Comunicação como Instrumento do Cuidar | EESCJ como Pivot | Satisfação Pais + Criança + Profissionais | Indicadores
L ISBOA , D EZEMBRO
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NDICEINTRODUÇÃO5 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 53
1 – DOCUMENTOS SELECIONADOS55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 55 55 5 56
2 – LIVROS A CONSULTAR... 6 3 - CONTRIBUTO PARA A AQUISIÇÃO DE COMPETÊNCIAS... 8
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NTRODUÇÃOUm dossier temático é uma forma de reunir bibliografia científica, referente a um tema de interesse, para mais fácil consulta; nele podem ser incluídos diversos documentos, recolhidos em diferentes locais, pelo que pode ser sempre atualizado com novo material. O presente dossier temático intitula-se ‘A Comunicação Terapêutica com a Família da Criança Hospitalizada’ e tem como principais objetivos: 1) Enfatizar a importância da comunicação terapêutica com a família da criança hospitalizada; 2) Relembrar conceitos e estratégias de comunicação; 3) Organizar e dispôr a informação consultada acerca da temática apresentada; 4) Facilitar a criação de um arquivo acerca do tema proposto e sua manutenção.
No cerne da organização deste dossier encontra-se o conceito de cuidar em Enfermagem, de acordo com a seguinte perspetiva: cuidar como ideal moral da Enfermagem, consistindo em tentativas transpessoais para proteger, aumentar e preservar a humanidade, auxiliando a pessoa a encontrar significado na doença, sofrimento, dor e existência, ajudando a adquirir autoconhecimento, controlo e autorestabelecimento, envolvendo valores, vontade e compromisso para o cuidar (Watson, 2002). Assim, a Enfermagem possui trunfos e oportunidades maiores para exercer a arte do cuidar, através da proximidade das pessoas ao longo do dia com um espaço de liberdade para atuar como prestadora de cuidados, através de meios e tempos de ação mais amplos (Hesbeen, 2000). Em contexto de pediatria, os cuidados centrados na família (CCF) são considerados centrais nos cuidados prestados com qualidade, uma vez que garantem a saúde e o bem- estar à criança/família através de uma relação de respeito, honrando os pontos fortes, cultura e conhecimentos que todos os elementos desta relação trazem para a mesma; regendo-se pelos cuidados à pessoa e não à sua condição, sendo o utente melhor entendido no seu contexto de família, o que irá resultar em melhores cuidados de saúde, maior segurança e satisfação (O'Malley, Brown, & Krug, 2008).
Neste processo de saúde/doença, a participação ativa dos pais nos cuidados físicos e emocionais dos filhos é essencial, aliviando o sentimento de culpa e estimulando o papel parental, levando a uma diminuição da ansiedade. Também para a organização da intervenção da Enfermagem o apoio da família é imprescindível; aceitá-los e orientá-los torna-se essencial para que a participação destas pessoas nos cuidados à criança seja uma realidade dentro dos CCF (Jorge, 2004).
A comunicação é considerada uma pedra angular no cuidar e nos CCF, pelo que a transmissão de informação e suporte em todas as intervenções deve estar sempre presente (O'Malley, Brown, & Krug, 2008). Assim, é importante que o Enfermeiro saiba escutar e colocar as questões certas, funcionando como elemento chave da intervenção terapêutica (Jorge, 2004). A comunicação é também encarada como a base da relação terapêutica, essencial para as respostas às necessidades da dinâmica familiar. Investir tempo para construir um relacionamento e compreensão com a criança/família desenvolve um sentimento de confiança e aperfeiçoamento da comunicação que irá melhorar os resultados e a satisfação do utente (Levetown, 2008).
Apesar de essencial e considerado como a base de todo o procedimento na saúde, é necessária uma contínua ênfase curricular na construção de competências na área da comunicação, principalmente, em serviços pediátricos. Os hospitais, numa procura constante pelos cuidados de qualidade ao utente, têm procurado tecnologia de ponta. Mas a saúde não é somente o bem-estar físico, é também o bem-estar social e emocional (Neto do Nascimento, 2013). É importante ter em conta que a informação aos pais é um direito ao qual os profissionais de saúde devem dar muita atenção, devendo a informação ser orientada, clara, precisa e adequada ao seu nível de linguagem, favorecendo a sua compreensão (Jorge, 2004). A forma como cada família responde à situação de doença depende da forma como a doença surge. O stress vivenciado numa situação de doença requer mudanças comportamentais e afetivas num determinado período de tempo, requerendo mobilização das competências familiares para lidar com a situação. Contudo, as incertezas diagnósticas representam um dos acontecimentos mais dramáticos que a família pode sofrer, envolvendo-a numa crise emocional, afetando todos os seus elementos (Jorge, 2004).
Neste sentido, a admissão de uma criança no Hospital é considerada uma situação de crise familiar que causa desequilíbrio físico e psicológico que pode diminuir as capacidades habituais de enfrentar os problemas (Jorge, 2004). Os pais, ao participarem nos cuidados ao filho, sentem-se parte integrante da equipa, facilitando a manutenção de laços familiares, componente vital para o ajustamento social e psicológico durante o processo de doença; sendo o Enfermeiro um elo fundamental para a ligação da criança, pais e outros profissionais da equipa. Segundo Schmitz (1989), citado por Jorge (2004), os cuidados prestados à criança pelos pais são mais adaptados e satisfatórios, o que lhe confere mais segurança. Além do mais, a presença dos pais irá evitar o desencadeamento
de reações emocionais causadas pela separação da criança/família, promovendo também a mediação entre profissionais e criança (Crepaldi & Varella, 2000).
Assim, promover CCF envolve o reconhecimento da família como uma parte essencial nos cuidados à criança e na sua experiência de saúde/doença (Gough, Johnson, Waldron, Tyler, & Donath, 2009); são uma abordagem inovadora para o planeamento, execução e avaliação dos cuidados de saúde, baseado numa relação de mútuo benefício para as crianças/familiares e profissionais de saúde. Para tal, é importante que o Enfermeiro clarifique os seus próprios valores, o que lhe irá permitir funcionar como modo terapêutico, comprometendo-se nos cuidados que presta, reconhecendo a importância dos CCF no processo de saúde/doença em pediatria (Lopes, 2006).
Desta forma, as competências comunicacionais do Enfermeiro são uma componente importante dos CCF que prosseguem a orientação do Cuidar em Enfermagem, remetendo à teoria de Jean Watson. O Enfermeiro como elemento de uma equipa multidisciplinar e cuidador da criança/família é um elo essencial para o processo de comunicação (Gough, Johnson, Waldron, Tyler, & Donath, 2009).
Tendo em conta este breve enquadramento, o presente documento pretende também marcar a importância de uma constante melhoria da qualidade dos cuidados prestados, incrementando a filosofia dos CCF e enfatizando a necessidade da relação de ajuda e da comunicação terapêutica.