4 PROPOSTA DE MODELO DE
4.3 I NFORMATIZAÇÃO DO MODELO
O objetivo central desta dissertação passa pela criação de um modelo de avaliação das condições de utilização de um edifício com valor patrimonial face à humidade, sendo a componente mais inovadora do trabalho desenvolvido, a informatização do modelo. O foco inicial do trabalho passava pela criação de um inquérito e por isso foi colocada a hipótese de criar um programa online com os seguintes objetivos:
1) Sistematizar o trabalho, facilitando o trabalho ao utilizador 2) Diminuir o número de cálculos errados
3) Contribuir para a criação de base de dados para utilização posterior 4) Permitir mudanças simples sem ter de repetir todo o método
5) Não ser necessário utilizar papel, olhando também para a questão ambiental
Para o desenvolvimento do modelo procuraram-se soluções padrão online de forma a facilitar a sua criação, mas esta opção foi descartada porque essas soluções não permitiam fornecer ao utilizador um resultado como era pretendido. Foi então colocada a hipótese de programar um modelo de raiz de forma a não depender das soluções padrão e que possibilitasse não só a criação da base de dados, mas também a colocação e utilização de fórmulas de cálculo para auxiliarem o utilizador do programa.
4.3.1-CARACTERIZAÇÃO DE IMÓVEL
Tal como mencionado anteriormente, a caracterização do imóvel é feita pelo gestor na primeira parte do programa criado. Tal como mostra a figura 35, é pedida a designação do imóvel e três questões relativas à localização do bem em estudo.
Na designação do imóvel foi acrescentado um exemplo de uma designação para auxiliar o utilizador, mas que desaparece mal este pretenda redigir. Foi também colocada uma caixa de texto maior para o campo relativo ao “Endereço”.
Fig. 35- Primeira parte do Programa
O segundo grupo de questões da primeira parte, que pode ser observado na figura 36, está relacionado com o Tipo de Utilização do imóvel. Nesta questão foram colocadas várias opções: “Culto”, “Museu e/ou Galeria de Arte”, “Biblioteca”, “Hotelaria/Restauração”, “Turismo”, “Habitacional” e uma opção “Outro” caso o imóvel não se enquadre com nenhuma das anteriores. Esta pergunta pode ter mais que uma opção, pelo que é permitido responder a duas ou mais opções.
É também questionada a Avaliação pela DGPC e dadas as possíveis hipóteses tal como o ano de construção e o ano da última intervenção relevante que o imóvel sofreu.
A última questão da primeira parte, é uma pergunta de opinião onde se questiona o gestor do imóvel, se o considera Património Cultural. Caso o imóvel não esteja avaliado pela DGPC, nem tenha sido estudado pela mesma, poderá ser interessante para a própria organização ter acesso a esta base de dado e associar as duas perguntas para possíveis futuros estudos.
Fig. 36- Segundo Grupo de questões do Programa
4.3.2-TUTELA DO IMÓVEL
A segunda parte do programa, acedida através da barra superior ou do atalho da numeração dos diversos segmentos presente na parte inferior do programa, tem como objetivo caracterizar a Tutela do Imóvel em estudo. Foi referido no capítulo 2 a falta de informação que existe relativamente à tutela do Património Nacional Português, questão que é importante para constatar que tipos de investidores poderemos ter.
O gestor do edifício é questionado relativamente ao Responsável pela gestão do imóvel, “Público”, “Privado” ou “Outro”, à Entidade Responsável pelo mesmo, mas também aos Contactos, Telemóvel/Telefone, e o E-mail, da entidade.
4.3.3-AVALIAÇÃO POR OBSERVAÇÃO VISUAL DE MANIFESTAÇÕES DE HUMIDADE POR COMPARTIMENTO
4.3.3.1-ÁREA DO PAVIMENTO E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO
A terceira parte do programa oferece cinco opções relativamente à Área do Pavimento e quatro quanto à questão “Condições de Utilização do imóvel face às patologias presentes”. No que concerne à segunda questão, a cada opção, esta associado um valor e um “id” que irão ser utilizado mais à frente no modelo. Esta mesma questão tem como objetivo a análise pessoal do gestor do imóvel, analisando se as patologias presentes estão a condicionar de alguma maneira a utilização do imóvel, sendo que a opção “Sem Problemas” deveria corresponder à falta de patologias presentes e a opção “Impedida”, a ruínas ou à impossibilidade de utilizar o imóvel em estudo.
Fig. 38 - Área do Pavimento e Condições de Utilização
4.3.3.2-PLANTA DO IMÓVEL
De forma a complementar a base de dados referida anteriormente, é pedido ao gestor que faça o upload da planta do imóvel a estudar. Para além disso, este ponto foi acrescentado para fazer a distinção das paredes, sendo pedido ao gestor do imóvel que acrescente uma identificação a cada parede na planta, antes de fazer o upload.
4.3.3.3-AVALIAÇÃO DO PAVIMENTO,TETO E PAREDES
A avaliação é comum aos três elementos construtivos, o gestor é questionado sobre “Que tipo de Manifestações se pode encontrar” no elemento em questão e este pode selecionar se no caso das Manchas de Humidade, dos Bolores e das Eflorescências, se o elemento não possui nenhuma destas anomalias, se estão presentes pontualmente, frequentemente ou se o problema é generalizado.
A avaliação de cada elemento foi programada de forma independente de forma a que cada avaliação seja feita num separador diferente.
De forma a auxiliar o utilizador, visto que a avaliação é visual, foi colocada uma imagem como exemplo de cada um dos tipos de anomalia e a diferença da sua intensidade. A imagem correspondente a cada exemplo, aparece quando o ponteiro do rato passa por cima da respetiva manifestação, como mostram as figuras 40, 41, 42.
Fig. 40 - Avaliação do Pavimento com exemplo
No caso das paredes, antes de começar a avaliação, o gestor é questionado sobre o número de paredes presentes no imóvel. Depois de respondido irão aparecer as questões mencionadas anteriormente, para cada parede de forma a que se possa avaliar individualmente as paredes e não de forma geral. O número de paredes está limitado a 50 paredes para não interferir com a base de dados criada. Para além da questão anterior, é pedido ao utilizador que avalie o desenvolvimento da sua parede como “Pequena”, “Média”, “Grande”. A cada resposta do utilizador está associado um valor importante no cálculo do Ihum e discutido anteriormente neste capítulo.
Fig. 42 - Avaliação de 2 paredes com exemplo
4.3.4-CLASSIFICAÇÕES INTERMÉDIAS E CLASSIFICAÇÃO FINAL –IHUM
O último separador do programa apresenta a “Classificação Final” e as classificações intermédias que são necessárias para o cálculo do Ihum. O modelo foi programado para exibir o índice do teto, o índice do pavimento, o índice de cada parede numerada e o índice global de paredes. Todos estes índices são calculados segundo as respostas dadas pelo gestor e seguindo o método de cálculo apresentado anteriormente. Decidiu-se exibir todos os cálculos e não apenas o Ihum de forma a que o gestor possa comparar os resultados singulares dos seus elementos e analisá-los.
Por último é exibido o “Índice de humidade” que foi programado para ser calculado segundo o método de cálculo apresentado anteriormente.
Uma das funcionalidades imediatas que o programa oferece, é dizer ao utilizador o resultado sem este ter de consultar a tabela. Para isso, dividiu-se em 5 a escala em:
Tabela 7 - Intervalos de classificação do Ihum 0- 0.2 Muito Bom 0.2 - 0.4 Bom 0.4 – 0.6 Razoável 0.6 – 0.8 Mau 0.8 – 1.0 Péssimo
Fig. 43- Classificação Final
4.3.5-PROGRAMAÇÃO
A programação do modelo começou por ser inteiramente em HTML tendo-se utilizado as soluções padrão do Bootstrap de forma a criar as caixas de texto e escolhas múltipla com o intuito de facilitar o preenchimento do programa, mas também para o tornar mais interativo e interessante. As primeiras duas partes do programa, Caracterização do Imóvel e Tutela do Imóvel, foram totalmente programados em HTML, não tendo sido necessária nenhuma programação em Java Script de forma a complementar o trabalho. A linguagem HTML também está presente nas restantes partes, mas contribui apenas de forma visual. As linhas de texto criadas em HTML podem ser analisadas no Anexo 1.
Aquando da adição da avaliação ao programa, a linguagem HTML, por ser uma linguagem estática, deixou de cumprir os requisitos pretendidos, tendo-se acrescentado código em JavaScript. Ao contrário de HTML, Java Script é uma linguagem de programação dinâmica e funcional que permite colocar fórmulas matemáticas, criar inputs e outputs e dar respostas condicionadas como fornecer a avaliação do número de paredes pretendido, dependendo do número de paredes que o utilizador diz ter. De forma a organizar melhor o trabalho, dividiu-se o código em JavaScript por 4 segmentos, paginação, criação de inputs para a base de dados e outputs, questões condicionadas das paredes e cálculo dos resultados. A paginação foi programada de forma a facilitar o preenchimento do programa, mas também com o intuito de o organizar fazendo com que o utilizador perceba em que ponto está e qual o seguinte. As linhas de texto criadas em JavaScript para a paginação podem ser consultadas no Anexo 1.
Fig. 44 – Paginação
Relativamente à criação de inputs e outputs, um dos intuitos da elaboração do programa pela via informática, é criar uma base de dados que será preenchida de cada vez que o utilizador do programa o completar. Para isso, foi programado em JavaScript de forma a organizar todas as respostas dos utilizadores e exportá-las para Excel e foram programados alertas de erro e de campos por preencher no formulário. Para além da criação da base de dados, pretende-se que o utilizador receba, no final do preenchimento do programa, um documento de texto com um resumo das suas respostas, de forma a que lhe seja permitido, à posteriori, relembrar as suas respostas e os resultados que o programa lhe forneceu. As linhas de texto criadas em JavaScript para a criação de inputs e outputs podem ser consultadas no Anexo 1.
Tal como foi mencionado anteriormente, o utilizador é questionado sobre o número de paredes presentes no imóvel em estudo e, depois de respondido, o programa coloca automaticamente as questões sobre as manifestações sobre cada parede facilitando o número de entradas na base de dados, mas também tornar o programa mais estético e direto. Este tipo de questões condicionadas por uma resposta, foi também programado em JavaScript e pode ser consultado no Anexo 1.
Por último, o cálculo dos resultados foi também programado em JavaScript seguindo as fórmulas, os pesos e os fatores apresentados anteriormente. A cada valor relevante estão associados um valor e um id que serão utilizados em várias partes do formulário. Dependendo do resultado final, e do intervalo em que se enquadra, é apresentada uma avaliação de “Muito Bom” a “Péssimo” que também foi programada em JavaScript e que pode ser analisada no Anexo 1.