4. METODOLOGIA
4.1 O ESTUDO DE CASO
O método que se mostrou mais apropriado para esta pesquisa empírica, é o estudo de caso, porque para Yin:
[...] surge do desejo de se compreender fenômenos sociais complexos. Ou seja, o estudo de caso permite uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas dos eventos da vida real. Além de contribuir, de forma inigualável, para a compreensão que temos dos fenômenos individuais, organizacionais, sociais e políticos (YIN, 2003, p. 21).
Ainda segundo o autor, “o estudo de caso representa uma investigação empírica e compreende um método abrangente, com a lógica do planejamento, da coleta e da análise de dados. Pode incluir os estudos de caso único quanto de múltiplos, assim como abordagens quantitativas e qualitativas de pesquisa” (YIN, 2003, p. 21).
Para Pereira (1991), Ruiz (2009) e Rodrigo (2008), o estudo de caso, mais especificamente, consiste no estudo, em profundidade, de um indivíduo, uma unidade social ou cultural, uma época, um estilo, uma escola de composição musical, e que, um estudo de caso busca compreender a dinâmica dos processos constitutivos, envolvendo um diálogo do pesquisador com a realidade estudada.
Para os autores citados, o estudo de caso é um dos tipos de pesquisa qualitativa que vem conquistando crescente aceitação na área da educação e evidencia-se como um tipo de pesquisa que tem sempre um forte cunho descritivo. Para eles, o pesquisador não pretende intervir sobre a situação, mas dá-la a conhecer tal como ela lhe surge.
Nesse sentido, Freire (2010, p. 166) salienta que “no Brasil, a pesquisa na área de educação musical tem sido desenvolvida principalmente a partir das orientações qualitativas” e que “a preferência por estudos de caso, estudos multicasos, estudos do tipo etnográfico, dentre outros desenhos metodológicos característicos da investigação qualitativa, está evidenciada na produção de trabalhos acadêmicos de diversas naturezas”.
Numa definição do método em questão, Rodrigo (2008) salienta que,
O estudo de caso é um dos vários modos de realizar uma pesquisa sólida. Em geral, se constituem na estratégia preferida quando o “como” e/ou o “por que” são as perguntas centrais, tendo o investigador um pequeno controle sobre os eventos, e quando o enfoque está em um fenômeno contemporâneo dentro de algum contexto de vida real (RODRIGO, 2008, p. 6).
Rodrigo (2008) estabelece uma lista de características ou princípios associados ao estudo de caso, afirmando que as mesmas se superpõem às características gerais da pesquisa qualitativa, dentre as quais destacamos:
Os estudos de caso objetivam a descoberta: o investigador se manterá atento a novos elementos que poderão surgir, buscando novas respostas e novas indagações no desenvolvimento do seu trabalho. Os estudos de caso enfatizam a interpretação contextual: para melhor compreender a manifestação geral de um problema, deve-se relacionar as ações, os comportamentos e as interações das pessoas envolvidas com a problemática da situação a que estão ligadas (RODRIGO, 2008, p. 3-4)
Quanto aos objetivos e as fontes de informação que permeiam o estudo de caso o autor acrescenta que,
Os estudos de caso têm por objetivo retratar a realidade de forma completa e profunda: o pesquisador enfatiza a complexidade da situação procurando revelar a multiplicidade de fatos que a envolvem e a determinam. Os estudos de caso usam várias fontes de informação: o pesquisador recorre a uma variedade de dados, coletados em diferentes momentos, em situações variadas e com uma variedade de tipos de informantes (RODRIGO, 2008, p. 3-4).
Finalizando, o autor menciona a figura do pesquisador, os relatos de suas próprias experiências, os diferentes pontos de vista sobre a realidade estudada afirmando que:
Os estudos de caso revelam experiência vicária e permitem generalizações naturalísticas: o pesquisador procura relatar as suas experiências durante o estudo de modo que o leitor possa fazer as suas generalizações naturalísticas, por meio da indagação: o que eu posso (ou não) aplicar deste caso na minha situação? Os estudos de caso tentam representar os diferentes pontos de vista presentes em uma situação social: a realidade pode ser vista sob diferentes perspectivas, não havendo uma única que seja a verdadeira. Assim, o pesquisador vai procurar trazer essas diferentes visões e opiniões a respeito da situação em questão e colocar também a sua posição (RODRIGO, 2008, p. 3-4).
Nessa direção temos em César (2006, p. 4) a afirmação de que “o caso é uma unidade de análise, que pode ser um indivíduo, o papel desempenhado por um indivíduo ou uma organização, um pequeno grupo, uma comunidade ou até mesmo uma nação”.
Pensando nesse tempo e espaço investigados, César afirma que,
[...] quanto ao foco temporal, o Método do Estudo de Caso é bastante amplo, pois permite que o fenômeno seja estudado com base em situações contemporâneas, que estejam acontecendo, ou em situações passadas, que já ocorreram e que sejam importantes para a compreensão das questões de pesquisa colocadas (CESAR, 2006, p. 8).
O estudo de caso é alvo de críticas diversas quanto à objetividade e rigor suficientes para se configurar enquanto um método de investigação científica. Tais críticas dizem respeito aos métodos qualitativos. Dentre os preconceitos em relação ao Método do Estudo de Caso são conhecidos aqueles que afirmam que os dados podem ser facilmente distorcidos e manipulados pelo pesquisador com o objetivo de ilustrar questões de maneira mais efetiva.
Dentre as críticas, está a exposta por Cesar (2006, p. 3) de que “os estudos de caso não proporcionam base para generalizações científicas; a afirmação de que estudos de caso demoram muito e acabam gerando inclusão de documentos e relatórios que não permitem objetividade para análise dos dados”.
Para autores como Yin (2003) e Fachin (2001) estas situações estão presentes em outros métodos de investigação científica, a depender da experiência do pesquis ador na realização de estudos científicos.
Mesmo diante da temeridade e das críticas ao estudo de caso, Ventura (2007, p. 385), afirma que “o que torna exemplar um estudo de caso é ser significativo, completo, considerar perspectivas alternativas, apresentar evidências suficientes e ser elaborado de uma maneira atraente”.
Para tanto, a estrutura metodológica foi desenvolvida com base em instrumentos de coleta e análise de dados que forneceram as ferramentas necessárias para tal compreensão. Foram utilizados fundamentalmente os seguintes instrumentos:
Pesquisa bibliográfica: Literatura de Educação Musical em projetos de ação social e Literatura de Educação Musical não formal. Para a realização deste estudo realizamos uma pesquisa bibliográfica artigos publicados em periódicos da área de música, tendo como base os autores que abordam o tema da pesquisa, observando os critérios de expressividade, pertinência e especificidade, levando em consideração a relevância da instituição divulgadora e sua área de circulação nacional.
A pesquisa envolveu ainda livros de pesquisadores brasileiros, além dos muros da Educação Musical, principalmente aqueles que tratam da educação no sentido mais amplo e os que tratam de questões sociais, considerando a sua significação para o nosso estudo, dentro da realidade educacional do País, a exemplo de Freire (2010), Demo (2011) e Gohn (2011).
Método qualitativo: Estudo de caso com observação participante, registros fotográficos e em vídeo, aplicação de questionários e a realização de entrevistas.
Por fim, utilizamos a Abordagem MUSICAL CLATEC, como referencial (TRINDADE, 2008), nas atividades que foram desenvolvidas no Programa de Criança/Oficinas de Música, porque a mesma representou no período de estudo (2004 a 2006) um conjunto de caminhos de realizações do ensino de música, envolvendo seis atividades ou parâmetros musicais: Construção de instrumentos (e materiais didáticos), Literatura, Apreciação, Técnica, Execução e Criação.