Parque Regional e Jardim Botânico do Pedroso
7. Folder Fonte: Acervo MSAOAG, s.d.
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Em 2005, através de um Grupo Gestor do Parque, com representação exclusiva do poder público-Secretaria de Governo, de Educação; Cultura, Esportes e Lazer, Desenvolvimento Urbano e Habitação e Secretaria de Obras sob a coordenação do SEMASA, iniciam-se as discussões sobre as demandas gerais de melhorias na infraestrutura, segurança, acessibilidade, incrementação das atividades de esportes e lazer e busca de soluções para os conflitos existentes. O objetivo desse grupo era buscar uma gestão compartilhada, cumprindo parcialmente o que dispõe o SNUC em seu artigo 29 sobre o Conselho Consultivo de unidades de conservação de Proteção Integral, que além da representação do órgão responsável por sua administração, do órgão público, prevê a participação da sociedade civil.
Uma das diretivas do Grupo Gestor foi a revitalização da área de lazer, que iniciou-se com intervenções emergenciais, como pinturas, reforma na portaria e nos sanitários. E, em 2007, efetivamente foi desenvolvido um projeto para a área de lazer de uso intensivo, com aproximadamente 170.000 m2 (Lavendowisk, et.al.,
2006).
Era uma demanda requisitada pela população em orçamento participativo, e foi com a participação da comunidade, através de oficinas, que se alcançou um projeto que pretendia atender às necessidades de uso para o lazer e, ao mesmo tempo, ser compatível com uma unidade de conservação. Os participantes foram dos bairros: Recreio da Borda do Campo, Jardim Clube de Campo, Jardim Santo André, Núcleo Pintassilgo, Sacadura Cabral, Vila Luzita, Parque João Ramalho, Jardim Aclimação e Sítio dos Vianas. As oficinas foram realizadas dentro do próprio parque, e houve ainda algumas apresentações para os funcionários do SEMASA, da Prefeitura e para o público em geral no Seminário do mês do Meio Ambiente.
O projeto foi desenvolvido não avançando em áreas ocupadas por mata, requalificando os espaços que estavam mal resolvidos e inadequados e recuperando as construções de Ruy Ohtake, atualizando os usos. Com um programa extenso, esse projeto previa a execução de edifícios novos (mirantes e guaritas), a requalificação dos edifícios existentes, criando um Centro de Visitantes no edifício do teleférico (marquise) – que não foram executados -, uma ciclovia, criando um circuito, o uso recreativo da água e a requalificação dos chafarizes, bicas d’água e quiosques, criando cascatas próximas das quadras, campos de
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8. Usuários do parque na Ponte.
Fonte: Maria e Miguel Pastor. [198-] 9. Música ao vivo, ao lado da marquise do teleférico. Fonte: Maria e Miguel Pastor.[198-]
10.Antiga ponte de madeira.
Fonte: MSAOAG, 1990. 11. Nova ponte, no mesmo local da antiga. Fonte: DGA / SEMASA, 2009.
12. Parque infantil.
Fonte: Maria e Miguel Pastor. [198-]
13. Novo parque infantil, implantado parcialmente. Fonte: DGA/SEMASA, 2009.
14. Área de quiosques e churrasqueiras.
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de futebol e do parque infantil principal.
A obra de revitalização iniciada em 2008 foi implantada parcialmente, com várias alterações no projeto por razões que compreenderam desde o orçamento disponibilizado para sua implantação até alterações no programa, entre elas: a retirada do estacionamento para veículos de passeio (interno ao parque) e as alterações das atividades esportivas no Jardim Japonês e em frente aos vestiários. Basicamente, manteve-se do projeto original o zoneamento das atividades. A implantação compreendeu as áreas das churrasqueiras, a ponte, o circuito interno da ciclovia, a quadra de futebol do Jardim Japonês, quadras de areia em frente aos vestiários, os parquinhos infantis e o paisagismo que envolvia as áreas reformadas.
Durante a atividade do Grupo Gestor, foi desenvolvido diagnóstico e zoneamento preliminares, visando o plano de manejo, quando foram elencados os seguintes conflitos no parque:
1. O chamado “Santuário Ecológico da Serra do Mar”, o Santuário Nacional de Umbanda, com endereço na Estrada do Montanhão, no 700, de
responsabilidade da Federação Umbandista do Grande ABC – FUGABC –, ocupa uma área de 640.462,50 m² dentro dos limites do parque. Utilizado para práticas religiosas do segmento religioso da umbanda, foi autorizado em 1979, na Gestão do então prefeito Lincoln Grillo, como uma concessão de direito real de uso público, renovada e estendida pelo prazo de 20 anos em 2008 (Projeto de Lei nº 43/08), ainda permitindo a arrecadação de uma taxa de manutenção para manter a área em “perfeito estado de limpeza e conservação”.
O Santuário Nacional da Umbanda tem uma visitação pública de 800 a 1.200 pessoas por semana (concentrada em finais de semana). Existem no local mais de 300 tendas e outros equipamentos de suporte, como edifício da administração, portal de entrada, sanitários, lanchonete e minhocário. (Santiago, 2003)
Com a concessão de 1979, o que era posse de fato passou a ser de direito42. Um pequeno grupo religioso motivado pelos atributos naturais da área, já
utilizava o fundo de vale, quando a Pedreira Montanhão ainda estava em atividade (com uma detonação por dia), aproximadamente no ano de 1955.
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A Mata Atlântica dessa região foi explorada para obtenção da madeira de lei visando a produção de móveis, para usos mais nobres, e, outras, para lenha e produção de carvão, como já vimos. Houve a tentativa de reflorestamento com o Eucalipto, uma espécie exótica de rápido desenvolvimento, que ainda hoje é encontrada em várias outras áreas do parque.
O plantio foi abandonado pela dificuldade que ofereciam as encostas muito íngremes do morro. O solo desprotegido veio abaixo com a erosão, expondo uma rocha imensa que foi a fonte da brita extraída pela Pedreira Montanhão por quase 50 anos e utilizada na construção civil e na primeira pista da Via Anchieta.43
Nesse relato, consta também o crescimento desse grupo religioso, que passou a chamar-se Federação Umbandista do Grande ABC – FUGABC – e tornou-se o pólo umbandista mais importante do país.
Sob o ponto de vista desse grupo religioso há total compatibilidade e legitimidade de uso da área, já que os cultos são sempre feitos na natureza, e o fato de terem um local exclusivo para a realização das oferendas poupou de tê-las espalhadas pela cidade, segundo o depoimento de Ronaldo A. Linares (op.cit.). O grupo trabalhou também na recuperação dessa área extremamente impactada pelos anos de exploração da Pedreira, realizando reflorestamento e auxiliando na inibição de ocupações.
Sob o ponto de vista da gestão pública, o santuário apresenta graves problemas. Detém a gestão de uma área tão significativa do Parque do Pedroso
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Depoimento Ronaldo A. Linares, op.cit.
16. Inauguração do Santuário Nacional de Umbanda, no final da década de 1970. Fonte: acervo MSAOAG, déc. 70.
Segundo Relatório da FUGABC (2005), a inauguração oficial foi em 20 de setembro de 1981.
17. Santuário. Imagens e cachoeira ao fundo. Fonte: FUGABC, 2005.
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totalmente dissociada da gestão maior.44 Um Relatório Técnico do SEMASA,
apontava para alguns dos problemas:
“Construção de vários sanitários e outras infraestruturas de apoio à atividade religiosa e de turismo de massa sem licenciamento ambiental, descaracterizando a paisagem natural da área, impedindo a recuperação da vegetação e impactando a fauna local. Canalização e aterro do córrego do Pedroso para a implantação de locais de oferenda e tendas. Introdução de espécies vegetais exóticas” (Santiago, 2003).
Parte da arrecadação permitida por lei deveria ser revertida ao parque, segundo artigo 33 e 35 da Lei Federal 9.985/2000 (SNUC), os recursos decorrentes de arrecadação devem ser aplicados na própria unidade (Santiago, 2001).
2. A pressão urbana no entorno do parque, que era estimada em 2005,