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em decorrincia da hist6ria em termos de comércio, de

etc. Neste sentido,

consideraçSes sobre um ''PIR em geral'', tentadas neste capitulo,

servem como

construç~o

a ser absorvida em uma abordagem econ6mica

primordialmente histÕ\"ico···est\·utul-al

(e

históri.co-evolucianista),

dos

casos de industrializaç~o

tardia.

No capítulo a seguir, seguimos a pauta supra-referida Pal·a a Cor~ia

do

Sul, tomando, sua especificidade histórica como

ponto de

partida.

178

~.

A

INDUSTRIALIZAC~O

TARDIA NA

COR~IA

DO SUL

4.1. A Economia Politica da Induotrializaclo Tardia no Leote Aoiát !co

4.1.1. A ain••• do Projoto eltatal-indultrialista na Corói• do Sul

Ao final da dominaçio colonial japonesa (1910-45) sobre a peAÍnsula que hoje compreende as duas Coriias, ocorreu uma profunda ruptura com o quadro econ6mico herdado desse período.

Durante o perlodo de ocupaçio colonial:

<i) A regi~o fora inscrita como produtora de excedentes primários exportáveis dentro do imperialismo japonês. Ao mesmo tempo em que as antigas classes dominantes locais foram anuladas, uma parcela da terra cultiv~vel foi adquirida por japoneses. A

produi~O agr{cola tornou-se definitivamente mercantil, reforçando-se as relaç5es de arrendamento <HAMILTON, 1984, p.38).

(2) Verificou-se um crescimento industrial nos anos vinte e trinta, particularmente a partir da riqueza mineral no Norte e da logística imperial japonesa quanto ~ Guerra da Manchdria. A Pl"opriedade dos ativos industriais, assim c.omo a ocupaç::ão dos principais postos de trabalho, permaneceram japonesas: em i943, apenas 3X do capital industrial era de coreanos CJENKINS, 1990, p.32).

A

economia continuou, por~m, predominantemente agrícola e baseada na relaç::~o entre arrendat~rios e propriet~rios de terra, em crescente ~onflito.

Ao final da 2:. Guen-a Munclial, a propriedade dos ativos industriais foi assumida pelos emergentes aparelhos de Estado, incluindo o Governo Militar Americano - OMA no lado Sul

(1945-171

48). A maior parte das fibricas de produtos químicos e metálicos,

bem

como da produ,io de energia elitrica, localizava-se no lado N01·te da divisó1~ia entre as duas ConHas

<WESTPHAL, RHEE &

PURSELL, 1981). No Sul, as atividades industriais fo1·am mantidas, no possível, sob a dire;io interina de ex-empregados coreanos.

O

fato relevante, contudo, era a inexistência de uma burguesia industrial política e economicamente estruturada e significativa.

No lado agrário, os conflitos, o contexto geo-político e a reforma ag1·ári<;~. n;:·alizada no Norte exigiram uma equivalência no lado Sul. Iniciada com a distribui;io de terras pelo GMA e passando pai~ uma venda POl~ PTOPl~ietários a

arr~ndatários em antecipa;io, em 1950 a reforma foi promulgada enquanto lei, sob os princípios de ''terra-para-o-lavrador'', de proibi~io ao arrendamento e de um teta de três hectares por

família.

A

profundidade da reforma agrária pode ser constatada nos seguintes aspectos:

( 1 )

As

est rut Liras de posse e uso da terra

pulverizadas. ''No final dos anos trinta, 3X das famílias rura1s possuíam mais de dais terços de toda a terra, enquanto, dez anos mais tarde, menos de 7Y. de todas essas famílias eram 'sem-ten-a'"

<AMSDEN,

1989, p.38).~ Exceto pelo ramo pecu~rio, man t eve:·-·se, desde a reforma, uma estrutura de pequenas fazendas familiares em todas as areas agrícolas (MOORE, ' 1988, p.l.22).

(2) Com o suporte governamental em termos de cridito, fertilizantes, irrigaç~o e comercializaç~o. a resposta produtiva foi substancial -conforme estatísticas citadas no

item

i . i .

Ao

longo da industrializaçio, ''estrangulamentos'' na oferta de alimentos foram minimizados e a estrutura do produto agrÍcola diversificou-se em rela,~o aos grios. Em 1953-Bi, por exemplo, a

raz~o entre o valor da produçio hortigranjeira e pecu~ria e o

••

Nos anos cinqüf'nta f' Sf'Ssenta, da popu1a,ão rural no Brasil e na Argentina apenas

m;

e i6,4X, respectivamente, eram proprietários de terra <JENKINS, 1999, p.32l.

valor da produ~ão de grios (arroz e cevada) subiu de 0,4 pa~a 1,0 IHOORE, 1988, p.l201

(3) Além do impacto negativo sobre as possibilidades de rela,5es de arrendamento e da produç~o assalariada nas ~reas

rurais, a reforma envolveu uma ''queima'' parcial da riqueza dos

propriet~rios de terra. A Lei de 1950 estabeleceu que os

ex-arrendat~rios pagariam ao governo, em cinco anos, um valor correspondente a 150% da safra anual normal do principal produto, da terra recebida.

Os

propriet~rios receberam o equivalente em títulos govel-namentais. Porém, ~ medida que estes n;o iam sendo resgatados nos prazos, seus pre~os despencaram em mercados secundários. A massa d~ riqueza monet~ria remanescente findaria direcionando-se ~s esferas comercial i.ndustrl.al

<HAMILTON, 1984, p. 391.

(4) A

dristica redistribui.ç~o patrimonial da terra deu-se numa economia ainda agriria: em 1953, 46X da IJOiJUlaçio vivia em habitaç5es no campo e a agricultura compunha 46X do PNB, enquanto, em 1981, as cifras correspondentes haviam passado a 26%

e lBX <1100RE, 1988, p. 1201.

Acompanhada de

bom

desempenho produtivo

na

nova estrutura, a reforma certamente esteve entl-e os elementos explicativos da distribuição de renda sul-coJ-eana menos desigual que, po1-exemplo, na América Latina. Do ponto de vista da gestio de Est ~\do, por· outro lado, nem a ext.inta classe de proprietirios de

nem os novos, chegariam a constituil- uma

No período iniciado em 1948 com a posse de S~ngman Rl,ee, passando pela Guerl-a c!a Cor·éia (1950--3), até a derrubada do

''revoluç~o estudantil'' de 1960,

econ5mica fundamental foi a ajuda externa norte-amel·ic:ana.

o

montante total de ajuda, em termos nominais, teve u~a média anual de US$325 milhôes em 1956-58, US$222 milh5es em 1959-61 e US$199 1962-64, representando respectivamente em torno d~

!73

14~.

SX

e

6%

do

PNB (HAHILTON, 1984.

P. 42) devendo-se ressaltar que uma parcela incluía cobertura de gastos militares e outra (crescente) era em espicie, em excedentes agrícolas norte-americanos (iiX em 1959-61 e 38% em 1962-64). No final dos anos cinqUen_ta, as importa~5es sul-coreanas estavam em patamares dez

vezes niaiores que as eXPOl~taç:Ões, com a ajuda cobri!Ído o déficit.

Mas n~o apenas no contexto macroecon8mico a ajuda foi relevante, visto que esteve no epicentro de viri~s mudanças estruturais no

pEn~íodo.

Nos anos cinqUenta, os ativos indl1striais e os bancos - a heranç:a colonial em poder do Estado foram privatizados, a preç:os baixos e com financiamento governamental a baixas taxas de juros (alguns nunca pagos).

Tal

privatir.:aç:ão favoreceu a clientelas polít~cas e acordos ilegais de

partid~rias'', envolvendo gerentes interinos e ex-propriet~rios de terra com riqueza remanescente. Ao mesmo tempo, taxas m~ltiplas

de câmbio, importaç:Ões

a distribuiç:ão ''política'' das escassas divisas e ambas em grande Parte p1·ovenientes da ajuda externa além mecanismos similares, ensejaram grandes

"windfall praf'its" para o..:; mesmos beneficiários da Pl~ivat izat:ão

( JONES

& SAI(@G, 1980, pp . 272-3 l

No período 1953-61, os seto\~es

industri.al e de tnine1·aç:ão c1·esceram a uma taxa média anual de

f~bricas japonesas e implanta~ão de novas, cobrindo grande parte d6 consumo

bJsico <HAMILTON, 1984,

p .40). Contudo, qualquer que tenha sido a contribuit:ão de tal dinamismo produtivo l acumulaç:ão de capital, o fato

é

que esta foi altamente impulsionacla pelos modos de alocat:ão da massa de ajuda ext e\~na e de privati;;~aç:ão. "Na se: ia Ltma

industrial', altamente concentrada e gestada pelo Estado ( . . )''

<CANUTO I FERREIRA,

1989, p.378), os embri5es dos chaebol, os conglomerados industriais de estrutura familiar que caracterizam até hoje a Coriia do Sul: em meados dos anos setenta, 31 entre os 50 grupos indusb·iais mais poderosos haviam se estabel€':c:i.do ro•m

174

1945-61 e, entre esses, 11 tinh~m se iniciado no comércio externo (HAMILTON, 1984, P.40)-~ Ainda que a contragosto com o processo

de J"ecursos", a pressão norte-americana por de "alocação

privatizaç:ão e a ajuda externa tinham funcionado como um ''catalizador da formatro de uma classe capitalista'' <CHENG, 1986,

p .13).

O

projeto econSmico dos concessores

de

ajuda externa para

a

Coréia do

"estabiliza\"

Sul englobava para

''privatizar para descentralizar'', al inhamemto com vantagens comparativas e as demais políticas que, na razão conservadora, resultariam em redução da depend@ncia de ajuda. _No lado coreano, porém, a gest~o de Rhee sd aplicou a proposta de privatizaç5o

-veja-se,

por

exemplo, STEINBERG C1988)

Enquanto isso, as forças armadas coreanas mantiveram-se como

instituição

independente

resistindo inclusive

~

busca

de

aproximação pelos organismos

políticos locais -·enquanto parte do sistema de seguran~a norte-americano a Conha do Su 1 tinha o quarta maior exército fora da bloco soviético, CO !fi

modernos equipamentos pesados e um volumoso corpo de oficiais)

Ao

final dos anos

cinqUenta,

a

diminuiçio na

ajuda externa e o conseqUente aperto na macroecc)nÔnfi c a 1 o c a 1, desintegraçio do pacto político de sustentaçio a Rhee, '<" ~,

acusaç:Õ!:-~5

dE.'

corrupç:ão, etc . , culm:i.naram na "revo1w;:~\o