma união entre o ecologismo e o anarquismo que visa o retorno a um comportamento ético com o meio ambiente, defende que a natureza é auto-reguladora e que viver fora dessa regulação tem sido a causa de problemas sociais e ambientais (Bookchin, 1999).

Considerada como sendo uma visão radical da ecologia e dos sistemas sociopolíticos, situa a origem dos problemas nas relações de dominação entre a humanidade, ou seja, o domínio sobre a natureza é visto como uma continuação do

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domínio dentro da sociedade humana sob domínio da ordem capitalista, onde os problemas ecológicos são consequência da política capitalista de estado, como tal a forma como as pessoas se relacionam entre ela e o meio ambiente evolvente e não o crescimento demográfico é que produz a crise que se enfrenta na actualidade, considerando o consumismo e os processos produtivos sintomas e não as causas, que se situariam em torno das relações éticas.

A Ecologia Social é concebida como sendo um espaço no qual se apresentam os problemas ecológicos profundamente mergulhados no seio dos problemas sociais, possibilitando a ampliação das compreensões dos contextos sociais e ecológicos da actualidade e buscando respostas e alternativas para os crescentes problemas ambientais do planeta e da humanidade. (…) A criação da Ecologia Social teve por objectivos apresentar uma filosofia, uma concepção do desenvolvimento natural e social, uma análise profunda dos problemas sociais e ambientais e uma alternativa utópica radical às crises social e ambiental actuais (Boschi, 1999:98).

Para Diegues (2001), a ecologia social não concede espaço para a explicação hierárquica, nem da natureza, nem da sociedade, defende uma sociedade baseada na propriedade comunal de produção, descentralizada e democrática em que o ser humano se encontra em primeiro lugar como ser social, não como uma espécie diferenciada.

Fazendo do todo mais do que a soma das partes esta visão tenta reconciliar a natureza e a humanidade através de uma perspectiva integral, combinando e relacionando as ciências num olhar que tanto possibilite ver a totalidade como a especificidade dos fenómenos (Bookchin,1999).

Seguindo estes parâmetros da ecologia social, deveríamos denunciar o sistema social vigente, considerado anti-ecológico e que em todas as suas fases se tem baseado na exploração da humanidade (natureza e indivíduos), através de uma produção e desenvolvimento material que deteriora a qualidade de vida e produz desigualdades a vários níveis. Neste sentido, o conhecimento da situação política, cultural e socioeconómica das sociedades deveria estar directamente ligado à tomada de consciência sobre uma responsabilidade ética comum que não pode ser só ambiental, mas socio- ambiental.

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