2.1 O CONSTRUCTO ATITUDE
2.1.5 Mudança de atitude
Citou-se anteriormente o trabalho desenvolvido por McGUIRE (1969), no qual
ele chama de segundo período da utilização do conceito de atitude aquele
compreendido entre 1950 e 1960. Nesse segundo período, o foco das investigações
desloca-se da medição estática das atitudes para um tópico mais dinâmico,
denominado de mudança de atitude.
Pode-se distinguir duas fases que caracterizam os trabalhos desenvolvidos
nesse período. A primeira fase está orientada para um estilo de pesquisa
convergente, representado por HOVLAND (1957) e seus colaboradores da
Universidade de Yale; já a segunda fase está orientada para uma pesquisa
divergente, representada pelos trabalhos desenvolvidos por FESTINGER (1957).
Na primeira fase, um dos fatores marcantes que motivou o interesse pela
pesquisa sobre atitudes foi o estudo da comunicação e persuasão, acompanhado
pelo também crescente interesse pela linguagem. Nesse âmbito, “a investigação
desenvolvida por Carl Hovland e cols. (entre os anos de 1949 e 1959) centra-se,
sobretudo, no estudo da mudança de atitudes e da comunicação persuasiva e
postula que, para que uma mensagem persuasiva mude uma atitude e o
comportamento, tem que mudar, previamente, os pensamentos ou crenças do
receptor da mensagem”. (CANDEIAS, 1996, p.67).
O amplo programa de pesquisa sobre comunicação desenvolvido por esse
grupo teve grande repercussão. As investigações de HOVLAND (1957) e seus
colaboradores também apontam para uma compreensão do conceito de atitude
como algo distinto de comportamento e de opinião. Isso registra a tendência
contemporânea que busca evitar a bipolarização no conceito de atitude. Ou seja, o
comportamento manifesto, bem como a opinião, embora independentes e
freqüentemente diferentes das atitudes, podem ser influenciados pela carga afetiva
favorável ou desfavorável delas.
A segunda fase é marcada pela publicação de uma investigação desenvolvida
por FESTINGER (1957) sobre dissonância cognitiva. “Esta concepção postula que
as pessoas têm uma necessidade de manter uma consistência psicológica entre as
suas cognições (crenças, opiniões, juízos). Esta concepção gera um grande
interesse pelos processos individuais, cognitivos e motivacionais, subjacentes ao
comportamento social”. (CANDEIAS, 1996, p. 67).
O trabalho de Festinger contribuiu para dinamizar uma grande quantidade de
investigações nos anos seguintes. Acentuaram-se os estudos sobre mudança de
atitude, concluindo-se que ela está, em boa parte, vinculada ao estudo da mudança
de opinião e do comportamento manifesto exteriorizado. De modo geral, procura-se
hoje compreender também a formação da atitude, ressaltando-se seu caráter afetivo
e sua relação com processos cognitivos e comportamentais.
2.1.6 Medida da atitude
A medida da atitude representa uma parte bastante significativa no estudo
científico desse constructo. A possibilidade de inferir a atitude a partir de qualquer
expressão de comportamento que reflita um de seus componentes impulsionou os
estudos que resultaram na criação de técnicas para a mensuração das atitudes. As
expressões de comportamento que refletem respostas aos objetos ou situações com
que o indivíduo se relaciona serviram de base para a inferência da atitude.
As primeiras tentativas de inferência apareceram com o uso de questionários,
cujas perguntas eram introduzidas a priori e recebiam valores arbitrários. Em
seguida, a inferência passou a ser realizada por meio de instrumentos de medidas.
Elas ofereciam aos pesquisadores posições numéricas que possibilitavam distinguir
os diferentes graus de certos determinantes psicológicos dos sujeitos, como, por
exemplo, as atitudes.
Na fase inicial dos estudos a respeito da medida das atitudes, os
pesquisadores, atraídos pela área, realizaram um excelente trabalho, criando vários
métodos para a mensuração das atitudes, entre os quais pode-se destacar as
chamadas escalas de atitudes que foram cuidadosamente planejadas e
comprovadas.
Naquele momento, os pesquisadores já haviam detectado que as atitudes não
poderiam ser observadas diretamente; elas precisavam ser inferidas a partir do
comportamento manifesto do sujeito (fosse ele verbal ou não-verbal) e as escalas
apresentavam resultados baseados nas respostas dos sujeitos.
“As escalas de atitudes consistem em um conjunto de afirmações ou itens que são respondidos pelos sujeitos e que permitem inferir dessas respostas, questões referentes ao problema atitudinal investigado. Seu objetivo é atribuir uma posição numérica a um sujeito em um ‘continuum’ linear que irá indicar a valência e multiplicidade de sua atitude em relação ao objeto referido.” (RAGAZZI, 1976, p. 26). [grifo do autor].
A pesquisadora citada acima desenvolveu um estudo consistente sobre as
regras básicas que devem ser seguidas na elaboração e montagem de uma escala
de atitude. Essas regras podem ser agrupadas e obedecem a três critérios:
elaboração das afirmações ou dos itens; aplicação; julgamento e interpretação da
escala.
Além disso, no trabalho desenvolvido por NATALICIO (1967), pode-se
verificar sua preocupação em fazer um levantamento minucioso a respeito da
medida das atitudes. Ele utiliza-se de uma trajetória histórica para descrever as
diversas tentativas feitas nesse terreno, apresentando também as vantagens, as
limitações, os pressupostos teóricos e as eventuais implicações práticas do
resultado dos esforços feitos por numerosos investigadores.
A incursão por esse enfoque dado às atitudes permitiu verificar que existe
também uma grande variedade de escalas que foram criadas para medir atitudes.
Entre elas podem-se destacar as escalas de distância social de BOGARDUS (1925),
as escalas de intervalos aparentemente iguais de THURSTONE (1928), as escalas
somatórias tipo LIKERT (1932) e a escala de diferencial semântico proposta por
OSGOOD et al. (1957). Além disso, destaca-se a teoria de análise de escala
elaborada por GUTTMAN (1944).
Essas escalas de atitudes são relativamente refinadas e têm sido amplamente
utilizadas. Nesse trabalho, utilizou-se uma escala tipo Likert, em que a pessoa deve
emitir uma resposta a cada um dos itens que compõe a escala. As respostas variam
de uma plena concordância até uma total discordância.
Cada item desse tipo de escala está associado a valores numéricos que
variam de um a cinco. A avaliação emitida pelo sujeito, em relação a certo objeto
atitudinal, é calculada pela soma de suas respostas a todos os itens. Por esse
motivo, essas escalas são denominadas de somatórias.
É pertinente destacar também o seguinte aspecto: têm sido efetuadas
diversas revisões desses instrumentos de medida, visando testar teorias de
mudanças de atitudes, o que tem se constituído também em outra preocupação dos
pesquisadores ligados à Psicologia Social.
Finalmente, é importante observar que as preocupações dos investigadores
concentraram-se, sobretudo, na individualização e identificação das atitudes e
também na construção de escalas que permitam situar as diferentes posições
atitudinais de cada indivíduo perante objetos específicos. Mais adiante será
apresentada a perspectiva a ser adotada no presente estudo, no que se refere à
medida da atitude.
No documento
ATITUDES EM RELAÇÃO À MATEMÁTICA DE PROFESSORES E FUTUROS PROFESSORES
(páginas 41-45)