UNIDADE 2: PROCESSOS DE ALFABETIZAÇÃO
3.2 ESTRATÉGIAS DE LEITURA
Ao ler, os leitores fazem uso de estratégias de leitura. Uma estratégia de leitura é um amplo esquema para obter, avaliar e utilizar informação. Há estratégias de seleção, de antecipação, de inferência e de verificação.
IMPORTANTE
!
Vamos conhecer melhor cada uma das estratégias de leitura, segundo Soligo (2000).
FIGURA 39 – LER
FONTE: Disponível em: <proletramentoalfa.blogspot.com>. Acesso em: 24 set. 2011.
• Estratégias de seleção: permitem que o leitor se atenha apenas aos índices úteis, desprezando os irrelevantes. Ao ler, fazemos isso o tempo todo: nosso cérebro “sabe”, por exemplo, que não precisa se deter na letra que vem após o “q”, pois certamente será
“u”; ou que nem sempre é o caso de se fixar nos artigos, pois o gênero está definido pelo substantivo.
• Estratégias de antecipação: tornam possível prever o que ainda está por vir, com base em informações explícitas e em suposições. Se a linguagem não for muito rebuscada e o
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conteúdo não for muito novo, nem muito difícil, é possível eliminar letras em cada uma das palavras escritas em um texto, e até mesmo uma palavra a cada cinco outras, sem que a falta de informações prejudique a compreensão. Além de letras, sílabas e palavras, antecipamos significados. O gênero, o autor, o título e muitos outros índices nos informam o que é possível que encontremos em um texto.
• Estratégias de inferência: permitem captar o que não está dito no texto de forma explícita.
A inferência é aquilo que “lemos”, mas não está escrito. São adivinhações baseadas tanto em pistas dadas pelo próprio texto como em conhecimentos que o leitor possui. Às vezes, essas inferências se confirmam, e, às vezes, não; de qualquer forma, não são adivinhações aleatórias. Além do significado, inferimos também palavras, sílabas ou letras. Boa parte do conteúdo de um texto pode ser antecipada ou inferida em função do contexto: portadores, circunstâncias de aparição ou propriedades do texto. O contexto, na verdade, contribui decisivamente para a interpretação do texto e, com frequência, até mesmo para inferir a intenção do autor.
• Estratégias de verificação: tornam possível o controle da eficácia ou não das demais estratégias, permitindo confirmar, ou não, as especulações realizadas. Esse tipo de checagem para confirmar – ou não – a compreensão é inerente à leitura.
Utilizamos todas as estratégias de leitura mais ou menos ao mesmo tempo, sem ter consciência disso. Só nos damos conta do que estamos fazendo se formos analisar com cuidado nosso processo de leitura, como estamos fazendo ao longo deste texto.
ATENÇÃO!
Finalmente, vale lembrar que as hipóteses de leitura (que são diferentes das hipóteses de escrita) são construídas pelo leitor durante o processo de aprendizagem da linguagem escrita. Já as estratégias de leitura são utilizadas pelo leitor durante toda a sua vida.
UNIDADE 2 TÓPICO 1 107 Neste tópico, que tem a leitura e a escrita como foco, pudemos ver que:
• A expressão leitura de mundo nasceu há mais ou menos 20 anos. Ler o mundo é potencializar a própria existência.
• O que existe de específico na leitura é a capacidade de reconhecimento de palavras escritas, isto é, a capacidade de identificar cada palavra como forma ortográfica que tem uma significação e atribuir-lhe uma pronúncia.
• A distinção entre o que está escrito e o que se pode ler resulta de uma elaboração do aprendiz através da compreensão de que se escreve cada segmento do que se fala, na ordem em que se fala.
• É preciso promover variadas situações de leitura, em que os alunos participam de forma ativa;
isto favorece a conquista da correspondência exaustiva entre os segmentos do enunciado oral e os segmentos gráficos.
• O conhecimento das “hipóteses de leitura” não deve se transformar em um recurso para categorizar os alunos, mas sim estar a serviço de um planejamento de atividades que considere as representações dos alunos e atenda suas necessidades de aprendizagem.
• As hipóteses de escrita – pré-silábica, silábica, silábico-alfabética, alfabética – não são hipóteses de leitura. Quando um aluno escreve OIA e, solicitado a ler, aponta O (para FOR), I (para MI), A (para GA), ele está explicando o que pensou enquanto escrevia. Está explicitando sua hipótese de escrita (justificando sua escrita). Hipóteses de leitura são as soluções que o aluno produz quando solicitado a interpretar um texto escrito por outra pessoa.
• Iniciar a alfabetização pelas vogais e palavras como “ovo, uva, pé”, em lugar de facilitar, pode acabar dificultando a aprendizagem dos alunos. Essa prática pedagógica desconsidera que, no início do processo de alfabetização, as crianças acreditam que palavras com poucas letras não podem ser lidas.
• É preciso cuidado para não confundir hipóteses de leitura com estratégias de leitura: são coisas diferentes. As ideias que as crianças têm a respeito do que está escrito e do que se pode ler, isto é, as hipóteses de leitura, são de natureza conceitual. Já as estratégias de leitura – antecipação, inferência, decodificação e verificação – são recursos que os leitores – todos, tanto os iniciantes como os competentes – usam para produzir sentido enquanto leem um texto. São estratégias de natureza procedimental, o que significa que são constituídas e desenvolvidas em situações de uso.
RESUMO DO TÓPICO 1
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Revisite o texto, caso seja necessário, para completar a cruzadinha:
1. É compreender o que está escrito.
2. Consiste num amplo esquema para obter, avaliar e utilizar informação.
3. Segundo Morais (1996), “[...] é a capacidade de reconhecimento de palavras escritas, isto é, a capacidade de identificar cada palavra como forma ortográfica que tem uma significação e atribuir-lhe uma pronúncia”.
4. Estratégia de leitura que permite que o leitor se atenha apenas aos índices úteis, desprezando os irrelevantes.
5. Estratégia de leitura que torna possível o controle da eficácia ou não das demais estratégias.
6. Estratégia de leitura que torna possível prever o que ainda está por vir, com base em informações explícitas e em suposições.
7. Estratégia de leitura que permite captar o que não está dito no texto de forma explícita.
8. As ideias que os alunos elaboram sobre o que é a leitura antes de serem leitores convencionais podem ser definidas por...
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A PRÁXIS DA ALFABETIZAÇÃO
1 INTRODUÇÃO
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A prática do professor se materializa no planejamento das atividades que aplica com seus alunos na sala de aula. Estas atividades, quando bem planejadas, proporcionam situações de aprendizagem, isto é, o resultado da atividade planejada pelo professor com a intervenção pedagógica realizada durante essa atividade, para incidir na aprendizagem dos alunos.
Alguns cuidados podem elevar uma atividade muito simples à condição de uma boa situação de aprendizagem:
a) os desafios apresentados devem estar ajustados às possibilidades de aprendizagem dos alunos;
b) as interações (aluno/aluno e aluno/professor) devem proporcionar a mobilização de esforços intelectuais para resolver as questões sobre a escrita, decorrentes dos desafios da atividade;
c) as intervenções da professora devem ser problematizadoras, ou seja, colocar bons problemas para serem resolvidos pelos alunos.
O desafio maior para o professor é saber o que seus alunos pensam e sabem, para poder ajustar as propostas, as atividades, ou seja, lançar problemas adequados às suas necessidades de aprendizagem em cada momento da escolaridade. Sabemos que a diversidade é inevitável (e é bom que assim o seja) na sala de aula: ela é composta sempre por alunos com níveis de compreensão e conhecimento diferentes e, por isso, o professor precisa conhecer, analisar e acompanhar o que eles produzem, para planejar as atividades e os agrupamentos.
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Além de contribuir com a aprendizagem dos alunos planejando atividades adequadas e formando agrupamentos produtivos, o professor também tem um papel fundamental durante a atividade, quando circula pela classe e vai colocando perguntas que ajudam a pensar, pedindo que um ou outro leia, apresentando alguma informação útil.
Esse tipo de problematização durante uma atividade de escrita é feito quando a professora:
• pede para lerem;
• pede para um observar a leitura do outro;
• pergunta por que sobram letras para um aluno ou para outro;
• pergunta com que letra termina a palavra que está sendo escrita;
• pergunta sobre a posição das letras em uma sílaba para formar determinada palavra.
Por exemplo: Qual das duas letras deve vir antes (B ou A) para escrever a palavra BALA?
2 METODOLOGIA DE ALFABETIZAÇÃO A PARTIR DA PROBLEMATIZAÇÃO O recurso mais utilizado pelo professor na sala de aula é a atividade e, por esta razão, precisa ser bem planejada. Uma atividade de alfabetização, para ser considerada uma boa situação de aprendizagem, precisa promover a reflexão sobre a leitura e a escrita. Os alunos que estão em processo de alfabetização devem ter bons problemas a resolver.
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AL FA BE TI ZA ÇÃ FIGURA 40 – ATIVIDADE DE ALFABETIZAÇÃO
FONTE: Disponível em: <blog.educacional.com.br>. Acesso em: 24 set. 2011.
Pôr em jogo tudo o que as crianças sabem e pensam sobre o conteúdo em torno do qual o professor organizou a tarefa é um princípio didático que precisa ser considerado. Quando se diz que o aluno precisa “pôr em jogo tudo o que sabe e pensar sobre o conteúdo com o qual está trabalhando”, está se falando de situações nas quais ele precisa, por exemplo, usar suas ideias para produzir escrita ou leitura, assumindo o risco de enfrentar contradições. Fala-se de situações em que o aluno precisa utilizar tudo o que sabe para descobrir o que não sabe.
Por trás desse princípio didático está a concepção de aprendizagem como uma construção.
ATENÇÃO!
Numa atividade, por exemplo, de leitura de lista de brinquedos, onde a professora pede para lerem algumas das palavras da lista, o esforço dos alunos para localizar cada item obriga-os a analisar as diferenças e semelhanças que reconheciam no enunciado oral, para tentar encontrar as marcas dessas semelhanças e diferenças no texto escrito. A atividade precisa criar um contexto real de reflexão, os alunos precisam fazer uso do conhecimento sobre o valor sonoro convencional das letras e das estratégias de leitura para encontrar as palavras solicitadas.
Na situação a que nos referimos anteriormente (a leitura da lista de brinquedos), a atividade oferecia problemas para cuja solução os alunos, em processo de aprendizagem, não possuíam todos os conhecimentos necessários. Por isso precisam colocar em jogo tudo o que sabem: analisar a sonoridade das letras iniciais e finais, e utilizar como referência a lista de nomes que já conhecem (a lista dos nomes dos alunos da classe, por exemplo).
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NOTA!
Só é possível ler antes de saber ler convencionalmente se a professora organizar a situação didática de leitura de tal forma que os alunos possam receber alguma ajuda para descobrir o que está escrito utilizando os conhecimentos que já têm. Isso quer dizer que a atividade de leitura da lista, por exemplo, só é possível quando os alunos sabem do que se trata a lista, ou seja, se é uma lista de frutas, animais, de nomes de personagens de histórias infantis... Dessa forma, centra-se a reflexão em descobrir onde estão as palavras ditadas pela professora.
Outro princípio a ser considerado aponta para o fato de que os alunos têm problemas a resolver e decisões a tomar em função do que se propõem a produzir – esse princípio também deriva da concepção de aprendizagem como construção, ou seja: do ponto de vista construtivista, o conhecimento avança quando o aprendiz tem bons problemas para pensar.
Neste sentido, cabe aos professores apresentar bons desafios a todos do grupo. Os alunos só poderão avançar em sua compreensão sobre o funcionamento do sistema de escrita se tiverem bons problemas para pensar, se tiverem que refletir e rever suas hipóteses.
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FONTE: Disponível em: <blog.educacional.com.br>. Acesso em: 24 set. 2011.
Manter as características de objeto sociocultural real dos conteúdos – por isso, no caso da alfabetização, a proposta é o uso de textos, e não de sílabas ou palavras soltas – deve ser levado em consideração no planejamento das atividades.
A alfabetização é um processo de construção de hipóteses sobre o funcionamento e as regras de geração do sistema alfabético de escrita; por isso, a estratégia necessária para o aluno se alfabetizar não é a memorização, mas a reflexão sobre a escrita. Isto quer dizer
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AL FA BE TI ZA ÇÃ O memorizar infinitas famílias silábicas, é preciso um processo sistemático de reflexão sobre suas características e sobre o seu funcionamento.
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Sabe-se também que os alunos se alfabetizam à medida que são convidados a escrever e a ler, mesmo quando ainda não o fazem convencionalmente.
Reconhecer a natureza conceitual do processo de alfabetização e a necessidade de a língua entrar na escola da mesma forma que existe vida na sociedade é condição para planejar boas situações de aprendizagem. As atividades devem criar um contexto real de reflexão onde os alunos precisam pensar em como escrever e, nessa situação, o importante não é exatamente chegar à resposta correta, mas ampliar os recursos para se aproximar cada vez mais da compreensão de como funciona a escrita convencional.
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FONTE: Disponível em: <escolinhamariaolivia.zip.net>. Acesso em: 24 set. 2011.
Neste contexto, os textos são indicados não só porque garantem a não descaracterização do que é conteúdo da alfabetização, mas porque determinados tipos de texto favorecem a reflexão sobre as características da escrita alfabética. Quando as crianças ainda não leem e não escrevem convencionalmente, a prática tem mostrado que alguns textos são bastante adequados para as situações de leitura e escrita: listas, canções, poesias, receitas, parlendas, provérbios, adivinhas, piadas, trava-línguas, regras de instrução. Geralmente são textos curtos, em que os alunos têm possibilidades de antecipar o escrito (receitas conhecidas, regras de instruções, listas...), ou que sabem de cor (poesias, canções, provérbios, parlendas...). No caso dos textos poéticos, a organização em versos, a presença de rimas e os ritmos que animam cada um deles colaboram para que as crianças, embora não saibam ler no sentido convencional, possam ler esses textos.
Uma atividade bem organizada garante a máxima circulação de informação possível entre os alunos e por isso as situações propostas devem prever o intercâmbio e a interação
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entre eles. Esse princípio didático traz a importância de o professor conhecer o que os alunos sabem para planejar bons agrupamentos, parcerias que potencializam a aprendizagem. Isso só é possível se a professora conhece as ideias de cada um de seus alunos sobre o sistema de escrita, o que de fato estão pensando a esse respeito.
ESTUDOS
FUTUROS!
Adiante faremos algumas reflexões sobre o trabalho pedagógico
com agrupamentos produtivos.
Para acompanhar os avanços de seus alunos, ter claro o que sabem e o que não sabem e ajustar as propostas às suas necessidades de aprendizagem, a professora pode criar um instrumento de registro onde coloca o que cada um de seus alunos já sabe e, consultado este registro, ela sabe o que perguntar para cada aluno ou para cada agrupamento. O registro permite que a professora conheça o que as crianças estão pensando e acompanhar o processo de aprendizagem.
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Durante os anos em que acompanho o trabalho com professores, encontrei uma forma de registro daquilo que os alunos já sabem sobre a escrita, que considerei muito eficiente e, por esta razão, muito útil. A professora registra mais ou menos assim:
LEGENDA:
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Os dois primeiros princípios dão forma didática à visão do aprendiz como sujeito que constrói seu próprio conhecimento e demandam das atividades propostas aos alunos a condição de situações desafiadoras, ou seja, ao mesmo tempo difíceis e possíveis para o aluno.
O progresso no conhecimento é obtido através da resolução de situações-problema, da superação de desafios. Diante de um conteúdo não completamente assimilável o sujeito é levado a uma modificação de seus esquemas interpretativos, pois aqueles de que ele dispõe no momento não são suficientes para resolver algo que se apresenta como um desafio (BRASIL, 2001b).
IMPORTANTE
!
Aprendemos à medida que os desafios colocados nos obrigam a pensar, a reorganizar o conhecimento que temos, a buscar mais informação, a refletir para buscar respostas.
2.1 ASPECTOS A CONSIDERAR NO
PLANEJAMENTO DE ATIVIDADES DE ALFABETIZAÇÃO
As atividades planejadas de forma que o desafio esteja ajustado às necessidades de aprendizagem dos alunos, os agrupamentos planejados criteriosamente, as intervenções realizadas durante a realização da tarefa proposta configuram uma boa situação didática, na qual o ensino organiza e implementa uma situação de aprendizagem de fato.
Saber o que os alunos pensam permite dosar o nível de problematização durante a atividade, ou seja, colocar questões que desencadeiam novas reflexões. Por exemplo, de nada adianta fazer perguntas sobre ortografia para alunos que ainda não escrevem e não leem convencionalmente. Num bom agrupamento, os dois alunos têm que tomar e negociar decisões, expor seus argumentos e resolver os problemas colocados pela atividade.
Esses princípios didáticos fazem muito mais sentido quando consideramos que os alunos são sujeitos intelectualmente ativos (pensam, comparam, refletem, categorizam, analisam, excluem, ordenam...), que procuram compreender o mundo que os rodeia e que aprendem, basicamente, por meio de suas ações sobre os objetos do mundo, que se convertem em objetos do seu conhecimento.
PR
Dadas as diferenças de saberes dos alunos, a maneira de intervir não deve ser a mesma para todos.
É preciso diversificar os tipos de ajuda: propor perguntas que requeiram níveis de esforço diferentes; oferecer uma informação específica que promova o estabelecimento de novas relações; ouvir o que o aluno tem a dizer sobre o que pensou para chegar a um determinado produto; estimular o progresso pessoal.
ATENÇÃO!
Neste sentido, o PROFA (Programa de Formação de Professores Alfabetizadores) faz a seguinte reflexão:
Se quer que os alunos assumam como valores a cooperação, o respeito às ideias e maneiras de ser dos parceiros, a solida-riedade, a justiça, o professor precisa atuar de acordo com esses princípios – ou seja, demonstrar em sala de aula atitudes de cooperação, de justiça, de solidariedade etc. – e criar um ambiente que traduza os valores que pretende ensinar. Assim, por exemplo, se a cooperação é um dos valores a ser ensinado, não basta discursar sobre o que são comportamentos cooperativos:
é preciso que a aula transcorra de fato em um clima cooperativo, no qual seja possí-vel testemunhar e experimentar atitudes desse tipo. (BRASIL, 2001b, p. 16).
É preciso, então, que o professor assuma a condição de autor da própria prática pedagógica: aquele que, diante de cada situação, precisa refletir, buscar suas próprias soluções, construir novas estratégias, tomar decisões, enfim, ter autonomia intelectual. Trilhar esse caminho exige estudo, reflexão sobre sua ação, autoavaliação, trabalho em parceria, intencionalidade e, principalmente, disponibilidade para aprender e experimentar.
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3 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DE ALFABETIZAÇÃO
Como práticas pedagógicas em alfabetização, apresentamos a sondagem – recurso utilizado para fazer um diagnóstico do que os alunos já sabem sobre a leitura e a escrita –, uma reflexão sobre o trabalho com agrupamentos produtivos, e listamos algumas atividades de alfabetização. Desta forma, esperamos subsidiá-lo(a) com algumas práticas. A partir delas, você pode pesquisar outras!
3.1 SONDAGEM
Este texto consta no caderno do Programa de Desenvolvimento Profissional Continuado – Alfabetização, do Ministério da Educação – Secretaria de Educação Fundamental, 2000, p. 69.
A sondagem é um dos recursos de que o professor dispõe para conhecer as hipóteses que os alunos ainda não alfabetizados têm sobre a escrita alfabética. É um momento em que também o aluno tem oportunidade de refletir enquanto escreve, com a ajuda do adulto. A sondagem pode ser: uma relação de palavras acompanhadas ou não de frases, uma produção espontânea de texto ou qualquer outra atividade de escrita, desde que seja acompanhada de uma leitura imediata do aluno. Por meio da sondagem podemos perceber se o aluno faz ou não relação entre fala e escrita e, se faz, de que tipo é a relação.
É de grande valia, para o professor, realizar essas sondagens no decorrer do ano – no mínimo três vezes –, pois isso permite conhecer a evolução “histórica” da escrita dos alunos. Trata-se de uma avaliação diagnóstica do processo de aprendizagem do sistema alfabético, que não é estática: é o retrato do momento em que foi realizada e pode mudar, inclusive, de um dia para o outro.
Sugerimos uma sondagem que compreende uma relação de palavras e uma frase, considerando o seguinte:
• a relação de palavras deve iniciar com uma polissílaba e acabar com uma monossílaba;
• não deve haver repetição de letras nas palavras;
• não se deve ditar as palavras “silabando”;
• cada palavra escrita deve ser imediatamente acompanhada da leitura do aluno;
• é importante que o professor registre a escrita e a leitura do aluno, bem como outras
• é importante que o professor registre a escrita e a leitura do aluno, bem como outras