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Exemplos de programas de treino parental apoiados na evidência Destacamos aqui dois exemplos de programas largamente apoiados na evidên-

Promoção do Desenvolvimento e Adaptação na Infância

2. Programas parentais

2.3. Exemplos de programas de treino parental apoiados na evidência Destacamos aqui dois exemplos de programas largamente apoiados na evidên-

cia: Incredible Years e Triple P – Positive Parenting Program. A avaliação da efetivi-

dade destes dois programas num estudo de implementação em larga escala verificou que

os efeitos demonstrados em estudos de eficácia se mantinham quando os programas

eram implementados no contexto real e que os dois programas tinham efeitos semelhan-

tes nos problemas de comportamento da criança e nas competências parentais (Lindsay,

Strand, & Davis, 2011). O National Institute for Health and Clinical Excellence reco-

mendou a utilização destes programas na intervenção dirigida às perturbações disrupti-

Capítulo III. Promoção do Desenvolvimento e Adaptação na Infância

“De Pequenino…” Uma abordagem ao desenvolvimento e comportamento da criança pequena

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2.3.1. Incredible Years

O programa Incredible Years dirige-se à prevenção e tratamento de problemas

disruptivos em crianças e à promoção de competências académicas, sociais e emocio-

nais (Webster-Stratton, Reid, & Hammond, 2001). O programa tem sido utilizado com

diferentes faixas etárias, da primeira infância à pré-adolescência, e diferentes alvos,

nomeadamente pais, crianças e professores. No caso do programa parental, a interven-

ção consiste em sessões de grupo semanais, recorrendo à modelagem através de vídeo e

à discussão em grupo. Os vídeos demonstram princípios da aprendizagem social e do

desenvolvimento infantil e servem como estímulo para as discussões, auto-reflexão,

resolução de problemas e aprendizagem colaborativa (Webster-Stratton et al., 2012).

A partir da idade pré-escolar, o programa está organizado em 10 módulos com-

plementares, distribuídos por 14 a 24 sessões semanais. Os módulos um a quatro consti-

tuem o programa básico para a idade pré-escolar, incluindo: fortalecimento de compe-

tências sociais, regulação emocional e preparação para a escolaridade; utilizar o elogio e

incentivos para encorajar a cooperação; utilizar regras, rotinas e limites eficazes; lidar

com comportamentos indesejáveis. Os módulos nove e dez constituem o programa bási-

co para a idade escolar e incluem a promoção de comportamentos positivos e a redução

de comportamentos desadequados. Os módulos cinco a sete constituem o programa

avançado, que se foca em fatores de risco parentais, como depressão ou conflito conju-

gal, e contempla a comunicação e a resolução de problemas. O módulo oito dirige-se ao

apoio às aprendizagens da criança (http://www.incredibleyears.com/program/parent.asp). O Incredible Years tem sido apontado como programa de referência por várias

agências internacionais. As avaliações do programa têm encontrado melhorias nas inte-

rações parentais (i.e., menor utilização da crítica e disciplina severa e maior utilização

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123 123 123 123 123 bediência, hiperatividade) e aumento das competências socio-emocionais (Hartman,

Stage, & Webster-Stratton, 2003; K. Jones, Daley, Hutchings, Bywater, & Eames, 2007;

McMenamy, Sheldrick, & Perrin, 2011; Scott, Spender, Doolan, Jacobs, & Aspland,

2001; Webster- Stratton, Rinaldi, & Jamila, 2011). Foram também encontrados benefí-

cios adicionais para os pais, como redução da depressão e do stress parental, aumento

da auto-confiança parental e melhorias na comunicação familiar e resolução de proble-

mas (Lindsay et al., 2011; McMenamy et al., 2011).

Embora a maioria dos estudos tenha focado crianças dos 3 aos 8 anos, existem

evidências do impacto positivo do programa com crianças mais novas, de idades com-

preendidas entre os 2 e os 5 anos (Brotman et al., 2003; Gross et al., 2003; K. Jones,

Daley, Hutchings, Bywater, & Eames, 2008; Tucker, Gross, Fogg, Delaney, &

Lapporte, 1998). Por outro lado, apesar de o programa ter sido usado essencialmente

com crianças com sinais iniciais de problemas de comportamento, a sua utilização mais

alargada com crianças de famílias desfavorecidas também tem sido apoiada pelos resul-

tados dos estudos (Reid, Webster-Stratton, & Beauchaine, 2001; Webster-Stratton et al.,

2001). Finalmente, a comparação entre diferentes modalidades de disponibilização (i.e.,

por um terapeuta, por um enfermeiro ou biblioterapia) revelou melhorias significativas

nos comportamentos das crianças ao longo do tempo, mas não foram encontradas dife-

renças significativas entre os diferentes tratamentos (Lavigne et al., 2008). O tratamento

conduzido por um terapeuta apenas era superior à biblioterapia nos casos em que a dose

de exposição ao programa era muito elevada (Lavigne et al., 2008).

A avaliação da manutenção dos efeitos do programa a longo prazo tem reforçado

a sua eficácia. Dois anos após a conclusão do programa, os problemas de comportamen-

to da criança mantiveram-se em níveis semelhantes e verificaram-me progressos nas

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2012). A avaliação dos efeitos a mais longo prazo (i.e., oito a doze anos depois) mos-

trou que as crianças cujos pais receberam a intervenção tinham indicadores menos seve-

ros de problemas de comportamento, como envolvimento com o sistema criminal, e

níveis estáveis de problemas de comportamento em comparação com o momento pós-

intervenção (Webster-Stratton et al., 2011).

O Incredible Years tem sido aplicado em diversos países, incluindo Portugal. Os

primeiros resultados da aplicação do programa básico para a idade pré-escolar em Por-

tugal encontraram uma mudança significativa nos comportamentos parentais e no stress

parental (Webster-Stratton et al., 2012). Estão em curso diversos estudos relativos à

aplicação do programa com outras populações.

2.3.2. Triple P – Positive Parenting Program

O programa Triple P constitui uma abordagem populacional ao comportamento

parental. O programa pretende prevenir problemas de desenvolvimento, de comporta-

mento e socio-emocionais em crianças (primeira infância, idade pré-escolar e idade

escolar) e pré-adolescentes, melhorando os conhecimentos, competências e confiança

dos pais (Sanders, Markie-Dadds, & Turner, 2003; Sanders, 1999). Cinco princípios

fundamentais constituem a base do programa: assegurar um ambiente seguro e atraente;

criar um ambiente de aprendizagem positivo; utilizar disciplina assertiva; ter expectati-

vas realistas; cuidar de si próprio enquanto pai. Esta abordagem tem sido amplamente

disseminada internacionalmente (Sanders et al., 2003; Sanders, 2002, 2012).

O Triple P integra cinco níveis de intensidade crescente e alcance variável (Cai-

xa 2). Os níveis vão de estratégias universais de comunicação através dos media até

intervenções intensivas. O Triple P envolve uma série de modalidades diferentes de

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125 125 125 125 125 apoiados por telefone. O racional subjacente a esta estratégia em diferentes níveis con-

sidera que existem diferentes níveis de problemas de comportamento nas crianças e que

os pais têm necessidades diferentes e procuram tipos, formas e intensidades de apoio

distintos (Sanders, 1999, 2012). A estratégia multiníveis pretende, assim, a maximizar a

eficiência, conter os custos, evitar os desperdícios e a disponibilização de serviços des-

necessários e assegurar que o programa tem um alcance alargado na comunidade

(Sanders, 1999).

Caixa 2

Níveis de intervenção do programa Triple P