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3 UHE DONA FRANCISCA: CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS E E

3.1 HISTÓRICO E CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDIMENTO

A UHE Dona Francisca (FIGURA 10) faz parte do sistema Jacuí de geração de energia e está localizada no Rio Jacuí, nos munícipios de Agudo e Nova Palma, na região central do Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, distante cerca de 275 km de Porto Alegre/RS, como apresentado no mapa da Figura 11.

Sobrinho et al. (1999) relatam que os primeiros estudos a respeito do aproveitamento hidrelétrico para construção da UHE Dona Francisca são apresentados no relatório “Power Study of South Brazil” elaborado pela Canambra Engineering Consultants Limited, o qual foi concluído e apresentado em 1968. Em 1977, os estudos geológicos, topográficos e energéticos, elaborados pela CEEE na fase de viabilidade, levaram a escolha por uma barragem de concreto do tipo gravidade, com casa de força e vertedouro incorporados. Estudos comparativos mais aprofundados desenvolvidos – pela Engevix Engenharia Ltda. – para a CEEE, em 1980, na fase de Projeto Básico, indicaram que uma barragem de terra e enrocamento mostrava-se mais

adequada à geologia local, já que as fundações ficariam sujeitas a menores solicitações de carga. Já na década de 80 até meados de 90, foram realizadas sucessivas otimizações do Projeto Básico, culminando com a elaboração de documentos para Projeto Executivo da Usina, elaborados pela Magna Engenharia Ltda., detalhando como alternativa uma barragem de enrocamento com núcleo de argila, vertedouro de superfície na margem direita e casa de força desincorporada na margem esquerda.

Figura 10 – Vista panorâmica da UHE Dona Francisca (Fonte: página

da internet do Sistema de Monitoramento e Alertas de Desastres14)

Figura 11 – Mapa de localização da UHE Dona Francisca (Fonte:

GOOGLE INCORPORATION15, 2018)

14 Disponível em:< http://www.smad.rs.gov.br/estacoes/informacaoDaEstacao.php?codigo=85395300>, acesso em

Segundo Sobrinho et. al. (1999), sob os auspícios da nova política nacional para o setor elétrico, com a abertura das concessões para investimentos privados e o emprego de modernas tecnologias para construção de barragens, a Engevix em 1996, por solicitação do grupo Dona Francisca Energética (DFESA), desenvolveu uma modificação do arranjo geral com o deslocamento do eixo do barramento para jusante, introdução de barragem de CCR, vertedouro de soleira livre e casa de força na margem direita, propiciando sensível redução nos custos e cronograma de execução da obra. Esta nova configuração de projeto reduziu em cerca de 40% o seu custo e o prazo de execução passou de 55 para 32 meses no edital.

De acordo com Aguiar et. al. (2001), a viabilização da UHE Dona Francisca somente foi possível devido à utilização, na época, de um novo modelo ou solução empresarial para empreendimentos de geração de energia. Tal modelo é chamado de EPC (Engineering, Procurement and Construction) e baseia-se na formação de grupos empresariais que no início do contrato determinam um valor global – fixo – para os serviços a serem executados: projeto, construção, aquisição, fornecimento e montagem de equipamentos. Esta modalidade é também chamada de um EPC “lump sum turnkey” uma vez que a contratada será responsável pela implantação do projeto, a preço fixo, prazo determinado e ao final entregará a “chave na mão” da contratante.

Na condição de contratado para execução da UHE Dona Francisca, através do modelo EPC, tem-se o grupo empresarial denominado de CONFRAN (Consórcio Fornecedor da UHE Dona Francisca) composto pelas empresas Ivaí Engenharia de Obras S.A., Torno do Brasil, Inepar e Engevix Engenharia Ltda. Na condição de contratante ou proprietário tem-se o consórcio denominado DFESA (Dona Francisca Energética) composto pelas empresas Inepar Energia S.A. (30%), Companhia Paraense de Energia – COPEL (23,0303%), Centrais Elétricas de Santa Catarina – CELESC (23,0303%), Gerdau S.A. (21,8182%) e Desenvix S.A. (2,1212%). O empreendimento teve suas obras iniciadas em agosto de 1998 e o enchimento do reservatório

deu-se em novembro de 2000, quando em apenas uma semana o mesmo atingiu a elevação16

(El.) de 94,50 m, correspondente à soleira do vertedouro. A primeira turbina entrou em operação em 5 de fevereiro de 2001 e a segunda iniciou a partir de 12 de maio de 2001.

O custo estimado da UHE Dona Francisca, na época, foi de cerca de US$ 130 milhões e possui um prazo de concessão de 35 anos a partir da data de início da obra no ano de 1998. Os agentes 15 GOOGLE INCORPORATION. Google Earth. Imagem processada em 10 jan. 2018.

financeiros envolvidos foram o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A idealização da UHE Dona Francisca foi justificada na época, principalmente, pela crescente demanda de energia no Estado do Rio Grande do Sul.

Segundo Smirdele (2014), nas décadas de 60 e 70 a CEEE-GT concentrava sua atenção especialmente no alto e médio curso do Rio Jacuí e seus afluentes, em busca de locais favoráveis à geração de energia elétrica visando aproveitamentos mais econômicos através da utilização, sempre que possível, de desníveis naturais dos rios. Surgindo assim o Sistema Jacuí de geração, composto também pelas UHEs de Ernestina, Passo Real, Leonel Brizola e Itaúba. A UHE Dona Francisca está localizada a 40 km a jusante da UHE de Itaúba. A Figura 12 traz a localização destas usinas ao longo do curso do Rio Jacuí.

Figura 12 – UHEs ao longo do curso do Rio Jacuí (Fonte: GOOGLE

INCORPORATION17, 2018)

Atualmente, a UHE Dona Francisca é administrada pela concessionária Consórcio Dona Francisca, composto pela CEEE-GT (10%) e DFESA (90%). Também ocorreram modificações

na composição acionária da DFESA em relação à da época de construção. Hoje em dia, a DFESA é composta pelas empresas CELESC, COPEL, ENGEVIX e GERDAU.

A Figura 13 apresenta o arranjo geral da UHE Dona Francisca com a indicação da posição do Vertedouro, Casa de Força, Tomada d’água e Subestação.

Figura 13 – Arranjo geral da UHE Dona Francisca (Fonte: GOOGLE

INCORPORATION18, 2018)

O vertedouro da barragem da UHE Dona Francisca é do tipo em degraus com perfil Creager, declividade da calha de cerca de 53,1º e comprimento em torno de 335 m. Ao todo são 54 degraus com altura uniforme de 60 cm e base de 45 cm. Próximo à crista encontram-se 7 degraus de transição que possuem dimensões variando de 12,5 a 60,0 cm (FIGURA 14).

O circuito hidráulico para geração de energia elétrica é composto pelas estruturas da tomada d’água (TA), condutos forçados e casa de força (CF). Da tomada d’água derivam dois condutos forçados constituídos de tubos de aço de 6,30 m de diâmetro que conduzem a água para duas turbinas tipo Francis acopladas aos geradores de 62,5 MW cada. Juntas, estas unidades geradoras têm potência de 125 MW que é suficiente para abastecer uma cidade com cerca de 250 mil habitantes. No interior da casa de força estão concentrados os equipamentos eletromecânicos responsáveis pela produção de energia e também a Unidade Central de Controle. O reservatório compreende uma área inundada de cerca de 23,0 km² e seu nível (NR)

a montante máximo normal é considerado na cota 94,50 m, o máximo maximorum (TR=10.000 anos) na cota 100,50 m e o mínimo está na cota 91,0 m.

Figura 14 – Esquema vertedouro UHE Dona Francisca (Fonte: adaptado de ENGEVIX, 2000a)

A barragem da UHE Dona Francisca é do tipo gravidade e sua estrutura é em Concreto Compactado com Rolo (CCR). Possui 63,0 m de altura máxima e cerca de 660,0 m de comprimento. A estrutura é dividida ao longo do eixo da barragem em 36 blocos com comprimento médio de 20,0 m. No ANEXO I, são apresentadas a Planta Baixa e Perfil Longitudinal da barragem de CRR da UHE Dona Francisca assim como, indicadas as localizações de todos os instrumentos hidrogeotécnicos. No ANEXO II são apresentadas as seções transversais instrumentadas da barragem indicando, também, a posição dos instrumentos instalados na estrutura.

Na Figura 15 são mostrados, ainda, outros elementos da barragem visíveis a partir da região da ombreira direita.

Figura 15 – Vista a partir da ombreira direita da UHE Dona Francisca