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A Semana da Normalista em Assu

singularidades, pois as informações foram exploradas de um planejamento didático voltado para o evento, o que não nos impediu de pesquisar em outras fontes e de fazer recortes de dados que considerávamos relevantes para recompor a história dessa festividade escolar. Deixá-la oculta neste trabalho era desconsiderar a fonte principal com a qual trabalhamos, por evidenciar a riqueza do evento para a formação das moças e a valorização da profissão docente. A Semana da Normalista foi uma festividade que fez parte da cultura da formação da professora no Rio Grande do Norte e no Brasil, portanto, reconstituí-la em Assu, perpassa também pelo nosso desejo de melhor conhecê-la naquela configuração.

Esse evento, realizado anualmente, estava presente no Curso Normal em Assu desde a década de 1960. Ele festejava a docência primária e a escola de formação, com o intuito de desenvolver o sentimento de orgulho e de pertença nas alunas pelo magistério e pelo Ginásio Normal de Açu. Normalmente, engendrava-se por meio de atividades de cunho pedagógico- culturais, envolvendo as alunas por meio de comemorações no interior da própria instituição, na Paróquia de São João Batista, nos clubes de danças e pelas ruas centrais da cidade, com desfiles públicos das estudantes.

Lopes (2006) enfoca que, em latim, o vocábulo commemorare expressa o sentido de lembrar, de festejar um fato, um acontecimento de relevância para um indivíduo ou um grupo. A comemoração da Semana da Normalista era um evento difundido nas escolas brasileiras de formação de docente, e, desde o final da década de 1930, já integrava o calendário do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, chamando-se de Dia da Normalista. No entanto, as comemorações perduravam por uma semana. Mesmo o Curso Normal admitindo rapazes, a festividade não fazia inferência ao sexo masculino, denominando-se Dia da Normalista, e,

depois, Semana da Normalista, pela tradição de os cursos de formação de professores primários serem frequentados majoritariamente por mulheres.

Em Natal, no Rio Grande do Norte, conforme Morais (2006), a Semana da Normalista no Instituto de Educação teve a sua primeira versão em 1963, objetivando divulgar o trabalho da referida instituição ao público externo, auxiliando as alunas, por meio das diversas atividades pedagógicas oferecidas, a se apropriarem dos meios de ensino modernos.

Era o ponto alto, com uma semana dedicada ao ensino e apresentado à comunidade natalense. A primeira Semana da Normalista ocorreu em outubro de 1963, em cooperação com o Curso Pedagógico do Colégio Imaculada Conceição e a Prefeitura de Natal. Realizavam-se festivais, encontros, exposições, debates de temas específicos e colocavam-se cartazes e faixas nas principais ruas e vitrines. (MORAIS, 2006, p. 84).

O registro encontrado sobre a Semana da Normalista em Assu trata-se de um planejamento datado de 1970, preservado no arquivo da Escola Estadual Juscelino Kubitschek. O documento elaborado em colaboração com o Centro de Estudo de Pesquisas Educacionais do Rio Grande do Norte, na secção de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento de Professores, adaptou-se às necessidades da instituição assuense, denominando-se Planejamento das Atividades da Semana do Normalista.

FIGURA 29: Capa do Planejamento das Atividades da Semana do Normalista (1970). Fonte: Arquivo da Escola Estadual Juscelino Kubistchek.

Chama a atenção na capa do Planejamento a expressão: ―A semana do Normalista‖, referindo-se que a festividade era estendida aos sexos masculino e feminino. É possível que o

uso do conectivo ―do‖ tenha sido adotado porque naquele ano havia a presença de rapazes na

instituição, pois, conforme consta no Livro de Concluintes (1955-1978), em 1971, um ano após o Planejamento em destaque, três alunos se formaram Regentes de Ensino Primário: Claudio Caldas de Souza, João Cabral da Silva e José de Souza Soares.

Vale salientar que, no corpo do texto, ora o evento é denominado de Semana da Normalista, ora de Semana do Normalista. A própria programação oficial das atividades que circulou no município convidando a comunidade a participar da festa o denominou de Semana da Normalista, expressão que aqui vamos adotar pelo fato de essa comemoração escolar ser assim conhecida em todo o Brasil.

Conforme a justificativa do Planejamento da Semana do Normalista, o evento escolar despertava relevante interesse naqueles que participavam, por isso, seria concretizado

apresentando ideias novas, diferenciando-se das versões anteriores ―com o intuito de maior enfatização do papel do educador primário no meio em que vivemos‖. (PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES DA SEMANA DO NORMALISTA, 1970, p. 1).

As comemorações abarcariam as datas tradicionalmente adotadas, os dias de 10 a 15 de outubro, nos horários diurnos ou noturnos, evitando, assim, o cancelamento das aulas, as quais seriam também utilizadas para ensaios e confecções dos recursos audiovisuais da festa. Para a abertura solene, estabeleceu-se um desfile e um ―programa de auditório‖, nos quais não poderiam faltar faixas, cartazes e ilustrações ―com slogans alusivos à profissão ou à

comemoração‖. (PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES DA SEMANA DO

NORMALISTA, 1970, p. 1). No próprio detalhamento das atividades, havia três frases elaboradas previamente para compor as faixas do evento, as quais são expostas a seguir:

1. Aquele que faz alegria de uma criança é um ser superior;

2. As impressões são mais profundas e mais decisivas quando o coração é virgem. Por menor que seja sua capacidade de assimilação, a primeira idade não deve ser desdenhada;

3. Um grupo de alunos ao redor de uma mesa de conferência, estabelecendo objetivos, fazendo planos, assumindo responsabilidades ou avaliando resultados, representa um prelúdio para uma cidadania inteligente e respeitável. (PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES DA SEMANA DO NORMALISTA, 1970, p. 2).

Essas frases abririam a solenidade e seriam portadas pelas alunas nas ruas centrais da cidade, bem como anexadas na Paróquia de São João Batista, no ato da missa celebrada em ação de graças às normalistas.

Para Ozouf (1976, p. 224), ―a festa é uma doce maquinaria, pronta para ser montada e

desmontada num abrir e fechar de olhos, tendo em vista as necessidades da causa‖. Sua

montagem inclui o cerimonial e a elaboração dos suportes materiais e simbólicos, como as vestimentas, os cartazes, as faixas, os hinos, as bandeiras, as danças, os ritos como um todo. Esse aparato de materialidades porta significados, apelando para os sentidos dos diretamente envolvidos e da plateia externa, criando um pacto de valoração da identidade de um grupo social, na nossa situação específica, dos componentes do Curso Normal de Açu e da comunidade local. É nesse sentido que Frago (1995) interpreta as materialidades engendradas no universo escolar como maneiras silenciosas de transmitir ideias e de fabricar apropriações de condutas, normas e valores.

A Semana da Normalista em Assu, de acordo com o seu Planejamento, objetivava a

―valorização da profissão por parte da normalista; a integração entre a escola e a comunidade

por meio de suas atividades sociais e culturais; a contribuição para o preparo profissional e a

utilização das aptidões artísticas como meio de comunicação cultural‖. (PLANEJAMENTO

DAS ATIVIDADES DA SEMANA DO NORMALISTA, 1970, p. 1).

Assim, a fim de atingir os objetivos sistematizados, estabeleceu-se uma programação a ser materializada pelas alunas e pelo corpo docente do Curso Normal de Assu. Faziam parte dessa programação as seguintes atividades:

 Decoração de vitrines;

 Montagem de exposição com material didático confeccionado pelas alunas

nas áreas do currículo [...];

 Missa participada, com apresentação por parte das normalistas, que durante

o ofertório conduziriam simbolicamente materiais didáticos ou faixas significativas que representassem os frutos do seu trabalho;

 Projeção de filmes ou slides;

 Programa de auditório, tais como, apresentação de conjuntos musicais, um

jogral ou coro falado, dramatização, sátiras, danças folclóricas ou modernas, números de cânticos, ginástica rítmica e poesias;

 Palestras sobre temas educativos. (PLANEJAMENTO DAS

ATIVIDADES DA SEMANA DO NORMALISTA, 1970, p. 2-3).

Para o conjunto de atividades programadas, há um cuidado específico reservado às palestras a serem proferidas, para as quais são sugeridos 13 temas que, conforme o Planejamento do evento, deveriam estar coerentes com as necessidades de aprendizagem das estudantes. Justificava ainda serem os temas articulados com as discussões pedagógicas daquele período histórico e imprescindíveis à formação da professora primária e às demais etapas de escolarização as quais elas percorreriam. Dentre os 13 temas escolhidos, 06 são previamente expostos no corpo do Planejamento e 7 estão no detalhamento das atividades. Entretanto, outras possibilidades temáticas poderiam ser contempladas, acatando sugestões dos professores do Curso Normal.

QUADRO 6 Temas para as palestras

Alfabetização do adulto Curso de madureza pelo rádio Criação da TV Educativa em Natal A criança com dificuldades de aprendizagem

Técnicas modernas de ensino

O papel do professor no desenvolvimento do país abrindo novos horizontes

A responsabilidade do educador O ensino atual e sua aplicação

Comunicação

O professor e a comunicação História e filosofia da criança O excepcional deficiente mental Importância do trabalho docente

Fonte: Planejamento das Atividades da Semana do Normalista (1970, p. 2). Arquivo da Escola Estadual Juscelino Kubitschek.

Dos temas sugeridos, dois foram abordados nas palestras realizadas: A criança com dificuldades de aprendizagem, sob a responsabilidade do médico Ezequiel Fonseca Filho, proferida em 12 de outubro, e O papel do professor no desenvolvimento do país, abrindo novos horizontes, desempenhada pela professora Zélia Chediack, no dia posterior. A terceira palestra oferecida às alunas discutiu O professor e o aluno de hoje, tema que não estava incluso nas sugestões, mas difuso nas diferentes abordagens previamente elaboradas. Sobre o palestrante da terceira temática, a programação não o menciona, informa apenas que foi realizada no dia 14 de outubro. (PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES DA SEMANA DO NORMALISTA, 1970).

Na programação do evento, estava incluída, por dois dias consecutivos, a execução do

―Hino da Normalista‖, como parte dos festejos. (PROGRAMAÇÃO DA SEMANA DA

NORMALISTA, 1970, p. 1). Todavia, nos registros analisados, foi detectado um hino direcionado às estudantes de Cursos Normais, não sendo informado precisamente se ele foi o executado para homenagear as alunas de Assu. Apresentamos a seguir a sua letra:

Avante normalistas

Olintina Costa (1965) A marchar com galhardia Entoando a vibrante canção Irradiamos alegria

Que se inflama em nosso coração Cultivamos a inteligência

Só buscamos bons livros e revistas Passo firme na cadência

Vamos sorridentes Avante normalistas Com laços de amizade

As Escolas Normais serão bem-vindas O uniforme azul-branco suas honras e glórias Sempre defendidas, merecidas.

(PROGRAMAÇÃO DA SEMANA DA NORMALISTA, 1970, p. 2).

Segundo Hobsbawm (2002), em um grupo social, a invenção das novas tradições pode lançar mão de elementos e de linguagens já existentes, ampliando os seus significados simbólicos para outros propósitos. A criação dos hinos dedicados às normalistas ilustra a compreensão do autor citado, pois certamente tiveram como inspiração de fundo os demais hinos existentes: o Nacional ou o da Bandeira Brasileira, os de corporações sociais, de escolas, de agremiações etc. É como se usassem modelos previamente existentes para novos fins, evocando emoções, práticas e rituais distintos.

Os hinos, como o Hino Nacional, o da Bandeira ou o da Normalista, integravam os rituais das comemorações escolares por serem constructos sociais e instrumentos da cultura escolar, tais quais outros dispositivos da educação formal. O composto para as estudantes dos Cursos Normais funcionava como um instrumento de representação sensibilizadora da função do magistério, acentuando a relevância social da professora na comunidade e o enquadramento ao comportamento exigido à profissão. Assim, como todo o aparato da Semana da Normalista, o hino enaltecia os valores privilegiados pela escola, bem como inferia a regulação das emoções, aconselhando as moças a serem estudiosas e cuidadosas com as práticas que consumiam e com os ideais que cultivavam.

Durante a Semana da Normalista assuense, as moças se engajavam em diversas atividades, entre elas, os torneios esportivos e a chamada olimpíada estudantil, competindo com o Ginásio Pedro Amorim e o Colégio Nossa Senhora das Vitórias. Tal qual a Semana da Normalista em Assu, no Instituto de Educação de Natal, as moças participavam também ―de competições esportivas, no Palácio dos Esportes Djalma Maranhão, reunindo equipes de

vários colégios secundários da capital‖. (MORAIS, 2006, p. 85). O evento em Natal,

conforme essa autora, para além das práticas de competições esportivas, envolvia as futuras mestras primárias em diversas atividades.

A Feira de Livros se constituía em exposição didática, apresentando ao público os vários setores necessários à educação escolar moderna em trabalhos realizados pelos próprios alunos da Escola. Eram cartilhas de alfabetização, mapas escolares, material de matemática, geografia, história, além de cartazes alusivos à democracia e ao esforço do Papa Paulo VI no sentido da manutenção da paz mundial. (MORAIS, 2006, p. 85).

A pesquisadora ainda enfoca que as normalistas do 3º ano, aquelas que estavam para concluir o curso, engajavam-se em atividades diferenciadas das demais, a exemplo de visitas às obras realizadas pelo governo estadual, com roteiro por diferentes pontos da cidade, incluindo museus, bibliotecas públicas e ruas saneadas.

Em Assu, as concluintes do Curso Normal de 1970 também tiveram maiores destaques na Semana da Normalista, ficando sob as suas responsabilidades diversas atividades, entre elas, os números de danças folclóricas em escolas primárias da cidade e a elaboração do mural comemorativo, exposto na entrada principal da instituição, um material educativo adornado de poesias, imagens e frases pedagógicas, convidando os transeuntes à apreciação da leitura. (PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES SEMANA DO NORMALISTA, 1970, p. 2).

QUADRO 7

Lista das alunas concluintes de 1970

Alba Pinto Fernandes Maria José de Oliveira Albani Moura de Barros Maria de Lourdes Gomes Varela Aldemira Pessoa de Lacerda Maria Lúcia da Silva

Amarilete Veras de Sena Maria Madalena Santiago Antônia Antão de Macedo Maria Oscarina de Souza Arcenira Maria Rodrigues de Oliveira Maria da Salete Silveira

Francisca do Nascimento Ribeiro Maria Soares de Medeiros Francisca Ricarda da Silva Maria do Socorro da Cunha

Ivanilda Soares da Silva Maria Verônica de Oliveira Ivonete Miguel de Araújo Maria das Vitórias Soares de Macêdo

Lucimar Alves Martins Marta Merquides da Silva Lurdeci Medeiros de Macêdo Niece Fernandes Vieira

Maria Dalvani de Freitas Sônia Maria da Fonsêca Maria Dantas Filha Teresinha Costa Lopes Maria de Fátima Varela Valdice de Macêdo Barros

Fonte: Livro de Concluintes (1955-1978). Arquivo da Família de Sá Leitão Morais.

Dos registros que deram formato ao mural da Semana da Normalista, produzido pelas concluintes, tivemos acesso ao texto Olhando o mundo, cuja autora se identifica apenas como Uma normalista. O texto aborda problemas sociais, valores e comportamentos inerentes à configuração da época, os quais a autora avalia como responsáveis pela decadência histórica brasileira. Contudo, segundo ela, há sempre uma via de solução para uma sociedade decadente, nesse caso, o empenho de um tipo especial de pessoa, aquela destituída de imoralidades ou de medo de produzir mudanças, de se arriscar diante dos perigos em prol da liberdade e da justiça social.

Para onde quer que olhamos, para o exterior ou dentro de nós mesmos, nossos problemas são gigantescos. Isto não é novidade. A geração imediatamente à nossa lutou contra avassaladores problemas econômicos e de justiça social. Fizeram tudo o que podiam e não se saíram mal, mas, embora dando o melhor deles, negligenciaram alguma coisa. O que pretende a nossa geração fazer em relação à onda de crime e de delinquência? Sobre o suborno e a cola na sala de aula? Sobre o sadismo na televisão e a pornografia nos livros? Precisamos de gente honesta e com a intolerância feroz que considera a mentira algo desprezível e a quebra de uma promessa uma negra desgraça. Precisamos de gente inteligente, que possa avaliar as possibilidades, formar juízo, agir. Precisamos de gente corajosa, que fique entusiasmada – e não paralisada pelo perigo –, que saiba correr o risco calculado e perder... se necessário. Perder tudo menos a disposição de tornar a correr o risco. Precisamos de gente que tenha paciência, mas capaz de torná-la perigosa diante de um abuso. Dom Pedro I, num gesto nobre,

declarou a independência do Brasil. A história é clara nesse ponto: nenhuma nação alcançou a liberdade sem lutar por ela, nem a conservou sem estar disposta a lutar. (UMA NORMALISTA, 1970, p. 1).

A discussão avança discorrendo acerca da relevância da liberdade e da disposição de se correr risco pela sua conquista, apontando um perfil de brasileiro necessário à reconstrução social e do patriotismo, mas que seja aberto às qualidades de outras nações. Essas informações circularam na Semana da Normalista em pleno regime de ditadura militar (1964- 1985), o qual era caracterizado pela ausência democrática, pela supressão de direitos constitucionais, limitando a liberdade de expressão de cidadãos, da imprensa e das artes, bem como instituindo a censura e a perseguição política aos opositores do regime. Portanto, para os que ousassem se pronunciar contra a ordem vigente, a palavra era a repressão. (REIS, 2000; ZAGNI, 2007).

O município de Assu e o Curso Normal de 1º Ciclo eram formações sociais inter- relacionadas à teia da realidade mais ampla, na qual diferentes grupos e sujeitos, por meio de equilíbrios e conflitos, produziam suas formas de perceber e de viver no mundo, inclusive sobre as representações e as práticas articuladas ao regime militar. Desse modo, a expressão de opinião e a participação na política poderiam ocorrer através de ações silenciosas ou mais ousadas por parte da população.

Minhas colegas brasileiras, a liberdade não é apenas um privilégio – é uma prova –, e aqueles que não conseguirem passar na prova serão privados dela. Venhamos, pois, ao campo de provas. Tragamos conosco toda a coragem, vitalidade, e a força de vontade que pudermos. Nós precisamos delas, assim como o Brasil vai precisar de nós. (UMA NORMALISTA, 1970, p. 1-2).

Se o texto anexado ao mural da Semana da Normalista apresentava uma mensagem de cunho subversivo, como era interpretado qualquer ato questionador da ordem do regime militar, também era prática do Curso Normal de 1º Ciclo, bem como de outras escolas, comemorar o aniversário do Golpe Militar, em 31 de março. Em 1970, a festa de instauração

da ―Revolução Democrática Brasileira‖ compôs o calendário dos eventos escolares com

atividade dedicada à celebração da bandeira e da pátria, poesias sobre o tema e a execução do Hino Nacional. (O DIRETOR DO GINÁSIO ESTADUAL DO ASSU, 1970, p. 1).

Os professores da instituição foram convidados formalmente pela direção da instituição para tomar parte do evento, como mostra o convite a seguir:

FIGURA 30: Convite do diretor do Ginásio Estadual do Assu (1970). Fonte: Arquivo da Escola Estadual Juscelino Kubistchek.

A Semana da Normalista de 1970 em Assu previa, entre as suas atividades, o desenvolvimento de entrevistas com diretores e supervisores de Grupos Escolares para que discorressem acerca dos atributos do bom professor. Ainda foi recomendada a realização de entrevistas com alunas recém-formadas no Curso Normal e com as formadas na década de

1950, para elas ―apresentarem suas experiências dentro do magistério‖. (PLANEJAMENTO

DAS ATIVIDADES DA SEMANA DO NORMALISTA, 1970, p. 2).

Conforme a programação do evento, somente uma entrevista foi produzida com uma concluinte do ano de 1955: a professora do Curso Normal de 1º Ciclo, Nair Fernandes Rodrigues. A atividade consistia em elaborar previamente as questões, a fim de que, durante o evento, a entrevistada as respondesse oralmente para a plateia. Essa atividade ocorreu no dia 13 de outubro de 1970, quandoaestudante Maria do Socorro da Cunha conduziu a entrevista

com Nair Fernandes Rodrigues, no auditório do Curso Normal, orientada por um roteiro de 12 perguntas, listadas a seguir:

Entrevistadora: D. Nair, a nossa turma é a última que o atual Colégio Estadual concederá o diploma de Regente Primário. Em virtude de a senhora ter sido uma das professorandas da 1ª turma concluinte, gostaríamos que respondesse algumas perguntas. 1. Em que ano foi criado o Ginásio Normal?

2. Quantas alunas tinha a primeira turma? 3. Quantas concluíram?

4. Dessa turma de concluintes todas exercem o magistério? 5. Em que ano concluiu a primeira turma?

6. Excursionaram? 7. Até onde foram?

8. Quem era o diretor da Escola nessa época? 9. Conte algo pitoresco ocorrido na excursão. 10. De 1955 até 1970 quantas turmas concluíram? 11. E da criação do Curso até agora quantos diretores? 12. Quantas alunas diplomadas pela escola lecionam ou lecionaram aqui?

Açu, 13 de outubro de 1970.

Entrevistadora: Maria do Socorro da Cunha

FIGURA 31: Entrevista com Nair Fernandes Rodrigues. Fonte: Arquivo da Família Fernandes Rodrigues (1970, p. 1).

FIGURA 32: Nair Fernandes Rodrigues (198?). Arquivo da Família Fernandes Rodrigues.

As 12 questões da entrevista não se focaram nos objetivos estabelecidos previamente pelo Planejamento das atividades da Semana do Normalista, cujo foco era a experiência de

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