Reduzir os detalhes do que sabemos e transformá-los numa representação formalizada constitui um problema insolúvel. Bernard Beck observou muitas vezes que a sociologia estuda o modo como as pessoas fazem o que em princípio não pode ser feito: resolvem problemas insolúveis flexibilizando algumas das restrições a que estão sujeitas. O cartógrafo John P. Snyder explica as inevitáveis distorções da elaboração de mapas:
Por cerca de dois mil anos, o desafio de tentar representar a Terra redonda numa superfície plana gerou problemas matemáticos, filosóficos e geográficos que atraíram inventores de muitos tipos. ...
Logo ficou claro que preparar um mapa plano de uma superfície que se curvava em todas as direções levava a distorção. Esta podia assumir muitos modos — área, forma, distância, direção e interrupções ou lacunas entre porções. Em outras palavras, um mapa plano não pode representar corretamente a superfície de uma esfera.
Um globo também apresenta inconvenientes, apesar de estar basicamente livre de distorções. Um globo é volumoso, de pequena escala e desajeitado para medidas; menos da metade de sua superfície pode ser vista de uma vez. ...
A representação sistemática de toda a superfície de um corpo redondo, ou parte dela, em particular a Terra, numa superfície chata ou plana é chamada uma
projeção de mapa. Literalmente, um número infinito de projeções de mapa é
possível, e várias centenas foram publicadas. O desenhista de uma projeção de mapa tenta minimizar ou eliminar algumas das distorções, à custa de distorções de outro tipo, preferivelmente numa região do mapa em que a distorção seja menos importante.4 Não é possível. Não podemos transformar uma esfera numa superfície plana sem distorção. O preço de ter algum mapa é uma distorção com a qual o usuário aprende a conviver.
Mas uma superfície plana, por ser facilmente transportável e superposta a outros documentos planos,5 é o que os usuários desejam para
fins científicos e práticos, em especial para a criação das cascatas de representações cada vez mais abstratas que lhes dão controle sobre o que
é representado. Adam Gopnik descreveu o mapa da cidade de Nova York que os burocratas empregam para compor outros mapas que podem ser sobrepostos, permitindo-lhes ver a relação de ruas, canos de água, fios elétricos e outras características da paisagem, de modo que diferentes departamentos metropolitanos possam coordenar seu trabalho.6 Não
conseguimos fazer isso com um globo, mas é perfeitamente possível com uma representação plana de computador.
Todas as maneiras de fazer uma representação plana são boas para mostrar algumas coisas e ruins para outras. Se estivermos interessados numa área particular, podemos fazer dela o centro de um mapa que maximiza um tipo desejado de precisão ali e ignora a distorção em lugares menos importantes para nós (embora possam ser importantes para outros).
O principal objetivo de Mercator ao desenvolver a projeção [de 1569] foi a navegação. Todas as linhas de rumo constante (loxodromias) são retas. A projeção tornou-se valiosa para os marinheiros, que podiam seguir uma única posição da bússola (ajustada para a declinação magnética, ou a variação do alinhamento em relação ao norte magnético) baseada no rumo ou azimute da linha reta que conectava o ponto de partida e de destino no mapa.7
Segundo o próprio Mercator:
“Neste mapeamento do mundo tivemos três objetivos em vista: primeiro, desdobrar de tal maneira a superfície do globo num plano que os lugares fossem apropriadamente localizados em toda parte, não só com relação à sua verdadeira direção e distância, um em relação ao outro, mas também de acordo com sua devida longitude e latitude; e ademais, que a forma das terras, como aparecem no globo, fosse tão preservada quanto possível.”
Mercator explica ainda como sua projeção fará aquilo de que os marinheiros precisam e querem que seja feito, e por que as distorções resultantes não interferem com a navegação em alto-mar, a despeito de quaisquer outras confusões que causem. De maneira semelhante, alguns usuários de mapas estão interessados sobretudo em áreas pontuais muito pequenas. Projeções estereográficas distorcem grandes áreas circundantes, mas a pequena, de interesse para usuários especializados, fica perfeita.8
À medida que a cartografia se desenvolveu numa especialidade profissional independente, seus produtos adquiriram muitas outras utilizações (por exemplo, para a administração de entidades políticas), e os cartógrafos passaram a lançar mão de métodos matemáticos cada vez mais complexos. Isso levou à invenção de projeções cuja maior virtude era — sendo de feitura muito difícil — agradar a um público profissional que percebia os obstáculos técnicos que estavam superados.
Desenvolvimentos de projeções mais complexas foram em alguns casos levados a cabo pela razão muitas vezes apresentada para escalar montanhas: porque representavam um desafio. Além da façanha de colocar um mapa-múndi num triângulo, por exemplo, há pouco a dizer em favor desse tipo de projeção. Os inventores de muitas dessas inovações matemáticas em geral não promoveram seu trabalho além de uma publicação científica modesta.9
Resumindo
Qualquer representação da realidade social, portanto, tem de fazer um pouco a partir de um muito. Como colhemos uma grande quantidade de material sobre alguma coisa e fazemos dela algo menos material, de modo que possa ser entendida de maneira confortável e prática pelo leitor ou observador a que se destina?
Os estudantes da sociedade dão vivas a novos desenvolvimentos tecnológicos porque eles nos permitem tornar nossas representações “mais completas”. Hoje (escrevo isto no início de 2006, mas quem sabe o que será possível quando você estiver lendo?) podemos registrar todas as vozes numa sala, sem distorção, em nossa fita de gravador. É possível fazer vídeos de nosso ambiente durante horas, sem ter de parar para colocar uma nova fita na câmera. Podemos pôr cada palavra da literatura sobrevivente da Grécia e da Roma antigas num só CD-ROM. Impressionante!
agrava o problema. Levemos a premissa a um extremo. Imaginemos ser possível finalmente reproduzir, em toda a sua complexidade, em tamanho natural, detalhe por detalhe de uma situação social. Agora temos tudo isso.
Ariane Lodkochnikov, a heroína do romance cômico de Eric Kraft
What a Piece of Work I Am (1994) personifica o problema. Ela
transformou sua vida numa obra de arte que consiste em... sua vida. Vive no palco de um teatro. As pessoas compram ingressos e vão vê-la viver, vê-la receber convidados, comer, ler, assistir à televisão, dormir. Ela está lá há anos e tem fãs devotados que aparecem regularmente para saber das novidades. Mas o que ela criou não é mais uma representação de coisa alguma. É a própria coisa. Se fizermos — se pudéssemos fazer — uma duplicata exata do que queremos compreender, uma duplicata da qual nada do original foi subtraído, o que temos, afinal, é a própria coisa. E não estamos em nada mais próximos de compreender essa coisa do que antes de construir sua réplica. Isso enfatiza que o sentido de fazer a representação era nos desvencilharmos de grande parte dessa realidade, de modo a podermos ver claramente e focalizar com exatidão aquelas coisas sobre as quais queremos saber algo, sem nos distrairmos com o que não nos interessa. (É por isso, lembre-se, que editores de jornal dizem aos fotógrafos para “se livrar de toda aquela poluição” numa fotografia, talvez borrando intencionalmente tudo que não é o “tema principal”.)10
Mas, ao resumir, sempre corremos o risco de perder algo que realmente queríamos. Resuma demais, e você não terá o suficiente. O suficiente para quê? Isso depende do que o autor de uma representação deseja realizar. O que é demais para mim não é suficiente para você. Não apenas porque temos gostos diferenciados, mas porque os empreendimentos em que nos envolvemos exigem diferentes tipos de informação. “Quanto é suficiente?” tem sempre de ser compreendido no contexto de um grupo particular que deseja a representação para uma finalidade específica, situacionalmente baseada.
O problema de resumir na medida certa se revela em muitos lugares. Dois deles, muito diferentes, se destacam: estatísticas-sumários e relatos etnográficos.
Os métodos estatísticos têm por objetivo reduzir o volume de dados com que temos de lidar, transformar uma série de medidas num diagrama, ou numa média, ou em algum outro tipo de tendência central (mediana, modo). Mas não reduzi-lo demais. Uma média, afinal, não nos diz muito sobre a coleção de números que ela resume, além de representar de certas maneiras e para alguns objetivos (mas não todos os objetivos importantes) o aspecto que essa coleção tem. As pessoas que empregam números muitas vezes querem saber algo mais: quanta variedade a coleção contém — ou, em outras palavras, quanto seus membros se diferenciam? Uma resposta é dizer os valores extremos que sua coleção de casos contém, talvez o maior e o menor, a extensão da distribuição. Outra resposta diz em que medida os membros se concentram em torno da média, o que é resumido num número chamado desvio padrão.
Quando queremos descrever como é estreita a relação entre duas ou mais coisas — altura e peso, ou renda e escolaridade —, lançamos mão de medidas que produzem um número, que pode ser comparado a outras medidas similares, e assim podemos dizer que as duas variáveis estão mais ou menos estreitamente associadas nesta população do que em alguma outra. Os estatísticos inventaram muitas dessas medidas de associação que diferem no que enfatizam ou naquilo a que dão peso. Entre elas, não há duas que exibam exatamente a mesma medida de como e com que frequência as duas variáveis se acompanham, ainda que resumam os mesmos dados.
Todas essas medidas perdem informação. Depois que reduzimos uma coleção de medidas a uma média, não podemos manipulá-la para recuperar a série completa de medidas individuais que a produziram. Elas desapareceram (a menos que você as tenha guardado em algum outro lugar).
Cada maneira de resumir perde informações diferentes. Métodos de correlação transformam casos em escores sobre itens individuais e depois calculam a relação entre itens. A unidade dos casos individuais, a variedade de maneiras como esses dois itens se conectam um ao outro em casos particulares e com o resto de seu contexto, desaparece. Outros métodos preservam as conexões no caso individual.
Quando decidimos reunir certos tipos de informação e apresentamos isso de certo modo, decidimos simultaneamente não colher e exibir alguns outros tipos de informação. Para cada maneira de resumir dados, podemos perguntar: o que é usualmente excluído? E podemos recuperar parte do que foi perdido e reconsiderá-lo? Cientistas sociais têm ideias muito convencionais sobre o que deve ser incluído numa descrição de sua área e o que pode ser ignorado com segurança. Pense em toda a informação que observadores participantes reúnem quando estão no campo, e que nunca usam. Suas notas de campo contêm tudo que se passou em sua presença.
Quando ensinava trabalho de campo, eu exasperava os alunos nas primeiras semanas do curso insistindo em que escrevessem “mais”. Um aluno que passava quatro horas numa oficina mecânica me dava uma página de anotações, e eu dizia que não era suficiente. Eles levaram semanas para entender que eu realmente queria dizer que deviam anotar “tudo”, pelo menos tentar fazê-lo, e muitas outras semanas para perceber que não podiam fazê-lo; e para compreender que eu desejava que refletissem sobre aquilo que realmente queriam saber e anotar tanto quanto pudessem sobre o assunto. Isso apenas adiou a pergunta difícil: o que queriam saber? Porque o truque na observação é ficar curioso em relação a coisas que não tínhamos notado antes.
Mesmo assim, havia limites até para minha curiosidade pedagogicamente inspirada, e poucas vezes eu pedia que fizessem um inventário completo dos cheiros no lugar em que realizavam sua pesquisa, mesmo que não precisemos ser Georg Simmel para reconhecer a possibilidade de uma sociologia dos cheiros — de onde eles vêm, como
as pessoas os interpretam, como a vida social é organizada para percebê- los ou ignorá-los, maneiras legais e informais de tirar proveito de cheiros desejáveis e livrar-se de indesejáveis, e todas as outras coisas em que qualquer pessoa criativa pode pensar em alguns minutos.
Tente outro experimento. Diga a um cientista social que lhe será revelado apenas um pequeno número de fatos sobre algumas pessoas cujo comportamento deve ser explicado (condição não muito diferente das restrições reais que entrevistas de recenseamento típicas impõem àquilo que pode ser descoberto; mas aquilo sobre o que estou falando não se limita a esse método). O que irá ele colher, qualquer que seja sua convicção teórica ou metodológica? Idade, sexo, raça, renda, escolaridade, etnicidade — as causas (ou “variáveis independentes”) habituais. Um cientista social se envergonharia de não saber essas coisas, no entanto, há muitas outras cujo direito à inclusão poderia ser defendido. Que dizer sobre a razão altura-peso? Ou a cor do cabelo? Ou o “atrativo geral”, como quer que fosse medido? Ou a “agressividade/timidez”? Ou a habilidade física, em contraposição ao desajeitamento? Para não mencionar as variáveis específicas a uma ocupação, ou a um bairro, ou a uma região do país. Se estou estudando músicos que tocam em casamentos, bnei mitzvahs e outros eventos sociais, ou em bares e restaurantes de bairro, a variável de quantas músicas eles conhecem e sabem tocar sem partitura seria certamente mais importante que qualquer outra lista usual.11
Em que medida resumir e em que medida relatar por completo surgiu como questão no trabalho etnográfico nos anos 1980, correlacionada a problemas similares.12 Nos anos 1920, os antropólogos, seguindo o
exemplo de Margaret Mead, Bronislaw Malinowski e A.R. Radcliffe- Brown, haviam desenvolvido e padronizado, ao menos em parte, uma maneira de fazer e relatar o trabalho de campo antropológico que Clifford caracterizou assim: (1) um trabalhador de campo profissional com habilidades especiais (2) “usava” em vez de “dominava” a língua nativa, (3) confiava mais em observações visuais que na fala, (4) recorria a
abstrações científicas e métodos nelas baseados, (5) focalizava instituições particulares (Margaret Mead, por exemplo, a infância) e relatava seus resultados no “presente etnográfico”. Isto, entre outras coisas, permitia às pessoas escrever longos livros baseados em permanências relativamente curtas no campo. Era, como diz Clifford, “uma etnografia eficiente fundamentada em observação participante científica”. Essa combinação baseava a autoridade do trabalhador de campo num “amálgama de intensa experiência pessoal e análise científica”. A observação participante consistia em “uma contínua alternância entre o ‘interior’ e o ‘exterior’ dos eventos: por um lado apreendendo empaticamente o sentido de ocorrências e gestos, por outro recuando para situar esses significados em contextos mais amplos”.13
Como esses trabalhadores de campo podiam fazer um resumo coerente combinando o que haviam aprendido a partir de suas próprias observações e o que tinham acrescentado como interpretações do material que haviam colhido? Pois estas eram coisas diferentes. A experiência permitia aos trabalhadores de campo afirmar, como autoridade definitiva para o que relatavam, “eu estava lá”. A experiência tornava os trabalhadores sensíveis para sinais e significados que, embora de difícil especificação, não deixavam de ser reais. Esses materiais, contudo, não surgiam em diálogo, sendo assim subjetivos, não intersubjetivos — e portanto discutíveis.
Os antropólogos compreendiam que quem fazia trabalho de campo voltava para casa com algo mais que sua experiência bruta. Eles retornavam com cadernos, escritos que gravavam certas coisas a partir do fluxo da experiência, nomeava-as e descrevia-as, e assim as transformava em objetos de trabalho etnográfico. Eventos tornavam-se anotações de campo. No caso típico, essas textualizações, combinadas e resumidas, produziam a “cultura” que o trabalho relatava, ou uma porção dela.
Todos esses escritos reduziam inevitavelmente a experiência de campo, omitindo detalhes que o pesquisador em campo julgava dispensáveis (ainda que outros pudessem discordar) ou simplesmente não
pensara incluir (assim como ninguém pensa em incluir odores em seus relatos de campo). No que é mais importante, excluíam a conversa com nativos, a partir da qual os antropólogos destilavam as descrições generalizadas da “cultura” em que o relato de pesquisa antropológica consistia. Os antropólogos resumiam o que haviam aprendido a partir de observação e entrevistas em declarações como esta: “Os nuer pensam X” ou “os samoanos fazem Y”.
Alguns antropólogos começaram a se sentir insatisfeitos com esses resumos, e isso levou à importância da questão de como incorporar as vozes de outros além da do antropólogo no relato antropológico. Um estilo polifônico de relato revelaria e reconheceria o caráter cooperativo do trabalho etnográfico e deixaria serem ouvidas as múltiplas vozes das pessoas que haviam cooperado com esse trabalho. Já nos anos 1940 Clyde Kluckhohn preocupou-se com o modo como materiais biográficos — longas histórias pessoais contadas por alguém para um antropólogo — deviam ser relatados.14 Sua conclusão maravilhosamente utópica, que de
certa forma parecia menos exequível na época do que agora, era publicá- los em três versões: uma transcrição das notas do antropólogo exatamente como haviam sido redigidas ou gravadas em fita sonora, embora haja questões sobre a precisão disso também;15 uma versão editada que
removesse as “irrelevâncias” da conversa comum (as quais poderiam ser consideradas essenciais por analistas da conversa); e uma versão reduzida num estilo menos preso à coloquialidade, para leitores leigos. Sugerir semelhante série de produções é ver o quanto isso seria realmente impraticável.
De qualquer maneira, resumir descobertas e compreensões antropológicas é muito complicado, suscitando em particular a questão de quanto do que realmente aconteceu deve ser incorporado ao relato. Clifford descreve várias formas experimentais de relato, não destinadas pelos autores unicamente ao consumo por antropólogos, mas também a serem lidas por não profissionais, em especial, talvez, pelas pessoas cujo próprio testemunho constitui parte do trabalho. Isso pode levar, diz
Clifford, a publicações que parecerão antiquadas, no sentido de que conterão sinopses de materiais indígenas não interpretados, de pouco uso para não indígenas, mas de grande interesse para os indígenas que os forneceram.
Até agora falei somente sobre que pessoas incluir. Que dizer das situações em que o comportamento em que estamos interessados ocorre? A tentativa de descrever situações leva ao problema de representar o que alguns cientistas sociais gostam de chamar de “experiência vivida”.
Algumas representações da sociedade pretendem dar aos usuários uma impressão de como são as vidas e as experiências das pessoas e organizações descritas. (Algumas outras formas, claro, nada prometem de semelhante, procurando em vez disso uniformidades de comportamento que levem a afirmações no formato de leis sobre relações invariantes.) Essas representações querem ir além do relato das regularidades e dos padrões de comportamento, das afirmações sobre regras e normas sociais e outros fenômenos coletivos. Elas querem que o leitor ou observador experimente, sinta pessoalmente, como seria estar ele mesmo nessas situações como participantes.
Representações de “experiência vivida” — esse material impreciso de sentimento e sensação — podem ser baseadas em observações muito atentas, em entrevistas detalhadas, ou num acesso a documentos privilegiados como cartas e diários. No caso extremo, a representação pode ser baseada, implícita ou explicitamente, na experiência dos próprios repórteres, que podem pertencer à mesma categoria social (negros, gays, músicos ou membros de qualquer categoria social relevante) das pessoas que estudaram — e assim ter partilhado essas experiências, por acaso ou por coincidência, ou porque se expuseram deliberadamente a elas ao fazer sua pesquisa. Assim, Mitchell Duneier compartiu os dias de 16 horas dos vendedores de rua que estudou, e muitos antropólogos partilharam orgulhosamente as dietas e as moradias pobres de “sua gente”.16 Pesquisadores e artistas que fazem isso sabem
passando uma noite inteira sentado numa rua de Nova York em novembro, ou como é ser golpeado por um policial que lhe imputa nomes