7. A SUSTENTABILIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL
7.6. Gerenciamento de Resíduos em Edificações Sustentáveis
Atualmente, os resíduos se tornaram um grave problema urbano e de difícil gerenciamento. A reciclagem então surgiu como uma solução, especialmente para o ramo da construção civil. Além de ajudar a reduzir o impacto ambiental causado pelo empreendimento, a reciclagem tem, ainda, o condão de reduzir custos.
No Brasil, o processo de reciclagem de resíduos da construção civil ainda é pequeno, com exceção da indústria do cimento e do aço que já estão intensamente empenhados na técnica. Isso se deve muito em razão da dificuldade de edição de lei específica que aborde coleta, tratamento, transporte e destinação final dos resíduos de construção, incluindo a reciclagem.
Com relação à reciclagem na construção civil, o Conselho Nacional do Meio- Ambiente (CONAMA), no uso das competências, pela edição da Resolução 307, de 05/07/02 (vigorada a partir de 02/01/03), estabeleceu diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, disciplinando as
FIGURA 5
ações necessárias de forma a minimizar os impactos ambientais, inclusive por meio da reciclagem, quando possível.
Desta forma, a Resolução CONAMA 307 definiu as responsabilidades dos geradores, dos transportadores, o gerenciamento interno e externo, a reutilização, a reciclagem, o beneficiamento, aterro de resíduos, áreas de destinação de resíduos, assim como a classificação segundo as características físico-químicas. A referida Resolução encontra-se no Anexo 1, deste trabalho.
O Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU) e o Instituto de Pesquisa Informação e Técnica (I&T) realizaram um diagnóstico que permitiu o reconhecimento da intensidade e extensão dos problemas gerados pelos resíduos de construção no DF, e elaborou para o Governo do Distrito Federal, em dezembro de 2008, uma proposta de “Plano Integrado de Gerenciamento dos Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos do Distrito Federal”. O Plano apresentado está em conformidade com os princípios gerais da responsabilidade social e ambiental, em particular com as determinações da Resolução 307 do CONAMA e das Normas Brasileiras Registradas, definidas pelas ABNT. Porém, o Plano ainda não foi implantado pelo GDF.
O Quadro 3 apresenta um resumo dos resultados desse diagnóstico, referentes às quantidades de resíduos de construção e demolição - RCD (especificamente) e seus fluxos (geração, transporte e destinação) no Distrito Federal.
Quadro3 - Estimativa de geração de Resíduos da Construção e Demolição - RCD (ton/dia)
TRANSPORTADOR COLETA POR EMPRESAS COLETA PELA LIMPEZA PÚBLICA TOTAL RCD ESTIMADO
Particulares 345 345
Carroceiros 1.294 1.294
Caçambas 983* 983 983
2.937** 2.937
TOTAL 3.920 2.623 5.559
Fonte: SLU, I&T (2009)
* Resíduos de obras de pequeno e médio porte (domésticas ou comerciais) * Resíduos de obras de grande porte (empresariais)
Ressalta-se que da coleta feita por empresas (caçambas), 983 ton/dia referem-se à resíduos de pequenas e médias construções (domésticas ou comerciais) e que são destinadas em deposições irregulares, obrigando a coleta pelo poder público.
A geração intensa e crescente de RCD, as grandes distâncias a serem percorridas para o descarte e a inexistência de soluções adequadas, têm feito com que se ampliem as irregularidades e, em alguns casos, a estrutura utilizada pelo órgão de limpeza urbana não consiga remover a totalidade dos resíduos depositados.
Em síntese, na destinação final, o Distrito Federal é responsável pela totalidade dos RCD transportados por carroceiros e particulares e por boa parte (em torno de 25%) do gerado por empresas coletoras, conforme indica o Quadro 4.
Quadro4 - Destinação Final do RCD (ton/dia) RCD destinado
pelas empresas coletoras (edificações de
grande porte)
RCD destinado pela administração pública
Total RCD de empresas coletoras RCD de carroceiros RCD direto de pequenos geradores 2.937 983 1.294 345 5.559 53% 18% 23% 6% 100%
Fonte: SLU, I&T (2009)
É inegável o esgotamento da atual situação, seja pelos altos custos envolvidos,seja pela ausência de áreas de descarte adequadas, deixando manifesta a urgência do traçado rápido de estratégias que disciplinem a geração e o percurso dos resíduos, que evitem o dispêndio público na correção de deposições irregulares e não se ancorem exclusivamente no aterramento para a recuperação de áreas degradadas.
O Plano Integrado de Gerenciamento dos Resíduos de Construção e Volumosos proposto possibilitará que o DF assuma a gestão de resíduos para os quais até hoje só pôde dedicar ações corretivas. Este conjunto estruturado de ações permitirá inclusive que as iniciativas eficientes possam ser traçadas na busca da redução da sua geração, a fim de evitar que estes se transformem em problemas ainda maiores para a sociedade e o meio ambiente.
Mesmo considerando desejável a reciclagem da totalidade dos resíduos de construção gerados no Distrito Federal, é necessário considerar que a transição do modelo vigente para o preconizado deverá ocorrer de forma gradativa.
NosQuadros5A a 5Dpodem ser observados sinteticamente a estrutura proposta do Plano e, em função das soluções de destinação definidas, os novos custos de manejo dos resíduos são ali determinados.
Fonte: SLU, I&T (2009)
Fonte: SLU, I&T (2009)
A
Quadro 5C – Plano Integrado de Gerenciamento dos Resíduos da Construção e Volumosos (Proposta para o Distrito Federal)
Fonte: SLU, I&T (2009)
Não se pode deixar de destacar que as Resoluções do CONAMA, bem como, decretos e portarias de âmbito municipal, estadual e federal tratam de determinar regras que agora são ditadas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada pela Lei 12.305, de 02/08/2010.
Esta Lei dispõe sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos; às responsabilidades
dos geradores e do poder público e; aos instrumentos econômicos aplicáveis. A ela estão sujeitas as pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, responsáveis, direta ou indiretamente, pela geração de resíduos sólidos e as que desenvolvam ações relacionadas à gestão integrada ou ao gerenciamento de resíduos sólidos.
Assim, verifica-se hoje, que a reciclagem está prevista na legislação, devendo ser, dentro das hipóteses estabelecidas, implementa da. No entanto, existem muitos benefícios oriundos da reciclagem o que, por si só, já convenceriam a sua prática.
Dentre os benefícios da reciclagem na construção civil pode-se destacar: Redução de recursos não renováveis, substituídos por recursos reciclados. Redução das áreas destinadas a aterro, pois em consequência da reciclagem existe uma diminuição significativa no volume de resíduos.
Redução do consumo de energia durante o processo de produção. Redução da poluição.
Produzir, através de materiais que podem ser reciclados, às vezes sai mais barato do que comprar matéria prima, pois o preço da fabricação já está embutido no material de segunda mão. Também é bom negócio para quem vai consumir este material reciclado, pois o preço da quase totalidade deles é mais razoável.
No entanto, antes de acreditar que tudo pode ser reciclado é preciso saber que o processo de reciclagem, como qualquer outra atividade humana, também pode trazer consequências ao meio ambiente, de tal forma que os riscos ambientais devem ser devidamente analisados.
Uma forma racional e coerente de se construir é ter certeza da quantidade necessária de material. Se for muito, reduza. Se for pouco, reutilize. Se sobrar, recicle.