• Nenhum resultado encontrado

O ingresso no Curso Normal

Segundo Julia (2001), entre a imposição do Estado para as escolas e a realidade construída pelos atores educacionais, há sempre resistências e contradições, pois as transgressões produzidas, dão novo sentido à história das instituições escolares, diferenciando-se das prescrições oficiais, em sutilezas ou contrastes. Nessa linha de raciocínio, levamos em conta como uma escola interage com as normas de controle, ao prescrito externamente e ao produzido internamente, caracterizando-se como um caminho para lhe atribuir uma identidade no cenário histórico educacional. (MAGALHÃES, 2005, 1999b).

Durante a existência do Curso Normal de 1º Ciclo, em Assu, a construção da sua cultura escolar interagiu com a legislação que regulamentava o Ensino Normal brasileiro e norte-rio-grandense. Quando passou a funcionar com a denominação de Curso Normal Regional de Assu, em 1952, a dinâmica cotidiana produzida foi amparada e regulamentada, sobretudo, pelo Decreto-Lei Federal n. 8.530/1946 e pelo Decreto-Lei Estadual n. 684/1947.

Dentre as normas de tais Decretos, estavam os procedimentos de admissão dos alunos no Curso Normal de 1º Ciclo. Em Assu, em virtude de a instituição em foco ter sido um lugar basicamente de formação feminina, as fontes pesquisadas sobre os processos do ingresso escolar são informações contidas em pastas individuais de alunas, onde estão documentos comprobatórios das décadas de 1950 e de 1960. No intervalo dessas duas décadas, evidenciam-se pequenas distinções quanto às exigências e aos procedimentos de matrícula para as vagas ofertadas em cada início de ano escolar.

No primeiro ano de funcionamento do Curso Normal Regional de Assu, em 1952, as aulas estavam previstas, oficialmente, para terem início no dia 15 de março. Entretanto, em decorrência dos preparativos necessários, só começaram no dia 20 desse mesmo mês. As alunas da turma pioneira efetivaram as suas matrículas de 1º a 10 de março. Elas apresentaram ao diretor da instituição, Lídio da Rocha Freire, um conjunto de documentos, objetivando atestar que cumpriam os requisitos legais para o ingresso no Curso Normal Regional de Assu. Os requisitos incluíam: idade mínima de 13 anos e máxima de 25; ser brasileira; ter sanidade física e mental, não possuindo deficiências e distúrbios funcionais que comprometessem as futuras atividades docentes; ser habilitada nos exames de admissão; e gozar de bom comportamento no grupo social. (LEI n. 684, 1947; DECRETO-LEI n. 8.530, 1946; LIVRO DE FUNCIONAMENTO, 1952).

21 moças, na faixa etária de 15 a 25 anos, matricularam-se na primeira turma do Curso Normal Regional no tempo previsto para as inscrições.

QUADRO 4

Alunas conforme a ordem de matrícula da primeira turma do Curso Normal (1952)

Fontes: Lista de matrícula da primeira turma (1952); Ata de formatura (1955). Arquivo da Escola Estadual Juscelino Kubitschek.

Das 21 alunas registradas na primeira lista de matrícula de 1952, não identificamos as datas de nascimento de Benedita Cabral, Inês Mendes da Silva e Joana Mendes da Silva. Das demais, que totalizam um número de 17, apresentamos um gráfico ilustrativo com o percentual de suas idades, as quais variam entre 15 e 25 anos.

7 Ingressou, posteriormente, na primeira turma do Curso Normal, não constando, assim, na primeira lista das

alunas matriculadas.

Alunas Datas de

nascimento

Filiação Naturalidade 1. Cornélia Dantas de Macêdo 15/09/1936 Ademar Bezerra de

Macedo

Assu 2. Nilda Maria de França 11/07/1932 Pedro Luís de França Assu 3. Maria Zélia Morais 08/01/1931 José Avelino de Morais Assu 4. Isabel da Costa Fonsêca 09/08/1936 Henrique Augusto

Fonsêca

Assu 5. Maria Salomé de Moura 19/12/1931 Joaquim Francelino de

Moura

Patu 6. Teresinha Caldas Medeiros 13/06/1934 Pedro Leopoldo de

Medeiros

Assu 7. Maria Salete Farias 27/02/1937 Luis de Oliveira Assu 8. Maria da Salete Soares 28/06/1937 Tertuliano Soares Assu 9. Teresinha Varela Dantas 16/02/1929 Francisco Rosendo

Dantas

Assu 10. Sebastiana de Oliveira Cruz 02/07/1935 Aurélio Alfredo da

Cruz

Assu 11. Maria Nair de Oliveira 07/09/1931 Francisco Batista Assu 12. Maria Haidê de Oliveira 23/08/1932 Luiz Cândido de

Oliveira

Assu 13. Margarida Rodrigues de Brito 21/12/1935 Genésio de Brito Assu 14. Nair Fernandes Rodrigues 28/08/1927 José Fernandes Vieira Assu 15. Inês de Oliveira Souto 24/01/1935 Manoel Souto Assu 16. Eurídice Pinto Bezerra 14/06/1936 José Bezerra de Sousa Santana do

Matos 17. Maria Consuelo Rodrigues 1/04/1936 João Rodrigues de

Oliveira

Macau 18. Alice Augusto de Souza 22/02/1930 Luis Augusto de Souza Assu 19. Benedita Cabral Luis Paulino Cabral Assu 20. Inês Mendes da Silva João de Oliveira

Mendes

Assu 21. Joana Mendes da Silva João de Oliveira

Mendes

Assu Libânea Lopes Pessoa7 28/12/1928 João Manoel Pessoa Ipanguaçu

GRÁFICO 1

Idade das alunas matriculadas em 1952

Fonte: Lista de matrícula (1952).

Arquivo da Escola Estadual Juscelino Kubitschek.

Para Romanelli (2005), o limite de idade de 25 anos estabelecido para a admissão das alunas no Curso Normal de 1º Ciclo impedia parte do professorado leigo em serviço de se habilitar para o magistério primário. O principal público matriculado era de adolescentes, moças com 13 ou 14 anos, por exemplo, recém saídas da escola primária. Em Assu, conforme o gráfico ilustra, a faixa etária que mais se destacava era a de 16 anos, seguida das de 17 e 21 anos.

Das alunas matriculadas, chamou atenção à data de nascimento de Nair Fernandes Rodrigues, indicando ter a aluna 25 anos, idade máxima permitida pelas normas oficiais para o ingresso no Curso Normal. No Livro de Concluintes do Curso Normal (1955-1978), a data de nascimento da referida aluna consta de 1928. Entretanto, o Registro civil das pessoas naturais (1960) atesta que ela nasceu em 28 de agosto de 1922, transparecendo que na ocasião da matrícula ela tinha quase 30 anos. Infelizmente, não encontramos no acervo a documentação de matrícula de Nair Fernandes Rodrigues, que, por aqueles idos, era professora da Escola Antonio de Sá Leitão, da Liga Operária Assuense, bem como ocupava a função de tesoureira. De acordo com Pinheiro (2000b), a mestra, nascida em 1922, destacou-

se como poetisa e educadora, com um percurso profissional que deixou marcas em instituições de ensino público e privado no município assuense. (LISTA DE MATRÍCULA, 1952; REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS, 1960; LIVRO DE CONCLUINTES, 1955-1978).

A documentação exigida para as moças se matricularem no Curso Normal de 1º Ciclo reunia o Registro civil das pessoas naturais, o Certificado do Ensino Primário e o Requerimento de matrícula. Quanto à comprovação de êxito nos Exames de Admissão, não encontramos nenhuma certificação institucional. As alunas de 1952 apenas declararam tal informação no Requerimento de matrícula, produzido pelo próprio punho, como demonstra a figura 9.

FIGURA 9: Requerimento de matrícula de Cornélia Dantas de Macêdo (1952). Fonte: Arquivo da Escola Estadual Juscelino Kubistchek.

FIGURA 10: Certificado do Ensino Primário de Cornélia Dantas de Macêdo (1951). Fonte: Arquivo Escola Estadual Juscelino Kubitschek.

Constituía ainda a documentação necessária para a matrícula, o Atestado de saúde e vacinação, a exemplo do apresentado por Cornélia Dantas de Macêdo, emitido pelo médico Ezequiel Fonseca Filho, com parecer favorável ao ingresso da candidata no Curso Normal.

FIGURA 11: Atestado de saúde e vacinação de Cornélia Dantas de Macêdo (1952). Fonte: Arquivo Escola Estadual Juscelino Kubitschek.

Atesto que a Srta. Cornélia Dantas de Macêdo não sofre de moléstia infecto contagiosa e é vacinada contra varíola,

comprovada no braço esquerdo.

Assú, 04 de março de 1952. Dr. Ezequiel Fonseca Filho

A comprovação das condições de saúde da candidata a uma vaga no Curso Normal de 1º Ciclo se dava por razões de profilaxia das doenças contagiosas ou endêmicas, herdadas ou adquiridas. Essa medida adentrou o universo escolar, por meio do discurso e das práticas médico-higienistas, que, além da intervenção sobre os males do corpo, abarcaram o homem como um ser social, reordenando condutas e redefinindo práticas de vida. Na escola, influenciaram questões vinculadas à localização e às regras arquitetônicas para os prédios, à separação dos cômodos e dos mobiliários de acordo com funções e usos e a distribuição do tempo, a fim de evitar fadiga e melhorar as condições de aprendizagem. A prática de ginástica e a formação de hábitos saudáveis e moralmente aceitáveis foram outros aspectos da educação sanitária disseminada na instrução brasileira. Na lógica da razão médica, a educação foi representada como um remédio à construção do homem civilizado, distanciando-se daquele que definhava fisicamente e moralmente, em espaços fétidos, úmidos, nichos de doenças de toda sorte. (GONDRA, 2000; ROCHA, 2003; FERREIRA, 2003).

Em 1962, 10 anos após o ingresso da turma pioneira, são notadas alterações na documentação das moças que se matricularam no já denominado Ginásio Normal de Açu. A comprovação anual do Atestado de saúde e do Atestado de imunização é produzida em formulários específicos do Posto de Saúde de Açu e autenticada em cartórios, a fim de comprovar a originalidade do documento, conforme demonstram as figuras 12 e 13, que englobam documentação apresentada por Auri Cabral da Silva para matrícula do 1º ano do Curso Normal, em 1963.

FIGURA 12: Atestado de saúde de Auri Cabral da Silva (1962). Fonte: Arquivo da Escola Estadual Juscelino Kubitschek.

FIGURA 13: Atestado de saúde de Auri Cabral da Silva, autenticado no verso (1962). Fonte: Arquivo da Escola Estadual Juscelino Kubitschek.

Outra diferença notada na documentação para os processos de matrícula no Ginásio Normal de Açu, na década de 1960, incide na comprovação do requerimento de matrícula, antes manuscrito pela candidata, sofre uma mudança para formulários personalizados, cedidos pela instituição. Neles, estavam os dados pessoais da aluna e a indicação do responsável, se ela fosse menor de idade. A mencionada norma administrativa é ilustrada no requerimento de Laura Alves Martins, para se matricular no 1º ano do Curso Normal, em 1963.

FIGURA 14: Requerimento de matrícula de Laura Alves Martins (1962). Fonte: Arquivo da Escola Estadual Juscelino Kubitschek.

As mudanças de cunho burocrático-administrativo percebidas entre uma década e outra conferem sentido de mais acuidade, por parte da instituição, na documentação exigida às alunas. Elas expressam as transformações das condições materiais e dos recursos tecnológicos do município e do Curso Normal. O que antes era produzido de modo manuscrito passou a ser padronizado em gráficas e máquinas datilográficas, perdendo os traços pessoais e de improvisação e ganhando contornos da racionalidade técnica dos instrumentos da época, disponíveis aos usuários daquela realidade.

Para a efetivação da matrícula no Curso Normal de 1º Ciclo, a aluna necessitava da aprovação nos Exames de Admissão, uma comprovação de que possuía habilidades intelectuais para dar início aos estudos de nível médio.

Os Decretos-Lei n. 4.244/1942 e n. 8.530/1946 que instituíam os Exames de Admissão como requisitos indispensáveis para os estudos pós-primário foram reafirmados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 4.024/1961. Esta estabelecia que o ingresso na

primeira série dos Cursos de 1º Ciclo ―depende da aprovação em exame de admissão, em que

fique demonstrada satisfatória educação primária, desde que o educando tenha onze anos

completos ou venha a alcançar essa idade no correr do ano letivo‖. (LDB 4.024, 1961, cap. 1,

art. 36,p. 15).

No próprio Ginásio Normal de Açu, os candidatos se registravam para prestar os Exames de Admissão, os quais eram reconhecidos em qualquer escola de nível ginasial em que o aprovado fosse dar prosseguimento aos estudos. Para a inscrição, o candidato preenchia o requerimento e apresentava o diploma de conclusão do ensino primário.

Nem sempre os alunos que prestavam os Exames no Ginásio Normal de Açu tinham interesse na formação docente. Contudo, havia aqueles que desejavam tal intento, como Auri Cabral da Silva, que, em 28 de novembro de 1962, solicitou a sua inscrição ao diretor padre Joaquim Alfredo Simonetti, a fim de se candidatar a uma vaga no 1º ano do Curso Normal, se obtivesse aprovação. No ano posterior, ela integrou o quadro discente da instituição, formando-se na turma de 1966. Na figura 15, expomos um exemplo de requerimento de matrícula para Exames de Admissão preenchido por Auri Cabral da Silva, em 1962.

FIGURA 15: Requerimento de matrícula para Exames de Admissão de Auri Cabral da Silva (1962). Fonte: Arquivo da Escola Estadual Juscelino Kubitschek.

No Ginásio Normal de Açu, o exame se realizava nos meses de dezembro e de fevereiro, não sendo permitido o candidato submeter-se, simultaneamente, à mesma avaliação em outro estabelecimento escolar. Por isso, nos requerimentos de matrícula, era obrigatório que ele alegasse ter se inscrito apenas naquela instituição, conforme se vislumbra na figura 15. Essa era uma forma de comprovar que as determinações legais estavam sendo cumpridas.

Uma vez aprovado, o candidato recebia o Certificado de Aprovação em Exames de Admissão, comprovando aptidão intelectual para os estudos pós-primários, por meio do desempenho obtido nas seguintes áreas de conhecimento: Português, Matemática, Geografia, especialmente do Brasil, e História do Brasil. Declarava-se ainda no documento as notas obtidas nas matérias avaliadas, bem como a média final alcançada pelo estudante, tal qual demonstra o certificado de Laura Alves Martin, na figura 16.

FIGURA 16: Certificado de Aprovação em Exame de Admissão de Laura Alves Martins (1961). Fonte: Arquivo da Escola Estadual Juscelino Kubitschek.

Os Decretos-Lei Federal n. 4.244/1942 e n. 8.347/1945, citados no certificado de Laura Alves Martins, formam a conhecida Lei Orgânica do Ensino Secundário, que estabelecia orientações gerais para os Exame de Admissão até a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 4.024, em dezembro de 1961. Dentre as orientações gerais da Lei Orgânica do Ensino Secundário, estavam aspectos organizativos à realização das provas, os chamados Exames de 1ª e 2ª épocas, a serem desenvolvidos em dezembro e fevereiro, tal qual acontecia em Assu. Conforme essa Lei, os candidatos reprovados na 1ª época poderiam se inscrever conjuntamente com os novatos nos Exames de 2ª época, a fim de terem uma segunda oportunidade de aprovação.

No Livro de Exame de Admissão do Ginásio Normal de Açu (1965-1971), estão as listas dos inscritos com as respectivas informações pessoais e os dias de abertura e encerramento das inscrições para as provas. No recorte temporal da fonte em questão,

ocorreram 928 inscrições para os Exames de 1ª e de 2ª épocas. No gráfico 02 ilustramos a distribuição das inscrições anuais.

GRÁFICO 2

Inscritos no Exame de Admissão no Ginásio Normal de Açu (1965-1971)

Fonte: Livro de Exame de Admissão (1965-1971). Arquivo da Escola Estadual Juscelino Kubitschek.

Em 1970, não foi realizado o Exame de 2ª época. Em decorrência desse fato, as demandas de inscrições nos Exames posteriores foram mais expressivas, conforme demonstram os dados do gráfico 2.

Para Dantas (2009), que prestou o Exame de Admissão em 1962, a fim de ingressar no Curso Normal de Assu, aquela era uma fase que exigia esforço intelectual por parte das alunas, as quais, a fim de evitarem reprovações, procuravam mestres que mantinham em suas residências aulas preparatórias. A professora Nair Fernandes Rodrigues, da cadeira de Matemática do Ginásio Normal de Açu, por exemplo, era uma delas. Ensinava as matérias dos Exames aos candidatos conjuntamente com a filha, Maria Marlene Rodrigues da Silva.

Era o Exame de Admissão. Pesado! [com ênfase na voz] Ave Maria, o Exame de Admissão era muito pesado, se a gente não soubesse responder. Eu estudei muito pra passar no Exame Admissão. Era pesado, Virgem Maria, às vezes eu era de chorar, porque era difícil. Eu não tinha facilidade de decorar sabe? [...] Ela, a professora do Exame, marcava o Exame e os assuntos que a gente ia falar. Aí eu estudava, chorava porque eu não estava entendendo. Eu contava a história a mim mesma. Ninguém me preparava não, eu quem decorava sozinha. (DANTAS, 2009, p. 4).

Talvez pela extensa lista de conteúdos estabelecidos para os Exames de Admissão pela Portaria n. 501/1952, do Ministério da Educação e Cultura (MEC), a direção do Ginásio Normal de Açu, na década de 1960, anunciava os temas que poderiam fazer parte da avaliação dos candidatos. Não encontramos norma que impedisse ou indicasse essa iniciativa, apenas era parte das formas de fazer daquela instituição assuense, uma apropriação do instituído, que por ser poroso admitia a reinvenção das práticas escolares, uma astúcia que poderia ser partilhada por outras escolas do Rio Grande do Norte e do país. (CERTEAU, 2002a).

Na década de 1960, os conteúdos para os Exames de Admissão eram fixados pela referida Portaria do MEC, a qual detalhava, minuciosamente, cada campo disciplinar a ser avaliado. O objetivo era que os conteúdos lecionados na escola primária, em particular os considerados mais relevantes, fossem explorados nos Exames de Admissão em todo o Brasil. A seguir, apresentamos uma síntese dos conteúdos contemplados.

QUADRO 5

Síntese do detalhamento dos conteúdos para os Exames de Admissão no Brasil

Português

O alfabeto, as vogais e as consoantes e os grupos vocálicos e os grupos consonantais. As sílabas, os vocábulos, as notações léxicas e os acentos tônicos. As categorias gramaticais: análises léxicas, gênero, número e grau. A conjugação completa dos verbos auxiliares e dos

regulares e exercícios de sinônimos e antônimos. Matemática

Os números inteiros e suas operações e os algarismos arábicos e romanos. Numeração decimal, divisibilidade, prova real e dos nove, números primos e decomposição em fatores primos. Máximo divisor comum e mínimo múltiplo comum. Números decimais periódicos, frações ordinárias e números mistos. Operações de números decimais e fracionários, conversão das frações ordinárias em números decimais e vice-versa. Geometria elementar, unidades de

medida e sistema monetário brasileiro. Geografia geral e do Brasil

Geografia geral: as estrelas e os planetas, o Cruzeiro do Sul, o sol, a Terra e a lua. A forma e o movimento da Terra, os polos, os eixos, os meridianos e os paralelos. Os pontos cardeais, a orientação pelo sol, pelo Cruzeiro do Sul e pela bússola. Os acidentes geográficos, as partes do

globo, as formas de governo, os continentes, os países e suas capitais.

Geografia do Brasil: limites geográficos, baías, ilhas, serras, lagos e rios. O governo, a população, as raças e as línguas. Os portos marítimos e fluviais, os estados, os territórios, as

capitais, as principais cidades e o Distrito Federal. História do Brasil

O descobrimento da América e do Brasil, Colombo e Cabral, as capitanias hereditárias, os governadores gerais e a invasão francesa no Rio de Janeiro. As invasões holandesas e os vultos

principais. As entradas e bandeiras. A conjuração mineira e Tiradentes, a vinda da família real portuguesa para o Brasil e D. João VI. A Independência, D. Pedro I e José Bonifácio. O período Regencial e padre Feijó; o Segundo Reinado e D. Pedro II; e a guerra do Paraguai. Abolição dos escravos, princesa Isabel e José do Patrocínio. A República, Deodoro da Fonseca,

Floriano Peixoto e Benjamim Constant. Os governos republicanos e o progresso

Para orientar os procedimentos metodológicos dos conteúdos mencionados, as escolas seguiam as orientações fixadas pela Portaria n. 325/1959, do MEC. Segundo a Portaria, os conteúdos poderiam ser adaptados pelas escolas, desde que fossem avaliados pela Diretoria do Ensino Secundário e não se descuidassem das seguintes normas: para a prova escrita de Português, a presença de uma redação era indispensável, mesmo que houvesse outras questões; na prova oral, a base das atividades deveria ser um texto para leitura, exigindo saberes sobre classe de palavras e estrutura geral das orações, os quais seriam explorados também na prova escrita. A avaliação escrita, a primeira a ser realizada, tinha caráter eliminatório, se o candidato alcançasse nota inferior a cinco. Obtendo nota entre cinco e dez, ele estaria habilitado para dar prosseguimento aos Exames.

Os registros dos Exames de Admissão do Ginásio Normal de Açu constam que na área de língua materna eram realizadas provas de forma escrita e oral, conforme as orientações das normas legais. A prova escrita constituía a primeira etapa do processo, portanto, uma vez aprovado, o candidato prosseguia para a prova oral. A instituição atribuía nota final à disciplina de Português, fazendo a média aritmética dos pontos alcançados nas duas etapas. O cálculo da nota final era realizado da seguinte maneira: nota da prova escrita + nota da prova oral ÷2 = nota final.

Já a nota final de todas as etapas era calculada com a média aritmética dos pontos obtidos nas quatro disciplinas. Assim se procedia: nota de Português + nota de Matemática +

Documentos relacionados