1.3 PROBLEMA DE PESQUISA
2.1.4 Organizações em Redes Colaborativas
2.1.4.2 Dimensões de Análise em Redes Colaborativas
Devido ao amplo espectro do termo “redes”, verificam-se que elas já foram estudadas pelas mais distintas correntes de cientistas sociais. Oliver e Ebers (1998) fizeram um levantamento no período de 1980 a 1996 em quatro revistas especializadas em estudos organizacionais. Segundo eles, os estudos sobre redes interorganizacionais foram conduzidos a partir das seguintes correntes teóricas: Economia Industrial, Estratégias Interorganizacionais, Dependência de Recursos, Redes Sociais, Teoria Institucional e Teorias Críticas.
Verificou-se, portanto que as perspectivas nas quais já foram estudadas levam em conta aspectos tanto internos, quanto externos de redes colaborativas, evidenciando os benefícios e as características da colaboração. Ao analisar a gama de contribuições Camarinha-Matos e Afsarmanesh (2007) sugerem uma modelagem para redes colaborativas.
Para Camarinha-Matos e Afsarmanesh (2007, p. 530), uma “modelagem é uma das principais atividades de compreensão, concepção, implementação e funcionamento de um sistema”. Para os autores, uma modelagem está no coração de qualquer atividade científica.
Assim, buscando entender melhor as organizações em redes colaborativas, os autores formularam uma modelagem para as mesmas, a qual denominaram de ARCON – “A
Reference Model for Collaborative Networks”. A ARCON divide a rede em duas
perspectivas: a dos elementos endógenos e a de interações exógenas, conforme destacado na figura 2.
Estas dimensões específicas foram escolhidas pela razão de estarem altamente relacionadas, inexistindo uma sem a outra. Para tanto, mudanças em uma dimensão afetam os elementos das outras dimensões com alguma relevância.
Figura 2 - Duas Perspectivas de Análise para Redes Colaborativas
Fonte: Adaptado de Camarinha-Matos e Afsarmanesh (2007).
2.1.4.2.1 Interações Exógenas da Rede
A perspectiva de interações exógenas tem como objetivo atingir uma representação da rede colaborativa a partir do exterior. Revelando, portanto, as interações com o ambiente circundante.
A organização em rede colaborativa pode interagir com um conjunto, influenciar e ser influenciada por um sem-número de interlocutores, como por exemplo, clientes, concorrentes, instituições externas, e potenciais novos parceiros. As interações entre a ORC e estas entidades externas são muito diferentes, assim como a forma como cada um destes grupos de entidades olha para a ORC.
A fim de melhor caracterizar essas interações, as seguintes dimensões são propostas para análise: mercado, apoio/suporte, sociedade e constituição (CAMARINHA-MATOS e AFSARMANESH, 2007).
A dimensão de mercado abrange tanto as questões relacionadas com as interações com os clientes (ou potenciais beneficiários) quanto aos concorrentes. Envolve elementos como as operações e contratos, marketing e marcas. No que tange a concorrência envolve questões como o posicionamento no mercado, estratégia e políticas (CAMARINHA-MATOS e AFSARMANESH, 2007).
Elementos Endógenos
Interações Exógenas ORC
A dimensão de apoio relaciona-se aos serviços de apoio prestados por terceiros. Nestes serviços estão incluídos os de certificação, serviços de seguros, formação, acompanhamento externo e etc. (CAMARINHA-MATOS e AFSARMANESH, 2007).
A terceira dimensão diz respeito às questões relacionadas com as interações entre a ORC e a sociedade em geral (CAMARINHA-MATOS e AFSARMANESH, 2007). Esta perspectiva é bastante ampla, pois absorve a idéia dos impactos que a ORC tem ou potencialmente pode ter sobre a sociedade (por exemplo, impacto no emprego, na sustentabilidade econômica de uma dada região, potencial de atração de novos investimentos), bem como dos recursos que a sociedade dispõe para o desenvolvimento desta organização.
A dimensão de constituição centra-se na interação com o universo de potenciais novos membros (CAMARINHA-MATOS e AFSARMANESH, 2007). Centra-se, portanto, nas interações com as organizações que não fazem parte da ORC, mas que os membros da ORC podem estar interessados em atrair. Assim, questões como sustentabilidade geral da rede e atração de fatores são considerados.
2.1.4.2.2 Interações Endógenas da Rede
A perspectiva dos elementos endógenos tem por objetivo fornecer uma representação do interior da rede, porquanto, a identificação de um conjunto de propriedades características que podem captar a constituição da rede.
Para Camarinha-Matos e Afsarmanesh (2007), a construção da dimensão endógena é um desafio, devido ao grande número de entidades, conceitos, funcionalidades, regras e regulamentos, existentes no interior das ORCs.
Além das entidades, existe uma variedade de elementos intangíveis e recursos dentro da ORC, bem como, certas regras de comportamento que constituem as normas entre os participantes.
As quatro dimensões propostas para a perspectiva endógena são: estrutural, de recursos, funcional e comportamental.
A dimensão estrutural aborda a estrutura ou a composição da rede colaborativa em termos da sua constituição (participantes e relações), bem como as funções desempenhadas
por esses elementos e outras características dos nós da rede, tais como a localização geográfica, tempo e cultura (CAMARINHA-MATOS e AFSARMANESH, 2007).
A dimensão de recursos centra-se nos elementos tangíveis e intangíveis da rede. Como exemplo, Camarinha-Matos e Afsarmanesh (2007) citam a composição dos recursos humanos, recursos de hardware e software, informações e conhecimento. Esta dimensão representa as "coisas" de que a rede é constituída.
A terceira dimensão endógena proposta por Camarinha-Matos e Afsarmanesh (2007) é a funcional. Esta perspectiva aborda a base de operações disponíveis na rede, o tempo de execução e os fluxos.
A quarta dimensão, a comportamental, aborda os princípios, políticas e regras governamentais que dirigem ou constrangem o comportamento da rede e dos seus membros ao longo do tempo. Aqui estão incluídos elementos como os princípios de colaboração e regras de conduta, os contratos, a resolução de conflitos, as políticas, os valores, as normas partilhadas e as regras de reciprocidade (CAMARINHA-MATOS e AFSARMANESH, 2007).
A colaboração em redes exige a partilha de normas, princípios e valores comuns que facilitam, por sua vez, o trabalho em conjunto. Denise (1999) e Camarinha-Matos e Afsarmanesh (2006), enfatizaram que somente um alto nível de integração paralelamente a um alto grau de coalizão, permitiria o trabalho e a criação conjunta. Logo, a fim de cumprir com os objetivos propostos nesta pesquisa, identificando o recurso que garante a colaboração e causalmente a manutenção de vantagens competitivas às redes colaborativas, a abordagem utilizada será a endógena comportamental.