Para trazer presente alguns referenciais de análise sobre o Estado brasileiro numa construção teórica e conceitual que nos ajude a delimitar as questões mais importantes para a proposta desse trabalho, partimos da idéia de que o conceito de Estado é histórico e que só pode ser olhado a partir do contexto social em que se encontra e, sobretudo a partir de uma visão que considera a complexidade da sociedade, sendo assim, estando em relação direta com as formas de organização da sociedade em suas múltiplas dimensões, na sua pluralidade de sujeitos.
Hofling (2001), em texto que analisa as questões de fundo, as concepções de Estado, sociedade e educação no sentido de perceber que essas visões e concepções influenciam as políticas públicas, se referindo também as de educação, tanto na sua proposta quanto nas formas de avaliação, levanta a diferenciação de Estado, governo e conceitua política pública.
Em uma conceituação sintética a autora afirma que
(...) é possível se considerar Estado como o conjunto de instituições permanentes – como órgãos legislativos, tribunais, exército e outras que não formam um bloco monolítico necessariamente – que possibilitam a ação do governo; e Governo como o conjunto de programas e projetos que parte da sociedade (políticos, técnicos, organismos da sociedade civil e outros) propõe para a sociedade como um todo, configurando-se a orientação política de um determinado governo que assume e desempenha as funções de Estado por um determinado período. (HOFLING, 2001, p. 31)
Políticas públicas são entendidas por Hofling (2001) como o Estado em ação, implantando um projeto de governo, através de ações e programas voltados para vários setores da sociedade. As políticas públicas são de responsabilidade do Estado, que as implementa e mantém, a partir da tomada de decisões que envolvem os órgãos públicos e os diferentes organismos e agentes da sociedade. Assim, políticas públicas não podem ser reduzidas a políticas estatais.
Ainda a autora destaca que as políticas sociais são as ações de proteção social implementadas pelo Estado visando a redistribuição de benefícios sociais para a diminuição das desigualdades sociais e econômicas existentes na sociedade caracterizando assim a educação como uma política pública social. (Hofling, 2001)
As políticas públicas nesse contexto situam-se no interior de um tipo de Estado: o Estado Capitalista.
Como análise desse tipo de Estado que é o que se configura na atualidade, ainda nesse estudo de Hofling, são levantadas duas concepções gerais para uma interpretação do Estado capitalista: a liberal e a marxista.
A concepção liberal é apresentada pela autora a partir dos pressupostos teóricos liberais e da visão neoliberal do Estado. Destaca como um dos fundamentos centrais de uma concepção liberal do Estado a idéia de que as funções do Estado são as de garantir os direitos individuais sem interferência e participação da sociedade civil, da sociedade. (Hofling, 2001)
Assim, o Estado é concebido como o que detém a autoridade política. Independente da sociedade civil, o Estado serve de conciliador dos conflitos que possam existir entre as classes
sociais. Enquanto autoridade política superior fornece (ainda que de forma mínima, parcial) para os cidadãos bens sociais, além da defesa e um sistema legal.
A partir dos princípios da liberdade, da escolha individual e do livre mercado que regula a sociedade, o Estado na visão neoliberal é desresponsabilizado das políticas públicas sendo essas as responsáveis pelas crises estatais. A intervenção do Estado, pois, é considerada como “(...) ameaça aos interesses e liberdades individuais, inibindo a livre iniciativa, a concorrência privada, e podendo bloquear os mecanismos que o próprio mercado é capaz de gerar com vistas a restabelecer o seu equilíbrio.” (HOFLING, 2001, p.37)
Enfim, a visão liberal de Estado fundamentou a configuração do Estado moderno e mais recentemente do neoliberal, e foi reconsiderada a partir da perspectiva da ciência política contemporânea. Fundada nas perspectivas críticas do liberalismo e das que se fundamentam nas teorias da democracia, do neomarxismo e da sociologia política, a discussão do Estado assume diferentes dimensões.
Partindo do pressuposto da construção histórica dos conceitos, a tradição marxista, desde sua formulação inicial em Marx, desdobra-se atualmente e no decorrer da história desse pensamento, numa amplitude de tendências e teorias. Em relação ao Estado, enraizadas nas clássicas formulações de Marx que tinham nas ações estatais, a garantia da produção e reprodução de condições para a acumulação do capital e para o desenvolvimento do capitalismo, considerando a sociedade em sua composição de classes sociais e as desigualdades entre capital e trabalho, o Estado, portanto, atua como regulador a serviço da manutenção dessas relações capitalistas.
O Estado, assim, nessa visão, nasce da necessidade de conter os antagonismos entre as classes sociais da sociedade capitalista. Nesse contexto, configura-se numa poderosa máquina de opressão de uma classe sobre outra, mantendo um poder acima da sociedade, mesmo tendo nascido dela.
Nessa perspectiva marxista clássica, o Estado constitui-se como uma estrutura de poder organizacional e política de um país, instituída em um território próprio. Segundo Engels, o Estado é visto nas sociedades como um sistema de poder instituído ao coletivo, de modo que se posicione acima dos interesses e vontades individuais. Sua legitimação enquanto uma organização política e de poder vem se configurando nas civilizações desenvolvidas através de diferentes formas de governo.
A partir desses elementos das interpretações marxistas de Estado, outras formulações se desdobram nas análises da complexa questão do Estado capitalista frente às reivindicações e
demandas dos trabalhadores e dos setores não beneficiados pelo desenvolvimento capitalista, ou ainda, reelaboram a visão do Estado em relação a outras dimensões da sociedade avançando na visão de Estado a serviço único do capitalismo, monolítico. Trazem assim presentes questões como a relação entre sociedade civil e Estado e seus inúmeros desdobramentos, a influência da cultura, as novas configurações das ações Estado-sociedade civil no contexto atual. Enfim, pode- se dizer que o marxismo chamado moderno renova em suas análises a forma como são colocadas as questões contemporâneas.
Essa perspectiva marxista que se renova é discutida, assim, por vários autores, dentre eles, Claus Offe, em inúmeros trabalhos, dentre os quais Hoffling (2001) busca fazer uma síntese.
Para a autora, é possível identificar nos textos de Offe a análise do Estado a partir de uma perspectiva de classe, onde são manifestados os conflitos entre capital e trabalho e também função reguladora do Estado através das políticas sociais e, sobretudo, a função do Estado em manter as relações capitalistas.
Sobre as políticas sociais, Offe as caracteriza ainda como um processo de mediação de interesses conflitivos. Analisando as políticas educacionais, o autor destaca que não é possível pensar as políticas educacionais voltadas especificamente para a qualificação da força de trabalho conforme interesses da classe dominante.
(...) parece ser mais fecundo interpretar a política educacional estatal sob o ponto de vista estratégico de estabelecer um máximo de opções de troca para o capital e para a força de trabalho, de modo a maximizar a probabilidade de que membros de ambas as classes possam ingressar nas relações de produção capitalistas. (OFFE, 1984, p. 128 in HOFLING, 2001, p. 35)
Dessa forma e a partir das contribuições do autor, são observadas que as ações do Estado não se implementam de forma automática, a partir do interesse de uma classe se sobrepondo e oprimindo exclusivamente outra. As ações estatais têm movimento, contradições e assim, geram resultados às vezes não esperados. As políticas sociais implementadas pelo Estado Capitalista sofrem efeitos a partir de como são reelaboradas no contexto social em que são implementadas, sobretudo através das relações de poder e as influências do contexto local em que se dão.
Ainda para discutir essas idéias que fundamentam o conceito de Estado para olharmos para as políticas públicas, há uma outra contribuição teórica bastante discutida por trabalhos atuais que traz elementos para a reflexão.
Os trabalhos de Gramsci, como um pensador marxista contemporâneo, discutem uma visão de Estado Ampliado, e trazem contribuições para um olhar para a sociedade a partir dos conflitos e lutas sociais como espaços possíveis para repensar o Estado, para ampliá-lo a partir dos espaços contraditórios existentes. Nessa perspectiva, a cultura é o elemento essencial para as elaborações e uma visão mais ampliada da relação Estado e sociedade civil.
Gramsci, em seu pensamento, busca a reelaboração de alguns conceitos clássicos do marxismo, como com uma nova concepção de Estado, unindo sociedade política e sociedade civil.
Dessa forma, Gramsci vai além da definição de Estado como unicamente um aparelho burocrático e coercitivo, um aparelho sem contradições sociopolíticas, ampliando essa concepção.
Semeraro (1999) em sua obra “Gramsci e a Sociedade Civil”, busca trazer presente a essência do pensamento de Gramsci com relação aos seus conceitos principais. No que se refere à visão de Estado, o autor nos aponta:
O Estado moderno não pode ser entendido unicamente como aparelho burocrático- coercitivo, como “vulgarmente” a maioria da população pensa. Suas dimensões, de fato, não se limitam aos instrumentos exteriores de governo, mas compreendem, também, a multiplicidade dos “organismos” da sociedade civil, onde se manifestam a livre iniciativa dos cidadãos, seus interesses, suas organizações, sua cultura e valores, e onde praticamente se enraízam as bases da hegemonia. (SEMERARO,1999, p.75)
Considera, nesta perspectiva, que o Estado compreende tanto a ação governamental, quanto a sociedade civil.
Aqui aparece muito clara a função que a sociedade civil ocupa dentro do Estado: é o lugar onde se decide a hegemonia, onde se confrontam diversos projetos de sociedade, até prevalecer um que estabeleça a direção geral na economia, na política e na cultura. (SEMERARO, 1999, p.76)
Desta forma, Gramsci trata a luta de classes numa nova perspectiva, que perpassa o espaço do Estado e da sociedade civil, sendo luta por hegemonia que traz a idéia de “disputa de projetos”, “disputa de posições” onde considera o elemento da cultura e da ideologia como constituintes dessa disputa. Nesse sentido o Estado é considerado como um espaço contraditório, onde se torna possível a sua transformação parcial em determinados momentos. Este passa a ser visto como expressão dialética das relações sociais, ou seja, o Estado é entendido como um
fenômeno histórico que expressa no seu interior o enfrentamento das múltiplas forças sociais que comparecem ao cenário da luta política. Avança, portanto, do conceito marxista de Estado para o conceito de Estado Ampliado.
Guido Liguori discute a centralidade do conceito de Estado ampliado no pensamento gramsciniano, assim como as diferentes interpretações dadas à leitura dos Cadernos do Cárcere, destacando, nesse sentido, que para Gramsci, a relação entre Estado e sociedade civil é dialética,
(...) indicando uma referência e uma influência recíprocas entre as duas esferas. Na verdade, (...) Estado “propriamente dito” e “sociedade civil” são dois momentos distintos, não se identificam, mas estão em relação dialética, constituindo, em conjunto, o “Estado Ampliado”. (LIGUORI, 2003, p.183)
O conceito de Estado ampliado, portanto, remete ao de sociedade civil, que também traz inovações no pensamento de Gramsci.
Esta é entendida como espaço, que não se limita ao aspecto econômico. Estão contidas na sociedade civil as dimensões culturais, educativas, religiosas, políticas da vida dos atores sociais. É um espaço amplo e contraditório, onde se gestam diversos projetos hegemônicos.
Nas complexas e avançadas sociedades modernas, o lugar decisivo onde se gestam os diversos projetos hegemônicos é o amplo e contraditório espaço da sociedade civil. No interior de suas múltiplas atividades econômicas, políticas, culturais, religiosas e educativas se estabelecem lutas de sistemas, lutas entre modos de ver a realidade. (SEMERARO, 1999, p. 83)
É possível analisar que Gramsci, em seus escritos, reinterpreta o significado de sociedade civil, a partir dos pressupostos marxistas e da crítica à visão jusnaturalista dos liberais, à Hegel, e à Croce. Assim,
âmbito particular da subjetividade e da multiplicidade de iniciativas, a sociedade civil para Gramsci não é só o território que a burguesia ‘reservou’ para suas iniciativas econômicas e para a estruturação da sua hegemonia no mundo moderno. Nela, também, as classes subalternas podem encontrar um espaço privilegiado para organizarem suas associações, articularem suas alianças, confrontarem seus projetos sociopolíticos e disputarem o predomínio da hegemonia. A modernidade, de fato, não gerou só o capitalismo e as liberdades pessoais, mas desencadeou também a aspiração à emancipação das massas e lançou as sementes da democracia social, econômica e política. (SEMERARO,1999, p.158)
Acrescenta, pois à idéia de ser social o elemento da subjetividade humana, mas não uma subjetividade separada do contexto social, abstrata, e sim uma subjetividade livre e criativa do indivíduo, interagindo constantemente nas relações sociais, políticas e econômicas, sendo o
indivíduo, então capaz de libertar-se e elevar-se, juntamente com a coletividade das organizações, da condição de subalternidade, podendo vir a ser, portanto, protagonista da própria história.
É, portanto a sociedade civil o lugar da construção da hegemonia das classes subalternas, pelos grupos e organizações, que promovem transformações na estrutura e superestrutura e gera a socialização do poder. É a verdadeira afirmação de “democracia radical”, que tem como pano de fundo principal a “elevação das classes subalternas à condição de protagonistas responsáveis e dirigentes de sua própria história”. (SEMERARO, 1999, p.81) Nesse contexto é que Gramsci coloca a intensa luta social, no universo complexo, plural e amplo da sociedade civil, a partir de diversos interesses e projetos de hegemonia. Está aí o campo das contradições e da construção de uma hegemonia política e cultural, a partir das classes subalternas, no sentido da democracia radical, socialista e do conteúdo ético-político do Estado6.
Mendonça (2003), nesse sentido traz a reflexão de que esse pensamento contribui no entendimento sobre o Estado superando as visões de poder único e homogêneo, que não ajuda nas análises das políticas públicas.
É no contexto das relações complexas da sociedade civil e do Estado, e ainda considerando a luta de classes como pano de fundo, mesmo abordando esse conceito não só como uma luta de uma classe contra a outra, mas sim das lutas e conflitos dentro das classes sociais, que aparece o Estado como uma condensação de relações sociais atravessadas pelos conflitos vigentes na sociedade.
O estudo do Estado e de uma política pública não consiste, meramente, em compilar a documentação oficial que é produzida pelos órgãos aos quais está ela afeta, sob pena de empreender-se o empobrecimento da construção de um objeto e um reducionismo analítico que, muitas vezes toma uma política pública, no Brasil, como uma simples repetição acrítica do discurso oficial, tornado indício de ‘verdade’ por parte do pesquisador. (MENDONÇA, 2003, p.8)
Ao mesmo tempo em que a autora traz as reflexões acerca da importância de considerar a sociedade civil como espaço da pluralidade, das contradições, não separada e dissociada do Estado e este como espaço das disputas, que reflete os conflitos e que se configura no movimento contraditório da participação dos inúmeros atores da sociedade civil, faz a crítica a uma visão que considera tanto a complexidade das relações sociais quanto os aspectos da 6 Outros estudos a respeito da concepção de Estado e sociedade civil a partir do pensamento de Gramsci podem ser
citados como o promovido por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal Fluminense, no programa de pós-graduação em História, Núcleo de Estudos sobre Estado e Poder no Brasil, que produziu um texto para trazer elementos dessa discussão tendo em vista as concepções utilizadas nas análises feitas na atualidade a respeito do Estado e das políticas públicas.
pluralidade de ações de diferentes grupos e sujeitos na relação com o Estado, mas que coloca no âmbito da análise das identidades sociais a composição do social, deixando o conceito de classe perder sua centralidade histórica.
Esse debate está posto em certa medida, sobre as várias óticas e presente na literatura atual.
Convém, nesse sentido, perceber que a crítica, nesse nível nos leva a questionar e a colocar aqui a contribuição do pensamento neomarxista, assim como as análises da pós- modernidade para a construção de uma reflexão de como se dá o processo das várias fases de luta, mobilização social e conquista das políticas públicas, em especial as de educação e vinculadas a um movimento social como o MST.
Isso significa considerar essa relação entre Estado e Sociedade Civil, mas, ao mesmo tempo, trazer presente que o olhar que buscamos dar, nesse estudo, está para além de uma análise estrutural e que busca perceber no contexto local como se redefine, reelabora, ressignifica a política pública, no dia a dia da escola e do acampamento e que as contribuições das discussões em torno das questões culturais, de identidade, das subjetividades, da cultura escolar, fazendo a relação com as transformações que vive a sociedade e que coloca em questão os conceitos da modernidade. Isso nos ajuda a buscar fazer uma análise mais elaborada olhando para a complexidade das relações que se dão nesse contexto.
A questão é que as análises contemporâneas da configuração da sociedade atual, globalizada, numa dinâmica social que se diferencia e se caracteriza por uma amplitude que está para além da questão de classe somente, mesmo não a desconsiderando, mas sim, problematizando essas questões, leva em conta outras elaborações que ajudam a dar conta de uma visão que busca não deixar de compreender as relações conflituosas e as recriações do espaços de participação, de cidadania que se dão na dinâmica social contemporânea.
Nesse sentido ainda podemos problematizar os conceitos de Estado e sociedade civil, considerando essa complexidade. Isso significa questionar o Estado como sendo considerado um ente separado e superior da sociedade civil, ora servindo a um interesse específico de classe e exercendo a dominação de uma sobre outra, sendo esse monopolizado por uma única classe – a dominante - ora sendo, na perspectiva liberal considerando-o como um bloco monolítico vazio de atores sociais, que tem interesses específicos e que emanam naturalmente dele ou dos projetos de governo as políticas sociais.
Estamos, portanto, buscando dialogar com definições que consideram a complexidade das relações sociais e que avançam de uma visão somente estrutural das questões de Estado e
sociedade civil, assim como as visões que colocam como marco único e central a luta de classes ou a luta contra o capitalismo. Isso porque estamos buscando considerar as contradições, os limites e as reelaborações que se dão no contexto local da implantação de uma política pública, assim como as questões de cultura, identidade e subjetividades dos inúmeros sujeitos e a pluralidade das ações e organizações que se encontram nesses grupos.
Diante disso, o Estado está sendo considerado aqui um fenômeno histórico e expressa no seu interior o enfrentamento das múltiplas forças sociais tanto no nível local quanto no nível global, que comparecem ao cenário da luta política, e suas ações, como as políticas públicas, compreendem a pluralidade de sujeitos, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil, que tanto no cenário da luta por direitos de cidadania participam das políticas colocando a questão em pauta e gerindo-as no conjunto dos espaços do Estado, quanto as reelaboram em âmbito local, vivendo os conflitos, limites e possibilidades dessas políticas públicas sofrendo as contradições postas pelas transformações do último século. As contribuições teóricas atuais que vão nessa linha de interpretação ajudam a compor o marco teórico conceitual nesse trabalho.
Para afirmar essas diretrizes na discussão sobre o Estado, a sociedade civil e as políticas públicas, buscamos elementos que trazem as redefinições teóricas necessárias de acordo com o contexto atual.
Ianni (2002), nesse sentido, em texto que traz uma análise da necessidade de se redefinir conceitos e categorias na ciência política, dadas as transformações das sociedades que aconteceram durante o século XX.
A afirmação de Ianni (2002) é a de que a globalização desafia radicalmente os quadros de referência da política, na teoria e na prática. Levanta entre outras categorias, a necessidade da redefinição de Estado e sociedade civil, classe social, movimento social e cidadania. Essa