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46 3.1 Função de gerar e gerir informação

Neste domínio é possível observar (cf. Figura 2) que as tarefas mais frequentemente realizadas consistem em (AE05) ‘Compilar dados ou documentação’, (AA16) ‘Pesquisar documentos, bases de dados ou materiais de referência para obter informações necessárias’, (AE06) ‘Arquivar documentos ou registos’, (AA25) ‘Fotocopiar materiais impressos’ e (AE14) ‘Realizar pesquisas, compilar dados e preparar documentos para consideração e apresentação nos Conselhos de Administração’.

Figura 8: Tarefas no domínio da Função de Geração e Gestão de Informação. [Fonte: elaboração própria]

Nesta categoria, é possível observar que as tarefas mais frequentes são realizadas, normalmente, pelos AE (nível superior) e que algumas das operações requerem pensamento crítico ou competências de ordem superior. Contudo, neste conjunto, também se encontram tarefas de rotina relacionadas com a gestão de documentos e informação/dados, bem como a sua organização/arquivo, juntamente com tarefas de recolha de informação, para uso e avaliação por parte dos superiores hierárquicos.

3.2. Função de organização

Neste domínio, é possível observar (cf. Figura 3) que as tarefas mais frequentemente realizadas consistem em (AA10) ‘Agendar compromissos’, (Both12) ‘Gerir atividades escriturárias administrativas’, (AA26) ‘Agendar, confirmar e preparar reuniões presenciais’, (AE04) ‘Selecionar e classificar correio recebido’ e (Both10) ‘Distribuir correio recebido’.

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Figura 9: Tarefas desempenhadas no domínio da Função Organização. [Fonte: elaboração própria]

A maior parte das tarefas mais frequentes são de nível básico da profissão (AA), não requerendo competências de nível superior pois consistem em operações de rotina.

3.3. Função de ligação e comunicação de negócio

Neste domínio, é possível observar (cf. Figura 4) que as tarefas mais frequentemente realizadas consistem em (AA18) ‘Enviar informações, materiais e documentação’, (AA22) ‘Atender o telefone’, (Both02) ‘Atender telefones para direcionar chamadas ou fornecer informações’, (AE13) ‘Fornecer apoio administrativo a outros departamentos’ e, simultaneamente, (AE03) ‘Elaborar correspondência comercial’, (AE20) ‘Assegurar a manutenção do conhecimento sobre as atividades laborais’ e (AA14) ‘Encaminhar correio para o destino adequado’.

Figura 10: Tarefas no domínio da Função de Ligação e Comunicação de Negócio. [Fonte: elaboração própria]

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A maioria das atribuições principais são, novamente, de nível básico (AA), consistindo na ligação e reencaminhamento da informação entre os membros/departamentos da organização. Algumas destas tarefas foram, previamente, identificadas como estando em elevado risco de depreciação (Mesquita et al., 2019), nomeadamente pelos sistemas ACD (software de atendimento e encaminhamento automático de chamadas) e ERP (software de gestão empresarial integrada), como é o caso de tarefas como ‘Atender telefones para encaminhar chamadas ou fornecer informações’, por exemplo.

3.4. Função de representação

Figura 11: Tarefas no domínio da Função de Representação. [Fonte: elaboração própria]

Neste domínio é possível observar (cf. Figura 5) que as tarefas mais frequentes consistem em (AA09) ‘Encaminhar clientes à pessoa/local apropriado, (Both03) ‘Receber/cumprimentar clientes, supervisores ou visitantes’, (AEN20) ‘Estabelecimento de contactos em nome da organização’ e (AEN16) ‘Acolher visitantes estrangeiros de acordo com as suas especificidades culturais’.

Em comparação com os restantes domínios, este é o menos expressivo na profissão em Portugal. A maioria das tarefas deste grupo são normalmente desempenhadas pelos AE (nível superior), no entanto, a frequência na profissão em Portugal é notavelmente baixa. Estas são atribuições que implicam competências transversais mais complexas, nomeadamente as de relacionamento interpessoal e intrapessoal, como a comunicação, resolução de problemas, inteligência emocional, falar em público, resolução de conflitos e trabalho em rede, entre outras.

3.5. Função de logística operacional

Neste âmbito, as tarefas mais frequentes (cf. Figura 6) são (AA04) ‘Operar equipamento de escritório’ e, simultaneamente, (AA32) ‘Aprender a operar tecnologias digitais de escritório’ e (AA01) ‘Operar computadores ou equipamento informático’.

Figura 12: Tarefas no domínio da Função Logística Operacional. [Fonte: elaboração própria]

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Esta categoria revela que a maior parte do trabalho realizado por estes profissionais é altamente suportado por aplicações digitais, que, mesmo sendo elementares, são indício de que a tecnologia está no centro da profissão, como seria de esperar nos dias de hoje e no contexto da 4.ª RI.

3.6. Competências técnicas e transversais mais relevantes

Os profissionais portugueses foram questionados sobre as competências técnicas e transversais que mais valorizam na profissão, através de uma listagem com (1) dezasseis competências técnicas que foram deduzidas do perfil de saída dos cursos de Ensino Superior em Portugal, e (2) com vinte e duas competências transversais referidas pelo WEF e pela literatura portuguesa, como sendo as mais relevantes para subsistir durante a 4.ª Revolução Industrial.

Relativamente às competências técnicas mais relevantes, os profissionais portugueses destacaram (cf. Figura 7), entre o top dez: (1) ‘Administração e gestão’, (2) ‘Gestão de documentos’, (3) ‘Práticas e procedimentos administrativos’, (4) ‘Línguas estrangeiras’ e (5) ‘Equipamento informático (ex. computador, impressora, scanner)’.

Figura 13: Classificação das competências técnicas mais relevantes. [Fonte: elaboração própria]

As competências técnicas menos relevantes (não apresentadas na Figura 7) são (1) ‘Matemática’, (2) ‘Estenografia’, (3) ‘Outras aplicações (ex. software de edição de imagem e/ou vídeo)’, (4) ‘Transcrição’ e (5) ‘Redes Sociais’.

Relativamente às competências transversais mais relevantes, os profissionais salientaram (cf. Figura 8) para o top dez as seguintes: (1) ‘Aprendizagem contínua’, (2) ‘Comunicação’, (3) ‘Capacidade para tomar decisões’, sendo estas o top 3 absoluto, juntamente com (4) ‘Compreensão/expressão escrita’ e (5) ‘Atitude’.

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Figura 14: Classificação das competências transversais mais relevantes. [Fonte: elaboração própria]

A partir desta análise, é possível constatar que os profissionais valorizam mais a formação orientada a técnicas de gestão e administração, gestão de documentos, gestão de grandes volumes de informação digital e domínio de línguas estrangeiras.

No que diz respeito às competências transversais, salienta-se a aprendizagem ao longo da vida e as competências de comunicação, em contexto organizacional interno ou externo (reforçado pelo domínio de línguas estrangeiras), juntamente com a capacidade de tomar decisões e a atitude no trabalho, algumas das quais em linha com Mengü, Mengü, Güçdemir e Canan (2020).

4. Discussão e conclusão

No contexto português, as tarefas de nível básico (AA) são mais significativas em termos de frequência de execução. Estas são precisamente as tarefas com maior risco de serem depreciadas num futuro próximo, ou substituídas/automatizadas pela tecnologia que a 4.ª Revolução Industrial introduz. Isto poderá indiciar que o perfil profissional corre um risco muito elevado de ser parcialmente ou totalmente desvalorizado. Como refere Topcu (2020), o trabalho está a tornar-se cada vez menos rotineiro, sendo suportado pela automação, pelo que exige um desenvolvimento contínuo de conhecimentos e competências.

No contexto português, os profissionais relatam ainda a realização frequente desta tipologia de tarefas, como core das suas atribuições profissionais, pelo que é possível concluir que os efeitos da transformação digital das profissões, impulsionada pela 4.ª Revolução Industrial, ainda não são sentidos e, portanto, não têm um impacto relevante na profissão.

De acordo com os resultados do inquérito, quando se perguntou aos profissionais se sentiram alguma mudança relevante no seu posto de trabalho, nos últimos cinco anos, 95% dos inquiridos afirmaram que não tinham sentido grandes mudanças. Aqueles que sentiram mudanças no local de trabalho remetem para a forma como os desenvolvimentos tecnológicos os podem ajudar melhor na realização das referidas tarefas (principalmente tarefas administrativas básicas), contrariando a noção de que as tecnologias têm potencial para substituir os profissionais nas suas funções, particularmente quando utilizadas por superiores hierárquicos.

É igualmente importante notar que a par do risco de substituição pela tecnologia, se tem salientado a necessidade de realização de formação contínua em tecnologias avançadas e multifuncionais, para responder à anunciada digitalização do trabalho. À medida que a tecnologia

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cresce em aplicabilidade e complexidade, é necessário mais tempo de aprendizagem e acompanhamento das funcionalidades e dos lançamentos de novos produtos. O fator temposerá fundamental, quer para reduzir as tarefas rotineiras destes cargos, quer para lhes acrescentar continuamente tarefas, nas quais o uso da tecnologia será fulcral. Nem sempre os superiores hierárquicos se encontram disponíveis para dedicar grandes quantidades de tempo à formação de base tecnológica, pelo que se espera que estes absorvam tarefas rotineiras suportadas por tecnologia. Por conseguinte, as operações relacionadas com o manuseamento de tecnologias complexas, que requeiram formação intensiva, juntamente com competências cognitivas superiores, transferir-se-ão rapidamente para o núcleo de trabalho dos AA e AE.

A transformação digital poderá vir a implicar a total depreciação do nível de entrada na profissão (AA), com grande automatização das tarefas. Num cenário mais otimista, os profissionais atuais poderão ver as suas atribuições facilitadas pelos avanços tecnológicos. Num cenário bastante plausível, os profissionais poderão ser forçados a evoluir para o nível seguinte da profissão (AE). Isto implica realizar novas/outras tarefas e trabalhar de uma forma mais autónoma e independente, bem como desenvolver novas competências, como a criatividade, negociação, comunicação, liderança, resolução de problemas, pensamento criativo, só para citar algumas. No entanto, isto só é possível se o profissional investir na melhoria das suas competências pessoais e tecnológicas ao longo da vida (Miller, 2019), pois a transformação digital implica uma constante atualização de conhecimentos e competências (Martyakova & Gorchakova, 2019).

Alternativamente, os AA podem também especializar-se numa área em particular (ex. recursos humanos, marketing, tesouraria e comercial), ocupar uma posição como gestores intermédios, ou optar por uma completa reestruturação das suas carreiras e tornarem-se assistentes virtuais/remotos, criando a sua própria empresa e prestando os seus serviços à distância a um conjunto de pessoas/empresas nas mais diversas áreas.

Referências

Arntz, M., Gregory, T., & Zierahn, U. (2016). The risk of automation for jobs in OECD