Regra número 1 - não use o rebocador.
Passe os cabos de reboque necessários para os rebocadores exigidos, mas planeje o serviço para minimizar o seu uso. Vejamos as razões para isto. O rebocador é simplesmente outra ferramenta disponível ao Prático para completar a tarefa em mãos, suplementando a máquina, o leme, o bow-thruster, as âncoras e os cabos de amarração. Utilize o rebocador somente quando estas outras ferramentas não puderem terminar a tarefa sozinhas, existem diversas razões para isto.
1. A única forma de se desenvolver a habilidade e a sensibilidade para manobrar navios é fazendo o serviço. Se o navio for empurrado ou puxado até a posição usando o rebocador, você não estará descobrindo nenhuma habilidade em manobras, apenas estará aprendendo a empurrar e puxar com rebocadores.
2 . Se o serviço for planejado para minimizar a necessidade de rebocadores, então estes rebocadores estarão disponíveis como ferramentas adicionais se for necessário - um ás na manga do Prático. Se o serviço for feito de forma que o uso dos rebocadores seja essencial, esta capacidade adicional estará perdida. Passando os cabos de reboque e trabalhando como se eles não estivessem disponíveis, eles poderão ser usados para corrigir qualquer problema que surja.
Infelizmente, existe uma relação inversa entre a habilidade de manobra e a força disponível dos rebocadores. Nenhuma grande habilidade é necessária para atracar um navio sob condições normais,
com um pouco de bom senso, e alguns rebocadores poderosos empurrando e puxando o navio para a posição. É um prazer, entretanto, observar um Prático ou um Comandante habilidosos manobrarem um navio, fazê-lo sem rebuliço ou confusão. A única forma de descobrir o grau de habilidade, é manobrando um navio com o mínimo de auxílio.
A força do rebocador é usada basicamente para mover o navio lateralmente ou para reduzir o seguimento do navio. Apesar do bow- thruster poder ser usado para esta mesma tarefa, somente um rebocador poderá fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Esta é uma das razões pelas quais o Prático utiliza de vez em quando, rebocadores em navios equipados com bow-thrusters. O rebocador tem somente uma quantidade limitada de força disponível, assim, quando a velocidade do navio aumenta, mais desta força será usada para se manter junto ao navio, acompanhando-o, e menos estará disponível para auxiliar o navio. Esta é outra razão para manter uma velocidade mínima na manobra.
Conforme afirmado, dar atrás com o rebocador diminui a velocidade a vante do navio, e mesmo simplesmente arrastar o rebocador com algum angulo partindo da linha de centro do navio, tem efeito redutor de velocidade. Lembre-se de que o efeito oposto ocorre quando o rebocador vai a vante. A força do rebocador aumenta a velocidade do navio, desde que esteja empurrando o navio para vante. É possível calcular através de um diagrama vetorial a percentagem de força total gerada por um rebocador que está agindo em uma direção desejada em uma situação dada, mas na realidade é suficiente conhecer que o rebocador, tem de fato mais de um efeito que poderão ser utilizados para sua melhor vantagem (fig.3-3).
Fig. 3-3 A força do rebocador afeta tanto o movimento lateral do navio, como seu seguimento.
Além dos efeitos de tracionar e empurrar a proa do navio, a proa do rebocador também pode ser usada para acompanhar um navio que está dando atrás, trabalhando proa com proa para governar o navio empurrando conforme necessário. O rebocador arrasta a proa e vai a vante contra a tendência da proa de bombordo de mover-se para boreste e deste modo girar o navio para bombordo. Empurrando na bochecha de boreste, o efeito será o oposto.
A proa do rebocador é usada para prender o navio paralelo à posição do cais até que se termine e seja dado volta nos cabos de amarração. Mantendo o rebocador com algum angulo com o navio, este poderá ser mantido contra o fluxo vazante da corrente tanto quanto paralelo ao cais, até que esteja amarrado. Outros usos da proa do rebocador serão mostrados na seção que trata de aproximação ao cais (capítulo 4) e ficando paralelo (capítulo 5).
O rebocador de popa, se colocado na alheta, é amarrado da mesma forma que o rebocador de proa, com um cabo de ré e um cabo de vante. O rebocador puxa ou empurra o costado da mesma forma e com os mesmos efeitos do rebocador de proa, com duas importantes diferenças:
1. O rebocador de ré age como um freio, reduzindo a efetividade do leme, especialmente a baixas velocidades quando o Capitão-de- Manobras está tentando mover lateralmente a popa sem nenhum aumento significativo na velocidade.
2. O rebocador de ré tende a levar a popa para fora do bordo em que está sendo amarrada, seja em um píer, cais ou dique, criando um problema adicional ao Prático. Este efeito aumenta com o angulo que o rebocador faz com o navio, pois o rebocador age como um leme extra. (fig.3-4)
Fig. 3-4 Efeito do rebocador amarrado na alheta.
Por estas razões, é melhor ter o rebocador de ré em atenção e fora do costado até que seu auxílio seja realmente necessário, e largá- lo na desatracação o mais rápido possível, na primeira oportunidade.
Ocasionalmente, um navio será seguro por ambas as bochechas com um rebocador cada, em aproximações de um berço ou comporta, ou para manter a posição em um canal. (fig. 3-5)
Os dois rebocadores podem então ir a vante e a ré, juntos ou separados, movimentando a proa do navio conforme necessário. Mais importante, quando ambos os rebocadores estão dando atrás simultaneamente, a proa do navio é mantida enquanto a velocidade do navio está sendo reduzida, como se os rebocadores estivessem contra o seguimento do navio. A máquina do navio também pode ser usada, se necessário, assim o navio pode ser governado e parado com o máximo de controle.
fig. 28
Fig. 3-5 Usando um rebocador em cada bochecha.
Um rebocador pode ser colocado a ré do navio e amarrado com um ou dois cabos (fig. 3-6).
Fig. 3-6 Rebocador usado na popa.
Nesta posição, o rebocador dá atrás para freiar o navio, ou vai a vante para bombordo ou para boreste para mover a popa, agindo tal como um leme ativo e suplementando o leme do navio. O rebocador também pode ser usado para governar sem a máquina do navio, controlando o navio sem desenvolver excessivo seguimento. Em alguns textos de manobras, este assunto é tratado de forma controversa, e também por alguns Práticos de portos que normalmente não usam rebocadores desta forma, afirmando que é perigoso um rebocador ficar com volta na popa. Isto simplesmente não é verdadeiro. Por exemplo, os rebocadores tem sido utilizados a ré para auxiliarem milhares de navios a cruzarem o Gaillard Cut no Canal do Panamá a velocidades de 6 a 8 nós sem problemas. Freqüentemente os textos recomendam usar um rebocador com um cabo de aço na proa do navio para auxiliá-lo a governar. Este arranjo é menos eficaz e mais potencialmente perigoso. Um rebocador convencional de portos dos Estados Unidos, trabalhando a vante de um navio com algum seguimento significante, está sempre em perigo de ser atropelado ou emborcado.
O navio deveria sempre manter um Oficial e dois tripulantes em atenção aos cabos de reboque, especialmente quando eles estão colocados pelas alhetas do navio, para o caso de ser necessário largá- los rapidamente. Freqüentemente, a tripulação do navio amarra um rebocador e sai fora, não dando ao rebocador de popa nenhuma alternativa a não ser quebrar os cabos de reboque. O que deixa os cabos de reboque na água e próximos ao propulsor - uma situação indesejável!