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PROCESSO DE FORMAÇÃO DO PRÓPRIO ACADÊMICO

No documento PROCESSOS DE ALFABETIZAÇÃO (páginas 19-0)

TÓPICO 1: O PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES

2.3 PROCESSO DE FORMAÇÃO DO PRÓPRIO ACADÊMICO

UNI

Você já pensou em algum momento sobre quais foram os fatos mais marcantes do tempo em que aprendeu a ler e escrever? Pois é, estes fatos expressam a sua história de alfabetização. Como já vimos neste tópico, esta história marca profundamente suas representações sobre o ato de aprender a ler e escrever e o ato de ensinar a ler e escrever.

PR

A tendência é de que o professor reproduza na sala de aula o modelo de educação que vivenciou durante o seu processo de formação. Mas então, será que estamos condenados a reproduzir as práticas educacionais que vivenciamos durante a nossa escolarização? É claro que não, embora alguns professores manifestem esta tendência. O que interfere na nossa própria formação são os momentos de estudos teóricos que realizamos, quer seja na formação inicial, quer seja na formação continuada.

IMPORTANTE

!

Ao relembrar a história de nossa alfabetização, podemos refletir sobre algumas questões:

• Qual é a concepção de ensino e aprendizagem que está por trás da formação que tivemos?

• Quais as situações vivenciadas que favoreceram o sucesso no período de nossa alfabetização?

• Qual a importância dos aspectos afetivos e emocionais que marcaram nossa alfabetização e que interferiram na nossa aprendizagem?

• Os conhecimentos prévios que tínhamos ao chegar à escola eram considerados?

• A escola que frequentamos estava preparada para atender a diversidade de saberes de todos os alunos e adequar sua prática educativa a eles?

• Quais representações temos, a partir de nossas vivências como aluno, sobre o papel de professor, de aluno e de escola?

Como você pode ver, muitos são os aspectos que marcaram nossa formação escolar e que, de uma forma ou outra, determinam a prática pedagógica do professor. Convém lembrar que, mesmo que nossa experiência tenha apresentado muitos aspectos positivos, vivemos hoje em um mundo diferente, numa organização social diferente, com relações diferentes, com necessidades humanas, sociais e profissionais diferentes... e, por esta razão, reproduzir na sala de aula o modelo de nossa própria formação pode não atender às necessidades da formação atual.

A reflexão e a ação, ou seja, a práxis pedagógica resultante da teoria e da prática reflexiva, ajudam a quebrar os paradigmas que construímos a partir de nossas vivências escolares.

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AL FA BE TI ZA ÇÃ FIGURA 3 – TEORIA E PRÁTICA REFLEXIVA

FONTE: Disponível em: <gestar2-ms.blogspot.com>. Acesso em: 24 set. 2011.

Transcrevemos a seguir um trecho da palestra e mesa redonda do 1º Seminário Victor Civita de Educação, publicado na Revista Nova Escola, onde o filósofo e educador Mario Sergio Cortella e o psicólogo Yves de La Taille falaram sobre o papel do professor no desenvolvimento ético e moral da sociedade.

Para introduzir o tema, Cortella referiu-se a duas visões extremas sobre o papel do professor, ambas comuns no Brasil. Ou o professor é visto como um coitado, incapaz de cumprir suas funções nas condições que lhe são dadas, ou é apontado como solução para todos os problemas. “É preciso ter cautela em relação à nossa função social. Nem catastrofista, nem triunfalista”. Em seguida, o filósofo provocou a plateia ao sugerir que no Brasil domina a ética do possível. E citou como exemplo: “Quando levamos o carro ao conserto, ouvimos do mecânico que ele vai fazer o possível”. O raciocínio foi completado com outra situação em que esse modelo de atitude é desastroso: “Você está na maca, encaminhando-se para a mesa de cirurgia, mãos dadas com seu médico e pergunta se vai dar tudo certo. Ele responde que vai fazer o possível”. Para Cortella, se temos algo a aprender com os norte-americanos é justamente a postura marcada por uma expressão muito utilizada por eles: I’ll do my best (Vou fazer o meu melhor). Outra mudança de atitude se refere à satisfação. “Não podemos nos sentir satisfeitos. Essa atitude paralisa. Temos que querer sempre mais”, sugeriu.

O professor apresentou ainda o conceito de humildade pedagógica, defendendo que todos se abram aos outros, estejam em constante processo de formação e compartilhem,

“já que não sabemos fazer tudo”. Por fim, apresentou outra analogia com a medicina, comparando biopsia (a análise de algo que está vivo, mas tem algum problema que necessita ser identificado para promover uma melhora) com autopsia (análise de algo que já morreu para encontrar as causas dessa morte). “Nas questões do nosso cotidiano no ambiente escolar, devemos fazer mais biopsias que autopsias se quisermos evoluir”, concluiu.

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Para analisar a ética e a moral do homem pós-moderno e propor caminhos mais promissores, o psicólogo Yves de La Taille comparou-o a um turista e colocou-o em oposição a um peregrino. O turista, de acordo com ele, viaja por recreação, busca apenas o prazer, não dá atenção à situação social do local que visita e muito menos às pessoas que lá estão apenas para servi-lo. Raramente traz de volta uma experiência de vida. Para o turista, pouco importa o caminho. O tempo da viagem é um hiato, um tempo perdido, programado, quando geralmente ele dorme. A programação do turista é prévia: ele quer conhecer partes, em tempos corretos, e nada pode dar errado. Sua viagem, em geral, nada tem a ver com o momento que está vivendo, antes e depois das férias.

Já o peregrino, segundo De La Taille, viaja porque tem um querer, busca alguma coisa, uma identidade. Escreve um diário e traz da sua viagem uma experiência. Para ele, a ida e a volta são lentas e importantes, o caminhar tem seu valor. O peregrino não busca o prazer, mas a alegria. Enquanto o turista espera, o peregrino quer.

“Que cidadãos estamos reproduzindo na escola, turistas ou peregrinos?”, perguntou De La Taille, acreditando ser a primeira opção a resposta. Para ele, vivemos numa era de fragmentação, tanto de tempos como de espaços. E citou o Jornal Nacional, com seus fragmentos de notícias, os shoppings, com suas lojas que nada têm a ver umas com as outras (a não ser o fato de serem lojas), os videoclipes, com suas colagens de imagens desconexas... “Nosso tempo é uma sequência de pequenas urgências”, argumentou. O celular, que o psicólogo fez questão de dizer que não tem, e o e-mail, da forma como são utilizados, são os exemplos máximos desse tipo de fragmentação. “Vivemos a ditadura do prazer numa época em que a ordem é comunicar-se, o que é muito diferente de estar com o outro”.

Mas o que vai na bagagem de um professor turista e de um professor peregrino? A questão, feita por um dos presentes, foi assim respondida por De La Taille: “Na bagagem do turista – grande e espaçosa –, encontraríamos apenas as receitas, a tecnologia. Na do peregrino – uma trouxinha, pois o que importa está na cabeça –, haveria o conhecimento, a experiência e tudo o que ele tem a compartilhar com seus alunos.

FONTE: CORTELA, M. S.; LA TAILLE, I. Revista Nova Escola, São Paulo, p. 37, nov. 2006.

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NOTA!

Desta forma, faz-se necessário adequar a formação docente às necessidades dos professores, tanto as de natureza teórica quanto as de natureza prática. É necessário partir daquilo que os professores pensam e sabem para apoiá-los na construção de novos conhecimentos e na implementação de novas práticas.

Mas, afinal, o que pensam os professores alfabetizadores? Como eles concebem esses dois objetos com que lidam diariamente: a alfabetização e o letramento? Será que o discurso acadêmico que está sendo utilizado na formação inicial e na formação continuada dos professores está sendo assimilado por estes com o mesmo significado que possui no meio acadêmico?

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RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico você pôde refletir sobre:

• A importância da própria experiência escolar do(a) acadêmico(a) nas representações pessoais sobre a educação, a escola, os professores, os alunos, os conteúdos da aprendizagem, as estratégias de ensino etc.

• O conhecimento profissional do professor representa o conjunto de saberes que o habilita para o exercício do magistério, que o torna capaz de desempenhar todas as suas funções profissionais.

• A atuação do professor tem como dimensão principal a docência, mas não se restringe a ela: inclui também a participação no projeto educativo e curricular da escola, a produção de conhecimento pedagógico e a participação na comunidade educacional. Portanto, todas estas atividades devem fazer parte da sua formação.

• A formação de docentes, para atuarem na educação básica, far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na Educação Infantil e nas quatro primeiras séries do Ensino Fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal (Lei nº 9.394/96 – art. 62).

• A formação continuada não pode ser pensada num modelo fragmentado, às vezes desenvolvida em apenas um ou dois momentos ao longo do ano. É uma necessidade essencial para os profissionais da educação escolar e faz parte de um processo permanente de desenvolvimento profissional que deve ser assegurado a todos.

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AUTOATIVIDADE

Escreva um texto contendo as memórias do seu processo de alfabetização.

Podem ser utilizados os mais variados tipos de textos para a escrita das memórias (acróstico, poesia, receita, história em quadrinhos, bula, autobiografia, crônica, carta, conto...).

O que são memórias? É um escrito em que alguém conta sua vida ou narra fatos a que assistiu ou de que participou.

FONTE: FERREIRA, Aurélio B. de Hollanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 5. ed.

Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.

Exemplo 1:

Estava perto o Grande Dia... meu irmão mais velho já estava na escola. Olhava para seus cadernos, seus livros, tinha só 6 anos e ainda não podia. Meu Deus, ainda não podia! Os 7 anos completei, mas sofri um bocado. A escola me aguardava, não andava, voava.

Minha professora não era uma pessoa, era uma fada bem rígida que iria me ensinar a ver o mundo letrado.

Aprendi a ler com bastante rapidez. Gostava de tudo: Português, Matemática, Ciências e Estudos Sociais, e a professora não precisava comigo usar de rigidez.

Tinha um problema: em Desenho não tinha jeito, não conseguia fazer e isso me fez fechar para esse mundo, mas, mesmo assim, não matou o meu sonho.

Sou professora, sei que é vocação, tenho algo de minha mestra: o amor, a rigidez, o gosto pela leitura. Com isso, eu sei que vou vencer os desafios da Educação.

Professora Edilene M. Nascimento dos Anjos Carnaíba-PE

PR Eu vou lhe contar agora Um pouquinho do passado

Do meu tempo de escola De aluno educado.

Logo cedo eu chegava Com farda original Alegre e sempre em fila Cantava o Hino Nacional.

A minha escola era grande Com um enorme jardim em frente

Na hora do recreio Juntava era muita gente.

Tinha uma cartilha azul Colorida e engraçada Com as letras muito grandes

Que eu lia salteadas.

Pro Maria era calma Meiga como uma flor Quando a gente errava Ela dizia “faz de novo, meu amor”.

Mas... lá tinha uma diretora Com uma grande palmatória

Quando a gente aprontava Então... era outra história.

Ao lembrar da minha escola Revivo muitas lembranças Dos colegas, dos professores Do meu tempo lindo de criança.

Professora Grace Motta Salvador-BA FONTE: Brasil, 2001a

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AL FA BE TI ZA ÇÃ Para fazer o seu texto, procure lembrar o tempo em que você aprendeu a ler

e escrever, recuperando os momentos marcantes, os professores, as dificuldades, as conquistas, os desafios, os sentimentos envolvidos... A partir dos fragmentos de suas lembranças, escreva as memórias desse período. Não se preocupe em inventar nada muito diferente, trate apenas com cuidado a escrita da sua experiência de alfabetização:

pense que o que você tem a dizer vale a pena... Se quiser, você pode escrever de maneira simples, sobre coisas simples, mas de forma literária: a literatura prima pelo uso estético da linguagem, independente do assunto. Aqueça o braço, escolha o gênero, imprima desejo e busque o prazer de escrever, o mais íntimo e solitário que se possa imaginar... Faça primeiro um rascunho para poder acrescentar tudo que for lembrado e, quando julgar o resultado adequado, passe então a limpo seu texto, para que seja compartilhado com os colegas da sua turma. Agora é com você!

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CONCEPÇÕES DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM EM ALFABETIZAÇÃO

1 INTRODUÇÃO

TÓPICO 2

UNIDADE 1

Veremos, neste tópico, algumas concepções que fundamentam a compreensão de como ocorre a aprendizagem da leitura e da escrita. Esta compreensão define as diretrizes da prática do professor. As concepções de alfabetização que o professor tem definem sua prática pedagógica. Caso ele conceba que estar alfabetizado é saber codificar e decodificar, seu método de trabalho será numa direção. Já se concebe que a alfabetização inclui, além da decodificação e da codificação, a compreensão do sistema alfabético e a participação em situações reais de leitura e de escrita, sua prática será outra.

Tentando contribuir para o esclarecimento destas questões, este tópico traz uma abordagem sobre as concepções de alfabetização e letramento expressas pelos professores alfabetizadores em suas falas e em suas práticas pedagógicas. Para isto, as reflexões apresentadas visam clarear os seguintes aspectos:

• qual a concepção de alfabetização que os professores alfabetizadores expressam ?

• qual a concepção de letramento que os professores alfabetizadores expressam?

• diferentes concepções de alfabetização e letramento estão relacionadas com diferentes concepções do que é ler e escrever?

• de que forma aqueles que ensinam as crianças a ler e a escrever concebem sua profissão e definem seus objetivos pedagógicos?

Frequentemente comparam-se métodos de alfabetização que se sucederam ao longo do tempo, julgam-se ou criticam-se as antigas formas de ensinar, esquecendo-se de interrogar sobre o tipo de escritor e de leitor que esses métodos visavam formar. O ato de ensinar crianças a ler e a escrever, tanto ontem como hoje, revela a forma de como o professor entende que o

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sujeito aprende. A alfabetização não é uma realidade fora da história. Por trás daquilo a que se chama “saber ler e escrever” estão competências específicas de cada época.

ATENÇÃO!

Veja o quanto é importante que se tenha clareza teórica para uma efetiva prática pedagógica. Não esqueça: “Não basta saber, é preciso saber fazer”.

2 PROCESSOS DE ENSINAR E

APRENDER A LEITURA E A ESCRITA

A sala de aula é o espaço privilegiado para a troca de experiências e de conhecimentos entre os indivíduos que ali se encontram. Este espaço é a expressão de um sistema social, manifestado através de suas rotinas, relações interpessoais, pensamentos, relações de poder, imaginários e representações sociais, e que deve nortear a prática pedagógica. Desta forma, pode-se dizer que os conhecimentos que os alunos já têm, suas histórias e culturas, a maneira de ser com todas as suas diferenças, são contemplados nas mais diversas situações de aprendizagem que ocorrem. Os momentos planejados pelo professor devem permitir a vivência de experiências múltiplas, estimular a criatividade e a imaginação, desenvolvendo as mais diversas linguagens.

IMPORTANTE

!

Trazer para dentro da sala de aula situações reais de uso da leitura e da escrita na sociedade é ampliar a possibilidade de acesso ao mundo letrado, o que promove a busca da igualdade de oportunidades e a inclusão social. Todos nós, e também a criança, vivemos rodeados e inseridos nas informações que nos chegam através da linguagem oral e escrita, através da televisão, outdoors, revistas, computador, rótulos, livros, revistas, jornais.

Nesta inserção, as crianças constroem várias ideias sobre a leitura e a escrita.

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2.1 ENSINO DA LÍNGUA ESCRITA

Com efeito, o corpo de evidências empíricas e construções teóricas sobre a aprendizagem da leitura e da escrita, disponível atualmente, demanda um modelo de formação de professores que dê conta dos novos paradigmas da alfabetização e da criança que aprende, e, ao mesmo tempo, que dê conta da longa história de fracasso escolar na alfabetização deste país.

IMPORTANTE

!

A respeito disto, Ferreiro (2000, p. 40) coloca que:

[...] as mudanças necessárias para enfrentar sobre bases novas a alfabetização inicial não se resolvem com um novo método de ensino, nem com novos testes de prontidão, nem com novos materiais didáticos. É preciso mudar os pontos por onde nós fizemos passar o eixo central das nossas discussões. Temos uma imagem empobrecida da língua escrita: é preciso reintroduzir, quando consideramos a alfabetização, a escrita como sistema de representação da linguagem. Temos uma imagem empobrecida da criança que aprende: a reduzimos a um par de olhos, um par de ouvidos, uma mão que pega um instrumento para marcar e um aparelho fonador que emite sons. Atrás disso há um sujeito cognoscente, alguém que pensa, que constrói interpretações, que age sobre o real para fazê-lo seu.

Os sistemas de ensino que já incorporaram essas mudanças de concepção em relação à aprendizagem apresentam aos profissionais da educação decisões sobre a prática educativa e orientações didáticas oficiais, transformando a importância de um olhar específico para a alfabetização em necessidade.

Quem dá vida às tecnologias educacionais e quem ainda constitui a maior e melhor tecnologia é o professor, quando animado e possibilitado a trabalhar nesta direção. Sua prática é mais eficiente à medida que a formação garante a (re)construção das ideias sobre o ensino da linguagem escrita. Esse é um processo pessoal e, ao mesmo tempo, coletivo, que vai se fazendo na reflexão crítica sobre a própria tarefa. Os professores, por sua vez, passam a determinadas práticas pedagógicas sem, contudo, saber por que agem desta ou daquela

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forma. Assim, há uma enorme distância entre o perfil de professor que a realidade exige e o perfil de professor que esta mesma realidade até agora criou.

Desde que a escrita foi inventada, o escrever e o ler são elementos básicos para produzir conhecimento. Hoje se considera que compreender os processos pelos quais a criança constrói a leitura e a escrita é o grande desafio dos educadores que alfabetizam. Mas nem sempre foi assim. Um longo caminho foi percorrido para que se chegasse às atuais teorias que fundamentam a prática em alfabetização. Uma breve retrospectiva histórica ajuda a localizar algumas concepções presentes na aprendizagem da leitura e da escrita.

ATENÇÃO!

Para Luria (1988, p. 142):

Escrever é uma das funções culturais típicas do comportamento humano. Em primeiro lugar, supõe o uso funcional de certos objetos e expedientes como signos e símbolos. Em vez de armazenar diretamente alguma ideia em sua memória, uma pessoa escreve-a, registra-a fazendo uma marca que, quando observada, trará de volta à mente a ideia registrada. A acomodação direta à tarefa é substituída por uma técnica complexa que se realiza por mediação.

A utilização de símbolos surgiu gradativamente em função das necessidades das relações sociais que foram surgindo para registrar os conteúdos e as falas, constituindo-se em verdadeiros sistemas de representação. A ampliação do uso desses sistemas criou a necessidade de se instaurarem práticas sociais para o seu aprendizado.

O modelo escolar de alfabetização nasceu há pouco mais de dois séculos, em 1789, na França, após a Revolução Francesa. A partir de então,

[...] crianças são transformadas em alunos, aprender a escrever se sobrepõe a aprender a ler, ler agora se aprende escrevendo – até esse período, ler era uma aprendizagem distinta e anterior a escrever, compreendendo alguns anos de instrução através do ensino individualizado. É, então, no jogo estabelecido pela Revolução entre a continuidade e a descontinuidade do tempo, onde a ruptura vai sendo atropelada pela tradição, que a alfabetização se torna o fundamento da escola básica e a leitura/escrita, aprendizagem escolar.

(BARBOSA, 1990, p. 7).

Ao resgatar as discussões sobre a alfabetização escolar no século XX, constatamos que a preocupação com o ensino da leitura e da escrita remonta já à Primeira Guerra Mundial,

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AL FA BE TI ZA ÇÃ alfabetizados, não conseguiam ler as ordens do comando. Daí se constatou que apenas decodificavam e não compreendiam o que liam.

FIGURA 4 – GUERRAS

FONTE: Disponível em: <www.guerras.brasilescola.com>. Acesso em: 24 set. 2011.

A primeira metade do século foi marcada pela busca do melhor método para ensinar a ler, com base na suposição de que a ocorrência de fracasso se relacionava com o uso de métodos inadequados, já que era ponto pacífico, no ensino da leitura e da escrita, que a língua escrita era um código de transcrição da fala. Isso implicava que ler e escrever fossem considerados a conversão de elementos gráficos em sons e vice-versa. A explicação de como se dá a aprendizagem desse código dependia da abordagem que se adotasse: por associação dos elementos mais simples, até se chegar ao todo, mais complexo, que subsidiou os métodos sintéticos, como o Método Fonético (que propunha que o aluno aprendesse primeiro as letras

A primeira metade do século foi marcada pela busca do melhor método para ensinar a ler, com base na suposição de que a ocorrência de fracasso se relacionava com o uso de métodos inadequados, já que era ponto pacífico, no ensino da leitura e da escrita, que a língua escrita era um código de transcrição da fala. Isso implicava que ler e escrever fossem considerados a conversão de elementos gráficos em sons e vice-versa. A explicação de como se dá a aprendizagem desse código dependia da abordagem que se adotasse: por associação dos elementos mais simples, até se chegar ao todo, mais complexo, que subsidiou os métodos sintéticos, como o Método Fonético (que propunha que o aluno aprendesse primeiro as letras

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