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INTELIGÊNCIA VOLITIVA E EMPREENDEDORISMO PURO

No documento Inteligencia_Volitiva (páginas 124-132)

Inteligência volitiva e empreendedorismo puro

organização e de fazer com que esta se mantenha unida em torno do cumprimento da missão organizacional. Julgo que, a essa altura, exista certa congruência em relação a reconhecer que a inteligência volitiva é o ingrediente essencial para a formação do espírito empreendedor, o qual é fundamental para o florescimento de ambientes de sucesso, principalmente nos tempos modernos do sistema capitalista.

A palavra “empreender” deriva da palavra latina imprehendere, que significa “prender nas próprias mãos”. O termo empreendedor é, então, de forma geral, utilizado para qualificar aquelas pessoas que assumem a responsabilidade de fazer. Nos últimos tempos, a terminologia “empreendedorismo” tem sido empregada de uma maneira vasta, incluindo elementos que não estão ligados diretamente ao mundo dos negócios. Temos ouvido falar, por exemplo, de empreendedorismo político e empreendedorismo social, entre outros tipos de empreendedorismo. A palavra carrega um conceito bastante abrangente, podendo ser utilizada nos mais diversos segmentos. No entanto, quando a utilizo neste livro, refiro-me às pessoas do mundo dos negócios. Ademais, acato a ideia de qualificar como endoempreendedores aqueles que são capazes de assumir a responsabilidade de

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realizar em benefício da companhia sem que, no entanto, para isso, se envolvam em riscos financeiros. Entendo que, embora alguns tenham o poder de realizar, aqueles que fundamentam suas vidas em horários limitados de trabalho, salário garantido e uma vida regrada não podem ser chamados de empreendedores. Prefiro tratá-los como endoempreendedores, e o endoempreendedorismo é o espírito que acompanha os melhores colaboradores de qualquer organização. Atenho-me, aqui, a utilizar o termo empreendedorismo para fazer referência ao ato de fundar uma empresa inovadora, que cultiva novas formas de agir para transformar as diversas áreas do conhecimento humano, criar mercados e empregos, atender às novas necessidades mercadológicas e gerar riquezas. O sucesso de um indivíduo como este está pautado na capacidade que ele tem de conviver com o risco e de neutralizá-lo de maneira efetiva. Na minha visão, também não podemos chamar de empreendedor aquele que simplesmente abre uma companhia. Nem sempre o fundador de uma organização dita as regras do futuro. Na verdade, observo que, na maioria das vezes, o novo empresário só replica o que já existe em outra empresa, e essas organizações já nascem com data marcada para morrer por não apresentarem diferenciais que direcionam o mercado. O verdadeiro empreendedor é aquele que gera companhias

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para a perenidade e assume a responsabilidade de aglomerar os recursos necessários para que uma missão ímpar seja realizada de maneira também singular e, para isso, é orientado pela faculdade de agir, guiando o mercado. É nesse empreendedor que vemos a inteligência volitiva no seu mais alto grau de manifestação. Devemos ser gratos a pessoas assim, pois elas são diretamente responsáveis pelo progresso econômico de qualquer nação, beneficiando a sociedade em seu todo de maneira inigualável.

A competência de empreender está diretamente relacionada ao poder de empregar as inovações. Os verdadeiros empreendedores são pessoas que atuam como agentes transformadores. É fácil perceber que a coragem é amiga íntima desses desbravadores. A história evidencia inúmeros exemplos que ilustram a bravura de vários empreendedores, que são até mesmo temidos, pois a audácia de uma pessoa que pensa à frente de seu tempo pode dar a ela um aparente caráter de vilão, quando, na verdade, o empreendedor fundamenta as grandes descobertas que nos mantêm vivos e em evolução. Por exemplo, com o advento do computador, cada empreendedor que introduzia a tecnologia no ambiente corporativo sofria represálias duras daqueles que temiam

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a eliminação de postos de trabalho. Na verdade, não há o que temer. O fantástico ambiente democrático, que deve ser cultivado e protegido a qualquer custo, permite que o mercado seja o responsável por autorizar ou não as inovações. Foram as próprias pessoas que se decidiram a aceitar os computadores como sendo vitais para o aumento da produtividade, para a integração dos povos, para a disseminação de conhecimento e riqueza, enfim, para uma nítida melhoria em suas vidas. O mercado sempre define o melhor caminho e é a suprema autoridade.

Uma das grandes multinacionais do segmento agrícola, a Monsanto, também teve a ousadia, apesar das críticas duras que sofreu, de propor o alimento advindo de grãos transgênicos como solução para alimentar um mundo superpopuloso. É fato que alguns ainda questionam essa atitude, mas algo tinha que ser feito para solucionar um problema real de produtividade, e alguém simplesmente teve a audácia de executar essa ideia. Mais uma vez, o mercado definiu se esse era o caminho a ser seguido.

Da mesma forma, só alguém de muita coragem e inteligência volitiva, como Steve Jobs, poderia propor a venda de canções de forma individualizada pela internet, causando, felizmente, um enorme transtorno

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para a indústria musical. Digo felizmente, porque o que Steve Jobs fez, ao criar o iTunes, foi promover a boa música, que é aquela que desperta o interesse daqueles que são os chefes – os clientes. Eles não querem mais comprar discos que ofertam, em sua percepção, apenas uma ou duas músicas de qualidade, entre várias outras menos interessantes. A venda de canções pela internet é uma forma fantástica de atender bem quem precisa ser atendido, ofertando, exatamente, o que o cliente quer. Esses são exemplos que, de maneira óbvia, mostram como os empreendedores são os que definem como as coisas devem ser, abalando o status quo e respaldando clara e objetivamente as necessidades sociais.

A mentalidade do empreendedor difere drasticamente da maioria das pessoas porque, em seu modelo mental, o risco não é um fator inibidor. Para a maioria, o risco é fator impeditivo de uma ação, para o empreendedor, o risco é apenas um elemento a ser analisado, mas, antes de qualquer coisa, ele sabe que este é controlável. O risco é assumido de maneira natural pelo fato de o mais importante passar a ser jogar-se no processo de tornar- se o que se quer ser.

Quando o empreendedor evolui para esse estágio de desenvolvimento espiritual, sua autoconfiança e autoestima

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tornam-se tão grandes que a influência de terceiros, na tentativa de impedi-lo, é facilmente neutralizada.

É difícil deduzir quais motivos levam alguém a escolher um caminho que parece facultar o ensejo de tanta vulnerabilidade, responsabilidade, intranquilidade e, por que não dizer, até mesmo dor.

Ao ser decodificado, o caráter do empreendedor se mostra elaborado sobre várias facetas, as quais se integram para edificar o perfil realizador. Tenho grande entusiasmo por dedicar boa parte de minha reflexão a entender de maneira mais profunda como o empreendedor desenvolve continuamente a inteligência volitiva para aprimorar as qualidades comportamentais que fundamentam o seu perfil, adicionando os ingredientes que dão forma à atitude que influencia ativamente o futuro da humanidade. Para mim, o empreendedorismo puro, caráter daqueles que fundam ou renovam organizações, é o grau máximo de manifestação da inteligência volitiva. Quando alguém se encontra nesse estado de iluminação, a inteligência volitiva se consuma de maneira plena e fervorosa.

O empreendedor puro sabe que toda a matéria acumulada pode também ser perdida em qualquer fase do empreendimento. No entanto, isso não parece, de

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forma alguma, ter relevância a ponto de bloquear o seu espírito empreendedor. Para o verdadeiro empreendedor, a matéria não é o fim, mas fundamentalmente o meio para a realização de uma missão verdadeiramente nobre e consequente desenvolvimento espiritual. Eis que é realizando que o autêntico empreendedor se sente realizado.

“Empreendedores são os que assumem riscos com suas companhias, e estão dispostos a perder seu dinheiro e sua reputação em troca de suas ideias e empreendimento.

Eles voluntariamente assumem a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso de uma empresa e respondem

por todas as suas facetas.” Victor Kiam

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Abrir as portas para uma vida empreendedora exige que um sentimento de independência, em várias de suas facetas, desabroche no empreendedor. De forma um tanto paradoxal, o desprendimento financeiro se mostra como sendo a primeira expressão de independência do verdadeiro empreendedor.

Para um empreendedor puro, o objetivo maior é a sua própria evolução de maneira integral, englobando o seu desenvolvimento como espírito, mente, amor e, também, mas não somente, como corpo. A meta suprema é o

“Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa

reserva de sabedoria, de experiência e de competência.” Henry Ford

5.1 - INDEPENDÊNCIA

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