O fundeio é quase sempre uma rotina “mamão-com-açúcar”.
O navio entra no ancoradouro, gira o mais possível para o ancoradouro final, e dá atrás até que comece a mover-se para ré sobre o fundo. Um ferro é largado e a amarra solecada até que a quantidade desejada esteja na água. A máquina é então partida rapidamente a vante, se necessário, até que o navio perca quase todo o seguimento a ré, o freio é apertado, e a amarra unha. Porto após porto, viagem após viagem, o navio normalmente fundeará desta maneira simples, e por causa desta simplicidade, nós discutiremos esta rotina com alguns detalhes e então alguns métodos alternativos dexf fundeio.
A APROXIMAÇÃO
O Comandante ou Oficial no Comando aproxima-se ao longo da rota planejada, navegando pelo olho usando alinhamentos e auxílios selecionados conforme discutido anteriormente, e progressivamente reduz a velocidade. Menores velocidades significam mais tempo, tempo para planejar, tempo para responder, e tempo para parar o navio se surgir algum problema - e quando a velocidade for reduzida, a máquina pode ser usada a vante ou à ré conforme o necessário para manobrar sem preocupação com a velocidade quando o ancoradouro final for alcançado.
Detecte o movimento do seu navio sobre o fundo usando o movimento aparente entre outros navios ou objetos no fundeadouro, e referências mais distantes flutuantes ou em terra. Navios próximos parecerão estar se movimentando cruzando, na frente das referências de fundo, por causa da diferença entre as perspectivas dos objetos próximos e dos distantes. O movimento aparente de referências a vante ou a ré de seu navio indicam movimento lateral, enquanto as referências no través ou próximas ao través mostram seguimento a vante ou a ré. O movimento do navio pode ser detectado visualmente com surpreendente precisão usando este método, muito antes que qualquer mudança na posição seja mostrada nos equipamentos de navegação. Utilize este método de dia e de noite, durante cada passo
da manobra de fundeio, especialmente quando movendo-se a muito baixas velocidades e quando dando atrás e pagando a amarra.
Quando o navio deverá começar a girar no fundeadouro? O Comandante ou o Oficial no Comando conhece o diâmetro tático do navio a baixas velocidades depois dos testes do Comandante, e tendo em mente algum abatimento e caimento, estimará no olho e algumas vezes por posições na carta, o ponto a começar o giro ou giros. É melhor simplificar a manobra fazendo qualquer mudança grande de curso bem antes de alcançar a posição de fundeio, onde você está planejando ancorar pois você só precisará então, parar o navio e largar. Isto não é essencial, e num ancoradouro restrito ou lotado isto não é sempre possível, mas seguramente torna a tarefa mais fácil.
Como regra prática, um navio girando sob uma velocidade constante em águas profundas, que significa, profundidade da água maior que uma vez e meia o calado do navio, percorrerá cerca de três a três e meio comprimentos do navio a vante de seu ponto inicial e cerca de uma vez e meia o comprimento do navio para bombordo ou para boreste depois de girar 90 graus, e cerca de um comprimento do navio a vante do ponto inicial e três e meio comprimentos do navio para bombordo ou para boreste depois de guinar 180 graus. Estas distâncias são reduzidas significativamente em um giro acelerado utilizando-se de rotações crescentes. Em águas rasas, a curva de giro aumentará até que a profundidade da água esteja nas proximidades do calado do navio, quando as distâncias necessárias para girar serão aproximadamente o dobro. Estas distâncias não são exatas, mas estão aproximadas o bastante para o trabalho do dia-a-dia, especialmente se você fizer qualquer ajuste pequeno que se torne necessário para estimá-la, considerando as características de um navio em particular ou para o vento e a corrente que fazem a curva de giro do navio ser mais elíptica do que a considerada anteriormente. (Fig.8-4)
Fig. 8-4 Curva de giro aproximada em águas profundas.
As seguintes sugestões são úteis em manobras de entrada, evolução e saída de um fundeadouro.
1. O espaço de mar permitindo, uma grande mudança de rumo girando o navio para seu aproamento final, conforme descrito no capítulo 1, reduzirá significativamente o seguimento à medida que o navio aproxima-se do fundeadouro.
2. Guinadas para boreste são preferíveis a guinadas para bombordo, para tirar vantagem do efeito do propulsor colocado a ré para reduzir o seguimento e parar o navio.
3. Uma paletada a vante acelerará a taxa de guinada, reduzindo o diâmetro da curva de giro sem um aumento significativo na velocidade. Seja cuidadoso, para que a velocidade não seja aumentada significativamente por sucessivas partidas a vante, o que poderá tornar impossível a parada na posição de fundeio escolhida.
4. Dando atrás e afilando próximo à área de fundeio, conforme descrito no capítulo 1, é preferível do que dar partidas sucessivas a vante nas proximidades do fundeadouro, pois o navio será girado e simultaneamente reduzirá sua velocidade, parando.
Considerando as manobras de teste, o Comandante sabe aproximadamente quantos comprimentos do navio avançará depois que a máquina for colocada a ré e em qual ponto deve a máquina ser colocada a ré para pará-lo no fundeadouro selecionado. Em virtude da segurança, dê atrás ao menos uma vez antes de alcançar o ponto em que será necessário reduzir a velocidade, utilizando a posição da corrente de descarga a ré conforme descrito no capítulo 4 (fig.4-2). Freqüentemente, um Comandante reduz a velocidade a algo que, depois de diversos dias a velocidade de mar, aparenta ser uma baixa velocidade de fundeio, somente para descobrir que o navio está movendo-se mais depressa do que o esperado quando ele der atrás para largar.
Coloque a máquina a ré bem antes de alcançar a posição de fundeio selecionada quando estiver fundeando à noite, ou em um ancoradouro lotado e restrito, quando a velocidade será crítica e difícil
de estimar, dando atrás até que o navio esteja parado. Assim, não haverá nenhuma dúvida em relação à velocidade do navio, será zero. Vá adiante agora, lentamente mova-se pelos últimos comprimentos do navio e largue o ferro.