6. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
6.2. De estudantes a empresários: as experiências do vir a ser
6.2.5. Empreender em grupo versus empreender sozinho
Uma questão pouco discutida na literatura de empreendedorismo aparece com muita força nas entrevistas: quais as diferenças entre empreender sozinho e em grupo? No caso desse estudo, essa questão é fundamental, por vários fatores. Em primeiro lugar, empreender em grupo pode significar que cada parceiro irá lidar com aspectos diferentes do fenômeno devido à divisão do trabalho. Isso pode levar os indivíduos a desenvolverem concepções distintas de empreender. A questão que se coloca é: isso está ocorrendo entre os entrevistados que estão empreendendo com outros parceiros?
Em segundo lugar, por se tratar de um tema pouco explorado (SARDANA; SCOTT-KEMMIS, 2010), seria importante compreender as diferenças nas experiências daqueles que estão tentando empreender sozinhos e aqueles que o estão fazendo em grupo. Há diferenças significativas?
Essas duas questões são importantes porque podem produzir insights significativos para repensar as intervenções de apoio e de formação do Núcleo. Conforme exposto no tópico que tratou das ações empreendidas pelo NIT, as intervenções educativas seguem um padrão de transmissão de informações. Além dessas intervenções, foi mostrado que o foco principal durante as reuniões de orientação, tanto com a Empresa Junior quanto com os assessores do Núcleo, é o negócio em si.
O que leva uma pessoa a se associar a outra, ou outras, para tentar começar um negócio? No caso dessa pesquisa, o que leva um jovem universitário a se associar com outro? Que tipo de fator eles levam em consideração para começar um tipo tão sério de parceria? Nas experiências desses jovens, vários motivos podem ser identificados. A compreensão desses diferentes fatores oferece pistas importantes para responder às duas questões colocadas no início desse tópico.
Em um dos grupos, o que se reuniu para montar a empresa de camisetas VS1, a ideia de empreender juntos começou com o compartilhamento, entre colegas de faculdade, do mesmo tipo de insatisfação com o trabalho que realizavam nas empresas em que trabalhavam. Começaram juntos a cursar desenho industrial e desenvolveram certa afinidade. Em determinado momento do curso, ao optarem por áreas distintas, começaram a frequentar salas diferentes. Ocasionalmente, se encontravam na faculdade e, como fruto desses encontros, a ideia de empreenderem juntos surgiu.
Nessa época que a gente se separou, a gente começou todo mundo a trabalhar, caiu no mercado de trabalho e aí se juntava quando raramente se via na faculdade e quando se via o tema era trabalho e era só reclamação. Nossa, o que é aquilo? A gente via que os problemas eram iguais só que em diferentes áreas... (E14)
Ao começarem a desenvolver o plano de negócios dentro do programa de pré-incubação, cedo descobriram que deveriam dividir o trabalho entre eles. A divisão de um trabalho que ainda não possui uma rotina estabelecida não constitui uma tarefa das mais fáceis. No caso desse grupo, a decisão foi dividir o processo em três partes: criação, comercial e administração/controle. Essa divisão foi feita por eles de forma instintiva baseando-se em atributos que pensavam possuir. A fala de um membro desse grupo ajuda a ilustrar esse ponto:
É uma coisa pessoal, sempre fui um pouco mais metódico do que os meus outros sócios e tanto que eu peguei a parte mais de organização e quando eles se perdem e precisam de alguma coisa ele vem, e meu você tem aquilo lá. [...] Além do controle financeiro, eu estou falando do controle até de que os caras estão criando, de como está rolando a confecção, qual o prazo, controle dos processos em geral. Além do controle dos processos, o controle das vendas. (E14)
Entre os membros do grupo cujo projeto é a criação de uma empresa de serviços de arquitetura para a classe C, a CC1, a divisão de trabalho também seguiu a lógica do conhecimento e experiência de cada um. É interessante notar que a divisão baseada nesses fatores vai ocorrendo sem provocar grandes estresses e vai se estabelecendo de forma natural no grupo. O termo natural utilizado aqui não ignora que a divisão do trabalho seja uma construção social, mas aparece apenas para realçar o caráter espontâneo e fluido com que essa questão é definida dentro dos grupos. A fala de outro entrevistado ajuda a pontuar essa questão.
A gente já está mais ou menos definido: um dos parceiros gosta muito de obra, lida muito bem com a obra, tem muita experiência com obra; o outro tem muita experiência com escritório, ele trabalhou em escritório durante anos e eu gosto muito da parte de criação, de fazer projeto. (E5)
O mais interessante no grupo desse entrevistado é que a divisão do trabalho foi feita antes de entrarem com o projeto no concurso de plano de negócios. O projeto inicial contava com a participação de apenas dois parceiros. Porém, enquanto elaboravam o projeto para inscrevê-lo no concurso, os dois perceberam que não possuíam determinada experiência. Essa consciência os fez buscar mais um membro para o grupo.
Então, foi mais isso, meu parceiro que viu o concurso e falou comigo e depois que a gente viu que tinha uma falta nessa parte de escritório, alguém para projetar no computador, alguém para passar isso para a obra e a gente viu uma deficiência nisso e por isso que a gente chamou um novo parceiro, a gente já estudava junto com ele, então a gente já tinha uma conversa: olha, a gente precisa de alguém para fazer
projeto, alguém para executar no papel para a gente levar para a obra, ai nisso que a gente o chamou para entrar junto na pré- incubadora. (E5)
Nesse caso, a divisão do trabalho não surge apenas como consequência daquilo que os membros do grupo sabem fazer melhor. Aqui fica clara a ideia de complementaridade. Os dois proponentes iniciais do projeto buscaram entre os colegas de sala aquele que possuía uma capacidade que suprisse uma lacuna por eles identificada.
A complementaridade cumpre um papel importante também no que diz respeito à sensação de segurança diante da dificuldade gerada pelas diferentes e intensas demandas de se montar um negócio. Um dos entrevistados falava como sua dificuldade de trabalhar de maneira organizada ficou mais clara quando passou a experienciar a atividade empreendedora. Diante das atividades não rotineiras, toma consciência da necessidade de se aprimorar na questão da organização:
Construir uma empresa é um trabalho cansativo, complicado, demorado, que a gente não esperava. E cada vez aparece mais coisa. Essa falta de organização me atrapalha justamente nisso. Olha você tem que fazer isso, isso e isso. Legal, elimino um, ou elimino dois. Aí aparecem quatro. Aí, eu, putz, e agora? Vou fazer esse daqui, aí aparecem mais dois. A aí eu já me perco. Isso me atrapalha um pouco. Ainda bem que os sócios acabam se completando e mandam a cada semana o que precisa ser feito. A gente tem as metas semanais pra terminar as coisas, porque se não fica procrastinando e as coisas não saem do lugar. E também é bom pra se organizar mentalmente o que falta fazer, o que já foi feito. Aí a minha falta de organização é um pouco compensada. Mas ainda acho que eu preciso melhorar isso sozinho, mas enquanto isso não acontece é bom ter alguém que ajude. (E8)
A divisão do trabalho entre os dois parceiros de projeto da empresa CC2, cujo objetivo é a construção de um condomínio fechado para estudantes, também foi realizada baseando-se no conhecimento e experiência. Porém, esses parceiros de negócio avançaram em uma estratégia interessante que envolve a aprendizagem mútua. Em geral, as divisões de trabalho costumam gerar especialistas em determinadas partes do processo, o que pode ser prejudicial em um negócio nascente que ainda não possui uma força de trabalho contratada para dar vazão às necessidades impostas pela atividade. Essa estratégia da dupla pode ser vista nesse trecho da entrevista:
Como nós dois temos a mesma formação e a mesma experiência, nós sentamos e vimos qual era o ponto mais forte de um e o ponto mais forte de outro. Então, a gente percebeu que eu sabia desenhar e dimensionar as coisas muito bem e ele, planejar e orçar muito bem. Em contrapartida nós fizemos uma troca: o que um sabia muito ensinava para o outro, para não ficar naquela dependência para quando um não estiver o outro saber fazer. Não sai igualzinho, mas se você me colocar para orçar uma obra, eu vou orçar de acordo com aquilo que ele me passou, falou: olha, faz assim que dá certo... E desenhar é a mesma coisa, eu passei para ele e falei: é assim, assim e assim que funciona. Então cada um faz uma coisa, mas um depende do outro. (E3)
Aqui aparece também uma afirmação que confirma o que já foi discutido anteriormente. Esses jovens depositam mais confiança na experiência como fonte de aprendizagem do que na transmissão de conteúdos. Ao mesmo tempo em que o entrevistado expõe a estratégia da dupla para evitar a dependência de um deles para qualquer atividade ligada ao projeto, deixa claro que o trabalho “não sai igualzinho”.
É visível que, na experiência desses grupos, o empreendimento com outros parceiros favorece o alcance dos objetivos por causa da divisão do trabalho. Porém, pode gerar um problema na tomada de decisão. Decidir em grupo nem sempre é uma tarefa das mais simples. E isso fica claro na experiência desses jovens. Ao falarem sobre isso, é possível perceber o quanto o assunto é delicado e difícil.
Tentar jogar limpo com todo mundo, sempre tento fazer isso, e às vezes não sou o cara mais democrático e digo não, não dá. Não gosto de ser grosseiro, mas às vezes eu sou porque é meu jeito assim. Mas também as relações entre a gente funcionam bem, mas também tem aquela vez que o cara tá gostando disso pra caramba e você diz não. É que antes da gente ser sócio a gente era amigo, aí você fica nesse impasse, é um pouco difícil de lidar. Essa separação tem que ser feita, sabe, e a gente tá nesse momento assim, trabalho é trabalho. (E14)
Essa fala é rica porque expõe um paradoxo que ocorre em qualquer relação social. Como manter a honestidade e franqueza, o que ele chama de jogar limpo, sem provocar rupturas nos relacionamentos? Como saber o limite que separa a franqueza da grosseria? A amizade é compatível com a sociedade nos negócios? O medo de ser taxado de grosseiro, de ser mal interpretado pelo amigo e de deixar de opinar em decisões importantes para o empreendimento provoca muitas tensões.
Nessas questões reside uma das maiores dificuldades enfrentada por aqueles que estão empreendendo em grupo. Como estão em um processo de se tornarem empreendedores, sentem a necessidade de verem suas ideias concretizadas naquilo que produzem. Porém, a grande dificuldade está em conciliar as ideias de uma maneira que todos se sintam realizados. Nessa hora, o mecanismo utilizado pelo grupo como instrumento de conciliação é o projeto. Evocar o bem do projeto é uma forma de lembrá-los que estão juntos tentando construir algo que precisa estar acima das vontades individuais.
E como eu já fiquei carimbado que sou o cricri, o que pega no pé, às vezes a gente tá numa reunião mesmo via skipe, falando de alguma coisa, aí os caras chegam falando, olha isso que eu achei aqui, mas é um tema totalmente fora. Pô, legal, a gente tá aqui também pra se divertir, mas calma aí, uma coisa de cada vez. Eu estou fazendo isso para o bem do projeto, mas não quero que eles entendam mal. Eu sei que eles entendem, mas fico pensando, pô peguei um pouco pesado. (E14)
Porém, quando os membros dos grupos não conseguem encontrar algum mecanismo para conciliar as diferentes expectativas em um projeto comum, a complementaridade que é percebida em outros grupos como vantagem se torna algo muito difícil de lidar. A fala de um dos entrevistados, responsável com mais dois parceiros pelo projeto da CM2, empresa de comunicação e branding, aponta para essa questão.
E no NIT a gente tem sentido uma grande dificuldade, eu acho que a diferença de perfis, em princípio, parecia ser muito complementar, mas hoje a gente vê que os perfis não possuem uma maturidade complementar. Que é isto? Cada um tem uma experiência de vida diferente da outra. Então, a gente cobra um do outro com uma maturidade diferente e, às vezes, não existe aquela sinergia, sabe, não existe trabalho em equipe. Então, isso tá complicando bastante pra gente (E13).
Essa entrevista ajuda a desnudar dois fatores que parecem exercer papéis importantes para o sucesso dos projetos que são resultado de um empreendimento coletivo. O primeiro fator permite refletir sobre uma das questões levantadas na introdução dessa categoria. Quando indivíduos empreendem em grupo, o fato de lidarem com diferentes dimensões do empreendimento fazem com que possuam diferentes concepções de empreender?
A fala desse entrevistado permite iniciar aqui uma discussão que será complementada no próximo tópico, em que serão apresentas as diferentes concepções de empreender entre todos os participantes do programa de pré-incubação. Embora ele atribua as dificuldades de levar o projeto adiante ao que chama de “diferença de perfis”, uma análise mais profunda aponta para uma diferença nas compreensões que cada um possui do que seja empreender. Isso fica claro quando ele percebe que os diferentes níveis de cobrança entre eles é resultado das diferentes experiências de vida. Essas experiências anteriores tanto podem limitar como favorecer compreensões mais profundas ou mais superficiais de empreender. Como foi visto no referencial teórico, diferentes maneiras de compreender um fenômeno levam os indivíduos a desenvolverem diferentes formas de lidar com ele. Nesse sentido, níveis de cobrança e comprometimento diferentes tornam-se mais facilmente compreensíveis.
O segundo fator que essa entrevista ajuda a compreender é a importância da afinidade para as relações e sucesso dos grupos. Esse fator aparece quando se compara a fala desse entrevistado (E13) com a dos demais participantes que também estão empreendendo em grupo.
E aí quando teve uma disciplina no nosso curso que incentivou que a gente fizesse um plano de negócios e a gente fez, que era um trabalho em grupo. Nesse dia, eu cheguei atrasado e tava uma movimentação na sala para fazer. Daí, eu sentei, abri meu computador e comecei a fazer. E eu estava acabando e tal, e aí esses meus dois
atuais companheiros, não vou dizer sócio porque não existe essa composição. Eles entraram no meu grupo. Então, fiquei eu e os dois e, aquela coisa, eu não me importo de compartilhar esse espaço e aí beleza. E aí o que aconteceu, a ideia era lançar o arquivo pro NIT e esperar o resultado. A gente foi passando, foi passando. (E13)
Ela começou, na verdade, acho que no terceiro ano de faculdade junto com os que são hoje os meus atuais sócios, a gente... isso veio na minha cabeça acho que no mesmo momento que veio na deles. A gente se encontrou uma vez na faculdade, que o curso de desenho industrial tem uma certa época que ele divide as turmas por interesse. A gente começou junto e depois se separou. Nessa época que a gente se separou, a gente começou todo mundo a trabalhar, caiu no mercado de trabalho e aí se juntava quando raramente se via na faculdade e quando se via o tema era trabalho e era só reclamação. Nossa, o que que é aquilo? A gente via que os problemas eram iguais só que em diferentes áreas. (E14)
Eu tinha um pouco de dúvida quando conversei com o meu parceiro a respeito do projeto, eu falei para ele: olha, eu quero que você faça parte disso... Porque a gente escuta muito de sócios que a amizade não caminha paralelo, ela parece que se junta com uma pessoa de negócios e isso é uma coisa que nós dois- como a gente se conheceu em situações adversas quando ninguém tinha idéia nenhuma, às vezes, um pagava o almoço do outro, um levava o outro para casa para almoçar e tudo, então a gente criou entre nós uma amizade que ela passa do limite financeiro. (E3)
Essas falas mostram três níveis diferentes de relação entre os membros dos grupos estudados. No primeiro caso (E13), colegas de sala que resolveram aproveitar a oportunidade do concurso para encaminhar o projeto que foi quase que totalmente elaborado por um deles. No segundo caso (E14), a relação entre os proponentes do projeto extrapolava o ambiente da sala de aula. Nos encontros fortuitos fora do ambiente de aula, a ideia de empreender começa a ser compartilhada. A terceira fala (E3) revela uma relação de amizade que antecede o projeto. Antes de propor ao amigo a sociedade, o entrevistado revela o temor de misturar a amizade com os negócios.
Esses níveis pareceram exercer um papel importante na dinâmica dos grupos estudados. O que se pode perceber foi que, quanto mais profundas as relações entre os membros dos grupos, menos difíceis se tornaram a condução de questões importantes para o desenvolvimento do projeto, tais como divisão do trabalho, cobrança de resultados ou mesmo a discussão sobre a divisão contratual futura dos ganhos do negócio. Essa é uma constatação interessante que parece ir de encontro à ideia que se tornou senso comum e que um dos entrevistados (E3) questiona em sua fala: amizade e negócios não combinam.
Na experiência desses jovens, o companheirismo e a amizade parecem exercer um papel importante de encorajamento mútuo para continuar no processo de se tornar um empreendedor. Quando esses fatores não estiveram presentes, as chances de continuidade pareceram ficar bastante reduzidas. Dos quatro grupos que tiveram seus projetos escolhidos
para o programa de pré-incubação, o único que desistiu antes mesmo de completar o ciclo de um ano foi exatamente o grupo que revelou o menor grau de afinidade, conforme revelado por um dos entrevistados (E13).
A complementaridade experimentada por aqueles que estão empreendendo em grupo aparece como um fator de difícil solução para aqueles que estão tentando começar um negócio individualmente. Um dos entrevistados, estudante do último ano de nutrição e responsável pelo projeto da empresa NT1, cujo objetivo é oferecer um software livre para orientação nutricional, aponta as dificuldades que têm enfrentado para solucionar demandas para as quais não possui repertório.
Foi ta tentando realmente colocar de maneira pra que aconteça, mas é aquela questão, eu preciso do programador. Então, eu busquei sócios a fim de que eu andasse. Tem algumas dificuldades pelo caminho. Eu tentei fazer alguns sócios com pessoas da área que eu preciso. Não deu muito certo. Não consegui arranjar nenhum sócio. Não deu certo porque qual era o grande empecilho. A maioria do pessoal da tecnologia de informação, que é o pessoal que iria preencher a lacuna, tem um mercado de trabalho muito amplo. Eles querem dinheiro na hora. Eles falam: eu trabalho mediante a salário todo mês. Aí eu falo: a empresa ainda não ta andando. Aí por mais que a gente tentasse fazer um acordo de divisão de lucros quando a empresa começasse a andar nenhum acabou aceitando. Então, o empecilho ficou a parte do dinheiro mesmo. Os programadores estão sendo cruciais. O projeto não andou por conta disso. No geral, o que mais ta fazendo falta é isso. Por mais que o NIT tenha tentado, não conseguiu ajudar a gente. (E9)
O fato de não conseguir se associar a alguém capaz de preencher a lacuna que identificou está fazendo com que o negócio não avance. Diante da dificuldade de encontrar parceiros, percebe que teria de contratar alguém para viabilizar tecnicamente o projeto. Essa constatação o leva a um impasse: como financiar a contratação de um programador se a empresa ainda não está organizada e faturando? A solução para o impasse é dada por ele mesmo. Ele precisa de dinheiro para financiar seu projeto e apenas o suporte do Núcleo não é suficiente.
Porém, essa solução adiciona uma dose de risco à sua decisão de empreender. Para o start-up de sua empresa, precisa buscar algum tipo de financiamento ou captar recursos em algum órgão de fomento. Sua tentativa de enquadrar o seu projeto em uma das modalidades da FAPESP fracassou e, agora, ele está diante de um impasse. Precisa de um conhecimento técnico em programação que não dispõe e, para obtê-lo, precisa de dinheiro. Como ele está sozinho no projeto, sua decisão parece ainda mais difícil. Além disso, como será mostrado mais adiante, sua concepção de empreender não é suficientemente madura para que possa