3.4 UNIVERSO E AMOSTRA
3.4.1 Instrumento de coleta de dados
Gray (2012) descreve algumas abordagens preferenciais em uma entrevista, destacando-se entre elas, a entrevista semiestruturada, pois este tipo não é padronizado e o roteiro permite alterações, dependendo do caminho que a conversa siga possibilitando o aprofundamento das visões e opiniões desejáveis pelos respondentes além da realidade vivida por eles. Assim, foi escolhida pela pesquisadora, a coleta de dados por meio de entrevistas, a partir de roteiro semiestruturado.
Com o objetivo de criar um relacionamento entre o instrumento de pesquisa e o modelo de avaliação proposto pela pesquisadora, o roteiro foi construído tendo como base o corpo bibliográfico da pesquisa e dividido em 3 (três) categorias, sendo que a primeira avaliou
a visão geral do contexto organizacional pela ótica dos gestores, a segunda categoria avaliou a contribuição da Universidade Corporativa no processo de desenvolvimento dos gestores e a terceira identificou a efetivação do desenvolvimento dos gestores através da UC e na prática do dia a dia, gerando, assim, uma relação direta entre os resultados do campo e os aspectos a serem estudados, conforme quadro 15:
Quadro 15: Fundamentação do roteiro de entrevista
BLOCO CATEGORIA ASPECTO ANALISADO REFERENCIA/ANO QUESTÕES
1 CONTEXTO ORGANIZACIONAL
TICHY, N.; CHARAN, R. (1989); GAUDÊNCIO, P. (2009); MAXWELL, J. C (2017); DRUCKER, P. F. (2001); GOLEMAN, D (2015); ROBBINS, S. P. (2014);
FLEURY, M. T. L.; FISCHER (1998)
1, 2, 3, 4 Identificar a visão geral do
contexto organizacional pela ótica dos gestores
2 UNIVERSIDADE CORPORATIVA
ESPÍNDOLA, R. A (2016); MEISTER, J. C. (1999); CASTRO, C. de M.; ÉBOLI, M. (2013); ÉBOLI, M. (2004); ULRICH, D. (2000); LEE, J. (2010); MAIA, C.; MATTAR, J. (2007); SACCOL, A., SCHLEMMER, E.;
BARBOSA, J. (2010); BRANTES, J. (2013); SCHLEMMER, E.., SACCOL, A. Z.; GARRIDO, S.
(2007); SCHLEMMER, E. (2010); WARBUTON, 2009); SELEME, R. B.; MUNHOZ, A. S. (2011); 5, 6, 7, 8, 9, 10 Identificar a contribuição da UC no processo de desenvolvimento de gestores. 3 DESENVOLVIMENTO DE GESTORES
GOLEMAN, D. (2015); KOUZES, J.; POSNER, B.(2008); GUIMARÃES, J. L (2001); GIL, A. C (2017);
TICHY, N.; CHARAN, R. (1989); GAUDÊNCIO, P. (2009); MAXWELL, J. C (2017); DRUCKER, P. F.
(2001); ROBBINS, S. P. (2014); OLIVEIRA, F. P.; DELFINO, I. A. de L. (2013); CUNHA, M. P.; REGO,
A. (2013); BERGAMINI, C. W. (2000); KOTTER, J. (2000); BENNIS; GOLDSMITH (1999); ROBBINS, S.
P. (2014); TEIXEIRA, S. (2010); REGO, A. (1998); ROST, SMITH (1992); REZENDE, J. F.; OTSUKA, R.
A. (2017); VIEIRA, F. de O. (2007)
11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18 Levantar a percepção sobre
a definição de gestão. Identificar a efetivação do desenvolvimento de gestores
através da UC e na prática.
Fonte: A propria Autora (2018)
O roteiro de entrevista teve como objetivo a análise dos objetivos geral e específicos relacionados à universidade corporativa e desenvolvimento de gestores. Optou-se por perguntas abertas e fechadas de caráter qualitativo e exploratório, de acordo com alguns pressupostos na roteirizarão, conforme Nicolaci-da-Costa (2013), a saber:
Roteiro que proporcionasse conversas naturais, sem abordar conteúdos que pudessem constranger os entrevistados e/ou fossem confidenciais do ponto de vista organizacional;
Roteiro construído a partir de categorias, de modo a organizar a fala do entrevistado nos temas a serem abordados e proporcionar ao entrevistado uma informalidade para que ficasse confortável em apresentar colocações livres e importantes, na mesma medida em que fosse possível para o entrevistador propor perguntas interventoras, de acordo com as respostas obtidas;
Roteiro que considerasse a elaboração de questões abertas, a fim de que o entrevistado reajisse com qualquer tipo de resposta;
Roteiro que considerasse eventualmente questões fechadas (cujas respostas sejam “sim” ou “não”), para caracterizar a conversa informal e proporcionar intervenção do tipo “de que forma”, “quais são”, “por que” ou “como”, e, assim, favorecer a manifestação de opiniões e reflexões por parte do entrevistado.
Em posse das interpretações dos dados, buscar-se-ia indicar se foi possível encontrar as relações entre o modelo da universidade corporativa e o desenvolvimento dos gestores, confrontando os indícios com as dimensões teóricas utilizadas, a fim de gerar conclusões que vão ao encontro da problemática, da questão e da suposição da pesquisa.
Sendo assim, a relação entre a estrutura da pesquisa e seus aspectos teórico- metodológicos pode ser verificada conforme o quadro 16:
Quadro 16: Relação de estrutura e aspectos teórico-metodológicos da pesquisa CORRELAÇÃO COM A FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ESTRUTURA DE FUNDAMENTAÇÃO CATEGORIAS DE ANÁLISE DO ROTEIRO DE ENTREVISTA OBJETIVO GERAL
Investigar como a UNIVERSIDADE CORPORATIVA contribuiu em seu papel no contexto organizacional para o DESENVOLVIMENTO DE GESTORES, sob a ótica destes.
Capítulo 1, Capítulo 2, Capítulo 3, Capítulo 4
Referencial Teórico, Dados coletados nas entrevistas e
Análise dos resultados
Categoria 1, Categoria 2, Categoria 3
I. Identificar os pressupostos referentes ao papel da universidade corporativa no contexto
organizacional
Capítulo 2, Item 2.1 – O papel da Universidade
Corporativa
Referencial Teórico Categoria 2
II. Identificar os pressupostos sobre o desenvolvimento de gestores e sua relação com o campo organizacional
Capítulo 2, Item 2.2 – Desenvolvimento de
Gestores
Referencial Teórico Categoria 3 III. Analisar de que forma se
desenvolvem gestores a partir da proposta educacional de uma universidade corporativa
Capítulo 4 – Análise dos Resultados
Dados coletados nas
entrevistas Categoria 2
IV. Analisar como se dá o desenvolvimento de gestores, no exercício da função.
Capítulo 4 – Análise dos Resultados
Dados coletados nas
entrevistas Categoria 3
OBJETIVOS
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Fonte: A propria Autora (2018)
Fez parte ainda do percurso de construção do instrumento de coleta de dados a submissão dos itens do roteiro de entrevista a uma amostra de pré-teste, a fim de confirmar a adequação, compreensão e assertividade das questões aos objetivos da pesquisa.
O pré-teste foi realizado com 2 gestores de áreas de atuação e níveis de gestão diferentes, bem como idades, gêneros, tempos de experiência na gestão e de atuação nas empresas e, que, participaram de programas de desenvolvimento de gestão nas universidades
corporativas das suas empresas. As empresas/UCs utilizadas no pré-teste são de grande porte, brasileiras, localizadas no Estado do RJ, de capital privado, uma do segmento segurador e outra do segmento de arrecadação e distribuição de direitos autorais. Um dos gestores utilizados no pré-teste estava em linha com a proposta de padronização para a amostra referente ao tempo mínimo de 5 (cinco) anos na função de gestão, mas o outro tinha 6 (seis) meses na função como gestor, apesar de ser um especialista experiente em sua área de atuação. Com relação ao tempo de gestão, foi analisado após o pré-teste pouca inferência na quantidade de anos no cargo de gestor para a pesquisa em referência.
Baseada nas respostas destes gestores, o roteiro foi ajustado conforme o quadro 17, estando pronto para a realização das entrevistas com os gestores das 2 empresas/UCs escolhidas para a pesquisa.
Quadro 17: Ajustes do instrumento de coleta de dados PROPOSTA INICIAL
Roteiro preliminar
AJUSTE REALIZADO Roteiro final Roteiro com 29 perguntas abertas Roteiro com 18 perguntas abertas
Mínimo de 5 anos no cargo como gestor Mínimo de 6 meses no cargo como gestor Gerente de nível intermediário Gestores de diferentes níveis hierárquicos Dois Gestores de cada empresa Seis Gestores de cada empresa
Fonte: A própria Autora (2018)
Cabe ressaltar que os relatos colhidos na etapa de pré-teste não fizeram parte das análises para a pesquisa, tendo sido utilizados apenas para aperfeiçoamento do instrumento de pesquisa, apesar de não terem significado qualquer comprometimento quanto ao conteúdo. Os ajustes realizados, conforme esclarecimento anterior, se deram mais no sentido de enxugar as questões dos tópicos abordados. No que se refere ao relato destas entrevistas do pré-teste, o conteúdo vai ao encontro de todos os demais relatos validados, sem nenhuma perda ou comprometimento de informações, oferecendo a mesma consistência de dados que as demais entrevistas.
O roteiro final contou com 18 perguntas abertas/fechadas, divididas da seguinte forma: Categoria 1: 4 (quatro) perguntas para análise dos aspectos relacionados à
visão geral do contexto organizacional pela ótica dos gestores;
Categoria 2: 6 (seis) perguntas para análise das perspectivas sobre a contribuição da universidade corporativa no processo de desenvolvimento de gestores;
Categoria 3: 8 (oito) perguntas para análise das perspectivas sobre a definição de gestão, processo de efetivação do desenvolvimento de gestores através da UC e na prática.
Assim, as categorias consideradas no instrumento de coleta de dados foram elaboradas buscando-se uma proteção a qualquer tipo de intervenção tendenciosa advinda de uma pergunta que ensaia uma resposta antecipada e que possa descaracterizar o discurso essencial dos sujeitos da pesquisa. Por este motivo, embora haja uma dedução de que a universidade corporativa contribui efetivamente para o desenvolvimento dos gestores, a pergunta norteadora “como a universidade corporativa contribui em seu papel organizacional para o desenvolvimento de gestores, sob a ótica destes?” busca um caráter exploratório, cujo objetivo é deixar que o campo apresente os indícios que poderão esclarecer ou não os caminhos da suposição levantada, mediante as premissas teóricas assumidas.
Postas estas diretrizes, o roteiro de entrevista com os gestores seguiu o modelo final, registrado no apêndice.