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8. Bases para a criação de um Documento de Requisitos de Preservação digital E Politica de

8.2. Esquemas para a representação de meta-informação

Com base no modelo referencial OAIS, um objeto digital é constituído pelos ficheiros com a informação que se pretende preservar (imagens, textos, vídeos etc.), e por ficheiros de meta-informação que descrevem o conteúdo do objeto digital, através de meta- informação. Como foi abordado nos capítulos inicias desta dissertação, a distribuição dos tipos de meta-informação varia consoante a perspetiva/ferramenta usada, porém, o OAIS contempla informação sobre propriedade intelectual, informação descritiva, informação sobre fixidez, origem e informação estrutural(CCSDS, 2012), campos estes que devem estar salvaguardados independentemente dos esquemas de meta-informação usados.

Segundo a formulação apresentada no capitulo 2.4. sobre os vários sub-tipos de meta-informação, podemos estabelecer um paralelo entre estes e os apresentados no OAIS:

Meta-informação descritiva = Meta-informação descritiva Meta-informação técnica = Meta-informação técnica

Meta-informação administrativa= Informação sobre propriedade intelectual

Meta-informação de preservação= Informação sobre fixidez, origem e informação estrutural

Numa nota mais prática, a Biblioteca do Congresso, define três tipos de meta- informação:

 Descritiva;

 Administrativa, que por sua vez se divide em três subtipos: o Técnica;

o Fonte digital/eventos; o Propriedade intelectual;  Estrutural.

E sendo esta instituição um motor na pesquisa, desenvolvimento e implementação de esquemas de meta-informação, é esta a configuração que se deve ter em conta durante a análise de esquemas de meta-informação a usar.

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Meta-informação descritiva

Existem várias opções para o registo de meta-informação descritiva em XML, destacam-se atualmente (Hillmann, 2008):

 DC

Dublin Core57, apresenta-se como um standard internacional, é genérico o suficiente

para ser transversal a todas as áreas do conhecimento. A sua existência é um requisito mínimo para o uso do protocolo de comunicação OAI-PMH.

 EAD

Encoded Archival Description, é um standard para a codificação eletrónica de auxílios de busca (finding aids). É particularmente direcionado para as necessidades dos arquivos.

 MODS

Metadata Object Description Schema, este standard é um derivado do MARC, voltado principalmente para recursos digitais. Apresenta um espectro de descrição mais completo que o Dublin Core, mas mais simples que o MARC. A sua implementação é recomendada pela Biblioteca do Congresso, tendo sido já feita em instituições como a Biblioteca da Universidade de Chicago e a Biblioteca Nacional da Austrália.

 MARCXML

Representação do standard MARC 21 em XML, beneficia do uso generalizado do MARC 21, com mais de 30 anos de desenvolvimento e implementações.

Devido à variedade das tipologias de coleções que existem na Universidade do Porto, o standard usado na informação descritiva deve-se adaptar à coleção que se pretende descrever, pelo que não se deverá definir um só standard para toda a universidade, nem sequer um só standard para cada instituição pertencente à U.Porto.

57 Existem duas versões, Dublin Core: Simples e Dublin Core: Qualificado, este último apresenta opções de descrição mais complexas mas as características referidas no texto aplicam-se às duas versões.

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Meta-informação administrativa

Técnica (Hillmann, 2008):

Existem esquemas genéricos para a descrição de meta-informação técnica como o PREMIS (abordado posteriormente), porém a melhor prática passa pelo uso de standards específicos para o material que se pretende descrever, sendo que os mais comuns são texto, imagens, áudio e vídeo.

A NISO Z39.87 define regras para a descrição de meta-informação técnica de imagens, regras que se traduziram no standard MIX, desenvolvido pela Biblioteca do Congresso. Este esquema de XML é o standard com maior apoio internacional devido à sua facilidade de integração com outros esquemas de meta-informação. Para texto, áudio e vídeo existem os esquemas textMD, audioMD e videoMD respetivamente, todos recomendados pela Biblioteca do Congresso.

Fonte digital/eventos (Hillmann, 2008):

Este subtipo de meta-informação está diretamente ligado à preservação digital do objeto que descreve, surge então, como opção, o esquema PREMIS.

Este esquema pode ser usado para meta-informação técnica, Fonte digital/eventos e propriedade intelectual, e é recomendado pela Biblioteca do Congresso para o efeito.

Propriedade intelectual (Hillmann, 2008):

Vários esquemas podem ser usados para a descrição de meta-informação sobre direitos de autor e propriedade intelectual, como o PREMIS, o Creative commons e inclusive o METS (abordado posteriormente).

Meta-informação estrutural (Hillmann, 2008):

Pode também ser considerada como um subtipo de meta-informação administrativa, e pode ser representada de várias formas, com METS, PREMIS ou ainda EAD.

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Este capítulo apresenta um grande foco nas recomendações da Biblioteca do Congresso, facto explicado não só pelo seu estatuto como instituição de referência, mas também com o objetivo de introduzir o standard METS, criado e mantido pela Biblioteca do Congresso.

Apesar da meta-informação poder ser registada separadamente, existem ferramentas que podem agrupar conjuntos de meta-informação, como o caso do METS, um standard para a codificação de meta-informação em XML58. O METS apresenta-se como um

esquema de meta-informação capaz de representar meta-informação descritiva, administrativa e estrutural, bem como um esquema capaz de integrar outros esquemas, apresentando-se assim como um contentor (container) de meta-informação.

O METS, para além de ter sido criado por um instituto de referência como a Biblioteca do Congresso, é dotado de um assegurador historial de utilização por parte de várias instituições internacionais e nacionais. A nível nacional é usado por exemplo pela Universidade do Porto e pela Câmara Municipal do Porto, nos seus processos de digitalização e armazenamento de informação. Apesar de existirem alternativas, como o XFDU59, nenhuma outra apresenta o grau de confiabilidade e validação apresentado pelo

METS, tornando-o como o único esquema do género com aceitação transversal.

Todos os esquemas de representação de meta-informação descritiva, administrativa e estrutural apresentados, são compatíveis com o METS, o que deixa em aberto a questão de quais esquemas utilizar para cada uma das partes do METS, trabalho esse não abordado no âmbito desta dissertação. É, no entanto, de referir que a conjugação de METS, PREMIS e MIX é o esquema que faz mais sentido no caso especifico dos objetivos do Museu Digital, e no caso da particular da digitalização abordado nesta dissertação.

58 “XML is the de-facto standard for metadata descriptions on the Internet” (Hillmann, 2008) 59 Deu origem à ISO 13527:2010

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