em que morava o fazendeiro atualmente funciona o PSF que
atende mais de mil pessoas
anualmente. (10/10/2006)
“A fazenda era de gado, o fazendeiro morava na sede, acampamos na beira da estrada longe da fazenda, só entramos na área quando recebemos o provisório, antes não sabíamos onde íamos morar. Acho que o fazendeiro quis negociar a fazenda, porque não pressionamos o fazendeiro, não estávamos lutando por esta fazenda, mas por qualquer pedaço de terra.”
Lorival José da Silva (41 anos - Assentamento Lagoinha – Presidente Epitácio - 27/07/2006)
Atualmente, a maioria das casas do assentamento é de alvenaria sem acabamento, como na foto 07, embora existam outras melhores totalmente
concluídas e outras inferiores também, mas não existe nenhum barraco. As casas revelam dois períodos de construção (perceptível pela cor do cimento), um da época de instalação e outra do recurso liberado, no ano de 2006, para ampliação das casas.
Foto 07 – Típica casa de assentado no assentamento Lagoinha 11/10/2006
Um assentado lembrou “O Fernando Henrique mandou 5.000,00 para a gente construir a casa, já o Lula mandou 3.000,00 para ampliação e prometeu mais 6.000,00 que está em processo de liberação junto ao INCRA.”
Mas o início em nenhum assentamento é fácil como relata o Ademir Moraes Gonçalves (33 anos - 11/10/2006)
“Foi muito difícil no começo do assentamento quando conseguimos a terra tivemos muitas dificuldades, sem luz, água, não tínhamos renda nenhuma, além das dificuldades de ficar em uma moradia provisória feita de lona até as coisas melhorarem.”
Estrategicamente localizado dentro do círculo municipal, confronta na parte sul com a Rodovia Raposo Tavares – (SP 270) de frente com a base da Polícia Militar, a oeste confronta parte com outras propriedades menores, na altura dos trilhos da Estrada de Ferro Alta Sorocabana que cortam o assentamento, confronta
com o limite urbano da cidade, a noroeste confronta com a estrada municipal de frente para o Parque Turístico Figueiral e o Rio Paraná, as confrontações a norte e à leste são com remanescente da área da fazenda Lagoinha e uma grande propriedade rural, conforme podemos verificar na Planta 03.
Dentre os quatro assentamentos do Município de Presidente Epitácio 03, entre eles o Assentamento Lagoinha, foram implantados pelo INCRA. Atualmente recebem assistência técnica da Fundação ITESP e da Prefeitura Municipal.
Rompendo com o processo anterior de grande fazenda de gado pertencente a um único dono e de um número expressivo de desempregados sem outras opções de desenvolvimento, o assentamento Lagoinha comporta mais de 150 pequenos produtores rurais. São famílias advindas do processo relatado anteriormente que, atualmente, depois de muitos embates, tem criado estratégias de resistência no campo.
6.1.2 – Assentamento Porto Velho
O Assentamento Porto Velho foi implantado em 2001, no qual foram assentadas 84 famílias, após várias ocupações, despejos e relatos de reação com arma de fogo por parte dos empregados da fazenda, conforme relatam os entrevistados:
Ficamos um ano acampados na estrada, depois entramos na fazenda, mas fomos tirados à bala de 12 mm dos empregados da fazenda, saímos, depois de um tempo a fazenda foi desapropriada e nós entramos e aí nós fomos legalizados. Agnaldo Alves Lino, 37 anos – Assentamento Porto Velho
Convém ressaltar que quando um imóvel é desapropriado para fins de reforma agrária, os empregados da antiga fazenda têm direito a um lote de terra. Na maioria das vezes este lote é distribuído de maneira tal que esta família não precise mudar de casa, incorporando-a ao seu lote. Num caso como este, em que os empregados se envolvem diretamente no conflito em defesa do fazendeiro, as relações que se seguem são bastante complicadas, revelando todas as particularidades que esta ação pode ter.
O assentamento está dividido em duas áreas pelo Rio Santo Anastácio que corta o assentamento encontrando-se com o Rio Paraná neste ponto, conforme demonstra a Planta 04e a Foto 08. Tal fato, faz com que esta área seja considerada
um berçário biológico natural, além de oferecer um cenário de rara beleza, cujas potencialidades do turismo podem ser exploradas.
Foto 08 – Rio Santo Anastácio que corta o assentamento Porto Velho. (10/10/2006)
A maior parte dos lotes está localizada na parte norte do assentamento com 61 lotes, ao sul ficaram 24 lotes. Em visita à área foi constatado um grave problema de poluição ambiental que, segundo relatos, é causado por resíduos produzidos por uma fábrica de Gelatina que fica ao norte do assentamento e confronta com os lotes 04, 05, 08 e 21. Segundo relato de moradores, antes da área ser arrecadada para transformar-se em assentamento, a indústria utilizava uma parte da área para jogar seus dejetos químicos.
A princípio, tudo indica que existem 12 lotes na área contaminada, a gravidade do problema é relatada com certo sigilo por assentados e outros conhecedores do fato. “Não adianta plantar, nada dá, as plantas não crescem como
você pode ver e o gado começou a morrer”. Relataram, ainda, problemas de
contaminada por uma substância branca e o que é mais grave, quando o gado adoece, sabendo que ele pode morrer, tratam de vender rapidamente para o açougue, que abate e vende na cidade. Um fato curioso ocorrido três dias antes de nossa visita e que despertou alguns assentados para a gravidade do problema, deixando-os de certa forma assustados, foi que uma vaca morreu e um urubu que comeu um dos olhos da vaca morreu logo em seguida, ainda ao lado da vaca.
Dada às características da área, a proximidade com os Rio Santo Anastácio e Paraná, tudo indica que esta fábrica não está localizada no lugar mais adequado. Espera-se que o assunto seja levado ao conhecimento público e que se tomem providências com o rigor que elas devem ser tomadas, no sentido de se averiguar o teor e o grau da contaminação; destinar outras áreas às 12 famílias prejudicadas, que devem ser retiradas da área imediatamente, o que, segundo relato dos assentados, já deveria ter ocorrido, bem como, garantir que tal contaminação seja controlada e evitada e que sejam ressarcidos os danos ambientais.
Com relação aos demais lotes, não foi detectado nenhum tipo de problema, a maioria das famílias está produzindo e se desenvolvendo como será visto no capítulo seguinte sobre os impactos socioterritoriais dos assentamentos.
6.1.3 – Assentamento Engenho
O Assentamento Engenho, representado na Planta 05, foi implantado também no ano de 2001 e beneficiou 29 famílias. Sua desapropriação resultou do mesmo processo de luta para a conquista do assentamento Porto Velho, um dos entrevistados lembra que
“quando se falou em desapropriar a fazenda, o fazendeiro queria se desfazer dela vendendo para outro, quando o pessoal do movimento soube, entrou na área e cortou as terras, o INCRA interveio e resolveu o problema de legalização”. (Dario Soares – 52 anos – Assentamento Engenho – 11/10/2006).
O assentamento Engenho tem sua maior parte dentro do município de Presidente Epitácio e uma parte menor está localizada dentro dos limites do município de Caiuá. Localizado de frente para a rodovia SP–270, na altura do pedágio de Caiuá, o assentamento é bem localizado e servido de estradas para escoamento da produção.
Na foto 09 podemos ter uma visão parcial do assentamento: