8 – Hera: deusa do casamento, do compromisso e esposa

No documento As Deusas e a Mulher.pdf (páginas 115-137)

A deusa Hera

Imponente e real, a bela Hera, a quem os romanos conheciam como Juno, era a deusa do matrimônio. Era a cônjuge de Zeus (Júpiter), o deus supremo dos olímpicos, que governava sobre os céus e a terra. Pensa-se que o seu nome signifique "Grande Senhora", a forma feminina da palavra grega herói. Os poetas gregos referiam-se a ela como "olhos de vaca", para elogiar seus olhos grandes e belos. Seus símbolos eram a vaca, a via-láctea, o lírio e a iridescente pena da cauda do pavão, que continha olhos, simbolizando a cautela de Hera. A vaca sagrada era uma imagem associada com as deusas da Grande Mãe como provedora de alimentação, enquanto a via-láctea - nossa galáxia, do grego gala, "leite da mãe" - reflete a crença, anterior às divindades olímpicas, de que a Via-Láctea veio dos seios da Grande Deusa como Rainha do Céu. Isso depois tornou-se parte da mitologia de Hera: quando o leite jorrou de seus seios, a via-láctea foi formada.

As gotas que caíram no chão tornaram-se lírios, flores simbolizando outra crença pré- helênica no poder de autofertilização dos órgãos genitais femininos. Os símbolos de Hera (e seus conflitos com Zeus) refletem o poder que ela outrora deteve como uma Grande Deusa cuja veneração precedeu Zeus. Na mitologia grega Hera tinha dois aspectos contrastantes: era solenemente reverenciada e venerada em rituais como poderosa deusa do casamento, e foi difamada por Homero como víbora vingativa, briguenta e ciumenta.

Genealogia e mitologia

Hera era filha de Réia e Crono. Foi engolida por seu pai assim que nasceu, como seus quatro outros irmãos. Quando emergiu de seu cativeiro de dentro de Crono, já era jovem. A jovem foi deixada aos cuidados de duas divindades da natureza, que eram os equivalentes de idosos pais de criação de alta classe.

Hera cresceu para ser uma deusa adorável. Atraiu Zeus, que até então tinha conquistado Crono e os Titãs, tornando-se o deus supremo. Não importava que ele fosse seu irmão - os deuses olímpicos tinham suas próprias leis ou falta delas, quando se tratava de relacionamentos. Para se tornar íntimo da jovem virginal, Zeus se metamorfoseou num pequeno pássaro, arrepiado e patético, do qual Hera teve pena. Para aquecer a criatura arrepiada, Hera o manteve junto ao peito. Então Zeus mudou seu disfarce, reassumiu sua aparência varonil e tentou violentá-la. Seus esforços não foram bem sucedidos. Ela resistiu às suas tentativas amorosas até que ele prometeu casar-se com ela.

Dizem que a lua-de-mel que se seguiu durou trezentos anos. Quando a lua-de-mel terminou, estava de fato terminada. Zeus retornou aos seus promíscuos modos pré- nupciais (ele teve seis companheiras diferentes e muita descendência antes de casar- se com Hera). Zeus era continuamente infiel, provocando ciúme vingativo em sua esposa traída. A raiva de Hera não era direcionada a seu marido infiel; dirigia-se "à outra mulher" que, na maioria das vezes, tinha sido seduzida, estuprada ou enganada

por Zeus; ou se dirigia às crianças concebidas por Zeus, ou ainda aos inocentes espectadores.

Há numerosas estórias da ira de Hera. Quando Zeus levou Egina a uma ilha para violentá-la, Hera deixou solto um dragão monstruoso, que destruiu muito da população. E quando se tornou enraivecida pelo nascimento de Dioniso, ela enlouqueceu seus pais-de-criação num esforço mal sucedido de destruí-lo.

Calisto foi outro desafortunado pego no fogo cruzado entre Zeus e Hera. Zeus enganou Calisto assumindo a aparência de Artemis, deusa da caça, e depois a seduziu. Hera reagiu a esse acontecimento transformando Calisto num urso e o filho de Calisto a teria assassinado sem saber. Mas Zeus colocou ambos, mãe e filho, no céu como as constelações de Ursa Maior e Ursa Menor.

Hera foi humilhada pelos muitos romances de Zeus. Ele desonrou seu casamento, que era sagrado para ela, e além disso lhe causou pesar, favorecendo os filhos dele com outras mulheres. Para acrescentar insulto à injúria, ele mesmo deu à luz sua filha Atena, deusa da sabedoria, demonstrando que não precisava de sua esposa nem mesmo para essa função.

Hera teve diversos filhos. Numa reação de pagar na mesma moeda o nascimento de Atenas, Hera decidiu ser sozinha mãe de um filho, e concebeu Hefesto, deus da forja. Quando ele nasceu com um pé torto - uma criança defeituosa, diferente da perfeita Atenas-Hera o rejeitou e o jogou fora do monte Olimpo.

Hera foi também, segundo dizem alguns, a única a gerar Tifão, um monstro desumano, destruidor, "horrível e nocivo". E Ares, deus da guerra, era o filho de Hera e Zeus (Zeus desprezava Ares por perder o controle no ponto culminante da batalha). Hera também teve duas filhas pálidas: Hebe, adolescente copeira, e Ilítia, deusa do parto, que compartilhou seu papel com Ártemis (as mulheres em parto apelavam a ela como Ártemis Ilítia).

Hera em geral reagia a cada nova humilhação com uma ação. Mas a raiva e a vingança não eram suas únicas respostas. Em outros momentos, ela se retirava. Os mitos falam das peregrinações de Hera aos limites da terra e do mar, durante as quais ela se envolvia na mais profunda escuridão, separando-se de Zeus e dos outros deuses olímpicos. Num mito, Hera voltou às montanhas onde tinha passado os dias felizes da sua juventude.

Quando Zeus viu que ela não pretendia voltar, tentou despertar seu ciúme anunciando que estava para se casar com uma princesa local. Então programou uma cerimônia simulada com a estátua de uma mulher. Esta brincadeira divertiu Hera, que o perdoou e voltou ao monte Olimpo.

Embora a mitologia grega enfatize a humilhação e a índole vingativa de Hera, em sua veneração, por contraste, ela era grandemente honrada.

Em seus rituais Hera tinha três epítetos e três santuários correspondentes, onde era venerada durante o ano. Na primavera, ela era HeraPartenos (a jovem Hera, ou a

virgem Hera). Era celebrada como Hera Teleia no verão e no outono (Hera, a perfeita, ou Hera, a realizadora), e tornava-se Hera Chera (Hera, a viúva) no inverno.1

Esses três aspectos de Hera representam os três estados da vida de uma mulher, simbolicamente revividos em vários rituais. Na primavera uma imagem representando Hera era imersa num banho, restaurando simbolicamente sua virgindade. No verão, ela alcançava perfeição num ritual de casamento. No inverno, outro ritual enfatizava tanto a disputa como a separação de Zeus, cujo ritual precedeu a fase de Hera, a viúva, durante a qual ela ficava no esconderijo.

O arquétipo de Hera

Como deusa do casamento, Hera foi reverenciada e injuriada, honrada e humilhada. Ela, mais do que qualquer outra deusa, tem atributos marcadamente positivos e negativos.

O mesmo é verdadeiro para o arquétipo de Hera, uma força intensamente poderosa para a alegria ou a dor na personalidade de uma mulher.

A esposa

O arquétipo de Hera, primeiro e antes de tudo, representa o desejo ardente de ser esposa. A mulher como forte arquétipo de Hera sente-se fundamentalmente incompleta sem um companheiro. É motivada para o casamento por um instinto "concedido por uma deusa". Seu desgosto de estar sem companheiro pode ser experiência interior tão profunda e ofensiva como o fato de não ter filhos para a mulher cujo impulso mais forte é ter bebê.

Como psiquiatra, estou bastante conscientizada do sofrimento de uma mulher tipo Hera quando ela não tem nenhum homem significativo em sua vida. Muitas mulheres têm compartilhado comigo seu pesar. Uma advogada disse soluçando: "Tenho trinta e nove anos e não tenho um marido! Tenho tanta vergonha!" Uma enfermeira atraente, divorciada, de trinta e dois anos, disse pesarosamente: "Sinto-me como se tivesse uma grande cavidade em minha psique, ou talvez seja uma ferida que nunca cicatriza inteiramente. Meu Deus, estou abandonada a mim mesma. Saio o suficiente, suponho, mas nenhum dos homens que encontro quer me levar a sério".

Quando a mulher com necessidade compulsiva de ser companheira se torna envolvida num relacionamento comprometido, muito do desejo ardente criado pelo arquétipo de Hera de ser esposa se torna presente. Mas ela sente ainda desejo premente pelo próprio casamento. Precisa do prestígio, respeito e honra que o casamento tem para ela, e quer ser reconhecida como "senhora Fulana de tal". Ela não quer simplesmente viver junto, mesmo numa época em que tais arranjos não são estigmatizados. Então ela pressiona por reconhecimento externo; acha o casamento na grande igreja infinitamente preferível a voar para o Reno ou descer ao City Hall.

Quando Hera é seu arquétipo, a noiva pode sentir-se como deusa no dia do casamento. Para ela o casamento iminente evoca a antecipação da realização e da integridade, que a enche de alegria. Esta é a noiva radiante, repleta de Hera.

A ex-primeira dama dos EUA, Nancy Reagan personifica o arquétipo da esposa. A senhora Reagan deixou claro que ser a esposa de Ronald Reagan é a sua mais importante prioridade. Quando descreve a importância de seu casamento, fala para todas as mulheres que personificam Hera em casamento feliz: No que me diz respeito,

nunca vivi realmente até que encontrei Ronnie. Oh, sei que essa não é a moda popular hoje em dia. Supõe-se que você seja totalmente independente, tendo seu marido ao redor como algo conveniente. Mas não posso deixar de me sentir assim. Ronnie é a razão de eu viver feliz. Sem ele, sou realmente infeliz e não tenho nenhum outro propósito ou direção na vida.2

Nossa cultura até muito recentemente ecoava o ponto de vista de Nancy Reagan: "casar-se" era considerado a realização principal de uma mulher. Até agora, quando a educação e os objetivos da carreira são importantes, muitas mulheres não podem escapar de se sentirem pressionadas pelas expectativas culturais de "se estabelecerem e se casarem". Dessa forma, o arquétipo de Hera recebe enorme apoio. Além do mais, certa mentalidade de "Arca de Noé" prevalece. Espera-se que as pessoas venham aos pares, como sapatos ou meias. com isso como norma social, as mulheres solteiras ficam destinadas a sentir que estão perdendo o barco. Então o arquétipo de Hera torna-se reforçado tanto pelas conseqüências negativas quando ela não se harmoniza com Hera, quanto pela validação positiva quando se harmoniza. A evidência de que Hera não deveria ser unicamente a criação de uma cultura patriarcal - uma cultura que desvaloriza a mulher até que esta seja escolhida por um homem (quanto mais poderoso o homem, melhor) - é sugerida por uma tendência semelhante em muitas mulheres lésbicas. Muitas lésbicas sentem ímpeto de ter companheira, a mesma necessidade por fidelidade, a mesma expectativa de que a realização virá através de sua companheira, e o mesmo desejo premente por cerimônia ritual que proporcionará reconhecimento exterior de estar acasalada. com certeza, a mulher lésbica que personifica Hera não responde à pressão cultural ou às expectativas familiares, pois ambas tentam condenar o relacionamento, em vez de sustentá-lo.

Capacidade para o compromisso

O arquétipo de Hera proporciona capacidade de se estabelecer elo, de ser leal e fiel, de suportar e passar pelas dificuldades com companheiro. Quando Hera é a força motivadora, o compromisso da mulher não é condicional. Uma vez casada, propõe-se a permanecer assim, "para melhor ou para pior".

Sem Hera, a mulher pode passar por uma série de relacionamentos de curta duração, mudando quando surgem as inevitáveis dificuldades ou quando a mágica inicial do enamorar-se gradualmente se enfraquece. Ela pode não se casar e pode sentir-se completamente bem quanto a seu estado de solteirona. Ou pode passar pelos impulsos - a grande igreja para o casamento e tudo o mais - embora não se sinta ligada, do modo vital de Hera, ao homem com quem se casou.

Quando as mulheres se casam sem Hera, "alguma coisa fica faltando". Essas foram as palavras exatas usadas por uma de minhas pacientes, fotógrafa de quarenta e cinco anos de idade que perdeu profunda conexão com seu marido: "Gosto dele e

2 Nancy Reagan, Quest, 1982. As mesmas coisas contadas por Nancy Reagan em Nancy, com

tenho sido boa esposa", disse. "Contudo, freqüentemente penso que viver por conta própria se adaptaria melhor a mim. Se as mulheres flertam com ele quando estou ao redor, ele algumas vezes as encoraja - para meu benefício, penso eu. Ele espera que eu reaja com ciúmes e então fica contrariado porque não fico contrariada. Suponho que ele suspeite que não é essencial para mim - o que é verdade. Bem no fundo, não sou esposa realmente devotada, embora meu comportamento como esposa esteja além da crítica." Tristemente para ambos, até mesmo depois de vinte anos de casamento, Hera não se tornou arquétipo ativo.

O matrimônio sagrado

Dois dos três significados do casamento são a satisfação de uma necessidade interior de ser cônjuge e um reconhecimento exterior entre o marido e a esposa. O arquétipo do matrimônio também é expresso num terceiro nível: místico, como luta pela totalidade através de "matrimônio sagrado". As cerimônias religiosas do casamento, que enfatizam a natureza sagrada do mesmo e o caracterizam como união espiritual ou sacramento através do qual a graça pode ser canalizada, são reconstituições atuais dos sagrados rituais de Hera.

Um insight desse aspecto sagrado do arquétipo de Hera veio a mim por experiência direta. Fui criada como protestante moderada. Nenhum mistério ou magia acompanhava nossos rituais religiosos. O sacramento da comunhão era uma comemoração que usava suco de uva de Welch. Assim, foi igualmente inesperado e profundamente incitador para mim descobrir que a cerimônia de meu casamento na catedral de São Francisco foi uma impressionante experiência interior. Senti que estava participando de um poderoso ritual que invocava o sagrado. Tive o sentimento de experienciar algo além da realidade costumeira, alguma coisa sobrenatural, o que é característico de uma experiência arquetípica. Enquanto declarava meus votos, senti como se estivesse participando dos rituais sagrados.

Quando o matrimônio sagrado ocorre num sonho, há uma troca semelhante de intensidade. O que é lembrado é a numinosidade da experiência. As pessoas freqüentemente usam metáforas do campo elétrico ou de energia para explicar o que sentiram quando se ligavam com a pessoa que era companheiro sagrado em seus sonhos. Simbolizando uma união intrapsíquica entre o masculino e o feminino, o sonho é experiência de totalidade.

Quando a sonhadora é abraçada por seu companheiro sagrado, há uma mistura de sentimento erótico, satisfação e união. O sonho é "numinoso", isto é, tem efeito emocional inexprimível, misterioso e divino na sonhadora. A sonhadora desperta agitada e alterada:

"Foi sonho mais real para mim do que me senti quando despertei. Nunca o esquecerei. Quando ele me segurou, eu me senti maravilhosamente. Era como encontro místico. Não posso explicar: havia profundo senso de paz ao mesmo tempo que era eletrizante. Esse sonho foi o principal acontecimento de minha vida."

Nessa experiência puramente interior do matrimônio sagrado, a sonhadora se experiência como a perfeita ou completa Hera. Isso muitas vezes tem um calmo efeito no ímpeto de ser companheira e na necessidade de ser casada.

A mulher desprezada: o padrão negativo de Hera

A deusa Hera não expressava raiva contra Zeus devido a suas infidelidades públicas. Canalizava como raiva vingativa, dirigida à outra mulher ou às crianças geradas por Zeus, a dor que sentia ao ser rejeitada por ele e ao ser humilhada por seus romances. O arquétipo de Hera predispõe a mulher a transferir a culpa do seu companheiro - do qual é emocionalmente dependente para os outros. E as mulheres tipo Hera reagem à perda e à dor mais com raiva e atividade do que com depressão, como é típico de Deméter e Perséfone. Em meu trabalho analítico, descobri que a vingança é truque mental, que faz com que a mulher tipo Hera se sinta poderosa e não tanto rejeitada. Jean Harris é personificação contemporânea da rejeitada Hera. A arrogante diretora da exclusiva Madeira School era condenada por assassinar seu amante de longo tempo, o fomentador da Dieta Scarsdale, doutor Herman Tarnover. Sabia-se que Harris era conhecida por ter-se envolvido em ira ciumenta pela preferência de Tarnover por uma rival mais jovem, a quem ela julgava com menos civilidade, educação e classe do que ela.

Foi condenada por assassínio depois que seu ódio sem disfarce em direção à outra mulher foi revelado, numa longa carta escrita para Tarnover exatamente antes de sua morte. Ela escreveu: Você foi a coisa mais importante, o ser humano mais importante de minha vida. Você me mantém em controle, ameaçando-me de expulsão, uma ameaça fácil com a qual você sabe que eu não poderia conviver e, portanto, permaneço em casa sozinha enquanto você faz amor com alguém que me destruiu quase totalmente. Tenho sido humilhada publicamente repetidas vezes.3

Apesar de seus dons e prestígios, Harris estava convencida de que era imprestável sem Tarnover. Sustentou resolutamente que o assassínio foi acidental. Dita como Hera, que nunca considerou Zeus responsável por seus namoros, esta afirmação poderia ser realmente verdadeira, porque Harris nunca imaginou viver sem ele.

Cultivando Hera

A necessidade de ser como Hera vem como realização para algumas mulheres no início da meia-idade; por essa época já tiveram uma série de relacionamentos ou ficaram tão enfocadas em suas carreiras que o casamento não se tornou prioridade. Até esse ponto, e as atenderam à inclinação de Afrodite de mudar de um relacionamento para outro, ou à tendência de Perséfone de evitar compromissos, ou ao enfoque de Ártemis e de Atenas no alcance dos objetivos. Ou a deusa esteve em campos opostos, e o ímpeto de Hera por ser companheira foi frustrado pela escolha dos homens que a mulher fez, escolha influenciada por outras deusas.

Quando a ligação como companheira não é forte instinto, ela precisa ser conscientemente cultivada. Isso em geral é possível somente quando a mulher vê a necessidade de estabelecer um compromisso e tem vontade de mantê-lo, e quando existe oportunidade para ela agir assim. Se ela ama um homem que necessita ou requer sua fidelidade, ela deve escolher entre a monogamia ou ele. Deve decidir

3 Diana Trilling, Mrs. Harris: The Death of the Scarsdale Diet Doctor. Harcourt Brace

refrear a promiscuidade de Afrodite, ou a independência de Ártemis e favorecer Hera. A decisão consciente de ser esposa tipo Hera pode reforçar a conexão de mulher com o arquétipo.

Se o envolvimento com homens não casadouros impede que uma mulher se torne esposa, esta precisa ficar desencantada com o tipo de homens pelos quais tem sido atraída e com o tratamento que deles recebeu. Precisa também reavaliar sua atitude em relação aos homens que têm valores tradicionais, porque ela pode ter ficado preconcebida em relação a esses homens que querem casar e constituir família. Quando sua imagem de um homem desejável muda para se adequar a um tipo de homem com o qual possa estabelecer compromisso, então pode se tornar possível a necessidade que Hera tem de ser esposa.

A mulher tipo Hera

A Hera moderna é facilmente reconhecível. Como noiva radiante, andando pela nave central da igreja em direção ao noivo que a espera, ela é a alegre Hera, antecipando sua satisfação. Como esposa traída, que descobre que seu marido está tendo um caso e fica enraivecida com a outra mulher, ela é Hera, a víbora. A mulher tipo Hera é personificada por número incontável de mulheres que foram "a Esposa" tipicamente virginal antes do casamento ou pelo menos até o noivado, e depois a esposa leal por décadas, até que se torna a viúva vivendo pela Segurança Social.

A mulher tipo Hera tem prazer em fazer do marido o centro de sua vida. Todo mundo sabe que ele aparece primeiro. Os filhos da mulher tipo Hera compreendem bem a ordem de seu universo: o melhor é sempre guardado para ele. As outras pessoas rapidamente compreendem também o que se passa: ela as coloca "na fila de espera" até consultar o marido.

Muitas mulheres moldadas de acordo com Hera têm qualidade matronal e são notadas por todos como "muito bem casadas". E muitas outras mulheres têm Hera como um dos diversos aspectos de sua personalidade. Superficialmente elas podem não parecer mulheres tipo Hera, mas quando se familiarizam com ela reconhecem logo

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