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140 Esse grupo foi composto por duas professoras doutoras do Programa de Pós-graduação em Educação da PUCRS, uma professora doutora do Programa de Pós-graduação em Educação da Unit, duas professoras mestras, da UFS e da Faculdade Pio Décimo.

141 Cabe destacar que a versão preliminar da escala também foi aplicada a sete egressos de IC da Unit e da UFS. Quando contactados, esses bolsistas de IC dispuseram-se a contribuir com a pesquisa, avaliando a apresentação da escala e a formulação dos itens.

142 Com base nas sugestões dos juízes e dos egressos, a redação foi aperfeiçoada para melhor adequação dos itens e, subsequente, aplicação na amostra.

A coleta de dados foi realizada online em um período de dois meses, haja vista os resultados serem imediatamente exportados para Microsoft Excel, dispensando um software de pesquisa adicional, sendo que o tempo, em média, para os egressos responderem ao questionário foi de 10 minutos. A variação espaço (loci de pesquisa situados nas regiões Nordeste e Sul) foi neutralizada, bem como consegui localizar os egressos com mais agilidade.

Registro, ainda, que a escala tinha cinco opções. Os sujeitos deveriam escolher a que melhor expressasse seu ponto de vista acerca de cada item, segundo a intensidade de sua concordância ou discordância, conforme o seguinte esquema: 1 – Estou totalmente em desacordo; 2 – Discordo em parte; 3 – Estou em dúvida; 4 – Concordo em parte; 5 – Estou totalmente de acordo.

As categorias de declarações ganharam valores de um a cinco, considerando o nível de concordância de cada item. Para análise e apropriação dos resultados, as respostas para os itens progressivos receberam valor de um a cinco para as cinco opções, conforme a intensidade da concordância anunciada pelos egressos pesquisados. As respostas aos itens regressivos receberam pontuação de um a cinco, em sentido inverso.

A média de pontos obtida pelos sujeitos foi definida em cada fase em relação ao conteúdo da escala. Com um total de 46 itens, a média variou entre 46 e 230 pontos. Os pontos obtidos foram considerados como variáveis quantitativas e utilizaram faixas de pontos associados a termos linguísticos para a interpretação: negativa (46 a 107 pontos), conflitante (107,5 a 168,5 pontos) e positiva (169 a 230 pontos).

Para identificar a tendência de impacto da IC em cada sujeito da amostra foi obtida uma média geral dos scores (M) para a resposta de cada item da escala. Os resultados expressos foram interpretados da seguinte maneira: M < 3 = atitude negativa; M 3 a 4 = atitude conflitante; M > 4 = atitude positiva.

A figura a seguir apresenta uma síntese acerca da variação da média da escala com seus respectivos scores de respostas:

Figura 29 – Variação da Média da Escala Tipo Likert e Scores de Respostas

Fonte: Autora a partir dos estudos da pesquisa (2015).

Destaco que os dados coletados foram estruturados com o auxílio dos softwares Epi Info 6.04 e Excel 7.0 (Microsoft). Para a análise estatística, empregou-se esses mesmos softwares.

Concluindo essa etapa, esses procedimentos da pesquisa (definição da escala de atitude utilizada e sua validação externa, bem como a aplicação do questionário online) foram desenvolvidos no período de agosto a dezembro de 2015.

Quanto ao levantamento dos dados qualitativos, apliquei entrevistas semiestruturadas para investigar os impactos da IC na formação dos egressos bolsistas/voluntários das redes de pesquisa (Tecnopuc, SergipeTec e ITP), considerando a perspectiva da cidadania, inclusão científica e profissional.

A entrevista é um instrumento básico para a recolha de dados qualitativos. Trata- se de um intercâmbio de comunicação importante pelas inter-relações possíveis na obtenção

de um depoimento qualificado que permite entender as perspectivas e as experiências dos entrevistados acerca de um determinado tema (MARCONI; LAKATOS, 2006).

Antes da entrevista com os sujeitos, o interesse, a utilidade e o objetivo desta pesquisa foram explicitados, bem como as condições e o compromisso de anonimato por meio da assinatura do TCLE. O foco foi identificar o significado que os sujeitos dão a IC na vida cotidiana (acadêmica e profissional) a partir dos próprios termos. Ou seja, esse contato permitiu um tratamento de caráter pessoal sobre os impactos da IC na formação universitária, sendo adotado um roteiro (elemento caracterizador de uma entrevista semiestruturada) com tópicos relativos ao problema desta investigação.

Vale lembrar que mesmo com um roteiro, o entrevistado teve a liberdade de

manifestar opiniões e sentimentos. Aspecto este que possibilita “[...] flexibilidade e

oportunidade para avaliar atitudes e comportamentos” (MARCONI; LAKATOS, 2006, p. 280), tornando-se, assim, uma vantagem a escolha desse instrumento.

Nesta tese, o processo de seleção dos entrevistados considerou a representatividade no âmbito nacional (coordenação dos PIC do CNPq, com sede em Brasília), na gestão das redes colaborativas (diretores do SergipeTec e do ITP; colaborador da AGT do Tecnopuc) e na categoria bolsista/voluntário. No caso específico dos egressos, foi enviado um e-mail/convite (ver apêndice F) para três participantes de cada rede (escolha aleatória e por sorteio) que tenham respondido ao questionário online. Dos nove convites, o retorno contemplou dois egressos (um do Tecnopuc e outro do ITP), concluindo a população pesquisada da abordagem qualitativa com seis sujeitos atuantes em diferentes níveis no cenário da IC, aqui proposto.

As entrevistas gravadas tornaram-se documentos relevantes à análise e ao conhecimento das peculiaridades, da abrangência e dos significados da IC. Os sujeitos evidenciaram um nítido interesse em suas narrativas, explicitando a prática profissional, as limitações, os avanços e as contribuições da IC como política pública de ciência. Para tanto, utilizei a ATD por ser uma abordagem que transita entre duas formas consagradas de análise de pesquisa: conteúdo e discurso (MORAES; GALIAZZI, 2006).

Para os autores, a utilização da ATD “[...] tem mostrado tratar-se de uma ferramenta aberta, exigindo dos usuários aprender a conviver com uma abordagem que exige constantemente a (re)construção de caminhos” (p. 120). Nessa direção, a realidade da IC no contexto da ES não está acabada, podendo ser descrita e analisada por meio dos discursos dos entrevistados. As “[...] ideias e teorias não refletem, mas traduzem a realidade” (MORAES,

2004, p. 199) da IC em movimento espiral que possibilita identificar as convergências e as divergências acerca desse dispositivo institucional de formação universitária.

Diante desses procedimentos, foi possível movimentar-se para a criação do novo. As idas e vindas da IC nas narrativas dos sujeitos constituem possiblidades de descobertas que podem ser reconstruídas pela compreensão dos significados e sentidos nesse processo analítico. Isso significa que

[...] os movimentos de pesquisa com base na ATD exigem uma intensa impregnação nos fenômenos investigados. Mais do que superar a incerteza e a insegurança é preciso aprender a com ela conviver, percebendo os progressos e êxitos e, a partir disso, adquirir confiança nos produtos atingidos. A impregnação concretiza-se a partir leituras e releituras, transcrições, unitarização e categorização e especialmente a partir da escrita.

‘O processo é de intensa impregnação. Se assim não fosse não seria possível

tamanha produção’. Essa manifestação indica que, uma escrita mais fluida e de qualidade, é produto de envolvimento e de impregnação intensos com o material da análise. (MORAES; GALIAZZI, 2006, p. 121).

Segundos os autores, a concretização da impregnação resulta no trabalho criativo e original por meio da emergência do novo auto-organizado que acaba por aproximar a ATD da teoria da complexidade formada pela “[...] união entre a unidade e a multiplicidade” (MORIN, 2003, p. 38). Trata-se do

[...] que foi tecido junto; de fato, há complexidade quando elementos diferentes são inseparáveis constitutivos do todo (como o econômico, o político, o sociológico, o psicológico, o afetivo, o mitológico), e há um tecido interdependente, interativo e inter-retroativo entre o objeto de conhecimento e seu contexto, as partes e o todo, o todo e as partes, as partes entre si. (MORIN, 2003, p. 38).

Moraes e Galiazzi (2006, p. 121) afirmam que a construção do conhecimento complexo implica em movimentar-se em lugares de insegurança. Mas “[não] é sentir-se inseguro por não ter aprendido. É ter aprendido a estar inseguro”. Seria, então, produzir um novo entendimento de fazer ciência, integrando-se ao processo por meio da reconstrução novo emergente.

Cabe destacar que esse ciclo de análise descrito é composto por elementos racionalizados e planejados em um todo auto-organizado em três etapas: a desmontagem (desconstrução e unitarização do corpus); estabelecimento das relações (processo de categorização); e a captação do novo emergente (expressão das compreensões atingidas na construção de um metatexto). Ver no mapa a descrição da etapa 1:

Figura 30 – Unitarização da Análise Textual Discursiva (Etapa 1)

Fonte: Autora a partir de Moraes e Galiazzi (2003, 2006, 2007).

Essa etapa se iniciou com a unitarização em que os textos das entrevistas foram separados em unidades de significado pela codificação. Nesta tese, a combinação de letra e número foi utilizada, criando um conjunto de indicadores descritos na tabela 7:

Tabela 7  Critérios para Codificação143 dos Entrevistados