3 RESULTADOS DA PESQUISA: A VOZ DOS SUJEITOS DA
3.2 Eixo Temático 2 – compreender como o(as) professor(as) e a
Neste eixo temático foram apresentadas perguntas ao(as) entrevistado(as) relativas à atribuição das aulas em função do ano/série do Ensino Fundamental I na escola pesquisada, ao preparo formativo e experiência em alfabetização, se realizaram algum curso no ano de 2018 e, especificamente, para a alfabetização, e como se dá a formação em serviço.
Em relação à atribuição de aulas e escolha do ano/série com o qual o(as) docente(s) mais se identificam e sentem-se preparados(as), o Professor P1 e as Professoras P2 e P-3 informaram que houve opção de escolha, e que é utilizado como critério o tempo de trabalho na rede pública, embora este não seja determinante, facilita a possibilidade de escolha (P1). A Professora P3 esclarece como foi a sua escolha, a título de exemplo, e a Coordenadora Pedagógica (CP) delimita o critério de atribuição de forma mais específica.
PROFESSORA P3 – Em 2017, preenchemos nossas preferências para 2018, em três opções, minha 1ª opção era continuar no 3° ano, fomos chamadas individualmente pela direção e, no meu caso, fui atendida, pois a gestão daqui [da escola pesquisada] é bem tranquila quanto a isso.
COORDENADORA PEDAGÓGICA CP – A atribuição é do diretor, isso consta em regimento escolar, e aí a gente analisa o perfil do professor ao longo do ano, acho que esse é o papel primordial do coordenador [...] (PESQUISA DE CAMPO, 2018).
Quanto ao preparo formativo, experiência em alfabetização e a realização de algum curso no ano de 2018 e, especificamente, para a alfabetização, o Professor P1 e as Professoras P2 e P3 afirmam que não tiveram formação prévia para o trabalho de alfabetização e que a formação se deu na prática da sala de aula. Somente a Coordenadora Pedagógica (CP) apresenta formação prévia. A Professora P2 possui certa experiência em alfabetização, e a CP, no entanto, apresenta muita experiência. Mas, nenhum dos sujeitos realizou qualquer curso em 2018. Na voz das entrevistadas P2 e CP:
PROFESSORA P2 – Eu sempre trabalhei com alfabetização, desde quando eu já estava na outra escola. Eu entrei como eventual, depois eu assumi uma sala de 1º ano e, quando eu vim para esta escola, também assumi o 1º ano. Eu gosto da alfabetização, sempre estive na fase de alfabetização.
COORDENADORA PEDAGÓGICA CP – Como professora eu fiz o Programa Letra e Vida e eu tenho algumas formações na minha trajetória, que não é curta. [...] E a alfabetização sempre foi minha área de atuação, meu interesse. Hoje, eu vejo que deveria ter transitado em outros universos para ampliar esse conhecimento, porque você acaba ficando com um mundo muito restrito, e ele é muito ímpar, o que acontece nesse período do 1° ao 3° não se repete nos 4° e 5° anos, eles têm outros desafios [...], os desafios são outros, a leitura é outra. Como se portar diante desses alunos que exigem de você outra postura, outros conhecimentos? [...] Eu atuei 18 anos dentro da sala de aula, passei pelo processo de alfabetizar (PESQUISA DE CAMPO, 2018).
Na sequência, o entrevistado e as entrevistadas foram inquiridos(as) em relação à formação continuada em serviço e sobre o oferecimento de cursos vinculados aos programas e políticas públicas, disponibilizados pela Secretaria da Educação e o MEC. Tais perguntas resultaram nas seguintes respostas:
PROFESSOR P1 – Eu costumo participar das formações que são oferecidas, aqui, nesta Cidade, e da Rede do Educador [Trata-se de um ambiente virtual de aprendizagem, voltado aos gestores e educadores das redes municipais de ensino, que oferece cursos on-line (EaD), em plataforma tecnológica. Tem como principal programa “Investigando Práticas de Ensino em Sala de Aula”]. Eu costumo participar também dos cursos que oferece o Centro de Capacitação de Profissionais da Educação (CECAPE), o máximo possível. PROFESSORA P2 – Participo, quando tem curso, eu acabo participando. PROFESSORA P3 – Sim, de todas que a rede oferece. Atualmente: Ler e Escrever (LP), Educação Matemática nos Anos Iniciais (EMAI), Projeto Coruja (LP E MAT). Além dessas ações, temos o livro didático, muita coisa
e apesar das formações que acontecem aos finais de semana, ou à noite, após as aulas, ainda está muito confuso, temos que estudar muito, tirar dúvidas, trocar com as colegas e com a coordenação, mas não dá tempo (PESQUISA DE CAMPO, 2018).
No tocante à questão da formação em serviço, verifica-se que a rede fornece cursos vinculados aos programas de educação, que são frequentados pelos(as) docentes, porém, com assiduidade inconsistente.
Nesse sentido, a Professora P3 destacou e avaliou positivamente o Projeto Coruja (LP e MAT), ao comentar sobre a sondagem realizada pelos agentes no computador com mediações mais específicas para quem não sabe ler ainda.
Já, a Coordenadora Pedagógica (CP) refere que para aos coordenadores pedagógicos não há a mesma oferta de formação em serviço que é dada aos professores, e cita o Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação (CECAPE), que faz encontros, nos quais participam os coordenadores das várias escolas do município, que em 2018 tiveram frequência quinzenal. Nestes encontros ocorrem discussões sobre temas específicos e, na atualidade, principalmente sobre a BNCC. Porém, não há encontros de formação específica para o(as) coordenadores(as) pedagógicos(as) das escolas de tempo integral.
Em contrapartida, a CP já atuou como professora formadora de programas de educação, a exemplo do PNAIC, onde operou por três meses neste ano de 2018, como bolsista, ou seja, mediante remuneração fornecida pelo Governo, embora não saiba dizer de qual órgão provêm os recursos – Secretaria da Educação ou Ministério da Educação e Cultura.
No referido programa, a CP recebeu a formação para tornar-se uma multiplicadora de conhecimentos, ou seja, após a sua formação, recebeu a responsabilidade de replicar as informações para os professores da rede pública sob sua coordenação, democratizando estes saberes. Nas palavras da Coordenadora Pedagógica:
COORDENADORA PEDAGÓGICA CP – A gente recebe essa formação e, depois, a gente é um multiplicador dessa formação. Então, você forma em um encontro, depois se organiza enquanto rede, porque a gente está dentro de uma secretaria, e replica aquilo que aprendeu naquela formação para a rede. Para esse modelo de programa a gente se reuniu em encontros noturnos e atendeu os professores de 1°, 2° e 3° anos, que é o que o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) abraçava, e para formar todos os professores, inclusive os meus, da minha escola, onde hoje eu atuo como coordenadora. Foram três meses de formação e, ao longo dessa formação, a gente foi replicando. Então, se forma e aplica, se forma e aplica, foi simultâneo. A gente terminou nossos encontros acho que em maio, é acho
que maio foi um dos nossos últimos encontros, que iniciou em dezembro de 2017 e finalizou esse ano.
[Pesquisadora: E tem algum planejamento de isso ser retomado? Em que situação está esse programa do PNAIC? Que informação você tem?]
Não tenho nenhuma informação se vai ser dado continuidade no ano que vem. Eu acredito que a ideia é deixar uma semente, tanto no coordenador, porque eu além de participar como formadora, recebendo formação pela Secretaria de São Paulo, nos encontros de formação do Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação (CECAPE), eu também replicava essa mesma... Eu era participante novamente, como ouvinte dessa formação
[A entrevistada perde o raciocínio, mas o que prevalece é a ideia do programa deixar uma semente para o futuro, não ter sido em vão, mesmo que não haja mais continuidade] –(PESQUISA DE CAMPO, 2018).
Em relação à recentemente formação proposta pelo Programa Mais Alfabetização, somente o Professor P-1 apresentou-se informado e com disposição para fazer o curso correspondente, dada a importância para a sua prática profissional.
Além disso, vale constar que o(as) docente(es) não realizaram nenhum curso no ano de 2018, mesmo havendo propostas neste sentido, nem qualquer formação voltada à alfabetização.
3.3 Eixo Temático 3 – Compreender a concepção de alfabetização do(as)