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3 PRATICANDO A MAGIA

3.8 HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE – PARTE 2 (2011)

propaganda de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (Harry Potter

por David Yates e distribuído pelos estúdios Warner Bros., a última parte do capítulo final chegou e a jornada do herói precisa ser concluída. Sua sinopse oficial é:

Harry Potter (Daniel Radcliffe) e seus amigos Rony Weasley (Rupert Grint) e Hermione Granger (Emma Watson) seguem à procura das horcruxes. O objetivo do trio é encontrá-las e, em seguida, destruí-las, de forma a eliminar lorde Voldemort (Ralph Fiennes) de uma vez por todas. Com a ajuda do duende Grampo (Warwick Davis), eles entram no banco Gringotes de forma a invadir o cofre de Bellatrix Lestrange (Helena Bonham Carter). De lá retornam ao castelo de Hogwarts, onde precisam encontrar mais uma horcrux. Paralelamente, Voldemort prepara o ataque definitivo ao castelo. (ADOROCINEMA, 2016)

Além dos importantes acontecimentos da sinopse, o conflito e a resolução do filme são importantes para concluirmos a grande jornada de sete anos de Harry Potter. Passamos pelo oitavo estágio chamado de provação, em que Harry descobre que só conseguirá destruir Voldemort se ele se sacrificar. Como vimos no primeiro capítulo desse trabalho, é o momento mais profundo e próximo do vilão, e Harry literalmente deixa Voldemort ataca-lo com o feitiço da morte.

Após isso, Harry entra no estágio da recompensa, em que, na sua consciencia, conversa com Dumbledore, recupera forças, percebe que o que estava morrendo era um pedaço da alma do Voldemort que ele possuia desde a morte dos seus pais e que ele poderia acabar sua jornada no mundo real, se quisesse.

Então entramos nos estágios mais tensos da jornada, o “caminho de volta” temos Harry voltando ao mundo bruxo e sua “ressureição” é duelar e enfrentar contra Voldemort. Simultaneamente, uma guerra acontece em Hogwarts, o bem versus o mal estão batalhando arduosamente, Vogler inclusive afirma que nesta etapa "os heróis podem receber um auxílio surpreendente [de um aliado]" (VOGLER, 2011, p. 317), que é o que acontece quando seus amigos estão tentando destruir a última horcrux que falta.

Harry vence Voldemort e o último estágio da jornada chegou: o retorno com o elixir. Ele agora possui a varinha mais poderosa do mundo, que decide quebra-la e não guardar para si.

Harry Potter a as Relíquias da Morte – Parte 2 conclui a saga com uma narrativa suave, mas objetiva, trabalha o clima de guerra e não enrola ao contar a história. Coloca a grandiosidade em destaque em toda cena, principalmente pela sua trilha sonora e fotografia.

3.8.1 Tudo acaba aqui

O último filme da saga é o único filme lançado no formato 3D, temos o cartaz final que focaliza toda a história em um só conceito: o bem versus o mal (Figura 13).

Figura 13 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (2011)

Presenciamos um cartaz em vertical que mostra Harry do lado esquerdo encarando Voldemort, no direito. Esse que segura a varinha mais poderosa do mundo em sua frente, centralizada na imagem.

Observando as linhas, a varinha centralizada do cartaz é a nossa principal. Ela faz o papel de dividir os dois lados da guerra. Um fato interessante é que essa linha carrega três pontos: um que está simétrico aos olhos dos personagens, outro aos narizes e outro aos queixos.

Arnheim diz que “o olhar do ator cria direções especiais que (...) são conhecidas como ‘linhas visuais’” (ARNHEIM, 2011, p. 20), e aqui vemos uma grande tensidade entre os olhares em choque dos personagens através dessa linha. Se analisarmos as expressões, percebemos dois personagens muito focados e prontos pra batalha, seus olhares tentam penetrar um no outro e a imagem não favorece ou mostra maior poder de nenhum dos dois lados.

Analisando a cor, encontramos a mais evidente durante o filme, o verde é com certeza a cor mais associada as trevas, principalmente por ser a do feitiço da morte. Há momentos do filme, inclusive, que Voldemort entra na mente das pessoas e a tonalizade da imagem torna-se escura e esverdeada instantaneamente.

Além disso, o verde se mostra na névoa que é muito característica dos cartazes anteriores. Dessa vez, temos uma magia totalmente obscura, pesada, perigosa e mortal. Fora essa cor, alguns tons vermelhos aparecem para remeter a guerra e a destruição, já que é uma cor que cria excitação, “se assemelha ao sangue” (KANDINSKY, 2000, p. 67). A junção das duas cores criam um contraste “como um símbolo de violência e terror” (ARNHEIM, 2011, p. 348)

A luz é escassa, a claridade tem pouca força, vemos um leve foco de luz ao fundo da varinha que ilumina predominantemente o lado do rosto que o observador não consegue ver (isso ajuda a dar tridimensionalidade nas faces dos personagens). Temos uma obscuridade que “ao avançar rumo ao preto, tinge-se de uma tristeza que ultrapassa o humano, semelhante àquela em que mergulhamos em certos estados graves” (KANDINSKY, 2000, p. 93), exatamente o que presenciamos o filme todo, associando as sombras e escuridão com a guerra.

Uma característica interessante da imagem é a perda da logo, em que chegamos a um momento em que a saga se estabeleceu com muita força e

sua logo foi dispensada, tudo que é graficamente escrito no cartaz é a mensagem mais forte que a ideia do filme quer passar: “tudo acaba aqui”.

Quanto ao espaço, temos algo incomum, poucos aspectos da imagem nos dão a dimensão do campo visual aqui. Mas já que “quanto mais nitidamente for apresentado o gradiente na forma, cor ou movimento, mais convincente será o efeito de profundidade” (ARNHEIM, 2011, p. 264), presenciamos algumas pedras na parte inferior da imagem que, formando linhas obliquas, se aproximam do centro e criam profundidade.

Outro elemento é o pequeno fio de névoa ao redor da varinha, podemos considera-lo o único “fio de esperança”, como se objeto que está trazendo muitos maleficios ainda pudesse ser salvo. Esse feixe que transpassa em frente e atrás da varinha nos da mais um pouco de tridimensionalidade no espaço, com suas sobreposições e possuindo diversas curvas, carregadas de difernetes forças (KANDINSKY, 1997, p. 74).

Se olharmos para algumas texturas na imagem, além das diferentes névoas já analisadas, temos rostos mal cuidados, hematomas, sangue, tudo muito colocado de maneira escura e agressiva. Podemos ver inclusive o óculos de Harry quebrado, como símbolo de que nada resiste a guerra do mundo bruxo.

A simetria muito presente no cartaz “é a maneira mais elementar de criar equilíbrio” (ARNHEIM, 2011, p. 14), nos da uma sensação de que tudo está no lugar, nada se moveria. Pode ser contraditório já que temos uma tensão e conturbação no Mundo Mágico, porém ela consegue ser convincente apenas pelas tensão que a dinâmica dos olhares nos remete.

Temos aqui um cartaz que busca de maneiras mais simplificadas como demonstrar o que esperar do filme: a guerra e a tensão. Transmite de forma surpreendemente simétrica uma tensidade que nos questiona quem irá vencer e como Harry irá acabar.