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4 MATERIAIS E MÉTODOS

4.2 LEVANTAMENTO DE DADOS

Nesta etapa reuniram-se dados relativos às variáveis qualitativas e quantitativas que envolvem o processo de tomada de decisão quanto ao tipo de sistema de tratamento de efluentes. Contudo, para o desenvolvimento dos modelos matemáticos, também foi necessário coletar informações referentes às taxas de reajuste em tarifas de energia elétrica, de cotação do dólar, e à vida útil de sistemas hidrossanitários.

4.2.1 Variáveis utilizadas na formulação dos modelos

Por meio das informações disponíveis na literatura nacional e internacional sobre sistemas centralizados e descentralizados, tanto de água cinza quanto de esgoto, os principais dados levantados relacionam-se:

 aos tipos de tratamentos empregados;

 aos custos de implantação, de manutenção e de operação (consumo de energia elétrica do sistema de tratamento);

 à população atendida;

 à área de ocupação dos sistemas.

Os modelos foram formulados considerando somente os valores referentes aos custos de implantação, de manutenção e o custo de operação (que engloba o consumo de energia). Entende-se que estes três custos não podem ser as únicas variáveis estudadas e que não devem ser consideradas as mais importantes no processo de tomada de decisão. Todavia, apresentam-se no mercado nacional como critérios extremamente relevantes na escolha de qualquer sistema.

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4.2.2 Cálculo dos custos em dólar

Para a inserção dos valores nos modelos, é necessário que todas as variáveis apresentem a mesma unidade monetária, definida nesta pesquisa, para ser em dólar (US$), devido à sua constância no mercado financeiro ao longo dos anos. Assim, com o intuito de converter para dólar os custos fornecidos em reais, foi necessário utilizar a média da cotação do dólar, tendo como base o ano informado pela referência consultada. A Tabela 4.1 apresenta a média anual da cotação do dólar comercial para venda, entre 2001 e 2016, fornecida pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP, 2016).

Tabela 4.1 – Média anual da cotação do dólar para atualização dos custos fornecidos pelas

referências consultadas

Ano Média anual da cotação

do dólar (em R$) Ano

Média anual da cotação do dólar (em

R$) 2001 2,3637 2009 1,9974 2002 2,9222 2010 1,7603 2003 3,0780 2011 1,6751 2004 2,9260 2012 1,9547 2005 2,4349 2013 2,1577 2006 2,1783 2014 2,3532 2007 1,9481 2015 3,3310 2008 1,8349 2016 3,4885

Fonte: adaptado de ACSP (2016)

Por exemplo, Hastenreiter (2013) divulgou em Reais (R$) todos os custos de implantação e de manutenção dos sistemas. Assim, para converter os valores para dólar foram feitos os cálculos apresentados nas Equações (4.1) e (4.2).

𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝐼𝑚𝑝𝑙𝑎𝑛𝑡𝑎çã𝑜𝑑ó𝑙𝑎𝑟 = 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝐼𝑚𝑝𝑙𝑎𝑛𝑡𝑎çã𝑜𝑟𝑒𝑎𝑖𝑠 𝑀é𝑑𝑖𝑎 𝑎𝑛𝑢𝑎𝑙 𝑑ó𝑙𝑎𝑟 2013

𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝐼𝑚𝑝𝑙𝑎𝑛𝑡𝑎çã𝑜𝑑ó𝑙𝑎𝑟 =𝑅$ 78.000

2,1577 = 𝑈𝑆$ 36,150

70 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑀𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜𝑑ó𝑙𝑎𝑟/𝑎𝑛𝑜= 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑀𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜𝑟𝑒𝑎𝑖𝑠/𝑎𝑛𝑜 𝑀é𝑑𝑖𝑎 𝑎𝑛𝑢𝑎𝑙 𝑑ó𝑙𝑎𝑟 2013 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑀𝑎𝑛𝑢𝑡𝑒𝑛çã𝑜𝑑ó𝑙𝑎𝑟 = 𝑅$ 3.238/𝑎𝑛𝑜 2,1577 = 𝑈𝑆$ 1,501/𝑎𝑛𝑜 (4.2)

Destaca-se que o mesmo procedimento foi realizado para a conversão dos valores fornecidos por Reami e Coraucci Filho (2010), Dell’Uomo (2014) e Domingues et al. (2016). Entretanto, para os custos extraídos de Aisse et al. (2002), o divisor das equações não foi a média anual do dólar, mas sim a cotação mensal em julho de 2001, conforme indicado pelos autores, que equivale a R$ 2,5538 (ACSP, 2016). De acordo com Von Sperling (2005), os valores apresentados foram calculados considerando que a média da cotação do dólar para o segundo semestre de 2004 foi equivalente a R$ 2,70, valor este utilizado como divisor da equação quando necessário. Além disso, o autor apresenta os custos em função da quantidade de habitantes, assim, para obter os respectivos custos de manutenção (CM), em US$/ano, foi feito o cálculo indicado pela Equação (4.3).

𝐶𝑀𝑑ó𝑙𝑎𝑟/𝑎𝑛𝑜= 𝐶𝑀𝑟𝑒𝑎𝑖𝑠/𝑎𝑛𝑜 𝐶𝑜𝑡𝑎çã𝑜 𝑑𝑜 𝑑ó𝑙𝑎𝑟∗ 𝐻𝑎𝑏𝑖𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒𝑠 𝐶𝑀𝑑ó𝑙𝑎𝑟/𝑎𝑛𝑜 = 𝑅$ 12/𝑎𝑛𝑜 2,70 ∗ 4.203 = 𝑈𝑆$ 18,680/𝑎𝑛𝑜 (4.3)

4.2.3 Cálculo do consumo de energia

O consumo de energia dos sistemas foi fornecido em kWh/mês e em kWh/hab.ano. Todavia, como o custo de operação a ser inserido no modelo deve estar em US$/ano, foi necessário considerar um custo de energia por kWh consumido. Assim, utilizou-se como referência a tarifa de energia elétrica determinada pela AES Eletropaulo, na cidade de São Paulo, para o mês de abril de 2016, como verificado na Figura 4.2.

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Figura 4.2 – Tarifa de energia elétrica utilizada para o cálculo do custo de operação

Fonte: a autora (2016)

Conforme destacado na Figura 4.2, para o mês de abril de 2016, a taxa da tarifa da energia foi igual a R$ 0,59761724/kWh consumido. Optou-se, então, por arredondar o valor para R$ 0,60/kWh, a fim de facilitar os cálculos. Portanto, pôde-se calcular o custo de operação (CO) dos sistemas, tendo como base o consumo de energia fornecido pelas referências, conforme mostram as Equações (4.4) e (4.5).

𝐶𝑂𝑑ó𝑙𝑎𝑟/𝑎𝑛𝑜 =𝐶𝑂𝑘𝑊ℎ/𝑚ê𝑠∗ 𝑇𝑎𝑟𝑖𝑓𝑎𝑅$/𝑘𝑊ℎ∗ 12 𝑚𝑒𝑠𝑒𝑠 𝐶𝑜𝑡𝑎çã𝑜 𝑑𝑜 𝑑ó𝑙𝑎𝑟𝑎𝑏𝑟𝑖𝑙/2016 𝐶𝑂𝑑ó𝑙𝑎𝑟/𝑎𝑛𝑜 = 200 ∗ 0,60 ∗ 12 𝑚𝑒𝑠𝑒𝑠 3,551 = 𝑈𝑆$ 406/𝑎𝑛𝑜 (4.4) 𝐶𝑂𝑑ó𝑙𝑎𝑟/𝑎𝑛𝑜 =𝐶𝑂𝑘𝑊ℎ/𝑎𝑛𝑜 ∗ 𝐻𝑎𝑏𝑖𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒𝑠 ∗ 𝑇𝑎𝑟𝑖𝑓𝑎𝑅$/𝑘𝑊ℎ 𝐶𝑜𝑡𝑎çã𝑜 𝑑𝑜 𝑑ó𝑙𝑎𝑟𝑎𝑏𝑟𝑖𝑙/2016 𝐶𝑂𝑑ó𝑙𝑎𝑟/𝑎𝑛𝑜 = 20 ∗ 4.203 ∗ 0,60 3,551 = 𝑈𝑆$ 14,203/𝑎𝑛𝑜 (4.5)

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4.2.4 Taxa de reajuste da energia elétrica

Para a formulação dos modelos também foi necessário calcular a taxa de reajuste da tarifa de energia elétrica ao longo do tempo. Desta forma, de acordo com Magnabosco (2014), com base em dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia e Finanças (Ibecon), no período de dez anos, entre 2004 e 2014, o preço da energia chegou a subir até 167,7%. De acordo com o autor, este valor é referente à CPFL Paulista, que atende cidades do interior do Estado de São Paulo, e representou a maior variação do país no período.

Assim, como a variação da energia é acumulada anualmente, optou-se por utilizar um valor fixo que representasse a taxa de aumento, sabendo que ao final de dez anos haveria uma variação de 167,7% acumulada no custo da energia elétrica. Portanto, foi considerada uma taxa de reajuste de, aproximadamente, 10,35% ano para o custo de operação, que no âmbito dessa pesquisa, representa o consumo de energia dos sistemas em valores monetários.

4.2.5 Vida útil de sistemas hidrossanitários

Para que a tomada de decisão seja feita com base em características semelhantes à realidade das edificações, a análise deve considerar, pelo menos, a vida útil mínima do sistema a ser implementado.

De acordo com a NBR 15.575 (ABNT, 2013), a vida útil é o “período de tempo em que um edifício e/ou seus sistemas, elementos e componentes se prestam às atividades para as quais foram projetados e construídos considerando: o atendimento dos níveis de desempenho previstos na NBR 15.575; e a periodicidade e a correta execução dos processos de manutenção especificados”.

Para os sistemas hidrossanitários, onde se inserem os sistemas prediais de água não potável, a vida útil de projeto estabelecida pela Norma de Desempenho deve ser maior ou igual a 20 anos (ABNT, 2013). Desta forma, foi considerado um período de vida útil equivalente a 20 anos. No entanto, com o intuito de entender melhor o comportamento dos sistemas, a aplicação dos modelos e a análise dos resultados foram realizadas para cada quinquênio, ou seja, para cada cinco anos de operação.

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