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ESPÍRITO

No documento Inteligencia_Volitiva (páginas 56-66)

A paixão pelo que se faz

amar, de cuidar, de compreender e, enfim, de viver de forma plena como seres sociais.

Sou também corpo, sou matéria, e o desenvolvimento da matéria, em todos os sentidos, é condição para a minha sobrevivência, seja a matéria, o meu próprio corpo ou objetos de que preciso para viver bem. Reconhecendo-me como corpo, dedico-me a incrementar minha capacidade de ser disciplinado, de executar bem os planos desenhados pela mente, de dedicar-me aos meus objetivos materiais de forma aguda e de desenvolver sincronia e coordenação no quer que eu faça em equipe, estabelecendo uma sinergia entre o homem-corpo e o homem-amor.

Como homem, também sou espírito, e o meu espírito é capaz de desencadear energia pura quando se encontra equilibrado. O espírito equilibrado é entusiasmo, é também inspiração. A palavra entusiasmo vem do grego enthusiasmus. En significa “dentro”, e Theos, “Deus”. Assim, a palavra entusiasmo literalmente significa “Deus no interior.” Quando falamos que executamos uma atividade com entusiasmo, realizamos essa atividade com Deus dentro de nós: uma fonte de energia inigualável.

Após ter mais intimidade com os conceitos que moldam o homem integral, dei mais um passo na compreensão de como a inteligência volitiva é edificada, ao mesmo tempo

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em que passei a observar franqueados e funcionários em suas atuações diárias. Percebi que, na maioria dos casos, quando alguém executava uma atividade que não refletia a sua integridade espiritual, o efeito gerado era absolutamente o contrário do almejado, geralmente, destrutivo e desencadeador de um sentimento de injustiça e de fracasso. Foi o que aconteceu comigo quando decidi acatar a oferta de financiamento de meu pai para abrir a minha primeira empresa. O varejo de lubrificantes nada tinha a ver com o propósito que desenhara para minha vida, e as minhas atividades diárias não refletiam de forma alguma o que eu tinha de melhor a oferecer ao mundo.

O axioma da vida é a busca por prazer. Quando sentimos satisfação no que fazemos, as descargas químicas em nosso corpo são positivas, geram prazer e, consequentemente, motivação para continuarmos com a execução da atividade com disciplina e dedicação, buscando patamares de desenvolvimento que nos aproximam da excelência. Um homem que decide viver seus dias desenvolvendo atividades que não representam a natureza de seu espírito é comumente um fracassado. A mente bloqueia qualquer realização dissonante com a vontade, e o resultado nunca pode ser positivo, porque a energia desencadeada nunca é a energia divina dentro de nós.

A paixão pelo que se faz

Existem duas fontes de motivação. A primeira é a motivação extrínseca, que é aquela que vem do mundo exterior. Bob Knight, o legendário técnico de basquetebol universitário norte-americano, dizia que, naqueles que são bem-sucedidos, “a vontade de se preparar é maior do que a vontade de vencer”. Como se preparar bem e consistentemente quando não se gosta do que se faz? A motivação em desempenhar as atividades do dia a dia deve ser a razão de sua felicidade e não a conquista que pode ou não surgir a partir de seu desempenho. Esta é incerta e só causa frustração. Minha experiência mostrou-me que um homem cuja vida desenvolveu-se sob os conceitos do homem integral tem mais condições de desempenhar bem uma atividade do que um com um espírito contorcido, falso, que não carrega a essência do divino. Viver em consonância com o prazer da própria realização é uma estupenda fonte de renovação energética.

A minha experiência também me mostrou que um indivíduo que executa uma atividade com entusiasmo, com Deus dentro dele, é capaz de transformar a realidade de uma forma, aparentemente, sobre-humana. Quando a atividade é consonante com a razão de ser do indivíduo, uma quantidade de energia absolutamente exuberante é despejada sobre as ações executadas pelo “Homem-Corpo” e sobre as relações estabelecidas sobre o “Homem-Amor”.

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A única certeza que tenho sobre o futuro é a de que quem não é cúmplice de seu espírito está fadado ao fracasso. Um concorrente com um espírito genuíno, executando atividades de forma simples, mas, com extrema autenticidade, provavelmente, conquistará um posição muito mais confortável e triunfante e, acima de qualquer coisa, terá vivido a real razão da existência humana, que é a felicidade.

Ao experimentar uma vida em cumplicidade com o seu espírito, você perceberá que o seu estado de alerta atingirá um nível excepcionalmente fantástico, e os sentimentos mais profundos serão ativados em cada momento em que se dedicar à execução da missão que lhe foi atribuída. Por isso, viver de modo que respalde a sua razão de ser o manterá consistentemente ativo e em estado de desenvolvimento contínuo. Ao dedicar o seu presente à sua paixão, a sua inteligência volitiva estará muito mais próxima de ser desenvolvida e abrir-se-á espaço, consequentemente, para que as inteligências racional e emocional fluam juntamente com um comportamento realizador.

Quando você exercita uma mente livre, que funciona de maneira autônoma, ela decide-se por desencadear ações consonantes com o que você realmente é, e a sua essência emerge, assumindo um papel social positivo,

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maravilhando e contagiando àqueles que o cercam de uma forma magnífica.

Ao longo de minha experiência como empresário, convivi com outros profissionais, incluindo donos de negócios, cujas mentes eram completamente inexoráveis em relação a decidir-se com autonomia em favor de um espírito desimpedido e que pudesse gozar de liberdade. Para eles, as trilhas que levavam à mudança eram praticamente impossíveis de ser desvendadas e a adaptação ao que os outros desejavam ou aos previsíveis “scripts” de vida parecia ser inevitável. Um erro fatal! A decisão pela integridade do espírito teria sido muito mais sábia e frutífera. Só ela pode levar qualquer um ao sucesso no que quer que faça. Só a execução de atividades que desencadeiam prazer é capaz de fomentar realizações vencedoras a longo prazo.

Algumas vezes, cometi o erro de aceitar como franqueados e colaboradores pessoas que não demonstravam a devida paixão pelas atividades que estavam prestes a executar em suas respectivas rotinas de trabalho. Decisões desafortunadas como essa, invariavelmente, retardaram meu crescimento. Hoje, ajo com extremo cuidado quando seleciono alguém que se juntará a mim na realização da missão de minha companhia. Como Carl Rogers dizia, “os fatos são amigos”, e acobertá-los nunca é frutífero. Em alguns momentos, de forma aparentemente cômoda,

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tendi a concluir que bastava treinar e apoiar o novo parceiro ajudando-o a adaptar-se, mesmo quando existia a evidência de distorção espiritual, que os resultados seriam positivos. Na verdade, essa era uma grande ilusão que, de forma avassaladora, contrapunha-se à minha necessidade de grandes realizações. Contorcer o espírito de alguém para que execute um papel qualquer é um erro fatal de escolha que, indubitavelmente, acaba nos levando à derrocada.

Por outro lado, quando passei a recrutar somente franqueados ou colaboradores que eram apaixonados pelo que faziam, um nível extraordinário de energia passou a ser desencadeado, e a busca pela excelência tornou-se evidente, o que fez com que a eficácia se sobrepusesse e os ‘‘gargalos” fossem mais facilmente eliminados. Crescer passou a ser a consequência de um dia normal de trabalho. Comecei a perceber que a realização se consumava quando as pessoas gostavam do processo e não somente do resultado.

Percebi que o inconformismo, gerando necessidades, não se mostrava suficiente para a formação de um espírito realizador. Aqueles que carregavam um sentimento de inconformismo devido às respectivas circunstâncias em que viviam, demonstrando um profundo desejo por mudá- las, mas que, ao mesmo tempo, passavam os dias se dedicando às rotinas que liberavam um sentimento íntimo

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de dor, não conseguiam ter consistência no que faziam e, geralmente, não tinham sucesso em suas tentativas de assumir um comportamento realizador. Para eles, o abandono da busca de um fim glorioso era inevitável em algum momento da trajetória.

A inteligência volitiva só se desenvolve, quando, além de se ser inconformado com a situação presente, se é também apaixonado pelas atividades rotineiras. Ser apaixonado pelas ações do dia a dia e pelo propósito dessas ações é o segundo instrumento que orbita a construção da inteligência volitiva.

“Sem paixão você não tem energia, e sem energia, você não tem nada.”

Inteligência Volitiva Inconformismo gerando necessidades Paixão pelo que se faz (razão de ser)

Iniciativa - O início da ação

CAPÍTULO 3

INICIATIVA

O INÍCIO DA AÇÃO

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Nada mais notório do que um homem de ação. A diferença entre o real e o sonho está na capacidade de agir do ser humano. Quando ele entende que nada mais importa senão aquilo que pode ser realizado agora, no momento presente, o “impossível” começa a ser construído e o sucesso a ser conectado.

Foi crucial tornar-me consciente de que só o que eu realizo hoje importa, pois só o tempo presente muda o futuro. Por isso, eu me fiz agindo. Ao longo do meu desenvolvimento, no processo de desvendar quem eu

“Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito,

e não em ter condições de êxito. Condições de palácio têm qualquer terra larga, mas onde estará o palácio

se não o fizerem ali?” Fernando Pessoa

INICIATIVA - O INÍCIO DA AÇÃO

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