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FASES DA IMIGRAÇÃO QUALIFICADA EM PORTUGAL

No documento Imigrantes Qualificados em Portugal (páginas 121-125)

TIPOLOGIA DA IMIGRAÇÃO QUALIFICADA EM PORTUGAL

4. FASES DA IMIGRAÇÃO QUALIFICADA EM PORTUGAL

Do conjunto de entrevistas realizadas e da análise bibliográfica realizada resulta, tam- bém, que podemos distinguir a imigração qualificada para Portugal em distintas fases:

a) antes do 25 de Abril de 1974; b) de 1974 a 1981;

c) de 1981 a 1986;

d) de 1986 a finais dos anos 90; e) de finais dos anos 90 até ao presente.

Estas fases reflectem muito do que foi a história da imigração em Portugal, não sendo de estranhar que, à medida que avançamos no tempo, estas migrações se diversifiquem e se tornem mais complexas. Portugal era há pouco mais de 30 anos uma economia relati- vamente fechada sobre si própria, interagindo sobretudo com as suas possessões ultra- marinas, um país envolvido numa guerra colonial de longa duração, um país com uma emigração volumosa e uma ditadura que parecia perpétua. Entretanto, o fim da ditadura, a descolonização, o retorno ao país de emigrantes, colonos e um grupo de portugueses ultramarinos, a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, a abertura da economia nacional ao mercado global e a queda do muro de Berlim, para só citar alguns marcos fundamentais, encarregaram-se de mudar radicalmente o que era Portugal e transformaram-no (também) num país de imigração. As diferentes fases da imigração qualificada para Portugal acompanharam toda esta mudança.

Na primeira destas fases (até 1974), Portugal atraía um número muito limitado de imi- grantes altamente qualificados, ligados à expansão da indústria portuguesa nos anos 60, a uma entrada no mercado nacional de um conjunto de empresas multinacionais e a uma expansão do sector de serviços, designadamente do Turismo que permitia atrair um con- junto de profissionais altamente qualificados ligados ao sector. Neste período poucos imigrantes altamente qualificados entravam de forma independente no país e, quando tal ocorria, estes imigrantes inseriam-se no segmento primário do mercado de trabalho e integravam-se na sociedade portuguesa sem dificuldade. Alguns destes imigrantes per- manecem ainda no país, muitos deles obtiveram, entretanto, a nacionalidade portuguesa por via da naturalização.

A segunda fase (1974-1981), corresponde a um período de chegadas e partidas no que à imigração qualificada diz respeito. Por um lado, o período revolucionário pós 1974 levou à saída do país de um conjunto amplo de profissionais altamente qualificados ao serviço de empresas multinacionais. Por outro, o (re)patriamento dos quadros portugue- ses das colónias (incluindo um número indeterminado de quadros naturais das colónias) e o retorno de parte significativa do grupo de portugueses exilados, não sendo um fenó- meno de imigração strictu sensu, é, pelo menos, um fluxo migratório de entrada no país com impactos significativos, ao nível da economia e da sociedade.

A terceira fase (1981 a 1986) corresponde, grosso modo, ao período que medeia entre as mudanças da Lei da Nacionalidade (que põe término à fase anterior) e a entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia. A entrada em Portugal de um con- junto de quadros europeus faz parte de uma abertura progressiva da economia nacional e ao início de uma fase de integração económica no seio da Europa. Estes imigrantes altamente qualificados são muito semelhantes aos que chegaram na primeira fase, isto é, vão inserir-se no segmento primário do mercado de trabalho, são institucionalmente inte- grados (e.g. em empresas e organizações) e têm projectos migratórios integrados em estratégias empresariais.

A quarta fase (1986 a finais dos anos 90) reflecte já uma abertura da economia portu- guesa e caracteriza-se por uma diversificação dos tipos migratórios. Destaca-se o início de um fluxo migratório de profissionais altamente qualificados que pode ser caracteri- zado como independente, isto é, desinstitucionalizado, de indivíduos que migram desen- quadrados de empresas ou organizações, enquanto profissionais liberais ou como pro- fissionais à procura de um emprego no segmento primário do mercado de trabalho. Os primeiros exemplos surgem com os profissionais de marketing ou dentistas brasileiros, mas podem ser estendidos a profissões como a engenharia, arquitectura, medicina, para citar apenas alguns exemplos. Nesta fase mantêm-se as migrações institucionalmente enquadradas para quadros ou técnicos de empresas ou organizações. Complementar- mente, inicia-se também a migração de profissionais altamente qualificados que se vão inserir no segmento secundário do mercado de trabalho (num processo de deskilling) por o seu capital humano não ser directamente transferível.

A quinta fase (desde finais dos anos 90) é uma fase de desenvolvimento da precedente e caracteriza-se, não por uma mudança na tipologia de imigrantes altamente qualifica- dos presentes em Portugal, mas pelo aumento do volume deste tipo de imigrantes na imigração total. Assim, para além de se manter um fluxo institucionalmente organizado e um fluxo de profissionais independentes que se vão inserir no segmento primário do mercado de trabalho (imigrantes do tipo 1), surge um aumento assinalável de imigran- tes altamente qualificados que se vão inserir no segmento secundário do mercado de

trabalho (imigrantes do tipo 2). Este fluxo, com origem predominantemente na Europa de Leste, vai modificar a estrutura geral da imigração altamente qualificada, pelo seu peso no volume geral de imigrantes altamente qualificados. Simultaneamente, vai man- ter-se a tendência para um prolongamento dos estudos e/ou uma sedentarização dos imigrantes (ex-estudantes) que decidem permanecer em Portugal após a primeira fase do ciclo de estudos. Estes indivíduos vão constituir o tipo 3 que, embora sendo uma constante presença ao longo das diferentes fases da imigração qualificada, vão, nesta fase, sedimentar-se com um tipo de inserção mista nos segmentos primário e secun- dário do mercado de trabalho. Se até aqui a sua inserção se fazia maioritariamente no segmento primário do mercado de trabalho, nestes últimos anos, o facto de o capital humano ter sido adquirido em território nacional não garante a sua adequabilidade ao mercado de trabalho primário.

Tabela 12. Presença dos diferentes tipos de imigrantes ao longo das diferentes fases

Legenda: de

Número muito reduzido a

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Número muito significativo

Através de uma análise cruzada das diferentes fases migratórias com uma tipologia da imigração qualificada em Portugal, pudemos aferir a evolução desta ao longo do tempo,

1.aFase (até 1974) 2.aFase (1974-1981) 3.aFase (1981-1986) 4.aFase (1986-finais dos anos 90) 5.aFase (desde finais dos anos 90) Tipo 1 Imigrantes altamente qualificados funcionalmente legitimados

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Tipo 2 Imigrantes altamente qualificados funcionalmente ilegitimados – – –

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Tipo 3 Imigrantes internamente qualificados

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bem como as constantes e as variações, ao longo do tempo, da capacidade de Portugal atrair imigrantes altamente qualificados. Se é certo que Portugal atrai imigrantes alta- mente qualificados desde há muitas décadas a estrutura, proporção e importância dos diferentes tipos de imigração altamente qualificada são bem diferenciadas, consoante as diferentes fases e, no que respeita à fase actual isso gera um diagnóstico desta imigra- ção como apresentando características muito próprias. Podemos aferir (e apresentar) essas características através de metodologias muito diversas. No nosso caso, dadas as características do estudo que nos propusemos realizar a apresentação através de uma análise SWOT pareceu-nos a mais adequada.

No documento Imigrantes Qualificados em Portugal (páginas 121-125)