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3 PRATICANDO A MAGIA

3.2 HARRY POTTER E A CÂMARA SECRETA (2002)

A segunda etapa da saga, Harry Potter e a Câmara Secreta (Harry

Potter and the Chamber of Secrets) possui o mesmo diretor do primeiro filme,

Chris Columbus, estreou no dia 22 de novembro de 2002 pelos estúdios

Warner Bros. arrecadando mais de 800 milhões de dólares mundialmente

De férias na casa de seus tios Dursley, Harry Potter (Daniel Radcliffe) recebe a inesperada visita de Dobby, um elfo doméstico, que veio avisá-lo para não retornar à Escola de Magia de Hogwarts, pois lá correrá um grande perigo. Harry não lhe dá ouvidos e decide retornar aos estudos, enfrentando um 2º ano recheado de novidades. Uma delas é a contratação do novo Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Gilderoy Lockhart (Kenneth Branagh), que é considerado um grande galã e não perde uma oportunidade de fazer marketing pessoal. Porém, o aviso de Dobby se confirma e logo toda Hogwarts está envolvida em um mistério que resulta no aparecimento de alunos petrificados. (ADOROCINEMA, 2016)

A sinopse apresenta apenas alguns novos aspectos e nos da o mistério central da história, porém, podemos considerar A Câmara Secreta como a sexta etapa da jornada do herói, é um filme em que Harry passa por mais testes, fortalece suas amizades, seus aliados (Dumbledore é o mentor principal do filme) e também seus inimigos (Draco Malfoy e sua família se tornam explicitamente inimigos de Potter).

Após Hermione ser petrificada, Harry e Rony conseguem chegar a Câmara Secreta. Lá descobrem que a memória de Tom Riddle está viva, junto com um enorme obelisco, almejando ganhar o poder suficiente para conquistar um corpo, pois Tom Riddle é o nome de batizado de Voldemort. Após enfrenta-los, Harry consegue destruir o diário de Tom Riddle com o dente do obelisco e acabar com as chances de Voldemort voltar.

Nesse filme presenciamos um Harry muito mais aventureiro. A volta de herói ao Mundo Mágico é mais objetiva, menos poética, mas o filme ainda reserva bons momentos para mostrar a leveza e a simplicidade da magia. Como no filme anterior, ela ainda é tratada de forma muito delicada, Columbus (2011) afirma que aqui se perde um pouco de cor, e momentos mais sombrios começam a aparecer.

Apesar de ser considerado um filme de um Harry muito novo ainda, já é perceptível seu crescimento etário e suas expressões de pré-adolescente. A claridade do filme adquire tons mais amarelos e avermelhados, ganhando tons mais esverdeados no clímax dentro da Câmara Secreta.

A Câmara Secreta ainda transmite muito otimismo, seu final nos da a sensação de que mais uma aventura se aproxima no próximo ano e, sendo do mesmo diretor, apresenta muitas semelhanças do seu antecessor, podendo perceber um trabalho detalhado de não transformar a saga

totalmente em algo infantil, criando um equilíbrio, quase como uma transição para um crescimento mais sombrio.

3.2.1 O segundo ano

Um ano depois o cartaz da saga Harry Potter foge das “cabeças flutuantes”, já observamos uma imagem mais “real”, começando a ganhar uma identidade mais autêntica e tentando transmitir momentos da narrativa (Figura 07).

Figura 07 – Cartaz de Harry Potter e a Câmara Secreta (2002)

Em menor quantidade de informações que o anterior, encontramos um Harry no lado direito do cartaz, seguido por seus amigos Rony e Hermione. Harry segura uma espada, enquanto Rony sua varinha quebrada e Hermione

um livro escolar. Também notamos a presença de Dobby, um novo personagem e criatura mágica introduzida na saga.

Encontramos uma linha obliqua que começa em Hermione e vem crescendo até Harry, essa linha já nos da a sensação de profundidade (ARNHEIM, 2011, p. 263), criando espaço na imagem e separando os planos. Além disso, a espada que Harry segura e a varinha de Rony criam mais uma linha que começa na mesma região da outra, mas com de direção contrária, que desce até encontrar a logo do filme.

Esse efeito triangular formado pelas linhas da a sensação de abertura, de algo pequeno que termina de forma muito grande, além de ser um gradiente de espaço, sendo o ápice final a posição do Harry no cartaz, o destacando como o principal do filme. Kandinsky (1997, p. 50) confirma isso quando diz que as linhas possuem direções e carregam tensão.

Nos deparamos aqui com a cor verde sendo a que mais prevalece no cartaz. De acordo com Kandinsky (2000, p. 90), o verde é uma cor em repouso composta pelo amarelo, que aproxima, e o azul, que afasta, ou seja, observamos na imagem uma neutralidade. Se pensarmos na narrativa do filme, a cor verde se associou com a batalha final de Harry, que forma momentos mais sombrios do filme, então o cartaz já nos prepara para absorvermos que o verde se tornaria uma cor do lado das trevas.

Toda essa cor vem de uma claridade que começa no próprio cartaz. O foco de luz presente atrás dos personagens criam uma grande profundidade no tom verde, e separam a “figura” do ”fundo” (VILLAFAÑE, 2006, p. 58), além de ganhar um novo significado: “a energia geradora de vida estabelece o centro e a extensão de um mundo restrito, nada existe além dos ângulos que os raios [de luz] atingem” (ARNHEIM, 2011, p. 314).

Esse foco de luz vindo do fundo pode dizer muito sobre a narrativa: o trio é o foco, é um filme em que os três personagens tentam fazer quase tudo sozinhos, escondidos dos adultos e de quem possa prejudicá-los.

Porém, a neutralidade do verde não pode se tornar entediante. O amarelado e alaranjado aparecem no cartaz para nos dar uma aproximação (KANDINSKY, 2000, p. 89), principalmente pela logo do filme, dessa vez com uma cor mais saturada, que se olharmos para qualquer canto do cartaz, sentimos a logo nos atraindo por consequência do destaque de cor.

Podemos perceber que essas cores quentes - que permitem trazer o tom aventureiro que o filme possui - aparecem muito presentes com as sombras. Os rostos, cabelos de Rony e Hermione, e a logo do filme possuem um brilho que vem da direita para a esquerda, tornando o lado esquerdo do cartaz mais sombreado, fator que é trabalhado no filme nos momentos de aproximação das trevas.

Além disso, nesse cartaz já podemos valorizar um pouco mais o papel da textura na Teoria da Imagem, observamos uma logo mais sólida, metalizada, com as sombras fortes e uma tridimensionalidade pontiaguda. Villafañe (2006, p. 109) afirma que a textura sensibiliza e caracteriza as superfícies, e gosto de comparar essas pequenas mudanças da logo com o que foi dito anteriormente sobre o crescimento etário do herói: ainda assistimos a uma criança de 12 anos de idade, mas que se porta de maneira mais adolescente, perdendo um pouco da ideia sedosa que a infantilidade nos traz.

Ao mesmo tempo, ainda presenciamos a névoa “mágica” com certa transparência para remeter a magia, a leveza. Ela aparece em menor quantidade, com pouco destaque no fundo e atrás da logo do filme, que nos da a sensação de passagem horizontal no cartaz. Não nos da ideia de subida, como se estivesse evaporando, mas uma linha direcionada (KANDINSKY, 1997, p. 50), como um feitiço lançado. A cor verde ligada a esse elemento pode ser associada ao teste que Harry passará, já que é um momento passageiro e necessário da jornada do herói.

Já observamos o principal aspecto que cria profundidade na imagem do cartaz, a linha obliqua coloca os 3 personagens em planos diferentes, aumentando o espaço visual (ARNHEIM, 2011, p. 264). O espaço físico da imagem, o banheiro feminino (onde é encontrada a Câmara Secreta), possui pouco destaque e faz o papel de fundo, como o plano mais afastado.

Toda essa dinamicidade ainda pode ser complementada com alguns elementos que melhoram no equilíbrio. O último plano, sendo a parede do banheiro, segue paralelamente a linha obliqua e crescente dos personagens e o maior número de elementos aparecem na parte inferior da imagem, considerando “a situação visual normal da parte inferior como pesada” (ARNHEIM, 2011, p. 22).

Não posso deixar de destacar aqui a textura do corpo dos personagens, encontramos um Harry sujo, com manchas empoeiradas e o cabelo oleoso e desarrumado. Em contrapartida, observamos um Rony e uma Hermione mais contidos, mais limpos e menos “machucados”. A partir disso, podemos perceber que o cartaz tenta colocar os momentos do filme, como uma passagem até a pose de Harry no clímax.

Temos aqui um cartaz que consegue brincar de diversas maneiras usando os aspectos da Teoria da Imagem. Podemos considerar que 2 linhas obliquas conseguiram transmitir - com a ajuda de alguns outros aspectos - quase toda narrativa do filme e demonstrar algumas características importantes no crescimento de Potter.