TÓPICO 2: A PRÁXIS DA ALFABETIZAÇÃO
3.3 ATIVIDADES DE ALFABETIZAÇÃO (DIFÍCEIS, PORÉM POSSÍVEIS)
3.3.1 Textos que os alunos sabem de memória (de cor)
Oferecer textos que os alunos sabem de cor (parlendas, poesias, canções, quadrinhas etc.) e solicitar que acompanhem a leitura indicando com o dedo no texto: esta é uma boa situação para que os alunos possam reorganizar suas ideias sobre o que está escrito e o que se pode ler. É também a oportunidade de o aluno (especialmente aquele que está no nível pré-silábico) fazer o ajuste da fala com a escrita, ou seja, entender que aquilo que está escrito é aquilo que se fala. Solicitar que localizem nesses textos determinados substantivos, adjetivos, verbos e até mesmo as “partes pequenas” – artigos, preposições etc. – pode ser uma boa intervenção por parte do professor. Por exemplo, ao realizar uma atividade de leitura de uma quadrinha ou canção que as crianças sabem de cor, é interessante que, enquanto elas vão dando conta de localizar as palavras que acreditam estarem escritas, o professor vá propondo a localização de outras mais “difíceis”.
Observe a quadrinha a seguir:
PIRULITO QUE BATE BATE PIRULITO QUE JÁ BATEU QUEM GOSTA DE MIM É ELA QUEM GOSTA DELA SOU EU.
Além de pedir para localizar “pirulito” e de perguntar com que letra começa ou termina, é possível propor inúmeras questões para os alunos pensarem. Pode-se notar que há palavras repetidas. Para alunos que ainda não compreenderam que tudo o que se lê precisa estar escrito, isso soa absurdo. Mas, como as dificuldades são de ordem conceitual, e não perceptual, salta-lhes aos olhos que existem vários “pedaços” idênticos. Mais precisamente, cinco pares. Quatro se repetem na mesma posição, no verso seguinte, e um (BATE) no mesmo verso. Apoiar o esforço dos alunos para descobrir o que está escrito em cada par e em cada um dos outros pedaços é a tarefa do professor. Lançar uma questão de cada vez, analisando as respostas
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Quando sugerimos que o professor lance perguntas sobre o texto, estamos nos referindo a questionamentos sobre a escrita das unidades que formam o texto. É comum encontrar professores que
“perdem” o foco da atividade de leitura e de escrita, passando a perguntar sobre, por exemplo, “do que é feito o pirulito”, “quem gosta do pirulito”...
Outra opção de trabalho com textos de memória é a seguinte:
Os textos de memória consistem em uma atividade muito recomendada aos alunos, principalmente no início da alfabetização. Esta atividade pode ser adaptada para os quatro níveis de alfabetização:
• Pré-silábicos – cortar o texto em tiras
• Silábicos – cortar o texto em palavras
• Silábico-alfabéticos – cortar o texto em sílabas
• Alfabéticos – cortar o texto em letras Como fazer?
a) Selecione o texto que os alunos sabem de cor (de memória – não a escrita, mas a sequência do texto). Exemplo:
SAMBA LELÊ ESTÁ DOENTE ESTÁ COM A CABEÇA QUEBRADA
SAMBA LELÊ PRECISAVA É DE UMA BOA LAMBADA.
b) Digite o texto em tamanho de fonte maior (48, por exemplo) e tire tantas cópias quantos alunos você tiver. Por exemplo, se tiver 25 alunos, tire 25 cópias. Depois recorte o texto de acordo com o número de alunos que você tem em cada nível de escrita. Assim:
• 12 – pré-silábicos – recorte 12 textos em tiras para que os alunos escrevam o texto com as tiras;
• 04 – silábicos – recorte 4 textos em palavras para que estes 4 alunos escrevam o texto com as palavras;
• 06 silábico-alfabéticos – recorte 6 textos em sílabas para que estes alunos escrevam o texto com as sílabas;
• 03 alfabéticos – recorte 3 textos em letras para que estes alunos escrevam o texto com as letras.
PR OC ES OS S DE
AL FA BE TI ZA Ç
c) O professor entrega o texto para os alunos, cada qual recortado de acordo com as orientações anteriores. Solicitar que os alunos “escrevam” (não estou falando de grafar e sim de compor) o texto. Os alunos podem, à medida que vão escrevendo o texto, colar em uma folha de papel ou no caderno.
Para os alunos que estão pré-silábicos o desafio é que se tornem silábicos. Eles vão ordenar o texto fazendo antecipações na leitura das tiras – olhando o início das frases, o final das frases... Eles escrevem o texto com as tiras. Para os alunos silábicos, o desafio é que se tornem alfabéticos. Eles escrevem o texto com as palavras. Os alunos silábico-alfabéticos estão a caminho para se tornar silábico-alfabéticos. Eles escrevem o texto com as sílabas.
Já os alunos alfabéticos terão como desafio a ortografia, pois devem escrever o texto com as letras e deverão ser lembrados de que não sobrará e nem faltará nenhuma letra. Portanto, todas as letras devem ser utilizadas.
Não pode sobrar e nem faltar nenhuma tira, palavra, sílaba ou texto. Não esqueça de que escrever e compor o texto não é grafar. Nesta atividade os alunos escrevem o texto colando as tiras ou palavras, ou sílabas, ou letras, no caderno ou em uma folha.
ATENÇÃO!
Note bem: a atividade está sendo adequada aos conhecimentos que cada um dos alunos tem, ou seja, os pré-conhecimentos sobre a leitura e a escrita. No entanto, a atividade é difícil para todos, mas possível. São colocados bons desafios para todos e todos devem pensar sobre a escrita.
UNI
É sempre bom pensar sobre a seguinte questão: a atividade desafiadora para os alunos que estão pré-silábicos não apresenta nenhum desafio para os alunos alfabéticos; já a atividade desafiadora para os alunos alfabéticos, os alunos pré-silábicos não conseguem realizá-la. Você percebeu a importância de adequar os desafios das atividades aos conhecimentos que os alunos já têm para que seja difícil, porém possível, para todos?
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PR OC ES OS S DE
AL FA BE TI ZA ÇÃ FIGURA 46 – CRUZADINHA A
FONTE: Brasil, 2000, p. 106
FIGURA 47 – CRUZADINHA B
FONTE: Brasil, 2000, p. 106