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Primeiramente, é necessário classificar os principais impactos ambientais causados pela indústria de produção animal para o consumo humano. Focaremos nos fatores relacionados com a pegada ecológica: uso de solo (desmatamento, erosão e esgotamento), emissão de gases poluentes, uso de recursos hídricos (gasto de água, poluição e esgotamento) e desmatamento.

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SO DE SOLO

O uso do solo se caracteriza como 3 principais fatores, referentes à área total necessária para a produção do gado bovino: desmatamento, erosão e esgotamento do solo. Sabe-se que certas regiões, como os pampas ou os campos sulinos por exemplo, são planícies mais apropriadas à criação do gado, e nestes casos não é necessário o desmate

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de florestas nativas para a atividade, porém, mesmo nestas áreas, o uso excessivo do solo para pecuária causa compactação, erosão e esgotamento do solo.

Primeiramente é necessário dizer que a criação do gado requer no mínimo 1 hectare de terra por boi, porém no Brasil, os pastos abertos a partir de conversão de florestas nativas não são capazes de sustentar grandes rebanhos por unidade de terra. São necessários 3 a 5 hectares para o boi subsistir nesses terrenos. (WINCKLER, 1992, apud GREIF, 2002). Para melhor ilustrar a extensão necessária de solo, considerando o valor de 1,5 hectares por boi, caso toda a população dos EUA comesse carne todos os dias, seria necessária uma área equivalente a todo território dos EUA, Canadá, Médico, e metade da América Latina (COWSPIRACY, 2014).

Em relação à erosão e ao esgotamento do solo, calcula-se que cerca de 85% da perda total de solo nos EUA seja devido à pecuária. Este solo compactado e desertificado não é mais apropriado nem ao pasto, menos ainda à agricultura. Estima-se que para cada quilo de carne ou frango produzido, 2,2 kg de solo é perdido (LAPPÉ, 1982; ROBINS, 1987; DURNING, 1991; apud GREIF, 2002).

A cada 18 segundos, o equivalente a 1 hectare é desmatado para pasto, isso representa cerca de 1 campo de futebol por segundo. Dentro dente contexto, a Amazônia é considerada o maior vetor de desmatamento do mundo, correspondendo a 1 à cada 8 hectares desmatados. O governo brasileiro admite que a agropecuária é a principal responsável pelo desmatamento, correspondendo à 80% do total do desmate. (MARGULIS, 2004, apud FESTA, 2015). Estudos mostram que a floresta amazônica pode desaparecer nos próximos 10 anos, e atualmente, em relação à extinção de biodiversidade no local, enfrentamos a realidade da perda de 100 espécies por dia (COWSPIRACY, 2014). É importante ressaltar que alguns estudos culpam a monocultura da soja e do milho transgênicos pelas maiores perdas de área de floresta, o que pode ser diretamente relacionado à pecuária considerando que 70 a 90% da soja produzida é direcionada para a alimentação do boi. Nos últimos 20 anos, vem tentando-se alarmar o mundo a respeito das consequências da indústria pecuária, principalmente na Amazônia, que naturalmente não tem estrutura para comportar esta atividade, porém mais de 1.100 ativistas que tentaram se levantar contra esta indústria foram assassinados no Brasil. (COWSPIRACY, 2014)

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MISSÃO DE GASES POLUENTES

Nos anos 80, estudos já comprovavam que 12% do aumento global de temperatura devido à emissão de gases de efeito estufa se deviam à emissão de metano através da flatulência do gabo bovino (LAPPÉ, 1982, apud GREIF, 2002). Esse valor tende à aumentar, a medida em que as maiores populações mundiais, como a Chinesa, começam a ter mais acesso à carne e aumentam o consumo desta. Em 2006, a ONU declarou que a indústria dos transportes era responsável por 13% da emissão de CO² para a atmosfera, enquanto que a indústria pecuária era responsável por 18%. Estes valores foram revistos pela WorldWatch em 2009, ao considerarem que não são somente os gases emitidos pelos animais que devem ser levados em conta, mas todos os gases emitidos pela conversão de florestas em pastos, pelo cultivo e transporte de grãos para alimentar esses rebanhos, pelo transporte dos animais e dos produtos derivados deles, além de todos os excrementos gerados por estes. Desta forma, o valor foi recalculado e agora sabe-se que 51% de toda a emissão de gases de efeito estufa se deve à indústria da carne. (apud FESTA, 2015). Para termos uma comparação, por quilo de carne: o boi emite 24 kg ²de CO², o carneiro emite 17 Kg de CO², o porco emite 6 kg de CO² e o frango emite 4,5 kg de CO² (ver imagem em anexo).

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SO DE RECURSO HÍDRICOS

Muito é dito a respeito da economia de água nas residências, e nos últimos anos temos visto populações inteiras passando por racionamento de água no Brasil, devido à chamada “crise hídrica”, que atingiu milhares de pessoas em regiões onde a água voltada para o consumo domiciliar se encontrava escassa. Porém, mais de 50% de toda a água consumida no Brasil é utilizada para atividade agropecuária. Nos EUA, a produção de gado chega a consumir 80% de toda a água utilizada no país. O consumo doméstico representa uma parcela muito pequena do consumo de água (FESTA, 2015). Para se ter uma ideia, a produção de 1 hambúrguer de 110g gasta aproximadamente 2,5 mil

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litros de água, o que equivale a dois meses de banho para uma pessoa. Pesquisas demonstram que uma dieta onívora requer mais de 15 mil litros de água por pessoa/por dia, enquanto que uma dieta vegetariana requer mil litros de água por pessoa/por dia. Em São Paulo, para a criação de frangos, estima-se que são gastos cerca de 114 milhões de litros de água por dia (produção de 12 milhões de frangos por dia) (WWF, 2011, apud FESTA, 2015). Para a criação de camarões em cativeiro, gasta-se 50 mil litros de água para a produção de 1 kg de camarão. (MALVEZZI, 2006, apud FESTA, 2015). Para ilustrar o quão absurdo é este gasto, considere que para cada quilo de alimento produzido: O camarão gasta 50 mil litros, a manteiga gasta 18 mil litros, o boi gasta 17 mil litros, o carneiro gasta 6 mil litros, o porco gasta 5 mil litros, o queijo gasta 5 mil litros, o frango gasta 4 mil litros, o leite de vaca gasta 1 mil litros, enquanto que o arroz gasta 3 mil litros, a banana gasta 500 litros e a batata gasta 132 litros. (MALVEZZI, 2006; WWF, 2011, PLANETA SUSTENTÁVEL, apud FESTA, 2015)

Além do gasto de água, há de se considerar a poluição emitida para os oceanos e lençóis freáticos devido à contaminação por efluentes da indústria agropecuária. Sangue, gordura, vísceras, urina e fezes impregnam a água com antibióticos, hormônios, pesticidas e outros materiais tóxicos advindos de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Além disso, a falta de tratamento dos dejetos destes animais é preocupante. Nos EUA, 5 milhões de kg de esterco são emitidos por segundo pelo gado, e não recebem qualquer tratamento de esgoto (LAPPÉ, 1982 apud GREIF, 2002). Esse excremento causa grande eutrofização de lagos e cursos d’água, causando grande mortalidade de peixes e qualquer vida aquática.

Agora referente à vida aquática, sabe-se que a pesca predatória já deletou a maior parte dos nossos estoques naturais de peixe nos oceanos. 75% das zonas de pesca se encontram atualmente esgotadas, mortas ou sobreexploradas (COWSPIRACY, 2014). Além disso, há de se considerar que, devido à pesca predatória com imensas redes submersas, à cada 450 g de peixe comercial, são capturados 2,2 kg de outras espécies marinhas, entre tartarugas, golfinhos e tubarões. Estamos sob ameaça de uma extinção em massa da biodiversidade nos oceanos, pois a atual demanda de peixes é maior do que a capacidade dos sistemas marinhos se regenerarem, assim, estima- se que por volta de 2048 não haverá mais peixes no oceano (WORM et al. 2006, apud FESTA, 2015).

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