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Parte IV: Similaridades e singularidades 313 8 A ARTICULAÇÃO ENTRE RECEPÇÃO, ESTILO DE VIDA E DISTINÇÃO: TECENDO

2 DESENVOLVENDO O ROTEIRO

3 APRESENTANDO: A REGRA DO JOGO

3.1 ENTRE A “MACACA” E O “ASFALTO”

As telenovelas brasileiras da TV Globo apresentam fortes traços autorais de seus escritores, chamadas também de marcas de autoria (SOUZA M., 2002). Para examinar esse “projeto criador”, que tem como pilar a sociologia dos produtores desenvolvida por Pierre Bourdieu, Souza exalta a “autonomia de criação” das obras e de seus realizadores e destaca a importância do exame “das posições, habitus e escolhas” dos autores roteiristas de telenovelas brasileiras ao construírem suas narrativas e suas marcas de autoria. Sobre o processo produtivo ficcional, Souza M. explica:

As telenovelas são fruto de uma equipe realizadora que envolve hoje, na maior emissora produtora do gênero no Brasil, mais de trinta realizadores exercendo funções diversas e especializadas. Equipe coordenada pela direção geral em parceria com a direção da produção. [...] O lugar dos diretores gerais e sua equipe têm cada vez mais se destacado nesse processo, levando os escritores a escolherem com cuidado suas parcerias, comportamento que indica um dos dispositivos de impressão das marcas de autoria em trabalhos coletivos que refletem uma certa maneira de ordenação da equipe (atores, figurinistas, diretores musicais...) movendo a história. (SOUZA M., 2002, p. 4)

Apesar de cada vez mais a figura do diretor geral ganhar destaque ao também imprimir suas “marcas” nas produções, tanto a direção geral como a direção de produção ainda apontam a “primazia do escritor e sua equipe nos modos de marcar o que se pode chamar de autoria: um jeito próprio de narrar a história, de ordenar as peripécias, de enovelar as tramas, de construir os personagens e tantos outros indicadores” (SOUZA M., 2002, p. 4). Em nossa pesquisa, não objetivamos dar conta da construção social da autoria de João Emanuel Carneiro, escritor de A Regra do Jogo, mas através da aproximação de sua trajetória e de telenovelas anteriores114, foi possível percebermos algumas repetições em suas obras: a principal marca de autoria de Carneiro, já conhecida pelos telespectadores, são as distinções entre as classes sociais.

O autor costuma elaborar narrativas em que pessoas de classes mais baixas ascendem socialmente, seja pelo trabalho - o já recorrente modelo meritocrático, daquele que se esforça muito e consegue ascender de classe - ou de formas menos honestas e legítimas, através de golpes e trapaças, ou mesmo de forma cômica e mais leve, mas também baseadas em mentiras. Em Avenida Brasil, um de seus maiores sucessos, há uma “rígida división “geográfica” entre clases sociales” (DHEIN, MARQUES, 2017, p. 3), com os mais pobres vivendo na Zona Norte e os ricos vivendo na Zona Sul e um conflito central envolvendo vingança e poder material e simbólico (GOLDENBERG, 1995, p. 544). Carneiro traz também

uma “nova classe média”, representada como “brega” e “cafona” por não possuir capital cultural ou social, mantendo assim o gosto e o estilo de vida dado como o natural das classes mais baixas. A distinção e demarcação das classes em Avenida Brasil estava

traducida también en el gusto. Por ejemplo, en la mansión que mantiene de Tifón: ella indica su mudanza de condición social e incapacidad de superación de fronteras simbólicas”. Hay malo gusto, objetos exagerados, mucho dorado, desconocimiento sobre cómo son las cosas de “gente rica” (como la comida, por ejemplo) y mucha gente viviendo debajo del mismo techo. (DHEIN, MARQUES, 2017, p. 5).

Como explica Santos (2016, p. 180) é também através do gosto e do estilo de vida dos personagens que parte dos telespectadores percebem que “a família pobre que ascendeu socialmente” não possui “a necessária distinção dos que legitimamente estariam classificados para aquela condição social”.

Daí o estereótipo, consagrado pelo imaginário social, do rico desprovido de boas maneiras, despojado de informações culturais sobre arte, falta de conhecimento sobre idioma estrangeiro, privado até de paladar apurado, justificando, assim, a não capacidade de adotar a postura socialmente esperada de quem é detentor do capital cultural próprio dos que são titulares das legítimas condições de distinção, portanto, de quem não veio da base da pirâmide social. (SANTOS, 2016, p. 180).

Em A Regra do Jogo, Carneiro também tem como conflito principal as relações entre

poder e moral entrelaçados pelo dinheiro, além da distinção materializada através do gosto e do estilo de vida de seus personagens. Alguns meses antes de sua estreia, a telenovela teve um primeiro título provisório: Favela Chique. Não apenas o título, mas também a autoria - suas marcas - e os teasers divulgados pela emissora já indicavam que esta seria mais uma novela que traria o subúrbio na trama principal115, além de uma divisão geográfica entre as diferentes classes sociais. A Regra do Jogo também traz personagens contraditórios não apenas no caráter, mas no que concerne à suas posições sociais, e foi justamente essa complexidade que fez com que a mantivéssemos como nosso corpus.

O enredo de A Regra do Jogo desenvolve-se a partir de dois núcleos geográficos distintos: o Morro da Macaca, comunidade fictícia, e o asfalto - núcleo urbano classe alta116. Dirigida por Amora Mautner, a novela estreou em 31 de agosto de 2015, no horário das 21h, e terminou em 11 de março de 2016, tendo 167 capítulos. A trama trouxe algumas novidades para o horário nobre, como a captação de imagens na caixa cênica, em 360 graus, e os títulos individuais para cada capítulo, se aproximando da narrativa das séries norte-americanas. Além

115 Fio da estória principal (CAMPOS, 2007). Também chamada de trama central (PALLOTTINI, 2000, p, 72):

“é preciso que uma telenovela tenha uma coluna dorsal, que seja forte o suficiente para aguentar as tramas secundárias”.

disso, o Gshow lançou uma websérie que buscava mostrar “o que acontecia de interessante nos morros cariocas”. A trama não iniciou com grandes picos de audiência, manteve uma média de 26 pontos ao longo de sua exibição e alcançou os 43 em seu último capítulo, o que significa que 71% dos aparelhos pesquisados pelo Ibope na Grande São Paulo estavam ligados na Rede Globo durante a novela. Foi vendida, até o momento, para 17 países, e teve duas indicações ao Emmy 2016, nas categorias Melhor Novela e Melhor Ator para o protagonista Alexandre Nero.

No site Memória Globo117 A Regra do Jogo é descrita como uma “bem-humorada crônica da vida brasileira”. O conflito principal se desenrola a partir do personagem de Romero Rômulo (Alexandre Nero), um homem que se passa por um “herói do povo”, mas leva uma vida dupla. O radialista e ex-vereador tornou-se conhecido como “paladino defensor dos direitos dos presidiários e criminosos” e sustenta o papel de homem íntegro, humilde e trabalhador. Inicia a trama como um ativista social que “finge ser pobre”, vive em um apartamento antigo e dirige um carro popular, mas na verdade “adora ostentar” e é um bandido que usa tal fundação não para reabilitar marginais, e sim para recrutá-los para a facção criminosa da qual faz parte. Suas metas eram “ascender dentro da facção criminosa e enriquecer ainda mais”. O dilema118

do personagem Romero começa quando ele se relaciona afetivamente com Toia (Vanessa Giácomo), “uma heroína popular do morro” ao mesmo tempo em que se envolve com Atena (Giovanna Antonelli) - uma estelionatária que “finge ser rica”, ficando assim dividido “entre o bem e o mal” - polarização normalmente utilizada nas telenovelas brasileiras (ROMANO, 1999).

As relações de poder ligadas ao dinheiro já aparecem nos primeiros capítulos. Tóia, quando criança, teve o pai - um farmacêutico responsável pela “fórmula milionária” de um novo remédio – assassinado por conta de dinheiro e poder. Anos depois, quando descobre que é uma herdeira milionária, ela recusa “o dinheiro sujo”. Romero, ao tentar convencê-la a aceitar, diz que ela nunca mais precisará trabalhar. Tóia responde “eu amo trabalhar, essa sou eu! Eu não consigo imaginar meus filhos sendo criados com um dinheiro sujo, sem trabalhar! Todos os ricos que eu conheço são infelizes, eu não quero esse dinheiro”. Essa relação entre classes populares e o orgulho do trabalho, já destacada por Ronsini (2016, p. 57) em que aponta que as virtudes da honestidade, da solidariedade e do trabalho “são um capital simbólico de classe” que dá às camadas populares “a sensação de serem iguais ou melhores que os que detêm o capital econômico e cultural”, também se repete em A Regra do Jogo, em

117http://memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/novelas/a-regra-do-jogo/a-regra-do-jogo-inicio.htm 118 Conflito interno de um personagem (CAMPOS, 2007).

mais uma heroína de classe popular batalhadora e honesta, que prima pela felicidade, e não pelo dinheiro.

Um dos principais núcleos de personagens em que se passa A Regra do Jogo é o fictício Morro da Macaca, “uma espécie de favela do futuro, ponto de convergência de todas as classes de uma sociedade em constante mutação, como a brasileira”. Segundo a Rede Globo, a ideia foi criar um morro suburbano “seguro, limpo e respeitável”, tornando-se, assim, local de referência turística. O Morro da Macaca é definido como uma “comunidade que deu certo” principalmente por conta do olhar empreendedor de Adisabeba (Susana Vieira), uma ex-prostituta que constrói imóveis para alugar e é também dona de um hostel e de uma boate de sucesso, a Caverna da Macaca, que faz com que os jovens de todas as camadas sociais do Rio de Janeiro subam o morro para “curtir” as festas mais “quentes” da cidade.

Podemos destacar que a distinção entre os dois núcleos principais - o popular Morro da Macaca e a elite do asfalto - é evidenciada principalmente através de elementos estéticos. “A Macaca tem a cor, é vibrante, é solar, é quente, as pessoas são bronzeadas e sem camisa”, explica uma das figurinistas de A Regra do Jogo. Em contrapartida, temos o núcleo do asfalto, “em tons frios, cinzas, azuis, pretos e beges. São as pessoas muito ricas, que usam grife”. Assim como no bairro Divino de Avenida Brasil, o Morro da Macaca tem como conceito principal “traduzir a alegria na identidade visual das pessoas”, principalmente através das cores, da sensualidade e das referências ao funk e ao hip-hop, estilos musicais geralmente associados às classes mais baixas. Os pares de oposição frieza e planejamento, de um habitus não popular versus a alegria e a espontaneidade de um habitus popular (MATTOS, 2006b) podem ser observados na distinção entre as representações de núcleo do “morro” e do “asfalto”.

A cenografia119 também desempenhou importante papel na distinção dos núcleos do “morro” e do “asfalto”. Na Macaca se utilizou muito material reciclado dos próprios Estúdios Globo (madeira, ferro, grade, sucata), “que foram transformados em janelas, telhas, puxadinhos e portas”. Para a decoração dos ambientes, foram compradas peças usadas e em alguns casos foram trocadas mobílias e roupas de cama com moradores de comunidades cariocas. Para o núcleo de “classe alta decadente” foram usados acessórios que remetiam à década de 1970, como as uvas de louça no centro da mesa, o espelho de sol dourado preso na

119 Disponível em: http://memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/novelas/a-regra-do-jogo/a-regra-

parede e bibelôs de porcelana azul. Já na “mansão” dos Stewart o cenário era composto por “peças finas e elegantes”. Abaixo, o mapa de personagens120

. Figura 4- Mapa de personagens de A Regra do Jogo.

Fonte: Gshow.

Através de uma consulta ao elenco, destacamos 30 personagens121, entre trama principal e subtramas, para um primeiro mapeamento das características associadas ao núcleo “do morro” e “do asfalto”. Trazemos abaixo um quadro com os personagens e seus perfis, com base no site da emissora122.

121 No site dedicado à A Regra do Jogo, há um erro, e no lugar da descrição de Domingas está a de Merlô. No site Memória Globo, o erro é corrigido e no perfil de Domingas aparece o seguinte texto: “Casada com o

machista Juca (Osvaldo Mil), sofre com as humilhações e traições do marido. Domingas trabalha na loja de Indira (Cris Vianna), consegue se separar de Juca e se envolve com César (Carmo Dalla Vecchia).”

Quadro 2 - Perfis dos personagens A Regra do Jogo. Fonte: Gshow.

O perfil dos personagens da trama, assim como em novelas anteriores do próprio autor roteirista, reforça algumas representações de classe já repetidas em melodramas nacionais, fazendo com que reforcemos o entendimento de Calabrese (1989) e Eco (1989) sobre o uso da repetição123 nos meios de comunicação de massa. Os do núcleo “do asfalto”, por exemplo, são definidos como elegantes, cultos, workaholics, charmosos, inteligentes e talentosos, como Nora (Renata Sorrah), uma “matriarca elegante e culta”, “disposições para cultura legítima” (RONSINI, 2012, p. 151) comuns às classes mais altas. Outros são adjetivados como frios e amorais, a exemplo de Francineide dos Santos - nome verdadeiro de Atena (Giovanna Antonelli) - que é definida como “uma mulher disposta a tudo para levar uma vida luxuosa e glamourosa” e Orlando, “frio, calculista” e obstinado a conseguir o que quer.

Já os personagens do Morro são caracterizados como sensuais, extrovertidos, divertidos, esquentados e de forte personalidade, recorrentes nos núcleos de classe popular em telenovelas anteriores da mesma emissora (RONSINI, 2012). Outros atributos comuns aos personagens do núcleo popular são a coragem, a honestidade e o trabalho, a exemplo de Tóia (Vanessa Giácomo), descrita como uma “jovem que sempre correu atrás dos seus sonhos, nunca recebeu nada de forma fácil na vida e cujo caráter não levanta suspeitas”, reforçando a dualidade “entre os que são ambiciosos e dispostos a qualquer coisa para ascender socialmente” (RONSINI, 2012, p. 129) e aqueles que possuem ambição, porém “associada à honestidade e ao mérito pessoal” (RONSINI, 2012, p. 139).

Ao propor e esboçar um modelo de pares de oposição para se pensar um habitus popular e um habitus não popular, Mattos (2006b) nos ajuda a contextualizar as representações de personagens “do morro” e “do asfalto” em A Regra do Jogo, principalmente através dos casais Tina (Monique Alfradique)/Rui (Bruno Mazzeo) - “classe média” que se muda para o morro - e Indira (Cris Vianna)/ Oziel (Fabio Lago), pequenos empresários de classe popular que vivem na Macaca. Há uma troca de casais ao longo da trama, e a partir disso as representações de classe e processos distintivos entre os personagens “populares” e a “classe média” se tornam mais evidentes. Rui, por exemplo, é amante de

123 Segundo Calabrese (1989), os produtos ficcionais contemporâneos seguem a tendência de serem criados a

partir da lógica da repetição em três aspectos: de produção, de estrutura narrativa e de consumo. Sobre a estrutura narrativa, o autor reflete sobre a repetição principalmente na reapresentação de elementos recorrentes como histórias, personagens, cenários etc., conforme os parâmetros postos em jogo.

cinema, literatura, artes e música clássica124 e não possui habilidades para consertos domésticos, enquanto Oziel tem gosto por esportes, acha que filmes “são perda de tempo” e é um “faz tudo” em casa. Tina, a “patricinha” estilista de classe média, sofre uma grande transformação ao se mudar para o Morro, não só nas formas de se vestir, mas também nos modos de andar, falar e se comportar: sua hexis corporal é modificada ao longo da trama125. Indira, por sua vez, depois do relacionamento com Rui, passa a investir em roupas que cobrem um pouco mais o corpo, além de se interessar por literatura e buscar cursos profissionalizantes no exterior. Não só os gostos, as práticas de consumo e os interesses, mas também o corpo funcionam como operador de distinção de classe, havendo associações negativas ao corpo feminino de classe popular, “que simboliza a falta de controle de um self primitivo em contraposição ao self burguês orientado para a racionalidade” (RONSINI, 2016, p. 56).

Rui e Tina protagonizam uma conversa sobre o “estilo de vida da favela” calcada nas dimensões do trabalho e da aparência. Rui chega em casa usando uma camisa social e Tina o acusa de estar “vestido de mauricinho”. Ele responde: “essa camisa nós compramos em Londres, lembra? Bons tempos. E você, vai continuar vestida assim, com esse cabelo? E esse esmalte? E esse programa que você tá vendo?”. Tina responde: “eu estou vivendo agora o favela way of life”. As representações de classe e a distinção através desses personagens podem ser identificadas principalmente pela utilização de oposições que “servem de orientação na análise das disposições e do habitus de classe” (MATTOS, 2006b, p. 170), sendo o culto, o bem educado, o trabalho intelectual, e a admiração “de obras de arte e música clássica” (RONSINI, 2012, p. 130) características comuns às classes mais altas, enquanto o despojado, liberal e o trabalho manual, são associados às classes mais baixas.

Como buscamos reforçar desde os capítulos teóricos da presente pesquisa, entendemos o estilo de vida, segundo a sociologia bourdiana, como a materialidade do habitus dos agentes sociais. É partindo dos aspectos modificáveis do corpo, mas levando em consideração também as formas como as personagens126 de A Regra do Jogo são representadas que buscamos identificar os estilos de vida das personagens femininas que compõem nosso

124

Em capítulo que compõe nossa reflexão, Rui aparece irritado com o funk escutado pelos seus vizinhos da Macaca, e então coloca um vinil de música clássica para ouvir. Aliviado, diz: “ai, que maravilha, nem parece que eu tô na favela”. Tina, sua esposa, o questiona e o acusa de estar tendo uma “recaída burguesa”: “tá sentindo falta do ar condicionado?” Rui responde: “eu não aguento mais funk, essa água que me dá coceira, tô com saudade do meu banheiro, do porcelanato limpinho, do cheiro de eucalipto”.

125 Detalhado na sequencia.

126 Para compor a contextualização mais detalhada das representações de classe e processos distintivos em A Regra do Jogo, optamos por recortar apenas para as personagens femininas que compõem a narrativa. Isso

porque as questões direcionadas às receptoras também se concentram apenas nas personagens mulheres. O recorte se justifica pelo objetivo da pesquisa, que tem como foco teórico as questões de classe e não de gênero.

corpus: em ambientes de trabalho/familiar, através das relações afetivas/sexuais/maternidade,

na feminilidade; nos processos distintivos através do corpo (aparência, saúde, cuidados com a beleza, hexis corporal) e através do gosto e de práticas de consumo. Os temas e intrigas principais e secundárias serão abordadas também através das ações, motivos, caracterizações, trajetórias e desfechos das personagens. Como antedito, não é apenas o olhar para esfera denotativa/conotativa do figurino e da caracterização dessas personagens que nos auxilia na inferência dos sentidos ideológicos da representação de classe presente em A Regra do Jogo. Matérias divulgadas pela Rede Globo, que muitas vezes informam explicitamente os sentidos pretendidos através da construção corporal das personagens, algumas inclusive com atrizes comentando os looks que trajam em cena, e uma entrevista com as figurinistas Marie Salles e Mariana Sued127, responsáveis pela caracterização da trama, também compõem essa reflexão.