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Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ)

C OMPONENTE E MPÍRICA

2. Metodologia Geral 1 Desenho

2.4.2. Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ)

2.4.2.1. Nota introdutória sobre a seleção do instrumento. Considerando que o PEDS é um instrumento de rastreio global, pretendíamos um instrumento de rastreio

Capítulo IV. Objetivos e Metodologia

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específico de problemas de comportamento para avaliação da convergência dos resulta-

dos. Por outro lado, procurávamos um instrumento que nos permitisse caracterizar o

comportamento das crianças e contribuir para os estudos descritivos.

Para além dos questionários de Achenbach, o Questionário de Capacidades e

Dificuldades (Strengths and Difficulties Questionnaire, SDQ, Goodman, 1997) é um

dos questionários de comportamento infantil mais utilizados à escala internacional e

está traduzido e adaptado para a população portuguesa. As suas maiores vantagens são o

facto de ser breve e abrangente, de fácil administração e cotação, as suas escalas e itens

têm correspondência com as principais categorias e critérios dos sistemas de classifica-

ção diagnóstica atuais e está disponível em várias línguas de forma gratuita

(Rothenberger & Woerner, 2004). Para além disso, a sua eficiência para rastreio de pro-

blemas de comportamento foi equiparada à dos questionários de Achenbach (Warnick,

Bracken, & Kasl, 2008). Adicionalmente, as suas características aproximam-no mais

das de um teste de rastreio, nomeadamente em termos de brevidade, facilidade e rapidez

de preenchimento e de cotação. Aliás, o SDQ é listado como instrumento de rastreio

inicial nas recomendações da Academia Americana de Pediatria para a deteção precoce

de problemas de saúde mental, ao passo que os questionários de Achenbach são listados

como instrumentos de avaliação (American Academy of Pediatrics, 2010).

A grande limitação do SDQ para este trabalho era o facto de não ser adequado

para a avaliação de crianças abaixo dos 3 anos de idade. Contudo, a maioria dos instru-

mentos para rastreio e avaliação de problemas de comportamento está orientada apenas

para uma das etapas incluídas neste trabalho: primeira infância ou idade pré-escolar. A

única exceção que conhecemos que esteja simultaneamente traduzida e adaptada para a

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169 169 169 169 169 não reuniam uma série de outros requisitos pretendidos, como descrito acima. Desta

forma, optámos por incluir uma medida apenas para as crianças dos 3 aos 6 anos.

2.4.2.2. Descrição do instrumento. O SDQ é um questionário de rastreio de pro- blemas de comportamento em crianças e adolescentes do 3 aos 16 anos de idade, que

cobre um conjunto alargado de dimensões comportamentais (Goodman, 1997). Existem

versões para pais, professores e para o adolescente – neste trabalho foram utilizadas as

versões para pais 3-4 e 4-16 (www.sdqinfo.com).

A versão alargada do SDQ inclui 25 itens sobre sintomas e atributos positivos e

um suplemento de impacto. Os 25 itens organizam-se em cinco escalas: (1) sintomas

emocionais, incluindo problemas de somatização, preocupações, medos, ansiedade ou

tristeza; (2) problemas de comportamento, como birras, desobediência, argumentação,

agressividade; (3) hiperatividade, abarcando agitação, distração, impulsividade, dificul-

dades de atenção; (4) problemas de relacionamento com colegas, como isolamento, ter

poucos amigos ou dificuldades de relacionamento; (5) comportamento pró-social, como

empatia, partilha, apoio, gentileza. As primeiras quatro escalas geram uma pontuação

total de dificuldades. Cada pontuação pode ser classificada como normal, limítrofe

(acima do percentil 80) ou anormal (acima do percentil 90) (Goodman, 2001).

O suplemento de impacto recolhe a perceção dos pais acerca da presença de um

problema. Se os pais reconhecerem a existência de um problema, devem responder a

questões sobre cronicidade, perturbação global, impacto social (relacionado com a famí-

lia, amigos, situações de aprendizagem e atividades de lazer) e sobrecarga para a famí-

lia. Os itens sobre perturbação global e impacto social original uma pontuação de

impacto. Os itens sobre cronicidade e sobrecarga familiar fornecem uma classificação

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A versão original do SDQ foi estudada com uma amostra alargada de crianças e

adolescentes dos 5 aos 15 anos de idade, revelando propriedades psicométricas adequa-

das e validade convergente relativamente a um diagnóstico psiquiátrico (Goodman,

Renfrew, & Mullick, 2000; Goodman, 1999, 2001). Uma revisão de vários estudos

sobre as propriedades psicométricas do SDQ em populações distintas revelou uma con-

sistência interna satisfatória e evidências de validade concorrente, preditiva e discrimi-

nativa (Stone, Otten, Engels, Vermulst, & Janssens, 2010). O SDQ tem sido utilizado

como instrumento de rastreio, evidenciando uma excelente especificidade e uma sensi-

bilidade moderada (Goodman, 2000a). Um estudo recente sobre a utilização do SDQ

com crianças em idade pré-escolar replicou a adequação das suas propriedades psicomé-

tricas (Ezpeleta, Granero, la Osa, Penelo, & Domènech, 2012).

2.4.2.3. Versão portuguesa. A versão portuguesa do SDQ tem sido largamente utilizada e estudada por vários autores, evidenciando resultados semelhantes aos dos

estudos originais (Marzocchi et al., 2004). Embora estejam disponíveis dados normati-

vos para crianças em idade pré-escolar portuguesas (Gaspar, manuscrito não publicado),

neste trabalho utilizámos os percentis das diferentes escalas do SDQ calculados para

esta amostra. Esta opção baseou-se na dimensão da nossa amostra e na proveniência

diferente em termos geográficos. Para a nossa amostra, a consistência interna das esca-

las do SDQ foi comparável à encontrada noutros estudos, sendo o alfa de Cronbach de

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171 171 171 171 171 2.4.3. Questionário de Atividades e Comportamentos Parentais (Parental

Behaviors and Activities Questionnaire – PBAQ)

2.4.3.1. Nota introdutória. A disciplina e o envolvimento estão entre os aspetos mais abordados na literatura empírica sobre os efeitos do comportamento parental e

constituem focos de intervenção habitual nos programas parentais (Locke & Prinz,

2002; Stewart-Brown & McMillan, 2010; Teti & Candelaria, 2002). Contudo, existe

pouco acordo quanto à melhor forma de medir estes constructos (Hurley, Huscroft-

D’Angelo, Trout, Griffith, & Epstein, 2013).

Neste trabalho pretendíamos avaliar o envolvimento dos pais em atividades com

a criança e a utilização de estratégias de disciplina eficazes e ineficazes. Muitas das

medidas mais utilizadas apresentam algumas características que limitavam a sua aplica-

bilidade a este trabalho: não incluem todos os aspetos que pretendíamos avaliar (por

exemplo, focam estratégias de disciplina ineficazes mas não estratégias eficazes; focam

a disciplina, mas não o envolvimento instrumental), podem não ser sensíveis à mudança

decorrente de intervenções breves e de carater universal, têm uma extensão muito alar-

gada (Locke & Prinz, 2002; Socolar et al., 2004). Desta forma, seguimos a opção de

outros autores (Guyer, Hughart, Strobino, et al., 2000; Sanders, Markie-Dadds,

Rinaldis, Firman, & Baig, 2007) e desenvolvemos um instrumento breve, dirigido para

a avaliação das práticas parentais específicas sob consideração.

2.4.3.2. Descrição do instrumento. Desenhámos um instrumento com 19 itens sobre atividades pais-criança e estratégias de disciplina, incluindo estratégias para enco-

rajar comportamentos desejados e estratégias eficazes e ineficazes para reduzir compor-

tamentos indesejados (Apêndice D). A resposta aos itens é feita numa escala de tipo

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escala de frequência semanal (nunca, um a dois dias por semana, três a quatro dias por

semana, cinco a seis dias por semana, várias vezes por dia). Os itens relativos às estraté-

gias de disciplina são respondidos numa escala de frequência geral (nunca, raramente,

algumas vezes, muitas vezes, sempre).

Os itens do questionário derivaram da investigação sobre o papel do comporta-

mento parental para os resultados da criança (O’Connor, 2002; Rothbaum & Weisz,

1994; Socolar, 1997), de dimensões habitualmente incluídas nos programas parentais

(Guyer et al., 2000; Sanders, 2012), de recomendações para a promoção do desenvolvi-

mento e ajustamento infantil (Canadian Paediatric Society Psychosocial Paediatrics

Committee, 2002; Canadian Paediatric Society, 2004; Committee on Psychosocial

Aspects of Child and Family Health, 1998) e de outros questionários (e.g., The Parentig

Scale, Arnold, O’Leary, Wolff, & Acker, 1993; The Discipline Survey, Socolar,

Savage, Devellis, & Evans, 2004; Parent Behavior Checklist [PBC], Fox, 1994).

2.4.3.3. Estudos iniciais do instrumento. O questionário foi estudado com 451 pais de crianças dos 2 aos 6 anos de idade. A análise inicial dos itens revelou que a

maioria dos itens apresentava uma amplitude de resultados que cobria toda a escala,

com exceção dos itens elogio, atenção e palmada, que apresentavam frequência zero

num dos níveis da escala. No que se refere às correlações inter-itens, todos os itens

revelaram correlações estatisticamente significativas com alguns dos itens que compu-

nham o questionário, mas correlações abaixo de .20 com uma parte importante dos

itens. Por outro lado, também em relação às correlações item-total se encontraram valo-

res abaixo de .20. Embora estes resultados não cumpram o limiar de .20 proposto por

alguns autores (S. R. Briggs & Cheek, 1986; Floyd & Widaman, 1995), considerámos

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nários de comportamentos parentais, este tipo de indicadores psicométricos tende a ser

observado apenas para conjuntos mais restritos de itens, agregados em escalas.

Assim, apesar de dispormos de um número limitado de itens e de haver o inte-

resse de avaliar práticas parentais específicas, interessou-nos também perceber os

padrões de correlações entre essas práticas e as variáveis subjacentes à sua organização.

Desta forma, o questionário foi sujeito a procedimentos de análise de componentes

principais com rotação varimax, ensaiando-se diferentes soluções. Utilizou-se como

critério de retenção de componentes a existência de fatores com um número mínimo de

3 itens. Para definir a pertença de um item a um fator, foi utilizado o critério de peso

fatorial superior a 0.30. No caso de itens que apresentavam uma saturação superior a

0.30 em vários fatores, a pertença foi definida pelo peso fatorial mais elevado, exceto

quando o valor de saturação era muito semelhante – nessas situações, o item foi aban-

donado. Nas situações em que o abandono de um item aumentava o alfa de Cronbach do

fator, esse item foi eliminado.

Os itens sobre contar histórias à criança e manter uma rotina de sono foram eli-

minados da análise fatorial por não revelarem correlações superiores a .20 com a maio-

ria dos itens – esse nível de correlação só se verificava entre os dois itens. Para além

disso, a sua eliminação aumentava o alfa de Cronbach da escala. O item sobre abraçar a

criança como forma de reduzir comportamentos desadequados foi eliminado, uma vez

que apresentava um peso fatorial muito semelhante em dois fatores.

A medida de adequação de Keiser-Meyer-Olkin foi de 0.61 e o teste de Bartlett

foi significativo (p < .001), apontando a existência de uma correlação razoável entre as

variáveis. Selecionámos a solução com cinco fatores, por ser a que cumpria os critérios

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atividades pais-criança, foi extraído um fator – envolvimento. Para os itens sobre estra-

tégias de disciplina foram extraídos quatro fatores: encorajamento, inconsistência, esta-

belecimento de limites e disciplina severa. Em cada escala, todas as correlações médias

inter-item e todas as correlações item-total revelaram valores acima de .20.

Tabela 7

Estrutura fatorial do questionário

Item 1 2 3 4 5 Conversar .71 Cantar .69 Brincar .65 Elogiar a criança .39 .48 Dar um prémio .68 Dar um privilégio .78

Dar atenção especial .39 .63

Ignorar ou fingir que não vê .73

Distrair a criança com outra atividade .72

Ameaçar castigar a criança mas não cumprir .37 .47

Dizer à criança para parar de se portar mal .69

Aplicar uma consequência .78

Colocar a criança num local sozinha durante algum tempo

.65

Dar uma palmada .77

Bater várias vezes com a mão ou com um objeto .73

Gritar ou ficar zangado .63

% de variância explicada 14.44 13.12 10.87 8.8 7.5

% total de variância explicada: 54.75%

α de Cronbach .54 .60 .57 .57 .50

Embora a consistência interna das escalas obtida pelo alfa de Cronbach tenha

revelado níveis pobres a questionáveis, optou-se por manter a sua utilização por vários

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175 175 175 175 175 específico de contextos e situações concretas acarreta algum nível de inconsistência.

Aliás, algumas revisões de literatura sobre medidas de avaliação do comportamento

parental mostram níveis muito variáveis de consistência interna entre instrumentos e a

existência de valores de alfa com níveis questionáveis (entre .50 e .69), mesmo em ins-

trumentos largamente utilizados (Hurley et al., 2013; Locke & Prinz, 2002). Em segun-

do lugar, aumentar os valores de alfa implicaria necessariamente o aumento do número

de itens, indo completamente contra um dos propósitos da construção do instrumento.

Finalmente, a análise das correlações médias inter-itens e item-total em cada escala

revelou valores aceitáveis (S. R. Briggs & Cheek, 1986; Floyd & Widaman, 1995), o

que constitui também um indicador importante de consistência interna (Clark &

Watson, 1995).

2.4.3.4. Utilização dos dados do questionário. Considerando o propósito inicial da construção do questionário, em parte dos estudos realizados considerámos os dados

relativos aos itens de forma independente. Por outro lado, decorrendo da análise fatorial

do questionário, utilizámos também a pontuação de cada escala. Dada a baixa correla-

ção entre itens de escalas diferentes, não foi utilizada uma pontuação total do questioná-

rio.

2.4.4. Questionário de Sono da Criança Pequena (Toddlers and Preschoolers