• Nenhum resultado encontrado

Procedimentos Metodológicos e Survey

No documento soniamariaferreiraazalim (páginas 45-50)

Encontram-se definidos neste segmento do trabalho os procedimentos adotados para a sua execução. Para isso, foram descritos o tipo de pesquisa realizada, os atores envolvidos no contexto analisado, os instrumentos utilizados, os procedimentos para coleta e, posteriormente, a análise dos dados observados.

Destaca-se que, além das pesquisas, foi utilizado como recurso metodológico uma revisão da literatura de temas como: currículo; PPC; o papel dos docentes-gestores; a formação, o mercado de trabalho e os programas de pós-graduação; e políticas institucionais.

O referencial teórico foi construído a partir da perspectiva de autores como Gesser e Ranghetti (2011), Gonçalves e Soares (2012), Menezes e Araújo (2007), Michelan et al (2009) que abordam o tema do currículo; Lessa (2006) e Minguili e Daibem (s/d) que ressaltam a importância de um PPC; Marra e Melo (2003), Gradella Júnior (2006) e Correia Alvarenga e Garcia (2014), que tratam do papel dos docentes-gestores; Gondim (2002), Pietrovsky (2002), Chauí (2003), Louzada e Martins (2005), Brom (2006), Ferreira (2007) e

Valore e Selig (2010), que relacionam formação, mercado de trabalho e programas de pós- graduação; Louzada e Martins (2005), Gomes e Moraes (2014), Souza e Kpnis (2016) e Vianna (s/d) que apoiam as discussões sobre políticas institucionais. Além destes autores, os temas foram considerados, inclusive, sob a ótica oficial, por meio de consulta aos sítios eletrônicos de instituições como o MEC, o Inep e o Diário Oficial da União.

Adicionalmente, foram estudados os seguintes documentos: relatórios do MEC e do Enade; versões do PPCESA; o PDI/UFJF – 2016-2020, a Portaria Normativa MEC nº 40; a Nota Técnica do MEC nº 793; e o Regulamento Acadêmico de Graduação da UFJF (RAG).

Do ponto de vista de sua natureza, esta é uma pesquisa aplicada, considerando que tenciona produzir conhecimentos para aplicações práticas, as quais poderão ser implementadas na busca pela solução de problemas específicos. Dessa maneira, a metodologia empregada será o Estudo de Caso que, de acordo com Pereira, Godoy e Terçariol (2009), caracteriza-se por descrever holisticamente realidades complexas inseridas num contexto social. Leonard-Baxton (1990) apud Pereira, Godoy e Terçariol (2009, p. 424) explica que

o Estudo de Caso é a história de um fenômeno, passado ou corrente, desenhado a partir de múltiplas fontes de evidência, nas quais se incluem dados obtidos tanto em observações diretas e entrevistas sistemáticas, como em arquivos públicos ou privados. Cada fato relevante para o conjunto de eventos descritos no fenômeno é um dado potencial para o Estudo de Caso. Becker (1997, p. 117) ensina que o termo “estudo de caso” advém de uma tradição de pesquisa médica e psicológica, e consiste na análise minuciosa de determinada ocorrência, e supõe que, “a partir da exploração intensa de um único caso”, pode-se conhecer satisfatoriamente o fenômeno. O autor relata, ainda, que esse método investigativo foi adaptado para utilização na análise das ciências sociais, considerando, na maior parte das vezes, não um único ser, mas uma coletividade.

Pela impossibilidade de se proceder a testes exaustivos que possam provar ou refutar as hipóteses colocadas, o estudo de caso deve ser muito bem planejado, muito bem descrito pelo observador do problema, com vistas a diminuir as subjetividades e evitar o bias, a tendenciosidade, quando da análise dos dados (BECKER, 1997). A opção por essa metodologia de pesquisa - o estudo de caso - deu-se pela necessidade de compreender o fenômeno em questão para nele intervir, propondo ações que possam melhorar o cenário estudado.

Quanto à sua abordagem, esta é uma pesquisa qualitativa, tendo em vista que a relação aqui estudada é descritiva e, dessa forma, corresponde mais às percepções dos sujeitos, as quais deverão ser analisadas indutivamente.

A definição dos sujeitos da pesquisa foi realizada em virtude da especificidade das informações desejadas de cada segmento. Assim, foi elaborado um questionário direcionado aos egressos do Curso de Engenharia Ambiental e Sanitária, com o objetivo de levantar informações sobre a percepção desses quanto à: (i) sua satisfação com a formação recebida, (ii) adequação da formação recebida com as exigências para ingresso no mercado de trabalho; (iii) adequação da formação recebida com as exigências para ingresso nos cursos de pós- graduação. São exatamente 50 (cinquenta) egressos pesquisados, desde os graduados em fevereiro de 2014 até aqueles que se formaram em agosto de 2016. Para eles foi enviado, por e-mail, um questionário (Apêndice A). Esse recorte foi adotado porque a experiência do egresso diante do mercado de trabalho e/ou da tentativa de ingresso em cursos de pós- graduação é relevante para a obtenção de informações mais consistentes, que permitam uma análise mais coerente da realidade que se quer mapear.

As entrevistas semiestruturadas (Apêndices B e C, respectivamente) – realizadas pela pesquisadora – aconteceram em dois momentos: inicialmente, com 15 (quinze) professores que ministram disciplinas dos núcleos básico, específico e profissionalizante do Curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da UFJF, e com o diretor da Faculdade de Engenharia. A intenção foi buscar conhecer a percepção desses docentes no que se refere à conveniência de uma provável implementação de um programa de acompanhamento de egressos, por entender que essa medida só será possível com a anuência e colaboração dos docentes da instituição e, adicionalmente, levantar a opinião desses profissionais da educação no que toca às alterações curriculares, à construção e ou adequação dos PPCs dos cursos.

Em seguida, foram entrevistados 8 (oito) representantes de empresas públicas e privadas, especificamente aqueles que supervisionam os estagiários do curso em tela, para conhecer-lhes a opinião quanto à qualidade dos futuros profissionais formados pelo CESA da Universidade Federal de Juiz de Fora. As entrevistas foram agendadas previamente, por meio de contatos telefônicos e/ou e-mail, em dias e horários estabelecidos pelos sujeitos, de acordo com a sua disponibilidade.

Além disso, as entrevistas foram gravadas, transcritas, analisadas, transformadas em informação e arquivadas mediante autorização dos pesquisados, mantendo-se o anonimato dos mesmos. O período de realização das entrevistas ficou restrito entre os dias 6 de abril a 17 de maio de 2017, e a duração das mesmas variou de 9 minutos e 32 segundos a 49 minutos e 5

segundos. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi preenchido e assinado individualmente por cada entrevistado e pela pesquisadora, cada qual ficando com sua via correspondente.

Para a consecução deste trabalho foi necessário realizar um levantamento de campo (survey), uma vez que “pesquisas deste tipo se caracterizam pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer” (GIL, 2008, p. 74). Como anteriormente mencionado, foram utilizados os seguintes instrumentos para coletar dados: questionário e entrevista semiestruturada.

Um questionário consiste, segundo Gil (2008, p. 121), num “conjunto de questões que são submetidas a pessoas com o propósito de obter informações sobre conhecimentos, crenças, sentimentos, valores, interesses, expectativas, aspirações, temores, comportamento presente ou passado etc”. Embora possua limitações - como, por exemplo: impede que as dúvidas dos respondentes sejam esclarecidas; o número de devolutivas nem sempre é representativo; a quantidade de questões deve ser reduzida para não se tornar maçante -, esse instrumento possui características que o configuram como o mais adequado para um grupo maior de pesquisados, quais sejam: a possibilidade de atingir mais pessoas simultaneamente, abrangendo uma área geográfica mais ampla; demanda menores gastos – quando comparado a outros instrumentos de pesquisa; permite a resposta no momento mais conveniente para o pesquisado; garantia do anonimato; além de evitar a influência da opinião do pesquisador sobre os respondentes (GIL, 2008).

Com relação à entrevista, Gil (2008, p. 109) a define “como a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação”, sendo “uma das técnicas de coleta de dados mais utilizada no âmbito das ciências sociais”. Sua grande vantagem reside no fato de permitir a coleta de percepções, opiniões e comportamentos de forma mais interativa, isto é, permite que ambas as partes – investigador e investigado - procedam às explicações que julgarem necessárias, dirimindo dúvidas e, com isso, aumentando o nível de confiabilidade e precisão das respostas, o que justifica a utilização dessa ferramenta. Outrossim, esses instrumentos configuraram-se os mais adequados para a coleta das informações necessárias, pois, além da inferida facilidade para categorizá-las, eles forneceram os dados primários, isto é, aqueles dados extraídos da realidade, por meio do trabalho do pesquisador (PRODANOV e FREITAS, 2013).

No Quadro 2 estão relacionados os sujeitos da pesquisa a letras e algarismos para garantir-lhes o anonimato. Estão também discriminados os instrumentos que foram aplicados

a cada participante – ou grupo de participantes. Adicionalmente, estão representados no quadro 2 o número de tentativas de contato e o número de retornos obtidos.

Quadro 2 – Sujeitos da pesquisa relacionados aos instrumentos utilizados e ao número de participações

Sujeito Identificação Tentativa

de contato Retorno Instrumento

Egressos - 50 37 Questionário

Diretor D 1 1 Entrevista

Diretor DiAvI DD 1 1 Entrevista

Coordenador do CESA C 1 1 Entrevista

Vice-coordenador do CESA VC 1 1 Entrevista

Professores da Faculdade de

Engenharia e do ICE P1 a P13 15 13 Entrevista Supervisores de estágio S1 a S9 13 9 Entrevista Fonte: Elaborado pela autora (2017).

Estes instrumentos - questionário e entrevistas - foram elaborados com vistas a atender aos propósitos do estudo de caso em tela, quais sejam: compreender o cenário em que está inserido o CESA - questões legais e estruturais – e “desenvolver declarações teóricas mais gerais sobre regularidades do processo e estrutura sociais” (BECKER, 1997, p. 118), com a finalidade de compreender o fenômeno pesquisado para permitir que os gestores possam escolher os caminhos mais adequados que o curso deverá seguir.

O plano amostral dos entrevistados, conforme demonstrado no quadro 1, compõe-se de 26 (vinte e seis) sujeitos. A metodologia utilizada para o survey sobre a percepção dos professores considerou, primeiramente, os mais antigos no Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental, uma vez que este departamento oferece o maior número de disciplinas específicas para os alunos do CESA, além de ter sido o proponente do curso; o segundo critério utilizado foi buscar docentes da Faculdade de Engenharia e do ICE que atendem ao curso, abrangendo os núcleos básico e profissionalizante. Foram entrevistados também os docentes que possuem cargos administrativos na UFJF que, de alguma forma, se relacionam ao tema desta pesquisa: o Diretor da Unidade, a Diretora da Diretoria de Avaliação Institucional, o Coordenador e o Vice-coordenador do CESA.

A despeito de o Diretor da Unidade não pertencer ao quadro de docentes do CESA, considerou-se importante verificar suas opiniões e percepções relativas ao programa de acompanhamento dos egressos dado seu poder de decisão inerente ao cargo, já que pode

interferir na implementação do plano de ação que será proposto no terceiro capítulo desta pesquisa.

Do mesmo modo, a Diretora da DiAvI não mais leciona para os alunos do CESA, porém sua apreciação é deveras importante, tendo em vista que o acompanhamento do egresso é componente integrante da autoavaliação institucional.

Quanto à escolha dos supervisores dos estagiários, buscou-se formar um conjunto que representasse o mesmo número de empresas privadas que de empresas públicas. No entanto, essa pretensão foi inviabilizada porque nem todos os que foram procurados puderam receber a pesquisadora. Desse modo, foram consultados 2 (dois) representantes de empresas privadas e 7 (sete) representantes de empresas públicas – uma delas concessionada –, sendo todas concedentes de estágio para o CESA devidamente conveniadas com a UFJF e situadas no município de Juiz de Fora - MG.

Ainda no que concerne à pesquisa de campo, cabe informar que a aplicação dos questionários se deu entre os dias 3 de abril e 21 de junho de 2017. O índice de aceitação a este estudo mostra-se representativo, pois dos 50 (cinquenta) formulários enviados, 37 (trinta e sete) retornaram, perfazendo 74% do total. Da mesma forma com que se procedeu na entrevista, o questionário garantiu aos respondentes o anonimato.

No que diz respeito aos dados secundários, os quais se referem àqueles já disponíveis, que não requerem coleta por parte do pesquisador (PRODANOV e FREITAS, 2013), esses foram obtidos por meio de consultas a documentos, sítios eletrônicos e bibliografias. São dados referentes a resultados de avaliação do CESA pelo MEC e também da avalição do desempenho dos estudantes pelo Enade, por exemplo. A análise realizada encontra-se fundamentada pelo referencial teórico, que forneceu os argumentos necessários para a reflexão acerca das informações obtidas, corroborando ou refutando as hipóteses colocadas.

No documento soniamariaferreiraazalim (páginas 45-50)