Um dos grandes desafios para as empresas que trabalham com transportes está no equilíbrio que se deve alcançar entre o interesse do cliente com a sustentabilidade do valor do frete8. É comum
transportadoras aceitarem serviços com fretes baixos, mas que a longo prazo entregam o serviço pois acreditam que podem recuperar os lucros com grandes volumes a serem transportados durante o de- senvolvimento do contrato, o que dificilmente acontece devido à limitação dos valores previamente acordados. Entretanto, muitos fatores podem influenciar na formatação do valor do frete, baseado em Caixeta et al. (2001, p. 92), é possível identificar variáveis que podem influenciar o estabelecimento do preço do frete, das quais se destacam:
distância percorrida;
::::
custos operacionais;
::::
possibilidade de carga de retorno;
::::
carga e descarga;
::::
sazonalidade da demanda por transporte;
::::
especificidade da carga transportada e do veículo utilizado;
:::: perdas e avarias; :::: vias utilizadas; :::: pedágios e fiscalização; :::: prazo de entrega; :::: aspectos geográficos. ::::
No contexto brasileiro, além desses aspectos, há também um viés que pode elevar o preço do frete, fruto do reduzido grau de comprometimento intermodal no país, que advém da peculiaridade da prestação de serviços porta a porta desenvolvido pelo modal rodoviário e, principalmente, do subapro- veitamento do potencial de modais alternativos, como o ferroviário e o hidroviário, o que colabora para a redução da concorrência entre os modais.
Texto complementar
8 Frete: produtos sendo transportados de um local para outro. Valor do frete: quantia em dinheiro a ser paga pelo transporte de produtos,
As vantagens do modal marítimo
(BALAU, 2006)
Transporte de cabotagem tem grande potencial para crescer no Brasil. Os riscos oferecidos pelas precárias rodovias brasileiras, como acidentes, roubo de cargas e poluição, fazem com que
algumas empresas apostem, cada vez mais, na utilização do modal marítimo para transportar suas mercadorias. A cabotagem vem crescendo no Brasil e seu conceito deixou de ser apenas a navega- ção entre os portos do país para se transformar no transporte porta a porta, modalidade oferecida pelas empresas de navegação.
Segundo dados do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), o transporte de cabotagem é um mercado ainda em expansão. Em 1999 foram transportados 20 mil contêineres entre os principais portos. Já em 2005 esse número saltou para 390 mil contêineres movimentados em território nacional, o que representou cerca de 300 mil caminhões a menos em nossas rodovias.
Além da redução dos riscos enfrentados nas estradas, a cabotagem oferece outros grandes benefícios, como redução de custos, de avarias e roubos. O transporte marítimo também garante pontualidade nas entregas, boa estrutura de armazenagem e controle das informações através de rastreamento, desde a coleta até a chegada da mercadoria ao destino final.
Atualmente, cerca de 50% dos produtos produzidos na Zona Franca de Manaus são transpor- tados pela cabotagem, o que demonstra o grande potencial do modal marítimo. Com a entrada de novos navios para atender o mercado doméstico, a tendência é incrementar o volume de cargas transportadas na cabotagem em 2006. Para quem imagina custos elevados para o transporte ma- rítimo é bom frisar que os fretes da cabotagem no transporte porta a porta são competitivos em relação ao transporte rodoviário direto.
A cabotagem é uma vocação natural do país, que tem 7 400km de costa e 32 portos ao longo dela – 80% da população vive em cidades que ficam até 200km da costa brasileira. Apesar do cres- cimento registrado nos últimos anos, ainda existe uma demanda reprimida para a cabotagem. Isso mostra que muitas empresas ainda desconhecem as vantagens do modal, inclusive a possibilidade de interiorizar o serviço por meio de parcerias com empresas rodoviárias e ferroviárias.
Para que a cabotagem se consolide como melhor opção de transporte de cargas porta a porta, é preciso que os procedimentos nos portos de desembarque sejam menos burocráticos. É fundamen- tal que o governo reveja também a incidência de impostos sobre o combustível. Atualmente, o custo é maior para as embarcações da cabotagem do que para os navios estrangeiros de longo curso.
A construção de navios no Brasil é outro desafio para os armadores. Faltam financiamentos, os estaleiros nacionais apresentam preços superiores ao mercado internacional e nem sempre ofere- cem garantias durante a construção das embarcações.
Se fosse investido mais em cabotagem, ganhariam todos os envolvidos no processo: o cliente, que teria ganhos em relação a avarias e roubos de mercadorias; os armadores, que estariam geran- do mais receitas; e o Brasil que, além de crescimento econômico, teria condições de tirar milhares de caminhões das estradas.
Por todas as vantagens competitivas oferecidas pelo modal marítimo, fica a certeza de que a cabotagem tem potencial de sobra para crescer – de maneira contínua – no Brasil e romper com a cultura rodoviária no transporte de cargas de longa distância. O futuro do transporte de cargas está na “BR Marítima”, que não exige investimentos e manutenção com operações tapa-buraco, além de ser mais segura e muito mais eficiente para o usuário e para o país.
Atividades
1. Diferencie as atividades de multimodalidade e intermodalidade.
2. Qual o modal de transporte mais utilizado no transporte de cargas no Brasil? Por que podemos observar essa característica?
3. Assinale as alternativas que interferem na formatação do frete. Distância percorrida. ) ( Tempo de armazenagem. ) ( Carga e descarga. ) (
Disponibilidade de espaço no armazém. ) ( Custos operacionais. ) ( Desenvolvimento de produto. ) (
Possibilidade de carga de retorno. )
Gabarito
1. Multimodalidade é o sistema pelo qual as mercadorias são transportadas, por diversos modos de transporte, sob a responsabilidade de um único operador (legal e contratual) e a intermodalidade é um sistema integral de transporte de mercadorias agrupadas em unidades de carga que utiliza mais de um meio de transporte (marítimo, ferroviário, rodoviário ou aéreo) entre o ponto de ori- gem e o ponto de destino.
2. O modal mais utilizado no território nacional é o modal rodoviário, que recebeu os maiores in- centivos ao longo da história dos transportes, com incentivos das indústrias automobilísticas que possuem crescimento expressivo na fabricação de caminhões.
3. distância percorrida
carga e descarga custos operacionais
Introdução
De origem militar o conceito de suprimento surge conjuntamente com o desenvolvimento das grandes campanhas militares da nossa história.
Os exércitos antigos tinham pequena mobilidade face à falta de meios de transporte velozes. Nesta fase da história, o problema de suprimento era pequeno, pois o reabastecimento dos exércitos muitas vezes era feito através de pilhagens dos territórios conquistados.
Temos exemplos na história: as legiões de romanos, de macedônios, o exército de Napoleão etc. Com a Primeira Guerra Mundial, o invento e sucesso do emprego dos blindados aumentou a mobilida- de dos exércitos enormemente.
Podemos definir suprimento como ato ou efeito de suprir; ato ou efeito de doar, fornecer ou en- tregar auxílios, provisões, materiais etc.; provimento, fornecimento, provisão (HOUAISS, p. 2.644).