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“LEI Nº 4.534, DE 12 DE JANEIRO DE

No documento rdj098 (páginas 48-56)

(Autoria do Projeto: Poder Executivo)

Regulamenta os procedimentos para renovação da concessão e permis- são de bancas de jornais e revistas e área anexa e dá outras providências. O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL,

Faço saber que a Câmara Legislativa do Distrito Federal decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1º Os procedimentos para renovação da concessão ou permissão de bancas de jornais e revistas e área anexa seguirão os regramentos previstos neste diploma legal.

CAPÍTULO II

DO REQUERIMENTO

Art. 2º O permissionário ou concessionário de banca de jornais e revistas e área anexa, ocupante de área pública, deverá requerer a emissão da renovação do Termo de Permissão de Uso referente à ou- torga, mediante comprovação de que exerce, regularmente, a atividade econômica na banca por ele explorada.

Parágrafo único. Observado o disposto na Lei nº 324, de 30 de setembro de 1992, havendo requerimento de transferência do Termo de Permissão ou Concessão de que trata o caput, o interessado deverá comprovar o exercício regular da atividade na área objeto da permissão ou concessão. Art. 3º O requerimento deverá ser entregue na Administração Regional da circunscrição onde a banca estiver instalada.

§ 1º O protocolo do requerimento não autoriza a ocupação de área pública por banca de jornais e revistas e área anexa desprovida de outorga legal.

§ 2º O requerimento deverá seguir o modelo do Anexo Único desta Lei e ser instruído com a documentação exigida no item 5 do mesmo Anexo. CAPÍTULO III

DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO

Art. 4º A Administração Regional encaminhará o requerimento e a documentação a ele anexada à Coordenadoria das Cidades da Secre- taria de Estado de Governo do Distrito Federal.

Art. 5º Caso a documentação entregue pelo requerente esteja incomple- ta, a Coordenadoria das Cidades da Secretaria de Estado de Governo do Distrito Federal o notificará, no endereço por ele declarado, para complementá-la no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de indeferimento do requerimento.

Art. 6º A Coordenadoria das Cidades da Secretaria de Estado de Governo do Distrito Federal, no prazo máximo de 30 (trinta) dias contados do recebimento do requerimento, solicitará à Agência de Fiscalização do Distrito Federal - AGEFIS, informações acerca:

I - da área ocupada pela banca de jornais e revistas, incluindo as áreas anexas de que trata o art. 1º, § 3º, da Lei nº 324, de 30 de setembro de 1992;

II - da existência ou não de autuações referentes à atividade econômica desenvolvida na banca.

Parágrafo único. A AGEFIS terá o prazo de 30 (trinta) dias para encaminhar à Coordenadoria das Cidades as informações solicitadas. Art. 7º A Coordenação das Cidades analisará o requerimento no prazo máximo de 30 (trinta) dias, a contar do recebimento das informações prestadas pela AGEFIS, e publicará no Diário Oficial do Distrito Federal o resultado da análise, o qual conterá manifestação sobre: I - o atendimento ou não às exigências legais referentes à outorga; II - a existência ou não de permissão ou concessão para ocupação de área pública do Distrito Federal por banca de jornais e revistas e área anexa;

III - o deferimento ou indeferimento do requerimento.

Parágrafo único. Ao analisar o requerimento, a Coordenadoria das Cidades deverá:

I - deferi-lo, se o requerente já possuir permissão ou concessão, incluídas aquelas cedidas para transferência, nos termos da Lei nº 324, de 30 de setembro de 1992, para a exploração de banca de jornais e revistas em área pública do Distrito Federal, e se não forem encontradas irre- gularidades na outorga ou na ocupação;

II - indeferir o requerimento e cassar a outorga porventura existente se forem constatadas irregularidades na outorga ou na ocupação. Art. 8º Nos casos de indeferimento do requerimento ou de constatação de irregularidades na outorga ou na ocupação, a Coordenadoria das Cidades informará:

I - à AGEFIS, para as providências tendentes à interdição da atividade; II - à Administração Regional, para a revogação do Alvará de Locali- zação e Funcionamento ou da Licença de Funcionamento da atividade, se existente.

CAPÍTULO IV

DO TERMO DE PERMISSÃO

Art. 9º Para os fins desta Lei, Permissão de Uso é o ato administrativo unilateral, personalíssimo, precário, mediante o qual a Administração Pública concede a particulares o uso de áreas públicas do Distrito Federal para a instalação ou construção e exploração de bancas de jornais e revistas, definitivas ou provisórias e área anexa.

Art. 10. O termo de Permissão de Uso de que trata esta Lei e o art. 1º da Lei nº 4.384, de 29 de julho de 2009, vigerá por 10 (dez) anos. Art. 11. O Termo de Permissão de Uso de que trata esta Lei obedecerá ao modelo padrão definido pela Coordenadoria das Cidades. Art. 12. Após a emissão do Termo de Permissão de Uso, a Coordena- doria das Cidades deverá:

I - publicar de forma resumida o Termo de Permissão de Uso ou seus Aditamentos no Diário Oficial do Distrito Federal e disponibilizar as informações no sítio oficial do Governo do Distrito Federal;

II - encaminhar cópia do Termo à AGEFIS e à Administração Regional competente.

CAPÍTULO V

DO PREÇO PÚBLICO

Art. 13. O permissionário da ocupação e exploração de área pública por banca de jornais e revistas e área anexa deverá pagar mensalmente o preço público referente à ocupação, nos termos do art. 11 da Lei nº 324, de 30 de setembro de 1992, e de suas alterações posteriores.

§ 1º O preço público será corrigido anualmente com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC ou outro índice que venha a substituí-lo.

§ 2º O pagamento será feito por meio de Documento de Arrecadação - DAR, a partir do ato da assinatura do Termo de Permissão de Uso. § 3º O vencimento recairá no quinto dia útil do mês subsequente ao mês de referência.

§ 4º O atraso no pagamento do preço público devido pelo permissio- nário ou concessionário acarretará a incidência cumulativa de multa de 2% (dois por cento) sobre o valor a ser recolhido, juros de mora de 1% (um por cento) ao mês ou fração, calculados nos termos da legislação em vigor.

Art. 14. Os preços públicos devidos pela ocupação e exploração de áreas públicas por bancas de jornais e revistas, definitivas ou provisórias, e áreas anexas, cujas concessões e permissões tenham sido formalizadas a partir do Edital de Licitação nº 05/95 - RA I, passam a ser unificados, tendo como referência os valores abaixo:

I - banca definitiva - R$ 10,00 (dez) reais por m2;

II - banca provisória - R$ 5,00 (cinco) reais por m2.

Parágrafo único. A Administração Regional de Brasília - RA I ajus- tará os instrumentos contratuais firmados com os concessionários e

permissionários de bancas de jornais e revistas e área anexa ao disposto nesta Lei.

CAPÍTULO VI

DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 15. As atividades econômicas permitidas na banca de jornais e revistas observarão a legislação em vigor.

Parágrafo único. É vedada, em qualquer hipótese, a utilização de banca de jornais e revistas como residência.

Art. 16. A Coordenadoria das Cidades instituirá cadastro único dos permissionários de bancas de jornais e revistas ocupantes de áreas públicas, definitivas ou provisórias, o qual ficará disponível, para consulta, aos interessados.

Parágrafo único. Para dar transparência ao processo de recadastra- mento, a entidade representativa dos permissionários e cessionários das bancas de jornais e revistas do Distrito Federal emitirá documento essencial a cada um dos atuais ocupantes, atestando sua atividade profissional.

Art. 17. O permissionário de banca de jornais e revistas ocupante de área pública terá o prazo de 30 (trinta) dias, a partir da data de assinatura do respectivo Termo de Permissão de Uso, para requerer Licença de Funcionamento para sua atividade econômica.

Parágrafo único. Indeferido o pedido de Licença de Funcionamento, a Administração Regional comunicará o fato, imediatamente, à Coorde- nadoria das Cidades, para a cassação do Termo de Permissão de Uso. Art. 18. Os interessados serão formalmente informados de todos os atos de indeferimento praticados pela Administração Pública. Art.19. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 20. Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 12 de janeiro de 2011 123º da República e 51º de Brasília AGNELO QUEIROZ”

Passa-se a analisar a preliminar de inadequação da via eleita, diante da falta de interesse de agir da requerente, ao argumento de que a inconstitucionalidade suscitada seria apenas reflexa, porquanto se fez menção às disposições da Lei 8.666/93, e não direta, como exigido pela Constituição Federal.

Entretanto, a causa de pedir inserta na inicial é clara ao apontar suposta violação de normas distritais em face da Lei Orgânica do Distrito Federal (artigos 19, caput, 26, 49 e 51, caput e parágrafo 3º) e o Excelso Supremo Tribunal Federal já assentou

que “a competência para julgar a ação direta de inconstitucionalidade é definida pela causa de pedir lançada na inicial. Em relação ao conflito da norma atacada com a Lei Máxima do Estado, impõe-se concluir pela competência do Tribunal de Justiça, pouco importando que o preceito questionado mostre-se como mera repetição de dispositivo, de adoção obrigatória, inserto na Carta da República” (RE 199239/SP, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 06/08/2004, p. 21).

Rejeita-se, pois, a preliminar.

Em relação à preliminar de impossibilidade jurídica do pedido, suscitada pelo Sr. Presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde argumenta que o art. 19 da Lei Distrital n. 324/92 é anterior à Lei Orgânica do Distrito Federal, impõe consignar que, no julgamento da ADI 2009.00.2.012303-6, que tinha por objeto a Lei n. 4.384/09, também questionada na presente ADIn, ficou consignado que “o ajuizamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade impõe a impugnação de todas as normas que gerem as mesmas consequências jurídicas da norma atacada, sob pena da prestação jurisdicional não ter utilidade a impor o reconhecimento da falta de interesse processual”.

Naquela oportunidade, ainda constou que “cabia ao autor impugnar todas as normas garantidoras da renovação ou prorrogação das permissões ou concessões do serviço sem licitação, tal qual se exige quando da repristinação da norma atacada vem a acarretar o retorno da vigência de norma idêntica” (fl. 38). Com efeito, deve-se consignar a necessidade do exame da alegada inconstitucionalidade de todos os diplomas legais em vigor que tratam da renovação das permissões e concessões do serviço de bancas de jornais e revistas independentemente de licitação, porquanto o reconhecimento da suposta inconstitucionalidade pode vir a repristinar norma que incorre no mesmo vício, de forma que se impõe a impugnação, nesta ação, de todos os diplomas legais (o revogador e os sucessivamente revogados), conforme decisão do Pleno do STF, ADI 2.574/AP, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ 29/8/2003)1 .

Rejeita-se, igualmente, a preliminar.

No mérito, a requerente sustenta a inconstitucionalidade material do art. 19 da Lei Distrital n. 324, de 30/9/1992, da Lei Distrital n. 4.384, de 29/7/2009, e da Lei Distrital n. 4.534, de 12/02/2011, por ofensa aos artigos 19, caput, 26, 49 e 51, caput e parágrafo 3º, todos da Lei Orgânica do Distrito Federal.

Examinando as normas impugnadas, em cotejo com o parâmetro legal elencado, deve-se ter em conta que a supremacia do interesse público sobre o particular e a observância aos princípios constitucionais do procedimento licitatório devem sempre ser a regra, e não a exceção, que haverá de ser excepcional para ser admitida, sob pena de desvio de finalidade da contratação.

No caso em exame, não houve comprovação de interesse público hábil a dispensar o procedimento licitatório, tampouco de que a hipótese era uma das exceções prevista em lei. Ao contrário, o que se tem é o impedimento de que outros interessados

possam explorar a atividade econômica relacionada à venda de jornais e revistas, pois haveria a prorrogação das permissões ou concessões anteriores.

As normas impugnadas, na forma como dispostas, possibilita a ocorrência do que, historicamente, veio a ser definido pela expressão ‘détournement de pouvoir’, que compreende o desvio do poder discricionário da Administração para a prática de um ato em desconformidade com as prescrições legais, muito embora ostente a falsa aparência de legalidade.

Assim, verifica-se que razão assiste à requerente, pois tais Diplomas estabelecem a prorrogação das permissões de uso de áreas públicas do Distrito Federal para o exercício de atividade econômica, sem prévia licitação, vislumbrando-se ofensa aos princípios da isonomia, da impessoalidade e da moralidade. É o que se depreende da leitura dos artigos 19, caput, 26, 49 e 51, da Lei Orgânica do Distrito Federal, in verbis: “Art. 19. A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes do Distrito Federal, obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, razoabilidade, motivação e interesse público (...).”

“Art. 26. Observada a legislação federal, as obras, compras, alienações e serviços da administração serão contratados mediante processo de licitação pública, nos termos da lei”.

“Art. 49. A aquisição por compra ou permuta, bem como a alienação dos bens imóveis do Distrito Federal dependerão de prévia avaliação e autorização da Câmara Legislativa, subordinada à comprovação da existência de interesse público e à observância da legislação pertinente à licitação.”

“Art. 51. Os bens do Distrito Federal destinar-se-ão prioritariamente ao uso público, respeitadas as normas de proteção ao meio ambiente, ao patrimônio histórico, cultural, arquitetônico e paisagístico, e garantido o interesse social.

...

§ 3º O Distrito Federal utilizará seus bens dominiais como instrumento para a realização de políticas de ocupação ordenada do território.” Acresça-se, ainda, que a matéria não é inédita neste Colegiado no sentido de que, mesmo em se tratando de permissão de uso de área pública para fins econômicos, observada a discricionariedade do ato, a licitação é necessária (v.g. ADI 20090020005137,

Rel. Des. Flávio Rostirola, julgado em 16/6/2009; ADI 20090020119018, Rel. Des. Mário-Zam Belmiro, julgado em 13/4/2010, dentre outros).

Por fim, em conformidade com o que dispõe o artigo 27 da Lei n. 9.868/99, a hipótese está a indicar a necessária atribuição de efeito ex nunc a esta decisão, diante da já ocupação destes espaços públicos por longos períodos, de forma que o interesse social e a necessária segurança jurídica impõem a modulação do efeito desta decisão.

Nessa conformidade, JULGA-SE PROCEDENTE o pedido formulado na presente Ação Direta de Inconstitucionalidade, declarando-se a inconstitucionalidade material do art. 19, da Lei Distrital n. 324/92, da Lei Distrital n. 4384/09 e da Lei Distrital n. 4534/11, em face dos artigos 19, caput, 26, 49 e 51, caput e parágrafo 3º, todos da Lei Orgânica do Distrito Federal, com efeito ex nunc e eficácia erga omnes.

DECISÃO

Rejeitadas as preliminares à unanimidade. No mérito, julgou-se procedente a ação, por maioria, modulando-se os efeitos da decisão nos termos do voto do Relator.

Notas

1 “No caso de ser declarada a inconstitucionalidade da norma objeto da causa, ter-se-ia a repristinação de preceito

anterior com o mesmo vício de inconstitucionalidade. Neste caso, e não impugnada a norma anterior, não é de se conhecer da ação direta de inconstitucionalidade.”

No documento rdj098 (páginas 48-56)