2 Capítulo II: O desenvolvimento histórico da Farmácia, estruturação do ensino
2.5 Síntese histórica da Farmácia e o ensino farmacêutico no Brasil
2.5.4 Histórico do processo de reforma curricular para o estabelecimento das
Desde a oficialização do ensino de Farmácia no Brasil, ocorrido com a reforma do ensino médico em 1832 a questão da formação figurava nas discussões da Sociedade Farmacêutica Brasileira e da seção de Farmácia da Academia Imperial de Medicina (VELLOSO, 2007). Estas associações reinvindicavam o monopólio da concessão dos diplomas às Faculdades e defendiam que somente farmacêuticos formados nas instituições de ensino poderiam ser autorizados ao exercício da Farmácia (EDLER, 2006).
A reforma de 1832 instituiu um currículo com duração de três anos, com disciplinas de física, química e botânica médica, princípios elementares de zoologia e de mineralogia, matéria médica (com ênfase na flora medicinal brasileira) e a arte da formulação. Para obtenção do título de farmacêutico o aluno deveria realizar um período de treinamento prático de três anos em uma botica sob a supervisão de um boticário diplomado. Em 1880 houve uma nova reforma do ensino médico, passando-se a exigir para ingresso no curso farmacêutico, conhecimentos de física, química e história natural (EDLER, 2006). Em 1883 foi fundada no Rio de Janeiro a Escola Superior de Farmácia, ligada ao Instituto Farmacêutico do Rio de Janeiro. O Curso oferecido por esta instituição teria a duração de quatro anos, mas por falta de recursos e em virtude da própria crise do império, aquela Escola veio a encerrar suas atividades em 1887 (VELLOSO, 2006).
Em 1901, já na República Velha uma reforma do ensino, contra os interesses dos farmacêuticos, reduziu a duração dos cursos de Farmácia de três para dois anos (EDLER, 2006). As matérias ensinadas eram: Química Médica, História Natural Médica, Matéria Médica e Farmacologia. No governo do Marechal Hermes da Fonseca, em 1911 houve nova reformulação e os cursos de Farmácia passaram novamente para os três anos de duração, com a introdução das seguintes disciplinas: Química Analítica, Bromatologia, toxicologia e Química Industrial. A legislação procurava seguir os modelos de formação européia e dos Estados Unidos. O foco voltava-se para o processo de industrialização de medicamentos (EDLER, 2006). A reforma de 1925, a Reforma Rocha Vaz, aumentou a duração dos cursos de Farmácia para quatro anos e os equiparou aos cursos de medicina, engenharia e direito. Porém no “Estado Novo” uma nova reforma reduz novamente
para três anos o tempo para integralização da formação. Segundo Edler (2006), a partir da década de 1930, as reformas do ensino de Farmácia no Brasil visavam principalmente aproximar a formação das novas atividades de produção industrial de medicamentos e alimentos e da área de análises clínicas.
Em 1969 através da reforma produzida pela Lei 5.540 (1968) é aprovado através do Parecer 287 do Conselho Federal de Educação, o currículo mínimo para os cursos de Farmácia. Este currículo implantado a partir da Resolução n. 04/CFE/1969, estabelece o binômio Farmácia e Bioquímica, ficando a Farmácia como pré-requisito para o acesso às habilitações Farmacêutico Bioquímico (Análises Clínicas e Tecnologia de Alimentos) e Farmacêutico Industrial (SANTOS, 1999).
Analisando-se o currículo mínimo estabelecido pela Resolução 04/CFE (1969), fica evidente que não há interesse em direcionar a formação do farmacêutico de modo a capacitá-lo para a área de medicamentos, pois toda a proposta curricular é dirigida para as habilitações desde as fases iniciais. A justificativa apresentada para esta nova orientação respaldava-se na constatação de que a atividade explorada nas Farmácias era comercial e que, portanto, não necessitava de um profissional com qualificação universitária. Veja-se o parecer 287/69, sob o relato do conselheiro Moniz Aragão, que fundamentou a Resolução n. 04
À proporção que aos médicos e ao público consumidor foi-se impondo a preferência pelo produto industrializado... diminui a prática do aviamento de fórmulas. Desapareceu assim quase por completo a atividade artesanal da manipulação extemporânea de medicamentos (Farmácia de dispensação), tornando-se o estabelecimento quase exclusivamente comercial...(Parecer 287/69 apud SANTOS, 1999 p. 139. Grifo meu) Em decorrência de um excesso de conhecimentos científicos e técnicos, para uma atividade de comércio, mais e mais exclusiva...Resultou daí a frustração do farmacêutico, o conflito de interesse entre ele a exigir remuneração compatível com sua formação profissional (de nível universitário), e o proprietário pretendendo remunera-lo ao nível do trabalho realmente prestado, de comerciário (Parecer 287/69 apud SANTOS, 1999 p. 141).
Esta justificativa utilitária e tecnocrática (SANTOS, 1999) e, diria, de rendição à lógica de mercado imposta, foi deletéria para gerações de farmacêuticos ao oficializar a alienação do trabalho intelectual do farmacêutico na Farmácia, o Parecer 287 fazia ecoar a velha hierarquia francesa dos séculos XVIII e XIX que colocava a Farmácia no rol das profissões mecânicas.
É importante destacar que esta Resolução retira dos currículos a obrigatoriedade da disciplina de Química Farmacêutica, conteúdo imprescindível para a compreensão dos processos de síntese e desenvolvimento de novos fármacos, bem como para o entendimento do mecanismo de ação dos mesmos. Este modelo produziu deficiências irreparáveis na formação de toda uma geração de farmacêuticos no Brasil (SANTOS, 1999).
De acordo com SPADA e colaboradores (2006)
O afastamento do profissional das Farmácias e drogarias fica evidente ao considerar-se que, já em 1973, 97 % dos estudantes de Farmácia do país haviam optado pela área de análises clínicas, tentados por melhores salários, por promessas de bons empregos e desmotivados pelas críticas à atuação profissional na Assistência Farmacêutica29.
A migração dos farmacêuticos para áreas não privativas da profissão, como as análises clínicas e toxicológicas, bem como para a área de alimentos foi um reflexo da perda de controle sobre o processo de produção de medicamentos e limitação das funções do farmacêutico nas Farmácias, agora transformadas em drogarias. Este fenômeno também foi observado e discutido por Santos (1993) que considera o isolamento do farmacêutico no sistema de saúde o resultado de profundas transformaçoes econômicas e sociais representadas pela mudança da base técnica para a tecnológica na produçäo de medicamentos, que provocaram mudanças no mercado de trabalho e no ensino.
Por força da legislação educacional, este currículo vigorou na maioria dos cursos de Farmácia do Brasil até a aprovação pelo Conselho Nacional de Educação da Resolução n. 02 de 19 de fevereiro de 2002, que estabelece as diretrizes curriculares nacionais para os cursos de Farmácia em conformidade com as exigências da Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional (LDB).
Na década de 1980, o contexto no qual ocorreu a discussão da reforma no ensino de Farmácia no Brasil foi marcado pelo movimento de Reforma Sanitária e pela construção do conceito de Assistência Farmacêutica (SPADA et al., 2006; FENAFAR/ENEFAR, 1996). A mobilização que ocorreu na categoria farmacêutica, principalmente entre os estudantes, no início dos anos 80, contra o projeto que regulamentava a profissão de biomédico no país, possibilitou entre os farmacêuticos
29 Convém ressaltar que naquela época o conceito de Assistência Farmacêutica não havia sido
a consciência da crise de identidade por que passava a profissão naquele momento (ENEFAR, 1994).
O movimento estudantil de Farmácia (MEF) articula-se com setores da sociedade e participa ativamente dos eventos preparatórios à 8ª. Conferência Nacional de Saúde com destaque para a participação no Encontro Nacional de Políticas de Medicamentos e Assistência Farmacêutica, realizado em Brasília em 1988 (FENAFAR/ENEFAR, 1996). Este encontro definiu as bases conceituais da Assistência Farmacêutica, o que irá fundamentar nas décadas seguintes a formulação de políticas setoriais, como a Política Nacional de Medicamentos e Política Nacional de Assistência Farmacêutica, bem como a elaboração das DCNs.
No âmbito da categoria farmacêutica o movimento pela reforma sanitária implicava na necessidade de articular um amplo movimento pela reforma do currículo de formação do farmacêutico estabelecido em 1969, de modo que em 1987 realizou-se em Ouro Preto (MG) o I Seminário Nacional sobre Currículo de Farmácia. Este evento buscou resgatar a história da profissão farmacêutica e realizou o diagnóstico situacional da profissão no Brasil. O Seminário recomendava o aprofundamento em questões como a concepção de educação e o referencial conceitual da Assistência Farmacêutica como norteadores do novo currículo e do seu desdobramento na elaboração dos projetos pedagógicos (FENAFAR/ENEFAR, 1996).
O debate que se estabeleceu durante o I SNCF em torno das etapas de elaboração de um Projeto Pedagógico indicou a necessidade da definição de um perfil Profissional para o farmacêutico. A proposta de perfil profissional, definida neste Seminário, foi apresentada e novamente avaliada em um novo Seminário (o II SNCF) que ocorreria em Porto Alegre, no ano seguinte (1988).
O movimento iniciado pelos estudantes, começava a contar com a adesão de algumas entidades e associações profissionais como a Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar). Este evento começava a adquirir a característica que o marcou durante do o processo de discussão curricular: um espaço político- pedagógico de resgate da identidade da Farmácia e de gestação de um novo projeto profissional que declarava o farmacêutico como profissional do medicamento. Isto ficou evidente através do desenvolvimento e fundamentação do "Perfil Profissional
do Farmacêutico" definido anteriormente, de acordo com a concepção de Assistência Farmacêutica. (FENAFAR/ENEFAR, 1996).
Neste II SNCF definiu-se que "a mudança curricular deve ser direcionada a atender o "Perfil" elaborado, contemplando todos os aspectos relacionados ao medicamento, desde a sua pesquisa, produção, comercialização, dispensação e vigilância de sua ação farmacológica, além daqueles voltados à definição da função social do Farmacêutico como profissional de saúde" (FENAFAR/ENEFAR, 1996).
O III SNCF (1988) reafirmou os princípios e diretrizes da Reforma Sanitária, posicionando-se a favor da regionalização, descentralização e universalização dos serviços de saúde, defendendo que a Assistência Farmacêutica deveria fazer parte do sistema de saúde.
A década de 1990 foi marcada de um lado pelo aprofundamento e amadurecimento das propostas de reforma curricular e de outro, pela divisão política e pelas divergências quanto ao rumo que o mesmo deveria seguir. Entre diferentes posições havia o embate de duas posições extremadas: aqueles que sugeriam a exclusão das análises clínicas e da área de alimentos do escopo da formação no nível de graduação30 e os farmacêuticos destas áreas, muito arraigados ao modelo do farmacêutico-bioquímico, que legitimamente temiam perder o espaço conquistado no interior da profissão e a legitimade fora dela. Na verdade havia uma luta silenciosa, mas que foi ficando mais evidente, entre duas profissões muito diferentes entre si, com objetos distintos entre si.
O IV Seminário Nacional sobre Currículo de Farmácia, realizado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da UNESP (1990) iniciou a discussão dos componentes curriculares, ou seja, a definição e fundamentação das áreas de conhecimento que deveriam integrar o projeto pedagógico para a formação do farmacêutico. Estes componentes foram divididos em conteúdos ou disciplinas de áreas terminais, instrumentais e básicas. Neste encontro foram definidas as duas grandes áreas terminais: “Saúde Coletiva” e “Tecnologia”, as quais deveriam guardar inter-relação entre si. A fundamentação destas áreas foi realizada no V SNCF, o qual também discutiu as áreas de conhecimento que deviam instrumentalizá-las: Ciências Biológicas, Ciências da Saúde, Ciências Humanas
30 Os partidários desta proposta sugeriam a incorporação da Farmácia industrial na graduação e que
as áreas de alimentos e análises clínicas, que na época correspondiam às habilitações fossem transformadas especializações Lato senso.
Aplicadas, Ciências Tecnológicas, Ciências Exatas e Naturais e Ciências Farmacêuticas (FENAFAR/ENEFAR, 1996).
A partir deste encontro, até a realização do VII SNCF houve uma preocupação excessiva com a obtenção de um consenso relativo à classificação das áreas e matérias que tomariam parte da proposta de curricular, discussão que abria margem para diferentes vertentes em função da variedade de critérios e dos pressupostos adotados. Aos poucos a discussão sobre a reforma do ensino farmacêutico que iniciou promissora esbarrou no problema, na armadilha que acompanhou todo o movimento e eu permanecia mesmo com a elaboração do conceito da Assistência Farmacêutica e do discurso da formação de um farmacêutico como profissional do medicamento.
Em relação ao modelo anterior de currículo-mínimo tão criticado, não havia uma diferença significativa. Do ponto de vista epistemológico as concepções eram muito próximas e equadravam-se no modelo biomédico. Apesar de o novo discurso assumir a crítica de uma formação tecnicista e fragmentada, o foco continuava no produto: do material biológico das análises clíinicas para o medicamento, da técnica analítica para a técnica ou tecnologia de produção. Não havia espaço para pensar o indivíduo como beneficiário das ações do farmacêutico, nem tão pouco conseguiu vislumbar como este poderia efetivamente participar das ações de saúde, a não ser no discurso mais geral que “lutava” por uma política de medicamentos e na descrição de atividades administrativas do ciclo da Assistência Farmacêutica.
Foi neste período que para tentar superar fragmentação existente entre farmacêuticos, farmacêuticos-bioquímicos (analistas clínicos ou bromatologistas) e farmacêuticos-industriais surgiram denominações resultantes da “nova proposta curricular”: “farmacêutico pleno”, “farmacêutico clínico”, “farmacêutico generalista”, “farmacêutico clínico-industrial”, “farmacêutico bioquímico-clínico”. Apesar da boa intenção em tentar resgatar uma identidade perdida, na falta de uma identidade clara que expressasse a missão da prática profissional, continuavam os farmacêuticos brasileiros, fragmentados, à procura de um adjetivo que melhor os qualificassem como profissionais (sobre isto ver a discussão nos capítulos 3 e 4).
Assim, depois de mais de uma década de discussões sobre a reforma dos currículos de Farmácia, a Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação
(SESU/MEC) nomeou uma Comissão de Especialistas com a incumbência de elaborar uma proposta de nova resolução de currículo mínimo.
Em fevereiro de 1996 foi nomeado pelo MEC o grupo técnico composto pelos membros da Comissão de Especialistas do Ensino de Farmácia, pelos membros da Comissão de Ensino do CFF e por quatro docentes convocados para atuarem como consultores.
O grupo técnico nomeado pelo MEC chegou a esboçar uma proposta de currículo, porém foi preciso reorientar toda a discussão, em virtude da aprovação e posterior promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) (Lei N° 9394/96). Com o advento da nova LDB extinguiram-se a estrutura do Conselho Federal de Educação (CFE) e dos currículos mínimos dos cursos, entre os quais o da Farmácia. No seu lugar o Conselho Nacional de Educação deveria elaborar para cada curso orientações gerais, as Diretrizes Curriculares Nacionais.
Em 1997 o grupo técnico propôs as “Diretrizes Gerais para a Educação Farmacêutica no Brasil”. Esboçada como um conjunto de de oito diretrizes, pretendia orientar a elaboração das DCNs da Farmácia e a reformulação das matrizes curriculares. A proposta sugeria que:
O ensino de Farmácia fosse organizado em carreiras diferenciadas, assim denominadas: Farmacêutico Clínico e Industrial, Farmacêutico Bioquímico Clínico e Farmacêutico Bioquímico de Alimentos. A proposta estabelecia que a carreira de Farmacêutico Clínico e Industrial seria obrigatória em todos os cursos de Farmácia do país.
O profissional formado na carreira de Farmacêutico Clínico e Industrial deveria ser capaz, ao final do curso, de exercer as atividades de Atenção Farmacêutica individual e coletiva; dispensação de medicamentos; desenvolvimento, produção e controle de qualidade de fármacos e medicamentos; seleção de fármacos, medicamentos e equipamentos; planejamento e gestão de serviços farmacêuticos.
A carreira de Farmacêutico Clínico formaria o profissional da área de análises clínicas, com competência para a realização, interpretação e controle de qualidade dos exames clínico-laboratoriais e toxicológicos; avaliação de interferência de medicamentos e alimentos diagnóstico clínico-laboratoriais; atenção clínico-
laboratorial individual e coletiva; desenvolvimento, produção, seleção e controle de qualidade de reativos e reagentes; seleção e controle de qualidade de equipamentos; planejamento e gestão de serviços de laboratório clínico e toxicológico.
Finalmente, na carreira de Farmacêutico Bioquímico de Alimentos o profissional formado, da área de alimentos, seria capaz de realizar e interpretar as análises de alimentos; fazer o desenvolvimento, seleção, manipulação e controle de qualidade de nutracêuticos e de alimentos de uso enteral e parenteral; avaliação das interações alimento/medicamento; avaliação toxicológica de alimentos; Atenção Farmacêutica individual e coletiva na área do alimento; planejamento e gestão de serviços na área de alimentos;
O problema da proposta a meu ver residia na ilusão de que um adjetivo pudesse resgatar a identidade profissional. Na prática, pelo que pode ser visto nas competências e na estrutura profissional sugerida permanecia a fragmentação da profissão em carreiras diferenciadas com perfis distintos.
Em 12 de dezembro de 1997 o MEC por intermédio da SESU publica o Edital N° 4 de 10 de dezembro de 1997 convocando as Instituições de Ensino Superior a apresentar proposições para a elaboração das novas diretrizes curriculares. Dezenove propostas foram encaminhadas pelas IES e duas pelos Conselhos Regionais de Farmácia. Além destas propostas, foi incorporada ao processo de sistematização, a proposta de Diretrizes Gerais para a Educação Farmacêutica no Brasil, elaborada pelo grupo técnico (SOUZA e BARROS, 2003).
A Comissão de Especialistas de Ensino de Farmácia foi responsável pela elaboração da sistematização das propostas, apresentando dois modelos:
Modelo 1 - Formação de Farmacêutico-Bioquímico com competência e habilidades para atuar em todo seu âmbito profissional- que contempla as três grandes áreas de atuação, a saber: medicamentos, análises clínicas e toxicológicas e alimentos - através de um currículo flexível e multidisciplinar capaz de possibilitar ao aluno o exercício de sua capacidade decisória e vocacional acerca dos conhecimentos adicionais que deseja adquirir, visando o aprofundamento em uma das áreas de atuação profissional, inclusive as áreas de interdisciplinaridade.
Modelo 2 - Formação de Farmacêutico com perfis específicos para cada uma das três áreas de atuação profissional: Medicamentos, Análises Clínicas e Toxicológicas e Alimentos. O ensino de cada uma das carreiras deve ter um compromisso com o sistema de assistência à saúde, compartilhado com outros de igual importância, como o científico e o tecnológico (SOUZA e BARROS, 2003 p. 31).
Não houve consenso na categoria sobre a proposta que deveria ser encaminhada ao MEC e em maio de 1999, a Comissão de Especialistas apresentou uma nova versão das Diretrizes Curriculares (SOUZA e BARROS, 2003). Nesta versão, o estabelecimento do perfil do graduado em Farmácia assumia o pressuposto que
(...) o farmacêutico tem como atribuições essenciais a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde humana, desenvolvendo atividades associadas ao fármaco e ao medicamento, às análises clínicas e toxicológicas e ao controle, produção e análise de alimentos (SOUZA e BARROS, 2003 p. 32).
Argumentava a Comissão de que a complexidade dessas áreas de atuação exigiam a definição de perfis profissionais específicos para cada uma das modalidades sugeridas: Alimentos, Análises Clínicas e Toxicológicas e Fármacos e Medicamentos (SOUZA e BARROS, 2003). A contradição da proposta repousava no discurso de formação generalista, mas que na prática já nascia fragmentado pela proposição de perfis específicos por modalidade.
Em agosto de 2001 o CFF, sob a Coordenação da sua Comissão de Ensino realizou-se em Brasília o “Fórum Nacional de Avaliação das Diretrizes Curriculares para os Cursos de Farmácia”. Neste foi finalmente aprovada uma proposta que se dizia orientada à fomação do “Farmacêutico Generalista” (SPADA et al., 2006).
Sistematizadas as propostas e ouvida as posições das entidades farmacêuticas, o CNE discute e aprova em 06 de novembro de 2001 o Parecer 1300/2001, que formaliza as DCNs para os Cursos de Farmácia e Odontologia. Em 19 de fevereiro de 2002 era homologada a Resolução CNE/SESU N° 02/02, instituindo as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Farmácia (BRASIL, 2002).
2.5.5 Organização da categoria: o papel das Associações e entidades