Analisando a matriz curricular do CESA, pode-se perceber que já passou por diversas modificações. São disciplinas que sofreram modificações em sua carga horária e/ou ementa e conteúdo; que deixaram de ser oferecidas e outras que passaram a integrar o currículo; que tiveram seu caráter alterado, de obrigatória para eletiva, ou vice-versa; que tiveram o período de oferecimento modificado e, também, seus pré-requisitos.
Essas modificações foram consideradas necessárias, e outras ainda estão em análise, tendo em vista que os currículos e PPCs devem ser dinâmicos, não-estáticos, com o objetivo de buscar incessantemente seu aperfeiçoamento e sua atualização.
Isso posto, tem-se que as alterações curriculares se justificam pela imprescindibilidade de adequações que promovam um constante up grade no curso, imposto pelas inovações contemporâneas. Entretanto, essas modificações estão acontecendo com muita frequência, impactando os três segmentos da universidade: os corpos docente, discente e técnico administrativo. Desde a criação do curso, em 2008, foram aprovadas pelo Conselho de Graduação da UFJF 14 (quatorze) resoluções para realizar alterações e reformas curriculares, sendo que duas delas alteraram o PPCESA.
No intuito de reduzir essas alterações, buscou-se, por meio da análise dos elementos trazidos para esta investigação, e após a identificação das necessidades de alteração na matriz
curricular – ou no PPCESA como um todo, propor um plano de ação educacional com vistas a prover com melhores e mais confiáveis informações os gestores acadêmicos e, desse modo, auxiliá-los em seus processos decisórios. Além disso, procurou-se conhecer um pouco mais sobre sistemas de acompanhamento de egressos com vistas a verificar a possibilidade de utilizá-lo como ferramenta de gestão no CESA/UFJF.
As informações trazidas por um sistema de acompanhamento de egressos (sieg) são, por exemplo, referentes à adequação das disciplinas ministradas com as qualificações exigidas pelo mercado de trabalho ou para ingresso em cursos de pós-graduação. Pode-se chegar à conclusão de que a carga horária não é suficiente para se efetivar o processo de ensino-aprendizagem em determinada matéria. Ou ainda, se o gap está na ausência de determinados conteúdos, tornando a formação do aluno deficiente, entre outras possibilidades de verificação de gargalos que demandam ações corretivas.
A UFJF já fez algumas tentativas no sentido de estabelecer uma política de acompanhamento de seus egressos. Em 2009 a Secretaria de Desenvolvimento Institucional (SDI), hoje DiAvI (Diretoria de Avaliação Institucional), juntamente com as Pró-reitorias de Graduação e de Pós-Graduação, buscou abrir um canal de comunicação junto aos seus ex- alunos, no intuito de potencializar as atividades acadêmicas.
De acordo com o Secretário de Desenvolvimento Institucional, professor Flávio Takakura, para cumprir seu compromisso com a sociedade, o programa visa acompanhar aqueles alunos já formados em sua vida profissional, procurando conhecer suas possíveis dificuldades de inserção no mercado de trabalho ou de continuidade em sua vida acadêmica. Esta política também permitirá uma melhor análise dos serviços públicos prestado pela instituição. Respondendo aos questionários, disponibilizados no Sistema Integrado de Gestão Acadêmica (SIGA), o formando estará colaborando com o seu curso e permanecerá em estreito contato com a UFJF. (UFJF, 2009a)
Novamente a SDI, em 2011, intentou estabelecer um diálogo entre ex e atuais alunos da UFJF, com vistas a facilitar a transição do egresso entre a vida acadêmica e a profissional. Criou-se o Portal de Egressos, que trazia informações sobre parcerias com empresas e divulgação de vagas de emprego, entre outras. Também foi criado um perfil na rede social Facebook, com fotos das turmas, com a divulgação dos eventos da Universidade e dos grupos de discussão, buscando estabelecer mais um canal de integração. Porém, em nenhuma dessas ocasiões a política de acompanhamento dos egressos se consolidou (UFJF, 2011a). De acordo com informações repassadas pessoalmente à pesquisadora pela servidora responsável por esse projeto – mediante solicitação, em março de 2017 –, a primeira tentativa de implementação
foi frustrada porque a equipe entendeu que ainda faltavam aprimoramentos no programa e, da segunda vez, a servidora em questão mudou de setor e não houve quem pudesse assumir a tarefa. Cabe destacar que é necessário, para que este acompanhamento alcance bons resultados, que os envolvidos participem de forma efetiva. Nesse viés, a gerente do Programa de Egressos pontuou, em reportagem publicada no portal de notícias da UFJF, que
(...) mesmo com a preparação para o lançamento do Programa de Egressos da UFJF, o sucesso da iniciativa depende dos grupos. O programa só vai funcionar se tiver a colaboração e a participação efetiva dos coordenadores, dos professores, dos funcionários, das pró-reitorias, dos próprios alunos e ex- alunos. (UFJF, 2011a)
O Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFJF instituiu uma política de acompanhamento de egressos como uma ação voltada para a busca pela melhoria da inserção profissional de ex-alunos e para a autoavaliação de seu desempenho e mantém um cadastro atualizado de seus egressos desde o ano de 2001. Para tal, pede a seus ex-alunos que mantenham contato permanente com o programa, “objetivando, sobretudo, dar continuidade a parcerias acadêmicas e científicas” (UFJF, 2015c).
A partir da comprovação de que existe, no CESA da UFJF, uma demanda por elementos e por informações que poderiam vir a auxiliar no aprimoramento do PPCESA, pode-se supor que o acompanhamento sistemático dos ex-alunos graduados pela instituição é capaz de fornecer potenciais oportunidades de melhoria na qualidade do ensino.
Como elementos para investigação, serão apresentados: i. Relatórios do MEC e do Enade – nos quais se verificam as notas recebidas pelo curso, bem como os critérios utilizados para se chegar aos resultados; ii. As versões (original e adequações) dos Projetos Político Pedagógicos do Curso de Engenharia Ambiental e Sanitária– em que se percebe o comprometimento do corpo docente e técnico com sua melhoria, promovendo as adequações que julgam necessárias para o bom andamento do curso; e iii. O Plano de Desenvolvimento Institucional da UFJF – PDI 2016-2020 que, em seu capítulo 5, item 5.5, trata da necessidade de delinear políticas institucionais que possibilitem um efetivo acompanhamento dos egressos; iv. A Portaria Normativa MEC nº 40/2007, que incentiva a busca pela qualidade; v. A Nota Técnica do MEC nº 793/2015, que entende que o estudante não possui direito adquirido sobre a matriz curricular; e vi. O Regulamento Acadêmico de Graduação da UFJF, que oferece, ao estudante, a oportunidade de optar pelo currículo.
O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) foi instituído com o objetivo de assegurar que as instituições de educação superior, bem como os cursos de
graduação e o desempenho acadêmico de seus estudantes fossem avaliados, reconhecendo o processo avaliativo como instrumento de política educacional para a melhoria da qualidade da educação superior. O Sinaes reúne as informações extraídas do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e das avaliações institucionais e dos cursos, as quais se referem, principalmente, ao ensino, à pesquisa, à extensão, à responsabilidade social, ao desempenho dos alunos, ao corpo docente, às instalações, dentre outras. Essas informações podem ser utilizadas para orientação institucional, tendo em vista que formam um diagnóstico das instituições e dos cursos avaliados.
Na área de administração, é comum a utilização da prática do benchmarking, na qual se busca comparar os resultados de uma organização com os de outras organizações bem sucedidas para identificar seus pontos fortes com o objetivo de, caso seja conveniente, adequar as melhores práticas a seu uso e contexto. Por essa razão, foram consultadas as páginas eletrônicas de algumas IES que têm consolidados programas de acompanhamento dos seus egressos.
Os Projetos Pedagógicos de Curso, consoante explicação de Haas (2010, p. 166), “materializam as diretrizes, filosofias e pressupostos das políticas pedagógicas propostas pela instituição, sendo responsáveis diretos pela qualidade da formação oferecida pelas instituições de educação superior”, e devem explicitar “o percurso formativo, sua concepção e o perfil esperado do egresso”, observando o que preconizam as Diretrizes Nacionais Curriculares, e articulando-se, ainda, ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI).
No PDI da Universidade Federal de Juiz de Fora, encontra-se manifesta a necessidade de articulação das informações acerca dos egressos – na atual conformação, quando existem, estão disponíveis apenas nas Unidades Acadêmicas −, com vistas a melhor gerenciar essas informações para o delineamento de políticas a nível institucional (UFJF, 2015b).
À vista disso, resta clara a importância do estudo das versões do PPCESA: em primeiro lugar, porque é imprescindível a revisão do projeto pedagógico do curso quando se pretende aperfeiçoá-lo continuamente; e, em segundo lugar, ao assim proceder, os gestores demonstram comprometimento com a qualidade do curso ofertado, e também zelo com o tipo de profissional que almeja formar.
Para embasar as argumentações deste trabalho, realizaram-se consultas a teóricos que abordam a temática aqui discutida; analisaram-se documentos institucionais; e procedeu-se à pesquisa de campo. Assim, no capítulo 2 a seguir, serão apresentados o referencial teórico, a metodologia empregada e as análises e interpretações realizadas a partir do estudo dos dados coletados, com o objetivo de responder à questão problema inicialmente formulada.
2 ANÁLISE DA CONSTRUÇÃO DE UM PPC
Conforme disposto no capítulo 1, é preciso assegurar que haja compatibilidade entre as demandas do mercado de trabalho e dos cursos de pós-graduação com o ensino ofertado pelas IES. Para atingir tal fim, os gestores acadêmicos devem se munir de informações relevantes tanto do ambiente interno quanto do ambiente externo à instituição.
Considerando que esse diagnóstico é fundamental para subsidiar as decisões dos professores a respeito da qualidade dos cursos e, ainda, que essas decisões implicam mudanças que, para serem efetivadas, exigem procedimentos burocráticos, esta pesquisa foi dividida em dois eixos de análise: o pedagógico e o administrativo. Dessa maneira, no presente capítulo, os itens e subitens abordados foram definidos a partir dos assuntos inerentes ao currículo e ao PPC, ao papel gerencial dos docentes universitários, ao vínculo entre a universidade, o mercado de trabalho e os programas de pós-graduação, ao acompanhamento de egressos e à avaliação institucional.
Além destes, na próxima seção, será apresentada a metodologia a ser empregada para a obtenção dos dados para a investigação do fenômeno estudado e, posteriormente, apresentar- se-á também a sua análise.