• Nenhum resultado encontrado

5) PROPOSTAS E EXPERIÊNCIAS DE APROXIMAÇÃO ENTRE ARQUIVOLOGIA,

7.3 Pontos de convergência entre as áreas de Arquivologia, Biblioteconomia, Museologia e

7.3.1 Informação e documento como objetos de trabalho

Os pontos de aproximação entre as áreas são explicitados de maneira diversa pelos entrevistados. Temos casos em que esta aproximação é vista através de alguns pontos de contato e outros casos em que há o destaque para temáticas comuns às áreas e que podem compor disciplinas envolvendo os três cursos de graduação. Algumas falas apresentam a ideia das Ciências Sociais Aplicadas como grande ponto de união e em outros casos, grandes temas transversais, como Memória e Patrimônio e a Cultura são apresentados como pontos de união.

Um ponto que foi observado como ponto de aproximação entre as áreas é objeto de trabalho e neste sentido, destaca-se as noções de informação e documento. O conceito de informação é apresentado por algumas falas como unificador das áreas. As falas de cinco dos entrevistados definem a ideia da informação como objeto de trabalho destas áreas.

O que une estas áreas. Eu acho que as três áreas trabalham com a informação. Eu acho que de alguma maneira as três áreas mexem com informações, informações diferentes, informações com aplicações diferentes para usuários diferentes. Mas as três áreas vão mexer com algum tipo de informação. As três lidam com um público, com acesso a esta informação de alguma maneira. A pessoa que precisa de uma

134 informação na Biblioteconomia, na Arquivologia, na Museologia, mas também são acessos diferenciados. (Entrevistado 3 C).

O que se observa é que a informação é o objeto de trabalho, mas com características diferentes, pois as áreas possuem especificidades. O objetivo é similar que é dar acesso a esta informação, mas este acesso é diferenciado, pois as áreas têm públicos diferentes, procedimentos diferentes.

A importância da informação na contemporaneidade é destacada pelo entrevistado 2 D como ponto que une as áreas, no entanto ele acha importante qualificar este diálogo no sentido de que as áreas possuem suas especificidades e identidade.

O que as une eu acho que é exatamente esta contemporaneidade, esta contemporaneidade que nos leva quase a formar chavões. Informação é poder, conhecimento é poder. Estamos na sociedade do conhecimento. O direito de cidadania está intimamente ligado ao direito de informação. Mas eu acho então se a gente está aqui dentro deste reduto nos cabe também qualificar isto. E fazer esta reflexão, pois buscar a interlocução não significa que está disposto a perder a suas identidades. Acho que esta questão da informação que é tão importante para este mundo contemporâneo é um ponto de interlocução, mas as áreas têm as suas especificidades e que não são acessórias (Entrevistado 2 D).

Há falas em que o conceito de informação está encaixado dentro do campo da organização da informação, área na qual a Ciência da Informação possui estreita relação com a Biblioteconomia e com a Documentação. Neste sentido, a adoção de disciplinas teóricas como fundamentos da classificação, teoria da classificação, teoria do conceito são defendidas como importantes para dar essa base às áreas, pois todos vão lidar com acervo, com informação dentro desses acervos.

Como conceito, acervo, qualquer disciplina que fale de organização de acervo tem a ver com isso. As três áreas lidam com organização e tratamento da informação é uma coisa que é comum para as áreas. As três áreas têm que organizar os acervos e tirar deles as informações, indicar onde estão as informações nele, classificando, indexando etc. (Entrevistado 2 A).

A questão da informação, dos processos informacionais é destacada como ponto de diálogo entre as áreas. Todas estas áreas possuem atores que estabelecem relações com a questão da informação, com os fluxos de informação, embora diferenciados, de acordo com a área, este olhar, este foco é destacado como eixo de discussão, de diálogo entre as áreas. Tal como destaca a fala abaixo:

135 O que eu acho que a Ciência da Informação é uma área que tem como foco a questão dos processos informacionais e que estes processos informacionais têm que ser desenvolvidos de tal forma que atendam a um público. E todas estas três áreas (Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia) têm uma base de informação, processos de informação específicos de fazer com que a informação chegue ao público independentemente das técnicas serem as mesmas. E então eu acho que a ciência da informação ela tem, pode não ser o global dela, mas ela tem o pedaço que trata desta questão (Entrevistado 2 C).

A Ciência da Informação é vista como um tipo de olhar para o fenômeno informacional contemporâneo que perpassa essas três áreas nesta questão dos processos informacionais, ou seja, como as pessoas têm acesso, qual a satisfação, como elas usam a informação.

Importante observar que as falas que destacam a informação como ponto de proximidade entre as áreas vêm de entrevistados mais relacionados a Biblioteconomia e a Ciência da Informação. Os entrevistados com maior proximidade com a Arquivologia entendem que a noção de documento representa melhor o objeto de trabalho da área. Já os entrevistados mais relacionados a Museologia entendem que a informação é um conceito que encontrar pouca força nos textos da área.

Outro ponto considerado como convergente que é a noção de documento. Esta noção em alguns momentos é utilizada para contrapor a noção de informação e entendida como pontos de contato entre as áreas de Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia. Para o entrevistado 4 A “a base da Arquivologia é entender o que é um documento arquivístico. Documentos com características extrínsecas (suporte) e intrínsecas (uma delas é a informação)”.

O entrevistado 2 A faz uma observação interessante, ele observa que:

Nos eventos da área de Arquivologia, quando a pessoa fala em informação arquivística ele percebe que ela está inserida nessa discussão incluindo a Ciência da Informação como área de diálogo. Já os que evitam falar isso, preferem o conceito de documento, defendem que a Arquivologia não trabalha com informação, esse aí você pode saber que não quer a aproximação com a Ciência da Informação (Entrevistado 2 A).

136 Ele completa, “isso não tem lógica, só pode ser informação, ninguém vai buscar documento, é informação que o usuário busca”.

Ainda na área de Arquivologia, percebe-se a tentativa de defender o uso da noção documento, pois ela é anterior a noção de informação e ainda não foi superada por ela.

O arquivo antes de trabalhar com o conceito de informação ele trabalhou com o conceito de documento. Que é muito diferente de informação. Então assim, o documento na sua perspectiva mesmo no primeiro momento jurídico, o documento que prova direitos de cidadania e isto ai já impõe todo um tratamento diferenciado (Entrevistado 2 D).

Em alguns casos, o conceito de documento surge como a noção que unifica as áreas de Ciência da Informação, Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia. O entrevistado 3 A entende que existe uma noção de documento arquivístico, uma noção museal de documento, outra de documento bibliográfico, existe a noção de documento em geral. E entende ser importante mostrar onde há pontos em comum e onde há diferenciações nesses conceitos de documento.

O entrevistado 3 B corrobora com esta ideia e argumenta: “o que une estas áreas eu acredito que é o documento. A visão do documento, a análise do documento”. E exemplifica:

Então o documento enquanto objeto, por exemplo, o documento arquivístico que é uma prova, seja um processo ou uma ata, exposto numa exposição museológica passa a ser um objeto museal. Então é uma linha de pesquisa muito importante, relevante, esta análise do objeto, do documento arquivístico passar a ser documento objeto de museu (Entrevistado 3 B).

Embora esta noção de documento seja vista como ponto de união entre as áreas, as diversas tipologias de documentos trabalhados nas áreas implicam uma série de procedimentos que são muito diferentes no tratamento técnico dos mesmos. O entrevistado 3 A argumenta que:

O documento arquivístico tem valor de prova, tem valor de testemunho e tem valor informativo. Então o valor de prova enfim ele serve como um elemento ai em qualquer procedimento que envolva o acesso ou a punição de direito. E então é um elemento importante, um dos valores que vai regular inclusive a temporalidade dos documentos e tal. O valor de testemunho são aqueles documentos que registram o produtor, os momentos, vamos dizer assim centrais na própria constituição daquele que é o

137 produtor do documento. E o valor informativo é o valor vamos dizer assim, gera os valores secundários, quer dizer o valor de pesquisa. De certa maneira estes valores estão ligados ao próprio ciclo de vida dos documentos, o arquivo corrente, intermediário, permanente e tal (Entrevistado 3 A).

Ele entende que “em todos estes momentos o documento tem um valor informacional, ele vai agregando dimensões ou ênfases. Esta dimensão informacional está presente nestes documentos e são os momentos que você pode estabelecer diálogos com a área de Ciência da Informação” (Entrevistado 3 A).