Andréia Texeira Leão¹ Síglia Pimentel Höher Camargo² Eixo temático: Práticas sobre inclusão escolar
Palavras-chave: Inclusão. TEA. Interação INTRODUÇÃO:
A inclusão é um tema de muita relevância no contexto escolar, pois implica no reconhecimento de que todas as pessoas são diferentes entre si e como tal merecem ser valorizadas e respeitadas. Um dos princípios fundamentais é garantir oportunidades a todos os alunos de estarem juntos na escola, participando e interagindo no contexto escolar, tendo acesso ao conhecimento e a formação da cidadania.
Para uma escola inclusiva é importante o desenvolvimento de práticas pedagógicas que permitam a participação de todos os alunos, levando em conta seus ritmos próprios de aprendizagem, sua forma de ser, participar e expressar suas ideias. O espaço escolar é um ambiente propício para a evolução do ser humano, pois na convivência com os pares aprende-se a compartilhar experiências e dividir tarefas, percebendo a importância da cooperação e solidariedade (ROPOLI, et.al, 2010).
Considerando a inclusão de um aluno com Transtorno Espectro do Autismo (TEA) numa sala comum, a colaboração dos colegas da turma torna- se fundamental para promover um ambiente acolhedor que possa favorecer a entrada e permanência do novo colega na escola. É importante enfatizar que os indivíduos com TEA apresentam déficits na sua comunicação, interação ________________________________
1 Universidade Federal de Pelotas e [email protected] 2 Universidade Federal de Pelotas e [email protected]
77
social e comportamento, mesmo que em diferentes níveis de gravidade e intensidade.
A partir das necessidades e características de cada aluno com TEA, faz- se necessário reorganizar o ambiente escolar juntamente com seus colegas da turma para favorecer a sua participação na aula e buscas pela interação e comunicação. Neste sentido, as percepções dos pares típicos sobre o colega com autismo, podem ser determinantes para as vivências deste aluno na escola. Este é um aspecto que deve ser trabalhado pelo professor para promover a efetiva inclusão das diferenças (ROPOLI, et.al, 2010), considerando que a escola inclusiva deve contemplar as especificidades e necessidades de todos os alunos, não limitando-se a ajudar somente um aluno pela sua dificuldade, mas a todos os envolvidos nesse processo (SASSAKI, 2010).
Por isso, este trabalho tem como objetivo analisar, a partir de um relato de experiência, a percepção de colegas de um aluno com TEA da 3°ano do ensino fundamental, após um trabalho desenvolvido pelas professoras para debater as diferenças na escola e o conhecimento sobre as particularidades do colega com TEA. Este demonstra muita inflexibilidade no seu comportamento, apresentando foco de interesse restrito a personagens que assiste na TV. Apresenta pouca iniciativa para comunicar-se, utilizando uma linguagem ecolálica, o que dificultava a sua comunicação e interação com os colegas.
Diante das notáveis mudanças que ocorreram durante as aulas, referente ao comportamento e atitudes dos alunos, surgiu a inquietação de saber as suas percepções sobre a inclusão, ao conviver com um colega autista. A partir de um trabalho realizado com a turma e da análise da repercussão deste trabalho é possível refletir e aperfeiçoar práticas pedagógicas inclusivas.
METODOLOGIA:
A partir da leitura da história “Na minha escola todo mundo é igual”, foi realizada uma discussão sobre o tema relacionando a história às vivências da turma com a inclusão de um colega autista.
Os alunos fizeram cartas destinando às colegas que estariam vivenciando a inclusão na sua sala de aula. As cartas foram reunidas para a construção de um livro coletivo, cujo nome escolhido pela turma foi “Todo mundo unido jamais será vencido”. Este trabalho foi apresentado pelos alunos num evento da escola chamada “Jornadinha Literária”. A partir de 22 cartas produzidas pelos alunos, foi analisada a escrita das crianças demarcando ideias relevantes e significativas referente à inclusão e a percepção deles sobre o colega com autismo.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
De modo geral os alunos deram maior enfoque aos aspectos comportamentais da turma salientando a importância de entender e aprender
78
com as diferenças. Evidencia-se a amizade e a ajuda entre os pares, onde os alunos demonstraram dicas de como ajudar o colega com autismo a ficar mais calmo e participar da aula, contribuindo positivamente para a tranquilidade do colega e da turma em geral, pois o barulho excessivo dificulta a participação e aprendizagem de todos.
Percebe-se que a relação estabelecida entre os pares foi de fundamental importância para a aprendizagem dos alunos, principalmente na formação dos valores sociais como respeito e solidariedade. Isso ficou evidenciado quando os alunos mencionaram a importância de aceitar e respeitar cada um do seu jeito.
Relataram também explicações para determinados comportamentos do colega e a importância de entender suas manifestações. Ressalta-se que a relação da criança com TEA com seus pares oferece possibilidades para o desenvolvimento de competências sociais (SANINI, SIFUENTES, BOSA, 2013).
Assim, alguns comportamentos considerados inapropriados ganham significados pelos colegas como: bater palmas por que está feliz, gritar quando fica nervoso e abrem possibilidades para que a interação e comunicação possam ocorrer. Dessa forma, à medida que a criança vai compreendendo, que existem outras formas de demonstrar sentimentos evontades, seus comportamentos podem ser modificados e novas competências ehabilidades sociais aprendidas.
Desta forma, as crianças ressaltaram as aprendizagens adquiridas no contexto
escolar, referindo-se principalmente na mudança de comportamento da turma em função do colega com autismo, que repercutiu em mais organização e atenção. Percebe-se que o enfoque principal da turma foi a possibilidade de ficar mais quieto por causa do colega, tomando consciência, no entanto, que isso favoreceu positivamente para o processo de ensino e aprendizagem.
Apenas 2 alunos demonstraram uma certa insatisfação quando deveriam modificar certas ações comportamentais em prol do colega, no entanto ressaltaram que no decorrer das aulas essas mudanças repercutiram em melhorias para todos. Convém salientar que a inclusão deve ser vivenciada no dia a dia da escola, devendo ser discutida e analisada para que se reflita os pontos e contra pontos em busca de melhores condições de aprendizado.
É relevante afirmar que a acolhida e a interação foram aspectos primordiais para o desenvolvimento de todas as crianças, oferecendo possibilidades significativas para a participação e desenvolvimento do aluno com TEA, visto a inabilidade que possui nessa área específica. Enquanto isso, os alunos com desenvolvimento típico demonstrando-se solidários e companheiros para ajudar o colega, percebem que também estão aprendendo, melhorando suas atitudes e desempenho na sala de aula.
79 CONCLUSÃO:
As análises de 22 cartas de colegas de um aluno com autismo evidenciam o quanto é importante desenvolver um trabalho numa perspectiva de educação inclusiva, pois percebesse que os alunos demonstram reflexões envolvendo respeito e amizade. Conceitos estes, que muitas vezes a escola deixa de debater e salientar em função do conteúdo programático a ser desenvolvido.
Além disso, percebe-se uma tomada de consciência dos alunos quanto ao seu processo de aprendizagem e questões envolvendo valores.
Sendo assim evidencio a educação inclusiva como possibilidades para uma aprendizagem significativa, em busca da formação de cidadãos mais conscientes e participativos no meio em que vivem.
REFERÊNCIAS:
RAMOS, Rossana. Na minha escola todo mundo é igual. São Paulo: Cortez, 2005.
SANINI, Cláudia; SIFUENTES, Maúcha; BOSA, Cleonice Alves. Competência
social e autismo: o papel do contexto da brincadeira com pares. Psic:Teor.
e Pesq. [online].2013, vol.29, n.1, pp.99-105.
SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão construindo uma sociedade para
80 INTERVENÇÃO PRECOCE NA PERTURBAÇÃO DO ESPETRO DO