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4.2 O PROCESSO DE AFASTAMENTO NA UNIDADE SIASS-UFRN

4.2.2 O funcionamento da Unidade SIASS-UFRN

A Unidade SIASS-UFRN tem sede no campus universitário em Natal, com quatro extensões nos municípios de Caicó, Currais Novos, Santa Cruz e Mossoró. A sede ocupa o espaço físico na Diretoria de Atenção à Saúde do Servidor – DAS e opera por meio da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica e Perícia em Saúde – COVEPS.

Em 2016, tal Unidade sistematizava dados de 32 órgãos da Administração Pública Federal no Estado do Rio Grande do Norte, dos quais destacam-se, entre outros, o Instituto Federal do Rio Grande do Norte do Rio Grande do Norte (IFRN), a Universidade Federal do Semiárido (UFERSA), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o Departamento de Polícia Rodoviária, a Fundação Nacional de Saúde e a Advocacia Geral da União (AGU), realizando cerca de 12000 atendimentos anuais (COSTA, 2016).

A Unidade funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, de acordo como o horário da DAS. A COVEPS conta com servidores das diversas categorias profissionais, como: médico perito, odontólogo perito, enfermeira do trabalho, assistente social, psicólogo, médico do trabalho, engenheiro, técnico de segurança, técnicos e auxiliares administrativos, da UFRN e demais órgãos parceiros.

A perícia em saúde na Unidade SIASS-UFRN, compreende sete serviços diretos: coordenação, assessoria técnica, Perícia Oficial em Saúde (POS) contemplando o administrativo da perícia, avaliação médica pericial e a equipe multiprofissional, o administrativo da COVEPS e o arquivo. Destes, cinco trabalham diretamente com o SIPAE SAÚDE, quer alimentando: os serviços da POS (administrativo da perícia, avaliação médica pericial e a equipe multiprofissional), quer consultando, para fins gerenciais (a coordenação e a assessoria técnica), esses serviços foram os selecionados para realização das entrevistas.

O organograma da Unidade SIASS-UFRN, exposto a seguir na Figura 4, contempla os sete serviços envolvidos no trabalho da COVEPS no módulo da POS, específico para os afastamentos para tratamento da própria saúde do servidor. Ressalta-se nesse organograma a presença da equipe multiprofissional, por constar entre os serviços da POS, mesmo que atuem mais nas outras modalidades de afastamento, a exemplo dos afastamentos para acompanhar familiares.

Figura 4 – Organograma da Unidade SIASS-UFRN. PROGESP/DAS/COVEPS Módulo: Perícia Oficial em Saúde – Licença para tratamento da própria saúde.

Na observação, verificou-se que outros serviços da DAS também participam da dinâmica do trabalho pericial, a saber: primeira recepção, sala de enfermagem (pré-consulta), segunda recepção, sala do plantão psicossocial e a Assessoria Técnica (ASTEC). Portanto, 12 serviços participam da rotina do processo institucional dos afastamento do trabalho da Unidade SIASS-UFRN (COVEPS: 7 e DAS: 5).

A seguir serão descritas algumas atribuições dos serviços da COVEPS, segundo observação e depoimento dos entrevistados.

A coordenação é “responsável pela COVEPS e gestão da Unidade SIASS-UFRN e atende no primeiro andar da DAS, atuando diretamente no acompanhamento dos módulos do SIAPE SAÚDE em funcionamento na Unidade”.

Faço a escala dos médicos peritos e dou apoio a parte administrativa da perícia, vejo as marcações das juntas médicas junto com os servidores de lá, se os atestados estiverem fora do prazo, oriento os servidores. Analiso os processos na coordenação de perícia judicial, remoção por motivo de saúde, entre outros, para encaminhar aos peritos (PARTICIPANTE 8).

A assessoria técnica “exporta os dados do sistema, assim como, dá suporte técnico aos que alimentam o sistema”.

Realizo extração de relatórios do SIAPE SAÚDE (Internos/UFRN, Externo/Mestrado, doutorado). Manuseio os módulos implantados do SIAPE SAÚDE (Perícia Oficial em Saúde, Exame médico periódico), dando apoio técnico aos servidores que usam e manuseiam diariamente o sistema, estudo, olho e encaminho chamadas, por exemplo, na busca de melhorias do SIAPE SAÚDE: envio as demandas para o Ministério do Planejamento através do “ALÔ SEGEPE” (PARTICIPANTE 10).

O administrativo da perícia “acessa o SIAPE SAÚDE” para contagem dos dias de afastamento solicitado no atestado médico e utiliza o critério legal da contagem de dias para realizar a dispensa de perícia ou encaminhamento para avaliação médica pericial via sistema.

Observa-se que o atestado médico é avaliado nesse serviço. Quanto o seu prazo de entrega na DAS, equivale a cinco dias corridos da sua emissão. Caso contrário, é necessário entrar com a justificativa de decurso de prazo. Seu preenchimento correto que deve conter nome do servidor, CID da enfermidade, dias de afastamento, carimbo e assinatura do médico ou odontólogo. Em relação à contagem dos dias de atestado, aqueles que totalizam até cinco dias (que na contagem no sistema totalize até 14 dias em doze meses), implicam em dispensa de perícia, com emissão do registro de licença para tratamento de saúde inferior a 15 dias. Os atestados que totalizem a partir de cinco dias (em que a soma dos afastamentos for superior a

14 dias até 120 dias em doze meses) exigem uma perícia singular e, nos casos da soma ser superior a 120 dias em doze meses, é obrigatório o parecer da junta médica para que o afastamento seja possível.

Quando o servidor chega aqui, a gente pergunta o nome dele, pega o CPF, o telefone e coloca no SIPAE NET para fazer a consulta, para ver se é dispensa, perícia ou junta. No caso de atestado de até 5 dias e contabilizar menos de 14 dias nos últimos 12 meses, homologamos o atestado e concedemos a dispensa administrativa. Nos casos que o atestado some mais de 14 dias até 120 dias em 12 meses, precisa passar pela perícia médica, aí é realizado agenda de perícia, a marcação que a gente faz é sempre para o dia, se for acima de 120 dias em 12 meses agendamos junta médica, se puder para o mesmo dia, ou se não, outra data mais próxima. Nós fazemos a distribuição para o atendimento pericial, as juntas (tentamos colocar no máximo 4 juntas) por ser mais demorado, a exemplo dos pedidos de remoção. No caso de ter três peritos, eles também atendem a perícia singular, e nós vamos otimizando o atendimento, e incluindo as prioridades (idosos, servidor cirurgiado), a gente tenta intercalar (PARTICIPANTE 13).

O serviço de avaliação médica pericial é realizado por médicos peritos ou odontólogos peritos, por meio da perícia singular ou avaliação da junta médica. A partir dessas, o prontuário eletrônico do servidor no SIAPE SAÚDE e alimentado e, ao final, é emitido o laudo médico pericial (ANEXO B).

Quando o servidor chega, abro o SIAPE SAÚDE, na primeira parte, vou registrar os dados do atestado no sistema e ele vai dizendo o que está acontecendo, sentindo durante quanto tempo. Isso é anamnese do prontuário, a gente tem uma área que é para registrar os dados do atestado. Registra (a data, o nº CRM do médico, o estado, registra o CID, quantos dias de afastamento aí inclui os dados do atestado) e se inicia a perícia. Coloca qual a função do servidor, atividade profissional do servidor, coloca os dados da anamnese, determinado quadro clínico, como evoluiu, como está no momento, as informações sobre a quantidade de anos e em que setor se encontra no serviço, já está registrado no cadastro dele, a idade, endereço, atividade profissional e o que exerce/atual setor, a gente pergunta (porque tem muito desvio de função). O campo do exame físico, a gente coloca os Sinais vitais e algo mais que a gente identifica no exame físico, tem o campo dos exames laboratoriais, exames de imagem, tem o campo da terapêutica do tratamento, e aí os diagnóstico(s). Na segunda parte, se é concedido a licença ou não, se o servidor deverá retornar após o termino da licença, acredito que nesse prazo o servidor tem condições de retornar, a gente coloca “Sim” ou “Não”. Como o servidor tem uma função que exige muito dele, ele está com esse problema de saúde, é melhor a gente reavaliar. Deverá retornar ao trabalho no final da licença, a gente coloca “Não”, deverá retornar por avaliação de junta médica “Sim”, se “Sim”, qual a data. Coloca o número de dias lá em baixo, início do afastamento, e aparece o término, quando a gente coloca 30 dias, a gente coloca data inicial, automaticamente o sistema já gera a data final, aí conclui a perícia com Laudo médico pericial, que não vai constar o CID, vai constar só o período de afastamento, se o servidor vai

voltar ao termino da licença, dizendo que ele está inapto no momento (PARTICIPANTE 5).

Nos casos em que a avaliação médica necessita de parecer técnico de outros profissionais, a equipe multiprofissional é acessada via sistema. Tal equipe, por sua vez, elabora os pareceres técnicos e retorna essas informações, via sistema, para o solicitante.

Na rotina da equipe multiprofissional, quando chega uma solicitação, vem de modo automático, abro o sistema para ver todo histórico daquele servidor, a gente consegue ver as perícias anteriores para subsidiar uma decisão nesse sentido. Tem lá um módulo agora que é o psicossocial, dentro dos pareceres “social, psicológico, psicossocial”, é muito comum essa atuação da psicologia com o serviço social, a gente faz de modo separado ou então, em equipe. Tem um campo de avaliação social e aí ao fim tem a conclusão, é o parecer. Ainda não é tão comum, mas essa ferramenta do sistema precisa ser mais utilizada (PARTICIPANTE 17).

Os documentos institucionais de “registro de dispensa e laudos médicos periciais” são emitidos em duas vias, uma é entregue ao servidor e outra fica na instituição. Esses documentos, juntamente com os respectivos atestados são enviados, via malote, para o Setor administrativo da COVEPS, onde os laudos são digitalizados no Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Humanos (SIGRH) da UFRN, que, por sua vez, envia e-mail para o servidor e chefia imediata, dando ciência do registro da ausência. Em seguida, esses documentos institucionais são encaminhados via malote para o arquivo, onde serão separados por órgãos e arquivados em envelopes que se configuram no prontuário físico do servidor, organizados em caixa arquivo por ordem alfabética, de acordo com corredor e compartimento específico.

Em relação ao fluxo do processo de afastamento, observa-se que a DAS oferece o suporte para o trabalho da COVEPS. O processo se inicia pela primeira recepção, porta de entrada da DAS, onde o servidor se identifica através do documento de Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). Neste momento, o serviço vai investigar se o atendimento se trata de “demanda programada” (casos agendados para a junta médica, consultando, para isso, a “planilha de acompanhamento do SIASS”), ou “demanda espontânea” (no caso do servidor não estar agendado e/ou quando recorre pela primeira vez ao serviço) sendo, então, alimentada a “planilha de espera SIASS” e, de acordo com os dias solicitados no atestado (até cinco dias, o servidor é encaminhado diretamente para aguardar atendimento do administrativo da perícia).

Os atestados que totalizam acima de cinco dias e os agendados para junta médica são encaminhados para a sala da enfermagem (pré-consulta), onde serão aferidos os sinais vitais

(SSVV), a saber: Pressão Arterial (PA); Frequência Respiratória (FR); Frequência Cardíaca (FC); Temperatura (T); peso e altura. Os dados são digitados na “planilha do posto de enfermagem”. Após atendimento, os servidores são encaminhados para a segunda recepção, onde aguardarão o atendimento do administrativo da perícia e, consequentemente, da POS.

Ao final da avaliação médica pericial, caso o servidor necessite, será encaminhado para sala do plantão psicossocial, serviço realizado por um assistente social e um psicólogo por turno, para dar suporte emocional aos servidores afastados, conforme relato a seguir.

No HUOL, depois da implantação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares - EBESH, os adoecimentos por problema psíquico aumentaram bastante, então, todos vem alegando que o adoecimento foi desencadeado por inadaptação as novas regras da gestão ... muitas vezes o servidor chega aqui detonado, psicologicamente fragilizado, chorando o tempo todo, precisando realmente de um apoio psicológico (PARTICIPANTE 4).

Por fim, destaca-se a atuação da Assessoria Técnica de Informática (ASTEC), no processo institucional dos afastamentos na Unidade SIASS-UFRN. Embora não trabalhe diretamente com o SIAPE SAÚDE, tal assessoria é responsável pela informatização dos dados na DAS, efetuando a comunicação direta entre os computadores ligados à rede local, dando suporte aos serviços que utilizam os instrumentos envolvidos no trabalho da primeira recepção, com a “planilha de espera SIASS” e da sala de enfermagem, com a “planilha do posto de enfermagem”.

O servidor chega na primeira recepção, a gente aqui no administrativo da perícia abre a “planilha de espera SIASS”, através da aba do MSN Messenger, temos contato direto com o pessoal da recepção. Com o computador ligado a gente tem esse acesso, aí a gente chama através do MSN Messenger, e a segunda recepção visualiza e quando o servidor chega aqui, nós colocamos atendido, nessa “planilha de espera SIASS” (PARTICIPANTE 12).

O sistema da DAS hoje é interno, nós organizamos tudo isso. Temos o LAN Mensagem, instrumento que a gente faz comunicação como se fosse MSN (comunicação via internet), é instalado em todos os computadores da DAS. Temos a rede DAS, para guardar os dados gerados, as planilhas que só quem tem acesso são os servidores que as manuseiam, a ASTEC dá assessoria aos servidores, faz backups semanal e mensal, por um computador denominado servidor (PARTICIPANTE 14).

Portanto, vários serviços e documentos institucionais são utilizados na dinâmica do processo de afastamento do trabalho na Unidade SIASS-UFRN, conforme registrado no Quadro 1.

Quadro 1 – Levantamento dos serviços e documentos envolvidos no processo institucional dos afastamentos do trabalho na Unidade SIASS-UFRN, em 2016.

DESTAQUES COVEPS (Perícia em Saúde) DAS (Suporte) SETORES 1-Coordenação 2-Assessoria Técnica

3-Administrativo da perícia (POS) 4-Avaliação médica pericial (POS) (Perícia singular e junta médica) 5- Equipe multiprofissional* (POS) 5-Administrativo COVEPS

6-Arquivo

1-Primeira recepção (CAS) 2-Sala de enfermagem (CAS) 3-Segunda recepção (CAS) 4-Plantão psicossocial (COAPS) 5-Assessoria Técnica de Informática (ASTEC)

DOCUMENTOS

1-Planilha “acompanhamento do SIASS”

2-Justificativa de decurso de prazo 3-Orientação para servidor em trânsito

4-Perícia hospitalar

5-Laudo do registro de dispensa 6-Laudo médico pericial (Anexo B)

1-Planilha posto de enfermagem 2-Planilha de espera SIASS

(*) Equipe multiprofissional: participam todas Coordenadorias da DAS (COVEPS/CAS/CPOS/ COAPS) Legenda/Fonte: elaboração da pesquisadora, 2017.

DAS: Diretoria de Atenção à Saúde do Servidor. CAS: Coordenadoria de Atenção à Saúde do Servidor.

COPS: Coordenadoria de Promoção da Segurança do Trabalho e Vigilância Ambiental. COAPS: Coordenadoria de Apoio Psicossocial ao servidor.

COVEPS: Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica e Perícia em Saúde. POS: Perícia Oficial em Saúde.

SIASS: Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor Público Federal – SIASS.

4.3 O SIAPE SAÚDE NA ÓTICA DOS PRINCIPAIS ATORES ENVOLVIDOS

Ao longo do estudo de campo foram realizadas 17 entrevistas com os servidores que lidam com o SIAPE SAÚDE na Unidade SIASS-UFRN (o roteiro da entrevista encontra-se no apêndice A). A seguir, uma síntese dos dados obtidos no que se refere à caracterização dos participantes e sobre o entendimento destes quanto ao funcionamento do Sistema de Informação em Saúde – SIS.

4.3.1 Os operadores do Sistema de Informação de Saúde e Segurança do Servidor