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Do conteúdo da questão aberta da escala de atitudes

4.2 COMPARAÇÃO DOS GRUPOS AMOSTRAIS QUANTO

4.3.2 Do conteúdo da questão aberta da escala de atitudes

O corpus 3 se refere às respostas ao item 22 da escala de atitudes (Cite a

principal razão que levou você a dar aula de Matemática.). Este corpus foi dividido

em 361 unidades de contexto elementar (UCE), das quais 286 (79,22%) foram

designadas em duas classificações hierárquicas descendentes (CHD) que utilizam

UCEs com tamanhos diferentes.

Figura 3 – Análise hierárquica descendente – Corpus 3 (Razões que levaram a lecionar Matemática.)

A figura 3 expressa o resultado das classificações hierárquicas descendentes

e ilustra as relações intercalasses. O corpus 3 foi dividido, inicialmente, em dois

subcorpus (1ª partição). O primeiro subcorpus sofreu uma divisão (2ª partição) que

originou a classe 3. Em seguida ele sofreu uma nova divisão (3ª partição) que deu

origem às classes 2 e 5. O segundo subcorpus sofreu uma divisão (4ª partição),

dando origem às classes 1 e 4. A classificação hierárquica descendente foi

concluída com essas quatro partições, pois as cinco classes mostraram-se estáveis,

ou seja, elas são compostas por unidades de contexto elementar (UCE) com

vocabulário semelhante.

Para a análise descritiva do vocabulário característico a cada classe que

compõe o corpus 3, utilizaram-se três critérios, simultaneamente, para interpretar os

resultados apresentados neste corpus:

a) conteve-se a atenção na freqüência de ocorrência das palavras.

Consideraram-se nesse corpus aquelas com média maior que 5, que é o

critério lexicográfico indicado na operação A2 (vide anexo 20) desenvolvida

pelo ALCESTE;

b) conteve-se a atenção nas palavras mais associadas à classe, ou seja,

aquelas que apresentaram qui-quadrado maior ou igual a 3,84 (χ

2

≥ 3,84),

pois o cálculo desse teste estatístico é feito com base em uma tabela com

grau de liberdade igual a 1;

c) conteve-se a atenção nas palavras que apresentaram 50% ou mais das

ocorrências na classe ora analisada, e não em outra.

Seguindo esses três critérios, foi possível elaborar tabelas com o vocabulário

mais significativo para cada uma das cinco classes que compõem o corpus 3. As

Classe 1 51 u.c.e. 17,83% do total Ensinar de forma diferente Classe 4 48 u.c.e. 16,78% do total Gostar de ensinar Matemática Classe 2 49 u.c.e. 17,13% do total Gostar da Matemática Classe 3 48 u.c.e. 16,78% do total Fascínio e paixão pela Matemática Classe 5 90 u.c.e. 31,47% do total Gostar da disciplina

palavras apresentadas na tabela 43 são aquelas que caracterizam em maior

proporção a classe 1.

Tabela 43 – Palavras associadas significativamente à classe 1 (51 UCEs que correspondem a 17,83% do total.)

Palavra Freqüência na classe

χ

2 interessante 8 15,53 diferente 7 33,06 mundo 6 28,24 vontade 6 18,36 mostrar 17 66,21 aprender 10 18,66 ajudar 9 42,82 poder 9 15,21 tentar 6 22,57

A classe 1 se organiza por meio de quatro elementos: interessante, diferente,

mundo e vontade (substantivos). Os verbos mostrar, aprender, ajudar, poder e tentar

também fazem parte do vocabulário característico dos sujeitos que compõem a

classe 1. Uma consulta ao anexo 20 permite observar, na operação C2 (descrição

das classes), as palavras com asterisco destacadas para a classe 1. Duas dessas

palavras se apresentam como variáveis: aula e tempo. Assim, as pessoas que

pertencem a essa classe são aquelas que ainda não ministram aula, ou seja, ainda

não dispensaram um tempo ao exercício da docência. Entretanto, essas pessoas

trouxeram contribuições importantes para a formação do conteúdo apresentado na

classe 1.

Uma nova consulta ao anexo 20 permite observar, na operação D1 (seleção

das UCEs mais características da classe 1 – ou contexto lexical A), os extratos das

listas de unidades de contexto elementar selecionados na classe 1. Por meio da

leitura desses extratos observa-se que o foco da classe 1 está baseado na vontade

de ensinar a Matemática de uma forma diferente.

Para fazer a comparação entre os grupos amostrais, foi necessário identificar

a freqüência de palavras específicas em cada uma das classes que compõem o

corpus 3 e verificar quais sujeitos as emitiram. A seleção de algumas palavras por

classe apresentada na operação D1 possibilitou tal verificação, cujos resultados

estão apresentados na tabela do anexo 21.

Consultando-se o anexo 21, é possível verificar que a maior parte dos sujeitos

que emitiram respostas que compõem a classe 1 é formada por alunos do início da

licenciatura (47,1%).

Nesses sujeitos também se percebe um grande interesse em gerar (nos seus

futuros alunos) o entusiasmo pela Matemática, em ensiná-la de uma forma divertida

e interessante, mostrando que ela não é algo de outro mundo e que, ao contrário

disso, ela é necessária e útil.

O fato de gostar da Matemática impulsiona esses sujeitos a tentar mostrar às

pessoas, principalmente às crianças, que elas podem aprender Matemática. E ainda,

ao acender a “chama da Matemática” em um aluno, consideram que é possível

mudar o sentimento em relação a ela. A paixão que esses sujeitos têm pela

Matemática os estimula a querer ensiná-la de uma maneira diferente daquela

utilizada pelos professores que tiveram.

Esses argumentos utilizados para expor as razões que levaram esses sujeitos

a lecionar Matemática indicam uma avaliação favorável do objeto e,

conseqüentemente, podem contribuir para a formação de uma atitude positiva em

relação à Matemática.

Na tabela 44, podem-se observar as palavras que caracterizam, em maior

proporção, a classe 4.

Tabela 44 – Palavras associadas significativamente à classe 4 (48 UCEs que correspondem a 16,78% do total.)

Palavra Freqüência na classe

χ

2 conhecimento 10 25,36 conteúdo 9 23,78 prazer 8 17,17 maior 6 30,39 ter 10 20,68 transmitir 8 40,81

A classe 4 se organiza através de quatro elementos: conhecimento, conteúdo,

vocabulário característico dos sujeitos que compõem a classe 4. Consultando-se o

anexo 20 relativo ao corpus 4, é possível observar na operação C2 (descrição das

classes) as palavras com asterisco destacada na classe 4. Uma dessas palavras se

apresenta como variável, que nesse caso é a graduação. Isso significa que pessoas

que possuem outro curso superior, em área do conhecimento diferente da

Matemática, colaboram para a composição do conteúdo apresentado na classe 4.

Uma nova consulta ao corpus 4, no anexo 20, permite observar, na operação

D1 (seleção das UCEs mais características da classe 4 – ou contexto lexical D), os

extratos das listas de unidades de contexto elementar selecionados na classe 4. Por

meio da leitura dos extratos observa-se que o foco da classe 4 está baseado no fato

de que esses sujeitos sentem prazer em ensinar Matemática.

Examinando o anexo 21, é possível verificar que a maior parte dos sujeitos

que emitiram respostas que compõem a classe 4 é formada por professores com 1 a

10 anos de experiência (54,2%).

A paixão por essa área do conhecimento e a facilidade em ensinar levam

esses sujeitos a ter paciência com seus alunos, deixando-os mais à vontade em sala

de aula, estimulando-os a estabelecer relações, a imaginar, a desenvolver o

raciocínio, a buscar solução para uma situação proposta e a perceber a utilização da

Matemática na realidade em que estão inseridos.

Esses sujeitos sentem-se seguros com relação aos conteúdos que vão

ensinar. Eles gostam de ensinar e de ver o “brilho nos olhos dos seus alunos”

quando adquirem um conhecimento matemático novo. Quando esses professores

percebem que são capazes de fazer com que os alunos aprendam um novo

conteúdo e quando percebem uma evolução no conhecimento dos alunos, eles

vivenciam um sentimento prazeroso em relação à Matemática e ao seu ensino. Com

base nessas características é possível afirmar que os sujeitos pertencentes à classe

4 avaliam favoravelmente a Matemática, e os julgamentos apresentados podem

contribuir para a formação de uma atitude positiva em relação à Matemática.

As palavras apresentadas na tabela 45 são aquelas que caracterizam em

maior proporção a classe 2.

A classe 2 se organiza através de três elementos: fundamental, médio e

faculdade (substantivos). Os verbos lecionar e trabalhar também fazem parte do

anexo 20, é possível observar na operação C2 (descrição das classes) as palavras

com asterisco destacadas para a classe 2. Duas dessas palavras se apresentam

como variáveis: graduação e instituição. Isso significa que pessoas que se

graduaram (ou estão se graduando) em instituição pública e que possuem outro

curso superior diferente da Matemática influenciam o conteúdo apresentado na

classe 2.

Tabela 45 – Palavras associadas significativamente à classe 2 (49 UCEs que correspondem a 17,13% do total.)

Palavra Freqüência na classe

χ

2 fundamental 10 43,86 médio 9 26,04 faculdade 7 20,40 lecionar 9 26,04 trabalhar 8 16,60

Uma nova consulta ao anexo 20 permite observar, na operação D1 (seleção

das UCEs mais características da classe 2 – ou contexto lexical B), os extratos das

listas de unidades de contexto elementar selecionados na classe 2. Por meio da

leitura desses extratos observa-se que o foco da classe 2 está baseado no fato de

que esses sujeitos gostam da Matemática, possuem facilidade com cálculos e

exercem outro trabalho relacionado a esta área do conhecimento fora do ambiente

escolar.

Analisando o anexo 21, é possível verificar que a maior parte dos sujeitos que

emitiram respostas que compõem a classe 2 é formada por professores com 1 a 10

anos de experiência (44,9%).

Alguns sujeitos pertencentes a essa classe, ao fazerem a opção por

licenciatura em Matemática, não imaginavam que gostavam de lecionar. A razão que

os levou a dar aula estava ligada, em princípio, à falta de professores nessa área do

conhecimento e que a opção por lecionar seria uma forma de aumentar a renda.

Entretanto, as oportunidades que tiveram de lecionar no Ensino Fundamental e

Médio, despertaram nesses sujeitos maior interesse pela Matemática e pelo seu

ensino.

Outros sujeitos tiveram a oportunidade de lecionar para os colegas que

tinham dificuldades, enquanto estudavam no Ensino Fundamental e Médio. Outros

tiveram aula com excelentes professores de Matemática. Esses motivos também

foram citados como principais razões que levaram esses sujeitos a lecionar

Matemática. Assim, é possível afirmar que os sujeitos pertencentes à classe 2

avaliam favoravelmente a Matemática. As avaliações apontadas por eles a esta

ciência podem contribuir para a formação de uma atitude positiva em relação à

Matemática.

As palavras apresentadas na tabela 46 são aquelas que caracterizam em

maior proporção a classe 5.

Tabela 46 – Palavras associadas significativamente à classe 5 (90 UCEs que correspondem a 31,47% do total.)

Palavra Freqüência na classe

χ

2

da 46 42,04

disciplina 36 27,28

gostar 78 61,66

A classe 5 se organiza por meio de dois elementos: a palavra disciplina

(substantivo) e a contração “da”. O verbo gostar também faz parte do vocabulário

característico dos sujeitos que compõem a classe 5. Consultando-se o anexo 20, é

possível observar na operação C2 (descrição das classes) as palavras com asterisco

destacadas para a classe 5. Uma dessas palavras se apresenta como variável:

ensinar. Isso significa que as pessoas que preferem ensinar álgebra e geometria

contribuíram para a formação do conteúdo apresentado na classe 5.

Uma nova consulta ao anexo 20 permite observar, na operação D1 (seleção

das UCEs mais características da classe 5 – ou contexto lexical E), os extratos das

listas de unidades de contexto elementar selecionados na classe 5. Por meio da

leitura desses extratos observa-se que o foco da classe 5 está baseado no fato de

que esses sujeitos gostam da disciplina, que no caso é a Matemática.

Analisando o anexo 21 é possível verificar que a maior parte dos sujeitos que

emitiram respostas que compõem a classe 5 é formada por professores com 1 a 10

anos de experiência (47,1%).

Eles gostavam da Matemática quando freqüentaram o Ensino Fundamental e

Médio e continuam gostando da Matemática no Ensino Superior. Esta é a disciplina

que preferem ensinar na escola, pois se identificam com ela, tanto é que não

conseguem se imaginar dando aula de outra disciplina.

Esses sujeitos sempre admiraram seus professores de Matemática e se

identificam como professor(a) desta disciplina escolar, pois eles têm facilidade em

aprender e tiverem um bom desempenho durante a Educação Básica. Considerando

esse contexto, é possível afirmar que os sujeitos pertencentes à classe 5 também

avaliam favoravelmente o objeto da atitude e as características apontadas por eles

poderiam contribuir para a formação de uma atitude positiva em relação à

Matemática.

As palavras apresentadas na tabela 47 são aquelas que caracterizam em

maior proporção a classe 3.

Tabela 47 – Palavras associadas significativamente à classe 3 (48 UCEs que correspondem a 16,78% do total.)

Palavra Freqüência na classe

χ

2 fascínio 12 34,22 desafio 7 11,63 paixão 7 21,01 lógica 6 24,41 achar 10 31,47 apreciar 6 24,41

A classe 3 se organiza por meio de quatro elementos: fascínio, desafio,

paixão e lógica (substantivos). Os verbos achar e apreciar também fazem parte do

vocabulário característico dos sujeitos que compõem a classe 3. Consultando-se o

anexo 20, é possível observar na operação C2 (descrição das classes) as palavra

com asterisco que poderiam ser destacadas como variáveis para a classe 3. No

entanto, segundo os critérios adotados para esta análise, nenhuma dessas palavras

foi considerada como variável que pudesse exercer influência sobre o conteúdo

apresentado na classe 3, pois ela apresentou um valor correspondente ao

qui-quadrado menor que 3,84 (χ

2

< 3,84).

Uma nova consulta ao anexo 20 permite observar, na operação D1 (seleção

das UCEs mais características da classe 3 – ou contexto lexical C), os extratos das

listas de unidades de contexto elementar selecionados na classe 3. Por meio da

leitura desses extratos observa-se que o foco da classe 3 está baseado no fascínio e

na paixão pela Matemática.

Examinando o anexo 21 é possível verificar que a maior parte dos sujeitos

que emitiram respostas que compõem a classe 3 é formada por professores com 1 a

10 anos de experiência (37,5%).

Esses sujeitos também apreciam a Matemática porque ela é lógica,

desafiadora, exige persistência, estimula o raciocínio e está presente em diversas

situações. A paixão pela Matemática foi a principal razão que levou esses sujeitos a

dar aula. Eles têm facilidade em aprender Matemática, facilidade com o raciocínio

lógico, facilidade com a linguagem matemática e acreditam que ela serve de suporte

para o conhecimento científico e tecnológico. Esses sujeitos nutrem um amor por

esta área do conhecimento a ponto de se encontrar naqueles extratos uma

expressão como esta “a Matemática é a minha vida”. Diante desse contexto, é

possível afirmar que os sujeitos pertencentes à classe 3 também avaliam

favoravelmente o objeto da atitude. Os julgamentos apontados por eles podem

contribuir para a formação de uma atitude positiva em relação à Matemática.

Observa-se que estes julgamentos estão mais diretamente relacionados ao objeto (a

Matemática per se) do que àqueles apontados pelos sujeitos pertencentes às outras

classes que compõem este corpus.

Em síntese, os resultados da análise do corpus 3 permitem observar que os

argumentos utilizados pelos iniciantes dos cursos de licenciatura, sobre as razões

que os levaram a lecionar (ou ao desejo de lecionar), revelam que eles estão

dispostos a ensinar Matemática de uma forma diferente, mostrando aos seus alunos

(ou futuros alunos) que eles podem aprender.

Já os argumentos utilizados pelos professores com 1 a 10 anos de

experiência estão ligados ao gosto, ao fascínio e à paixão que têm pela Matemática

como ciência e como disciplina escolar. O fato de terem tido aula com excelentes

professores de Matemática e terem tido um bom desempenho na educação básica,

foram apontados como razões que os levaram a lecionar. Além disso, maior

interesse pela Matemática e pelo seu ensino aconteceu no momento em que

começaram a lecionar. Eles afirmam ter facilidade em ensinar e sentem prazer ao

observar que o aluno aprende.

As ligações que podem ser estabelecidas entre o desejo de lecionar e os

sentimentos experimentados por esses dois grupos de sujeitos, em relação à

Matemática, indicam uma avaliação favorável do objeto da atitude e correspondem a

marcas ligadas à atitude positiva em relação à Matemática.