2.2 A ESCOLHA METODOLÓGICA: PESQUISA QUALITATIVA COM
2.3.1.3 Integrantes da equipe escolar: entrevistas
2.3.1.3.1 Diretora
Na entrevista com a Diretora pedagógica, buscamos elucidar três pontos relativos ao bullying. Em primeiro lugar, procuramos saber dessa gestora escolar qual sua compreensão sobre essa forma de violência; em segundo lugar, indagamos-lhe se naquele espaço educativo eram identificados casos assim configurados; e, por fim, perguntamos sobre quais medidas eram tomadas para a resolução dos conflitos instaurados em razão de tais ocorrências.
Em relação ao primeiro questionamento, obtivemos a seguinte resposta:
[...] enquanto escola a gente compreende que bullying é toda e qualquer brincadeira que desagrada o outro. É essa compreensão que temos; que não é saudável para a vida do outro. Então, aquelas pequenas brincadeiras de apelido, de tocar no outro sem a permissão; brincadeira que tira o outro do sério (às vezes nem tanto), que constrange, que traz constrangimento para o outro é o bullying e ele tá no dia a dia, presente na escola a todo momento [...]. Ele parte, às vezes, de uma brincadeira que não é uma brincadeira e ele é muito comum no dia a dia da escola porque ((+)) porque nós [adultos] praticamos bullying com os amigos, com os colegas de trabalho. Os adultos também praticam bullying uns com os outros e, às vezes, a gente não se dá conta que faz isso [...] Com as crianças, o adulto também, às vezes, faz bullying [...] (ENTREVISTA COM A DIRETORA PEDAGÓGICA, 2017).
Essas afirmações ratificam a nossa percepção de que o conceito de bullying ainda não é bem compreendido na escola, seja pelos alunos – como mostramos anteriormente – seja pelos que compõem a própria gestão, como fica evidente nesse discurso. Basta observar a forma como se define/se compreende essa prática: toda e qualquer brincadeira que desagrade o outro [...] brincadeiras de apelido, [...]. [...] Que constrange [...]. [...] ele tá [...] presente na escola a todo momento. [...]. Com as crianças, o adulto também, às vezes, faz bullying (ENTREVISTA COM A DIRETORA PEDAGÓGICA, 2017).
E vale ainda considerar o fato de que as próprias escolhas linguísticas (“brincadeira”, “toda e qualquer brincadeira que desagrade”, para se referir à prática de bullying; e as demais classificações do que se define como sendo um caso de bullying: “apelido”, “tocar no outro sem permissão”, “tirar o outro do sério”, “constranger” etc.) denunciam uma perceptível dificuldade para caracterizar, de modo mais apropriado, o que realmente se enquadra nessa forma de violência. É bem provável que “[...] o educador sequer saiba as características que [...] poderiam
caracterizar-se [como] bullying e entenda tal situação como uma ‘simples brincadeira’. Assim sendo, não é por acaso que o bullying se constitui em grande problema para as escolas” (TOGNETTA; VINHA; AVILÉS, 2015, p. 20, grifo dos autores).
Na verdade, como é possível observar, em nenhuma passagem de seu discurso, a diretora faz alusão às reais características do bullying, como a intencionalidade, a repetição e o desequilíbrio de poder entre os pares (OLWEUS, 2006). É certamente esse seu visível desconhecimento sobre como se caracteriza, na realidade, essa forma de violência que justifica sua dificuldade para distinguir as ações que se podem configurar como sendo meras “provocações” e as que são, de fato, verdadeiramente bullying – sejam estas relativas ao ato de “apelidar”, “tocar o outro”, “tirar do sério” ou “constranger”. Além disso, não podemos deixar de mencionar também seu desconhecimento da relação de paridade que precisa ser estabelecida entre os envolvidos para que se possa configurar o bullying.
Tognetta; Vinha e Avilés (2015) explicitam ainda melhor essa questão:
[...] diferentemente do que algumas pessoas pensam [...] ninguém tem mais [...] autoridade sobre o outro [quando se trata de bullying]. Se o professor menospreza, intimida, apelida o aluno; se o diretor intimida, menospreza e rebaixa um professor; se o pai faz isso com o filho, ou se o aluno por exemplo, risca o carro do professor, são violências, mas não bullying (TOGNETTA; VINHA; AVILÉS, 2015, p. 21).
Como vemos, há muita desinformação acerca do bullying. E, então, nos perguntamos: o que se pode fazer para desconstruir essas noções confusas? Segundo Espelage e Swearer (2003), para que haja essa mudança, é necessário que os professores recebam formação específica sobre o bullying, assim como a equipe escolar de modo geral. Isso deve ser feito não apenas no intuito de levá-los a se apropriarem de uma concepção pertinente mas visando capacitá-los a identificar situações de violência entre pares e saber intervir, com o devido conhecimento de causa, para solucionar o conflito. A compreensão sobre a necessidade de uma ação nesse sentido, entretanto, não é demonstrada no discurso da gestora.
E muito embora ela tenha afirmado haver casos de bullying na escola, relatando, inclusive, acontecimentos ocorridos nos últimos anos, faz-se perceptível (a partir da resposta ao segundo questionamento abordado na entrevista sobre a resolução de eventos dessa natureza) que, nas referidas situações, conta-se tão-somente com o envolvimento da própria gestão, dos alunos implicados e do(s) docente(s) da(s) turma(s). Não há, na verdade, um trabalho educativo, que seja extensivo a toda a comunidade escolar, visando à prevenção dos conflitos nem
tampouco se apontam formas apropriadas de intervenção para o caso de estes virem a instaurar- se no âmbito institucional.
Conforme revela a diretora, em seu discurso, somente para os casos considerados mais graves buscam-se formas de intervenção:
[...] no ano passado, [...] houve uma situação que [...] apelidaram a menina de “Catimbozeira” e essa menina também sofreu, inclusive quiseram bater nela. Nessa situação, nós tivemos de fazer uma intervenção familiar, porque a gente trabalha com “A justiça restaurativa”, que é um núcleo ligado à promotoria. A gente solicitou ajuda para que a gente pudesse fazer um trabalho com as famílias e as crianças [envolvidas], porque fugiu um pouco daquela situação de bullying em que se vai empurrando com a barriga e, às vezes, a gente vai deixando as coisas acontecerem, aí chega nessa situação. Então, às vezes, dentro da escola, a gente acaba também, de certa forma, no contexto, deixando que as coisas aconteçam, muitas vezes, esperando para ver: “Ah, vai passar”. E não passa se não for com intervenção (ENTREVISTA COM A DIRETORA PEDAGÓGICA, 2017).
Indubitavelmente, a gestora reconhece que a escola não trata como prioridade a violência entre pares por acreditar que, com o passar do tempo, a situação se resolverá sozinha, mesmo diante de casos (como o relatado) que demonstraram o contrário. Esse posicionamento indicia a fragilidade da escola para intervir em situações que se caracterizam como bullying, o que levou a gestora a solicitar auxílio externo para a resolução do problema. No referido episódio, por exemplo, recorreu-se ao Núcleo de Justiça Juvenil Restaurativa – NJJR.
O NJJR é um órgão do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte – MPRN, regulamentado pela resolução n° 118/2013 – PGJ/RN, que visa oferecer uma equipe multidisciplinar para implementar métodos restaurativos de resolução de conflitos no contexto escolar e no atendimento socioeducativo no Estado. É composto por uma Equipe Técnica especializada, capacitada em teoria e prática sobre Justiça Restaurativa, que diariamente dá suporte às comunidades escolares e aos seus serviços e programas de atendimento socioeducativo na realização de procedimentos restaurativos e na construção de estratégias para que esses espaços institucionais se tornem mais harmônicos e resolutivos de conflitos (MINISTÉRIO PÚBLICO DO RIO GRANDE DO NORTE, 2017).
Esse núcleo tem o objetivo de reunir todas as partes ligadas a uma ofensa em particular, com a presença de um ou mais mediadores, para dialogarem sobre o conflito e encontrarem, coletivamente, uma solução que satisfaça a todos.
A presença do mediador tem como finalidade garantir que o processo transcorra de forma respeitosa. Para tanto, ele busca identificar as necessidades não atendidas, restaurar a
harmonia entre os envolvidos e restabelecer o equilíbrio. Nesse processo, vale lembrar, a participação, o respeito, o pertencimento, a honestidade, a responsabilidade, a humildade, a interconexão e o empoderamento são considerados valores essenciais da Justiça Restaurativa.
Utilizando-se dos serviços oferecidos pelo NJJR, segundo a diretora, foi possível solucionar alguns conflitos entre alunos, inclusive o da criança que era alvo de apelidos dados pelos colegas. Com relação a esse caso específico, a gestora informou que houve intervenções com os familiares dos alunos envolvidos e com a turma da qual os sujeitos eram integrantes. É, de fato, o que atestam suas próprias palavras:
[...] nessa situação em especial, nós fizemos rodas de conversa com as famílias, colocamos as famílias em situações diferentes, aquele que estava sofrendo e aquele que estava praticando e depois invertemos a situação, para que cada um dissesse o que sentia. Foram rodas de conversas em cinco momentos. E aí a gente viu que houve um amadurecimento da própria turma, em compreender que aquilo não era saudável e que trazia prejuízos emocionais e também físicos, quando a gente pensa em agredir o outro. Foi bastante interessante. [A dinâmica foi realizada somente] com as famílias em alguns momentos e com as famílias e as crianças em outros. [...] [Depois] foi feito um trabalho na sala de aula com os alunos (ENTREVISTA COM A DIRETORA PEDAGÓGICA, 2017).
Outro caso em que o NJJR foi chamado a prestar apoio refere-se a um conflito envolvendo três alunos de 5° ano, em que um deles, constantemente, agredia fisicamente os outros dois colegas. Diante da situação, as mães dos dois alunos agredidos foram à escola reivindicar que fossem tomadas medidas para sanar a situação, tendo em vista que seus filhos estavam com medo de ir à aula.
Segundo o registro escolar realizado em 30 de março de 2016, a conversa com as mães não foi bem-sucedida; por isso mesmo, decidiu-se que a escola recorreria à Justiça Restaurativa em busca de apoio e de orientações sobre como deveria agir – apesar de a mãe do discente apontado como agressor não ter concordado com essa resolução.
De todo modo, a intervenção foi realizada sob a mediação de uma assistente social vinculada ao NJJR, que, inicialmente, fez atendimentos individuais com os sujeitos envolvidos no conflito (os denominados pré-círculos restaurativos). Nesses pré-círculos, os sujeitos agredidos puderam relatar o caso e expressar o sentimento de tristeza que sentiam por apanharem do colega de turma sem motivo algum. Falaram também do medo que sentiam de que as agressões continuassem. O discente apontado como agressor, por sua vez, admitiu o erro e foi orientado sobre a necessidade do respeito ao outro e à diferença. Na etapa seguinte
(círculos restaurativos), os envolvidos, juntos, puderam conversar com o objetivo de buscarem uma solução para o caso e a restauração dos vínculos rompidos. O agressor garantiu aos colegas que não agiria mais de forma violenta, pediu desculpas e disse que eles não precisavam mais ter medo. As desculpas foram aceitas e, por fim, todos se comprometeram a disseminar, junto aos outros colegas da turma, a mensagem sobre a importância de se respeitar o próximo. Assim, o conflito foi dado por encerrado.
Pelos registros a que tivemos acesso na escola, percebemos que o NJJR foi chamado a atuar em outros conflitos pontuais entre estudantes, que não apresentavam características de bullying. Segundo a diretora, foram muitos os círculos restaurativos realizados pelo Núcleo; contudo, grande parte dos registros ficou com os mediadores da promotoria, o que, consequentemente, impediu que conhecêssemos as ocorrências.
Respondendo ao terceiro questionamento da entrevista, a gestora mencionou − além do apoio prestado pelo NJJR − outro programa que foi difundido e trabalhado na escola em 2016 e que auxiliou na diminuição dos conflitos entre os discentes, apesar de ter tido um maior foco na turma da aluna que sofria com os apelidos que lhe eram atribuídos pelos colegas. Segundo ainda a diretora,
[...] foi trabalhado também valores do “Justiça e Escola” que são seis pilares: de zelo, de solidariedade, de amizade. Aí, a gente juntou toda essa proposta e usou uma metodologia que é do caráter “conta” para poder trabalhar [...]. Foi um ano inteiro, na verdade, com toda a escola, em que se voltou o projeto para toda a escola dos pilares do “Justiça e Escola”. Agora, em especial, essa turma vivenciou situações mais específicas da sala de aula (ENTREVISTA COM A DIRETORA PEDAGÓGICA, 2017).
Infelizmente, não foi possível entender, detalhadamente, como esses valores foram trabalhados com os alunos e nem de que maneira os professores se envolveram na atividade. Todavia, ao discorrer sobre um novo projeto a ser implementado na escola, denominado “Recreio de paz” – que tem por base os valores do “Justiça e Escola” (o respeito, a tolerância, a paciência, a lealdade e a justiça), desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), desde 2015, junto aos gestores das escolas da rede pública –, a gestora esclareceu melhor o modo de funcionamento do projeto ao falar sobre como se dará a participação de um professor, que assumirá o papel de monitor, e dos demais funcionários da instituição:
[...] a gente aprovou um projeto [...] pelo conselho [escolar] [...] [que] está indo para secretaria [de Educação] [chamado] “Recreio de paz”, [...] para
minimizar o impacto da violência na hora do recreio. O bullying repercute muito na hora do recreio, que é na hora que eles estão mais ociosos. E aí, é nesse momento que a gente tem pensado em buscar uma estratégia para minimizar o impacto disso aí. [...] ele vai ser feito com as crianças, para trabalhar os pilares do “Justiça e Escola”, que a gente vai trabalhar todos os valores desta metodologia. Esse projeto vai ter um monitoramento de um professor e todas as outras pessoas da escola vão estar envolvidas. Então vai estar envolvido o ASG [Auxiliar de Serviços Gerais], o porteiro na hora do recreio para estar trabalhando com brincadeiras, para buscar uma metodologia pedagógica para esse recreio [...] através de brincadeiras para que a gente consiga desenvolver a prática de um recreio de paz. E aí, a gente vai ter cantinhos de brinquedo, de brincadeiras direcionadas para fazer um resgate das brincadeiras tradicionais, para a gente poder ter esse impacto menor (ENTREVISTA COM A DIRETORA PEDAGÓGICA, 2017).
Certamente, o encaminhamento desse projeto deixa antever a preocupação da gestora com a violência entre os estudantes no horário do intervalo (momento em que presenciamos interações hostis durante o período de observação e que, de fato, necessita de intervenção).
A ideia de conduzir as ações dos alunos por meio de brincadeiras é significativa, uma vez que poderá promover, ainda que a longo prazo, uma mudança cultural na maneira como os alunos interagem uns com os outros.
Entretanto, chama-nos a atenção o diminuto papel destinado ao docente no que tange ao seu envolvimento com o projeto, tendo em vista que haverá somente um professor-monitor supervisionando todas as atividades que serão conduzidas pelos funcionários da escola. É importante ressaltar que, segundo a diretora, há formações que visam acurar o olhar da equipe escolar para as interações dos alunos. Contudo, essas não se destinam ao professor. No pronunciamento da diretora, uma explicação para isso:
[...] a gente tem feito formação com funcionário, para falar que esse grupo que está dentro da escola, o ASG, por exemplo, falar que ele não é um ASG qualquer, é um ASG que trabalha na escola, dentro da escola, e que a gente precisa estar olhando para as brincadeiras dessas crianças o tempo inteiro. Olhar uma criança que está reservada demais, por que razão ela está tão reservada? Porque, às vezes, sofreu bullying e ela tá reservada porque tá triste, porque criou angústias nela. Então, tem que estar olhando o tempo inteiro, por isso a [...] formação [...], para discutir sobre a importância de estar olhando as crianças de uma forma geral, em todos os aspectos. Além disso, a gente tá trazendo a discussão da brincadeira saudável e não saudável, que é a que impacta sobre o bullying (ENTREVISTA COM A DIRETORA PEDAGÓGICA, 2017).
Não seria essa proposta de formação fundamental também para os docentes, a fim de combater o perceptível desengajamento moral que muitos demonstram diante de situações de
violência presenciadas no recreio? O próprio questionamento já aponta para a necessidade dessa formação (ESPELAGE; SWEARER, 2003), como uma maneira de ensinar os professores não apenas como conhecerem e/ou reconhecerem a violência (especialmente o bullying) no contexto escolar mas também como uma maneira de implicá-los no processo para que possam intervir como verdadeiros agentes de transformação da realidade, por meio da educação.
Evidentemente, essa mudança não se fará sem resistências. Isso porque “existem múltiplos e complexos processos necessários para que a comunidade educacional chegue a um acordo mínimo necessário para uma intervenção efetiva na convivência [entre os pares]” (AVILÉS, 2005, p.1, tradução nossa). E vale enfatizar: para que se chegue a esse “acordo mínimo”, sinalizado por Avilés, faz-se fundamental envolver os professores, desalojando-os da condição de meros transmissores de conteúdos para alçá-los à posição de educadores comprometidos com a formação ética de seus alunos. A justificativa para essa proposição não poderia ser mais bem fundamentada:
Esquecemos que a convivência é um conteúdo necessário à formação do ser humano. Os problemas vividos pelos alunos, muitas vezes, não são vistos pelos professores porque estes estão mais preocupados com os conteúdos acadêmicos do que com a dinâmica da sala de aula. [...]. Comumente o professor transfere o problema para terceiros (orientadores, coordenadores e diretores), esquecendo-se que a ética é um conteúdo da escola também e, por conseguinte, sua responsabilidade. A sala de aula, com isto, torna-se apenas um espaço para conteúdos e não para a convivência. E esta aprendizagem (de convivência), que deveria ocorrer sob o olhar de especialistas, os educadores, para chegar à construção da ética, não acontece como e onde deveria (TOGNETTA; VINHA; AVILÉS, 2015, p. 23).
Observando sob esse ângulo, consideramos que o caminho apontado pela gestora, a partir dos pilares do projeto “Justiça e Escola”, é deveras promissor, visto que sinaliza positivamente a busca por uma convivência de paz entre os alunos. Entretanto, um ponto precisa ser considerado:
Em uma perspectiva de educação fundada em valores e dentro de um projeto de convivência (mais amplo), devemos embarcar no desenvolvimento de um projeto antibullying por diversas razões. A razão fundamental é que várias investigações e a implementação de projetos, em nível europeu e global, têm mostrado que a melhoria da convivência nos centros educativos, se bem realizada, consegue melhorar o clima do centro, mas não garante erradicar, nem abordar os maus-tratos que configuram o bullying. Enquanto que, o contrário, isto é, implementar programas que abordem o bullying [...] singularmente [apresenta] resultados mais efetivos pela implementação de
outras estratégias [...] que melhoram a convivência entre estudantes, como mediação ou resolução colaborativa de conflitos [...] (AVILÉS, 2005, p. 3, tradução nossa).
Sob essa ótica, fica evidente o fato de que além de pensar em um projeto amplo de convivência, é necessário pensar em um projeto cujo foco seja o bullying, entendendo-se que “o bullying não se minimiza, nem se erradica se não for abordado singularmente” (AVILÉS, 2005, p. 3). E que não se esqueça, obviamente, de inserir os docentes nessa dinâmica, o que, sem dúvida, se apresenta como o maior desafio a ser enfrentado e superado no locus desta pesquisa.