4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL
4.1. Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem
4.1.3. Realização
4.1.3.3. Gestão da aula (tempo, alunos e material)
Segundo Rosado e Ferreira (2009), o sistema de gestão de tarefas é um plano de ação do professor que tem como objetivo a gestão do tempo, dos
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espaços, dos materiais e dos alunos, procurando alcançar elevados índices de envolvimento, por intermédio da redução da indisciplina e utilizando de forma eficaz o tempo. Sarmento (1993, p. 5) define esta temática como um “conjunto de comportamentos que regulam o comportamento dos jovens, os tempos, as tarefas a realizar, os espaços e os materiais.” Para Siedentop et al. (1984), a gestão da aula é descrita como o tempo gasto na organização e transição.
No que concerne à gestão do tempo, o início da aula é caraterizado por momentos vulneráveis, ou seja, por falta de pontualidade dos alunos, demasiada agitação, entre outros aspetos. Deste modo, Arends (2012) menciona que professores eficazes planeiam e executam procedimentos para que a aula comece de forma rápida e segura.
Partindo dos aspetos acima mencionados, no início do ano letivo optei por:
“Iniciar a aula só quando todos os alunos estavam presentes, realizando de seguida a chamada.” (Reflexão da aula 3, unidade didática de atletismo, 19-09-2014).
Não obstante, após uma conversa com a PC, resolvi alterar a minha forma de iniciar a aula para cumprir com o princípio da ‘prontidão’ e evitar agitação por parte dos alunos, tornando assim o início da mesma mais seguro:
“(…) decidi começar a aula com os alunos que estavam presentes, verificando as presenças durante o aquecimento.” (Reflexão da aula 39 e 40, unidade didática de andebol, 06-01-2015).
Com esta mudança foi possível comparar a pontualidade de um primeiro instante para um segundo e constatar que os alunos começaram a ser mais pontuais, ao perceberam que a aula começava com os alunos que estivessem presentes e, por conseguinte, não queriam receber um sinal “menos” no registo das atitudes e comportamentos do professor.
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De seguida, surgem os momentos de transição e são descritos por momentos da aula em que os alunos trocam de atividade (Arends, 2012). Siedentop et al. (2011), referem que a transição deve ser efetuada de forma rápida e sem interrupções. Todavia, Siedentop (1991) considera que se forem realizados muitas transições, esta pode prejudicar o ritmo da aula e, consequentemente, diminuir as oportunidades de aprendizagem.
Assim sendo, no decorrer das aulas e dos treinos, das duas turmas e do DE, procurei manter sempre os mesmos grupos e sequenciar os exercícios de forma lógica, quer ao nível das progressões pedagógicas, quer ao nível dos espaços, aproveitando a estrutura de um exercício para o seguinte. O excerto que se segue ilustra precisamente esta preocupação:
“No 3.º e 4.º exercício mantive a organização da turma, ou seja, os grupos e o espaço eram os mesmos, no entanto, os exercícios eram diferentes.” (Reflexão da aula 45 e 46, unidade didática de andebol, 20-01-2015).
Desta maneira, procurei que as transições decorressem sem problemas e o mais rápido possível. Contudo, tal nem sempre foi possível, destacando o facto de às vezes ser necessário alterar os grupos, devido ao comportamento dos alunos ou para proceder a uma redistribuição melhor dos mesmos pelos grupos.
Em relação às atividades que estavam propostas para a aula, mais uma vez tentei cumprir sempre com o que estava estipulado. Todavia, por vezes não foi permitido, mencionando duas razões para o sucedido. A primeira diz respeito aos atrasos dos alunos, que apesar de começarem a ser mais pontuais, como já referi anteriormente, ocasionalmente prejudicavam o início da aula. A segunda refere-se ao facto de às vezes ter sido necessário dar mais tempo de exercitação a um determinado conteúdo em vez de passar para o seguinte. Quando isto sucedia, a atividade não desenvolvida ou exercitada num tempo inferior ao previsto, transitava para a aula seguinte.
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À semelhança do início da aula, o encerramento da mesma é caracterizado como um momento de instabilidade (Arends, 2012) e, como tal, os professores devem antecipar os problemas de gestão, devendo alocar tempo suficiente para a recolha e arrumação do material. Neste sentido, no final de cada aula/treino, da turma titular, partilhada e do DE, escolhia três ou quatro alunos para me ajudar:
“Após a realização do jogo, no final da aula solicitei a dois alunos que recolhessem o material e no momento em que todos se dirigiam para o balneário pedi a outro que me ajudasse a arrumar o respetivo material.” (Reflexão da aula 70 e 71, unidade didática de voleibol, 07- 04-2015).
No que respeita à gestão dos alunos, este é outro aspeto importante que procurei ter em consideração. Para Pieron et al. (1998), os ganhos na aprendizagem estão subordinados ao tempo passado na tarefa. Assim sendo, e indo ao encontro da ideia proferida pelos autores, em quase todas as modalidades foram constituídos grupos para aumentar o tempo de exercitação, ou seja, um dos objetivos da construção dos grupos era reduzir a perda de tempo no início da aula e nos momentos de transição. Deste modo, esta estratégia revelou-se eficaz, dado que os alunos quando chegavam à aula já sabiam qual era o seu grupo e facilmente se agrupavam, como nos demonstra o excerto:
“(…) os grupos que realizaram o circuito de condição física, permaneceram até ao final da aula.” (Reflexão da aula 78, unidade didática de atletismo, 24-04-2015).
Em relação à elaboração dos grupos, destaco mais um objetivo. Tendo em conta que foram formados após a avaliação inicial, permitiu agrupar os alunos por níveis de execução motora. Desta forma, foi possível adequar o processo de ensino-aprendizagem a cada nível. Esta preocupação está patente nos excertos que se seguem:
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“(…) a turma encontra-se dividida em dois níveis de desempenho (elementar e intermédio), possibilitando-me, apresentar o jogo aos alunos, de uma forma menos complexa e, ao mesmo tempo, adaptada às suas capacidades técnicas e aos seus níveis de conhecimento do jogo (Guilherme & Braz, 2013).” (Reflexão da aula 22 e 23, unidade didática de futebol, 04-11-2014).
“No que diz respeito aos níveis, a turma encontra-se dividida em dois, sendo eles a Forma Básica de Jogo 2 e a Forma Básica de Jogo 3. Esta divisão permite-me criar situações de aprendizagem apropriadas aos problemas de jogo e dificuldades apresentadas pelos alunos (Estriga & Moreira, 2013) ” (Reflexão da aula 39 e 40, unidade didática de andebol, 06-01-2015).
Por último, e não menos importante, surge a gestão do espaço e do material. Começando pelo pavilhão gimnodesportivo, é de salientar que as instalações permitiram uma boa prática desportiva, o que deu origem a que eu pudesse lecionar as modalidades sem qualquer constrangimento. No entanto, na modalidade de basquetebol, foi necessário construir dois campos em todas as aulas, dado que o pavilhão tem tabelas, mas não tem marcações no piso necessárias para a prática deste jogo. É importante ressalvar que a “montagem” destes dois campos foi realizada durante o intervalo, de forma a não prejudicar o bom funcionamento das aulas.
Na modalidade de futebol tinha dois níveis distintos na turma e, como tal, tornou-se imprescindível dividir o espaço em dois campos com diferentes graus de complexidade (Guilherme & Braz, 2013). Na modalidade de andebol, apesar de ter também dois níveis, optei por dividir o campo em três partes iguais, proporcionando aos alunos mais tempo de exercitação e, ao mesmo tempo, possibilitou-me gerir melhor a intervenção junto dos alunos. Relativamente às modalidades de voleibol e de badmínton, foi fundamental a montagem de uma fita elástica, que desempenhava a função de uma rede, no espaço que me
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estava destinado, para permitir que todos os alunos estivessem envolvidos na tarefa. Nestas modalidades consegui atingir um dos objetivos delineados: o de incumbir nos alunos a responsabilidade da colocação e recolha da fita elástica, de forma autónoma.
Em jeito de conclusão, posso afirmar que o planeamento e a preparação das aulas foram estruturados de acordo com a gestão do tempo, tendo em consideração o início, os momentos de transição, as atividades propostas e o final das aulas, a gestão dos alunos, dos espaços e materiais desportivos que a escola possuía.