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PERÍODO PRÉ-SILÁBICO

No documento PROCESSOS DE ALFABETIZAÇÃO (páginas 87-93)

UNIDADE 2: PROCESSOS DE ALFABETIZAÇÃO

2.1 PERÍODO PRÉ-SILÁBICO

Ao longo deste texto foram explicitadas hipóteses que as crianças criam quando aprendem e, principalmente, quando aprendem a ler e a escrever. No entanto, entende-se que se faz necessário sistematizá-las, para que o leitor possa se localizar melhor.

Ferreiro e Teberosky, nos anos de 1974 a 1976, através de pesquisa realizada com crianças da classe média e baixa, não alfabetizadas, puderam identificar estágios sucessivos de conceptualizações, que as crianças vão construindo à medida que interagem com a escrita e com as pessoas que dela se utilizam.

ATENÇÃO!

Esses estágios de evolução foram caracterizados em três períodos:

pré-silábico, silábico e alfabético, e o quarto, considerado como período transitório: o silábico-alfabético.

Veremos algumas características de cada um dos períodos, embora considerando que sua conceituação já apresentou “muitos desenvolvimentos posteriores” à primeira publicação (FERREIRO, 2001, p. 94).

2.1 PERÍODO PRÉ-SILÁBICO

Neste período a criança não possui noção de que a escrita representa a fala. Suas produções gráficas espontâneas não representam nenhum tipo de correspondência sonora.

Geralmente, as escritas resumem-se a um conjunto de linhas onduladas ou quebradas e a traços retos dispostos de forma desordenada na folha de papel. Mais tarde, a criança acaba por aproximar-se das letras convencionais e acaba construindo a hipótese de que, para algo ser lido, não é suficiente estar escrito, mas o que se escreve deve ter uma quantidade mínima de letras – hipótese da quantidade – que varia em torno de três letras. Logo, a hipótese da quantidade é complementada por uma outra hipótese, que é da variedade interna, caracterizada pela diferenciação entre as letras que compõem as palavras. No entanto, não raro utiliza as mesmas letras para escrever palavras diferentes. Posteriormente, chega à conclusão de que, para se escrever nomes diferentes, devem-se utilizar letras ou escritas diferentes. Neste período, geralmente, a quantidade de letras é determinada pelo tamanho do objeto que as

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crianças pretendem representar graficamente. A base de diferenciação da escrita é sempre semântica e nunca sonora.

IMPORTANTE

!

Com relação ao termo “pré-silábico”, Ferreiro (2001, p. 94) declara que “[...] nunca me satisfez, porque caracteriza negativamente o que eu gostaria de caracterizar em termos positivos”, e, ao contrário do que muitos dizem, Ferreiro (2001, p. 95) diz que neste período “[...] há sim uma relação com a linguagem”.

Apresentam-se, a seguir, algumas escritas de crianças que revelam uma escrita pré-silábica, para que você possa compreender melhor o que elas pensam sobre a escrita neste período.

FIGURA 16 – ESCRITA 1

FONTE: Pomerode, 2009

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AL FA BE TI ZA ÇÃ A Escrita 1 é conhecida como “escrita pré-silábica sem controle de quantidade de letras”, ou seja, o autor pensa que, para escrever qualquer palavra, é preciso encher a linha de letras.

Ao analisar esta escrita pode-se dizer que ela revela que o autor tem um bom repertório de letras. Observe a marca de leitura sob as palavras escritas: Na palavra “TELEFONE” leu “TE”

para a letra “S” e atribuiu o restante da palavra (LEFONE) às demais letras que escreveu, ou seja, leu “corrido”. Podemos dizer que, na primeira sílaba, fez uma tentativa de correspondência sonora (atribuiu uma letra para a primeira sílaba), no entanto, nas demais sílabas demonstra que ainda não atribui a escrita aos sons da fala.

FIGURA 17 – ESCRITA 2

FONTE: Pomerode, 2009

A Escrita 2 é conhecida como “escrita pré-silábica unigráfica”, ou seja, o autor pensa que, para escrever qualquer palavra, é preciso apenas uma letra. Podemos pensar que, na Escrita 2, o autor ainda não reconhece segmentos menores do que a palavra, tanto que atribui uma letra para cada palavra, tanto nas escritas individuais, quanto na escrita da frase.

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FIGURA 18 – ESCRITA 3

FONTE: Pomerode, 2009

A Escrita 3 é conhecida como “escrita pré-silábica”. Ao analisar esta escrita pode-se dizer que apresenta estabilidade no número de letras e variedade, ou seja, escreve com 5 ou 6 letras (provavelmente o número de letras do seu nome) e não repete a mesma letra seguidamente. Observe a marca de leitura sob as palavras escritas: o traço contínuo indica que leu “corrido”, ou seja, demonstra que ainda não atribui a escrita aos sons da fala. Tem um bom repertório de letras.

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AL FA BE TI ZA ÇÃ FIGURA 19 – ESCRITA 4

FONTE: Pomerode, 2009

A Escrita 4 é conhecida como “escrita pré-silábica”. O autor não atribui a escrita aos sons da fala, ou seja, não desenvolveu ainda a consciência fonológica. Ao analisar esta escrita pode-se dizer que ela revela que o autor não tem um bom repertório de letras, pois utiliza as letras do seu nome, variando a ordem. Observe a marca de leitura sob as palavras escritas: o traço contínuo indica que leu “corrido”.

FIGURA 20 – ESCRITA 5

FONTE: Brasil, 2001b

A Escrita 5 é conhecida como “escrita pré-silábica”. O autor não atribui a escrita aos sons da fala, ou seja, não desenvolveu ainda a consciência fonológica. Ao analisar esta escrita pode-se dizer que ela revela que o autor não tem um bom repertório de letras. Para escrever utiliza diferentes signos: letras, números, garatujas. Observe a marca de leitura, embora apareça apenas no início da escrita, indica que a leitura é contínua.

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FIGURA 21 – ESCRITA 6

FONTE: Brasil, 2001b

A Escrita 6 é conhecida como “escrita pré-silábica fixa”, ou seja, o autor pensa que pode escrever da mesma forma todas as palavras. Não apresenta preocupação com os aspectos quantitativos (número de letras) e com os aspectos qualitativos (variedade de letras) na escrita.

Utiliza apenas as letras do seu nome. Embora não conste nesta sondagem a marca da leitura que o autor fez de sua própria escrita, podemos dizer que demonstra que ainda não atribui a escrita aos sons da fala.

FIGURA 22 – ESCRITA 7

FONTE: Brasil, 2001b

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AL FA BE TI ZA ÇÃ A Escrita 7 é conhecida como “escrita pré-silábica”. Ao analisar esta escrita pode-se dizer que apresenta estabilidade no número de letras e variedade interna, ou seja, escreve com 4 ou 5 letras (provavelmente tem como referência o número de letras do seu nome) e não repete a mesma letra seguidamente. Arriscamos dizer que o autor ainda não tem um repertório maior de letras, pois limita-se a escrever com as letras do seu nome. Embora não conste nesta sondagem a marca da leitura que o autor fez de sua própria escrita, podemos dizer que demonstra que ainda não atribui a escrita aos sons da fala.

No documento PROCESSOS DE ALFABETIZAÇÃO (páginas 87-93)